Em 31 de outubro de 2014, funcionários do banco central japonês estavam suando balas...
Eles haviam trabalhado até depois da meia-noite para elevar o perigoso experimento do Banco do Japão a ou- tro nível.
O chefe, governador do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, estava preocupado que o público japonês continuasse agindo de forma deflacionária. As pessoas estavam guardando dinhei- ro à espera de que os preços baixassem. Na opinião de Kuroda, era um problema que precisava ser consertado.
Kuroda quer chocar o público para que ele mude de com- portamento. Nada menos que uma revolução na expectativa de inflação resolverá a situação.
Nos últimos dois anos, Kuroda cutucou o público japonês tentando fazer com que haja expectativa de preços mais altos. Sua teoria diz que, em antecipação à inflação, haveria uma onda de gastos.
Onda que pode ser suficiente para revolucionar a psicolo- gia japonesa de consumo.
Antes da reunião do Banco do Japão de 31 de outubro, Kuroda devia estar com medo de que sua proposta não rece- besse a maioria dos votos. Ele propôs acelerar o programa de impressão de ienes iniciado em 2013. Anteriormente, a base monetária japonesa estava crescendo ao ritmo anual de 60 ou 70 trilhões de ienes. Kuroda propôs uma aceleração para che- gar aos 80 trilhões por ano.
Depois de um acalorado debate de duas horas, havia um impasse:
Os EUA podem considerar as sanções econômicas um ato de diplomacia, mas a Rússia as considera um ato de guerra. Então, é guerra. No fim, a Rússia vencerá porque tem a vonta- de, a visão e a proximidade física para perseguir seus interes- ses, enquanto o Ocidente não sabe bem o que quer.
Além disso, a Rússia possui a oitava maior economia do mundo e produz muito da energia europeia. A economia mun- dial está desacelerando por motivos que nada têm a ver com a Rússia, mas o isolamento do país piora a situação. O apetite por mais sanções, fora de Washington, é fraco. A Rússia rece- beu nosso maior ataque e continua de pé. Nossa vontade de escalar é inexistente e Putin sabe.
Para investidores, esse beco sem saída geopolítico cria uma clássica oportunidade de investimento “contrarian”. Os ETFs russos estão entre os melhores de 2015 até o momento e acredito que ficarão ainda melhores conforme a situação ucraniana se resolva a favor da Rússia.
Os ETFs a considerar são RSX (Market Vectors Russia ETF) e RBL (SPDR S&P Russia ETF), ambos em alta de 20% até o momento. Para investidores com mais apetite para vola- tilidade, há o RUSL (Direxion Daily Russia Bull 3x Shares), que usa alavancagem para ampliar retornos e está em alta de 65% e em posição de aumentar ainda mais. É claro, alavan- cagem pode aumentar tanto perdas quanto ganhos e o RUSL é altamente especulativo. Todos esses investimentos devem ser adicionados a uma pequena parcela de sua carteira – não invista tudo o que tem neles.
Eles podem ser uma adição atraente, apesar de volátil, a outros investimentos mais conservadores.
RSX, RBL e RUSL ETFs são apostas na situação ucraniana se resolvendo e nas sanções sendo gradualmente levantadas. Com base em minhas reuniões com profissionais de seguran- ça nacional, esse parece ser o resultado mais provável. Os EUA não estão dispostos a entrar em guerra, por isso sere-
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no JGB entrou em colapso. Com a força de trabalho japonesa em queda, a diminuição da competitividade e a dívida nacio- nal que exige taxas de juros próximas a zero, mais e mais do mercado JGB se converterá em depósitos de dinheiro. A oferta de iene continuará crescendo.
Por que a dívida japonesa é um problema se o banco cen- tral está pronto para converter todo o seu montante em ienes? Porque é uma questão de tempo antes que o lado da oferta da economia japonesa comece a ver o iene como uma batata quente que precisa sair de suas mãos e ser trocado por ativos de verdade – uma crise de inflação que o Banco do Japão não conseguirá combater.
Moedas morrem rapidamente quando produtores perdem a confiança de que elas retenham valor e seguram o forneci- mento do mercado.
Em The Death of Money, uso o termo “transição de fase” para descrever o processo:
“Quando a madeira queima e vira cinzas, é uma fase de transição, mas não há maneira simples de transformar cinzas de volta em madeira. O Fed acredita estar administrando um processo reversível. Acredita que a deflação pode ser trans- formada em inflação, depois em desinflação, com a quanti- dade correta de dinheiro e com o passar do tempo. O Fed está errado.”
Como o Fed, o Banco do Japão acredita que pode aumen- tar a inflação e depois diminuí-la. Mas a confiança anda frágil e ficará ainda mais com cada surto de emissão de ienes do Banco do Japão.
Muitos bancos centrais, incluindo o Banco do Japão, estão desperdiçando sua credibilidade em experimentos de efeito riqueza. Esses experimentos os estão deixando com balanços enormes que não poderão ser encolhidos.
Kuroda e seus representantes votariam “sim”; dois conse- lheiros céticos, como esperado, votariam “não”; e os quatro membros restantes estavam divididos.
Com uma votação de 5 a 4, o Banco do Japão iniciou uma grande batalha na guerra cambial...
Imediatamente depois que a votação veio a público, o dó- lar americano se valorizou muito em relação ao iene. As ações japonesas dispararam. O Banco do Japão está no caminho rumo à destruição da moeda...
Meu trabalho em bancos centrais e guerras cambiais indica que o valor do iene continuará desvalorizando em relação ao dólar nos próximos meses.
Kuroda é um fanático em sua crença de que pode revolu- cionar a psicologia inflacionária no Japão. Ele chefia o Banco do Japão desde o início de 2013, quando jurou aumentar a inflação e as expectativas inflacionárias.
Ele imediatamente lançou o maior programa de quantitati-
ve easing do mundo – duas vezes maior, em termos de PIB, que
o programa QE3 do Fed. Mas o Banco do Japão se comprome- teu a comprar $1,4 trilhão de bonds do governo japonês entre 2013 e 2014, usando dinheiro impresso.
“[O] Banco do Japão foi claro em seu objetivo de aumentar a inflação para aumentar o nominal, se não o real, PIB”, eu es- crevi em The Death of Money (O Fim do Dinheiro, em tradução livre). “O Banco do Japão explicitamente perseguiu uma taxa de inflação de 2% o mais rápido possível”.
Kuroda está cada vez mais desesperado. O plano anterior de inflar a base de oferta de moeda não foi suficiente para aumentar as expectativas inflacionárias, por isso ele buscou uma aceleração na impressão de ienes, conseguiu os votos e anunciou a mudança na política em 31 de outubro.
O Banco do Japão está tão adiantado na estrada para a destruição monetária que se tornou o único concorrente no mercado japonês de bonds (JGB). O volume de operações
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Fazenda brasileiro, Guido Mantega, chocou as elites financei- ras globais anunciando publicamente o que todos sabiam, mas ninguém tinha coragem de dizer – o mundo estava em uma nova guerra cambial.
O problema com guerras cambiais é que duram muito tem- po – às vezes 15 ou 20 anos. Isso acontece porque não há uma conclusão lógica para elas, já que são apenas vaivéns de desva- lorização e revalorização de moedas.
Vimos esse padrão gangorra reemergir. O dólar fraco de 2011 se transformou no dólar forte de 2015.
Países que reclamaram que o dólar fraco prejudicava as ex- portações em 2011 reclamam que o dólar forte prejudica seus mercados de capitais em 2015.
Esse é outro problema com as guerras cambiais – ninguém vence, todo mundo perde. Guerras cambiais não geram ri- queza; apenas roubam riqueza temporariamente de parceiros comerciais até que esses parceiros as roubem de volta com suas próprias desvalorizações.
A revalorização surpresa do franco suíço em janeiro de 2015 não será a última desse tipo. Há muitos limites impor- tantes no sistema monetário internacional prontos para se- rem quebrados. No momento, o dólar de Hong Kong e as maiores moedas árabes estão rigidamente fixadas em relação ao dólar americano.
O yuan chinês está brandamente fixado em relação ao dólar. Se os EUA aumentarem as taxas este ano, conforme os avisos do Fed, o dólar mais forte pode fazer com que países quebrem seus limites para que suas moedas não se valorizem demais a ponto de prejudicar as exportações.
Se o Fed não aumentar as taxas de juros, o resultado pode ser uma reversão violenta das tendências atuais e um dólar mais fraco, conforme o mantra do risco faz os capitais fugirem dos EUA e voltarem para os mercados emergentes. De qual- quer forma, volatilidade é uma certeza.