Conceituado o acidente de trabalho neste capítulo, bem como a terceirização no capítulo anterior, é imprescindível, a ligação a respeito dos dois assuntos, sendo feita uma abordagem sobre os acidentes de trabalho, em contratos que envolvam a terceirização.
Como bem fora levantado, os acidentes de trabalho ocorrem de modo gradual nos últimos anos, de fato, os invariáveis aumentos destes casos infortúnios, ligam-se com os contratos de empregados no ramo da terceirização, já que, segundo levantamento feito pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), pelo menos, sete trabalhadores em nosso país, falecem diariamente em consequência do desempenho de suas atividades laborais, onde destes, a maior incidência, dá-se entre os que laboram pelo ramo da terceirização, já que segundo a pesquisa, de cada dez casos que envolvem-se em acidente de trabalho, oito, ocorrem em face do ramo supracitado. Se fosse feito uma média de casos de acidente laboral, que tenha como âmago a fatalidade, a cada cinco mortes, quatro seriam de trabalhadores terceirizados.
O entendimento linear sobre a questão é de que, os acidentes de trabalho ganham maior abrangência e incidência, nos casos de terceirização, já que através deste meio, a maioria das empresas, agem de modo precário sobre o grau de instrução para o desempenho laboral do seu empregado, bem como, não dá o devido suporte ao seu empregado, em relação aos instrumentos de proteção individual para o labor. Sobre este caso, cita de modo ímpar, Oliveira (2013, p. 102):
Em decorrência do fenômeno da terceirização, muitas empresas desenvolvem suas atividades contando com trabalhadores indiretos que prestam serviços por intermédio das empresas interpostas, contratadas na condição de subempreiteiras, fornecedoras de trabalho temporário ou como simples prestadoras de serviço. A prática tem demonstrado que os serviços terceirizados são os que mais expõem os trabalhadores a riscos e, por consequência, a sofrerem acidentes ou doenças ocupacionais, pois se referem a empregos de baixo nível remuneratório e pouca especialização, que normalmente dispensam experiência e treinamento.
Deste modo, os casos que envolvem acidentes de trabalho, corroboram-se com a questão de precariedade que, parte dos empregadores e remete ao final, em consequências árduas aos seus empregados.
Ainda, segundo dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2013, cerca de 61 das 79 vítimas fatais de acidente de trabalho, que laboravam no setor elétrico, eram terceirizadas, nas obras de acabamento, dos 20 óbitos computados, 18 eram do ramo da terceirização, nas obras de terraplanagem, 18 óbitos dos 19 eram terceirizados. De certo modo, torna-se assustadora as estatísticas, acerca dos acidentes de trabalho em contratos terceirizados, confirmando, nestes casos, a maior incidência de acidentes fatais.
Outro ponto que envolve o tema, é o fato das empresas que funcionam com um caráter promíscuo e obscuro, em relação aos seus empregados, como bem destaca Oliveira (2013, p. 102):
As empresas de prestação de serviços são criadas com relativa facilidade, sem necessidade de investimento ou capital, porque atuam simplesmente intermediando mão de obra de baixa qualificação e de alta rotatividade. Como ficam na inteira dependência das empresas tomadoras de serviços e enfrentam a concorrência, nem sempre leal, de outras empresas do ramo, dificilmente experimentam crescimento próprio ou solidez econômica, sendo frequentes as insolvências no setor. Com isso, acabam aceitando margens de lucro reduzidas, sacrificando, para sobreviver, as despesas necessárias para garantia da segurança, higiene e saúde dos trabalhadores.
Desta forma, estas empresas tem como ideia central, sua própria comodidade, em que visa única e exclusivamente o seu lucro, o seu capital, como bem explica o doutrinador, são apenas empresas teoricamente fáceis de serem constituídas, trazendo consigo, pouquíssimos deveres, contudo, não são simples de serem mantidas, já que a concorrência no setor, aglomera-se, com isso, geram-se maiores reduções do seu próprio lucro final, devendo então, ser cortados gastos e despesas com o lado mais frágil de toda essa relação, que é o empregado subordinado.
Deste modo, cria-se um caminho errôneo seguido por estas empresas, passando do limite da relevância e do bom senso, acarretando quase que de modo geral, em graves consequências para o seu empregado, em que este deixa de receber, aquilo que se entende por amparo básico na de garantia da sua segurança, higiene e saúde.
Outrossim, todo esse descuido por parte da empresa prestadora de serviço, faz com que os índices daquilo que pode ser entendido, como o máximo do desgaste do corpo e da saúde dos empregados, ou seja, o acidente de trabalho fatal, seja submetido através de condições suscetíveis de desempenho impróprio do labor.
Contudo, além dos acidentes de trabalho neste tipo de contratação, por modo terceirizado ocorrerem com maior magnitude dentro de empresas, também pode sobrevir casos fora da empresa tomadora de serviços. É o exemplo dos acidentes de trabalho, em que o empregado terceirizado, desempenha sua função laboral em sua própria residência, levando para o seu lar, produtos de substâncias tóxicas e/ou químicas, em alguns casos, até mesmo, máquina para o seu trabalho, fazendo com que os índices de acidentes aumentem, já que o despreparo tanto do local, quanto do próprio empregado que executa a atividade de labor, torna-se extenso.
Acerca deste assunto, é também importante levantar a questão dos casos em que o empregado acidentado necessita buscar amparo, deve ele cobrar de seu empregador, tanto o empregador direto, ou o indireto, como bem preceitua Oliveira (2013, p.103):
O princípio norteador, cada vez mais aceito, proclama que aquele que se beneficia do serviço deve arcar, direta ou indiretamente, com todas as obrigações decorrentes da sua prestação. Nada mais justo, porquanto quem usufrui dos bônus deve suportar os ônus, como assevera a antiga parêmia ‘qui habet commoda, ferre debet onera’. Nessa linha de pensamento foram editadas várias normas legais, com o propósito de reforçar a garantia para os empregados das empresas terceirizadas, tais como o art. 455 da CLT, o art. 16 da Lei n. 6.019/1974, que trata do trabalho temporário, e o art. 8º da Convenção 167 da Organização Internacional do Trabalho. Em período mais recente a Lei n. 12.023/2009, que “dispõe sobre as atividades de movimentação de mercadorias em geral e sobre o trabalho avulso”.
Diante deste pensamento, fica evidente a ideia de que, é também dever do empregador indireto, estabelecer a reparação em casos de acidentes de trabalho, ocorrido no lapso temporal do labor desempenhado por seu empregado.
Sobre o tema, também destaca Martins (2002, p. 451):
Pode a responsabilidade civil do empregador ser demonstrada se não cumpre as normas de segurança e medicina do trabalho, como das regras relativas à CIPA. A culpa do empregador pode decorrer de não fornecer o EPI, de não fiscalizar seu uso, de não verificar a validade dos EPIs etc.
Como bem preceituado, acerca da responsabilidade, é cristalina a responsabilidade que, parte do empregador para com o empregado em casos de fornecimento de equipamentos de segurança, tão necessários para a prevenção de acidentes no campo de labor.
Ainda, pelos dizeres de Oliveira (2013, p. 107):
Se é uma realidade o fenômeno da terceirização, é também certo que essa prática empresarial não pode servir de desvio improvisado ou artifício engenhoso para reduzir ou suprimir direitos dos trabalhadores, sobretudo daqueles que foram vítimas de acidente do trabalho ou doenças ocupacionais. A transferência das atividades para uma prestadora de serviço não exime a contratante de suportar, juntamente com a contratada, os custos relativos aos danos sofridos pelos trabalhadores da empresa terceirizada.
Diante disso, é entendido que o tomador de serviços e o prestador de serviços, detêm do dever de reparar os danos sofridos por parte do empregado, que fora vítima do acidente de trabalho, na constância do contrato vigente da sua prestação de serviços por meio do ramo da terceirização.