G) MILLER E ORR
I) POLÍTICA DE CRÉDITO
14 ADMINISTRAÇÃO DO CICLO OPERACIONAL DE CAIXA
O objetivo da administração de valores a receber consiste em dispor de recursos com a maior rapidez possível, sem perder vendas, através da correta seleção de padrões de crédito, condições de crédito e monitoramento de créditos.
14.2 POLITICA DE CRÉDITO
São as diretrizes e procedimentos de:
a) Seleção de clientes, cobrança, e descontos. Constitui um importante elemento para execução dos objetivos de venda, como instrumento de atração de procura para o que a empresa oferece no mercado.
b) O benefício de reduzir os padrões de crédito é o lucro das vendas adicionais; os custos são os débitos incobráveis adicionais e o custo do financiamento adicional das novas contas a receber.
c) Os benefícios de se elevarem os padrões de crédito são as reduções das dívidas incobráveis e do menor custo de financiamento das contas a receber; o custo é a redução dos lucros sobre as vendas.
Do ponto de vista contábil, quando um crédito é concedido, cria- se uma conta a receber. As contas a receber e sua gestão constituem aspectos muito importantes da política financeira a curto prazo de uma empresa.
Se uma empresa conceder créditos a seus clientes, precisará criar procedimentos de concessão de crédito e cobrança.
Para Ross (2000), a empresa terá que lidar com os seguintes componentes da política de crédito: condições de vendas, análise de crédito e política de cobrança.
As condições de venda estipulam como a empresa propõe-se a vender seus produtos e serviços. São compostas por três elementos distintos, são eles, o período pelo qual o crédito é concedido (prazo de crédito), o desconto por pagamento à vista e prazo de desconto e tipo de instrumento de crédito.
A análise de crédito refere-se ao processo de decidir se o crédito será ou não concedido a determinado cliente. Gitman (2002), afirma que, os analistas de credito freqüentemente utilizam-se dos 5 C’s para orientar suas análises sobre as dimensões-chaves da capacidade creditícia de um cliente. Cada uma dessas cinco dimensões será descrita a seguir:
a) Caráter – o histórico do solicitante quanto ao cumprimento de suas obrigações financeiras, contratuais e morais serão utilizados na avaliação do seu caráter.
b) Capacidade – o potencial do cliente para quitar o credito solicitado. c) Capital – a solidez financeira do solicitante, conforme indicado pelo patrimônio liquido da empresa.
d) Colateral – o montante de ativos colocados à disposição pelo solicitante para garantir os créditos.
e) Condições – as condições econômicas e empresariais vigentes, bem como circunstâncias particulares que possam afetar qualquer das partes envolvidas na negociação.
O analista de crédito geralmente dá maior importância aos dois primeiros C’s – caráter e capacidade – uma vez que eles representam os requisitos fundamentais para a concessão de crédito a um solicitante.
A política de cobrança é o elemento final da política de crédito. Envolve o acompanhamento das contas a receber para detectar dificuldades e conseguir o pagamento de contas vencidas.
14.3 MEDIDAS DE CONTROLE
O monitoramento do crédito é uma medida de controle que envolve a revisão contínua das contas a receber para verificar se os clientes estão pagando de acordo com os prazos de créditos estabelecidos. Se não estiverem saldando as contas em dia o sistema de monitoramento deverá identificar o problema. Afinal, pagamentos lentos acarretam
custos financeiros em função da ampliação do prazo médio de recebimentos.
14.4 ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES DECISÃO DE COMPRA
A decisão de estocar ou não determinado item é básica para o volume de estoque em qualquer momento. Ao tomar tal decisão, há dois fatores a considerar:
1. É econômico estocar o item?
2. É interessante estocar um item indicado como antieconômico a fim de satisfazer um cliente e, portanto, melhorar as relações com ele?
A questão de saber se devemos estocar um item, embora seja antieconômico fazê-lo, a fim de prestar melhor serviço ao cliente, representa uma decisão mais difícil, porque freqüentemente é impossível atribuir um exato valor em dinheiro à satisfação do cliente.
Quanto deve ser comprado? Dois tipos básicos de custo afetam a decisão sobre o quanto deve ser comprado cada vez. Existem custos que aumentam à medida que a quantidade do material pedido aumenta, porque em média, considerando consumo uniforme, metade da quantidade pedida estará em estoque. Tais custos são aqueles vinculados à armazenagem dos materiais, incluindo espaço, seguro, juros etc. Existem, também, os custos que diminuem à medida que a quantidade de material pedido aumenta, com a distribuição dos custos fixos por quantidades maiores.
Lote econômico de compra (sem faltas)
O modelo mais simples. Considera as seguintes condições:
a) o consumo mensal é determinístico e com uma taxa constante; e b) a reposição é instantânea quando os estoques chegam ao nível zero.
O custo total anual pode ser expresso da seguinte forma: CT = custo unitário do item (ano) + custo de pedido (ano) + custo de
armazenagem (ano)
Onde: CT = custo total Q = quantidade do lote B = custo de pedido C = consumo do item L = custo de armazenagem Qe = lote econômico de compra
Exercício:
O consumo de determinada peça é de 20.000 unidades por ano. O custo de armazenagem por peça e por ano é de $ 1,90 e o custo de pedido é de $ 500. O preço unitário de compra é de $ 2.
Com base nos dados acima determine e considerando o ano comercial, determine:
a) o lote econômico de compra
b) o custo total anual do lote econômico
L BC Qe= 2 2 Q L Q C B C P CT = . + . + Q t T
c) o número de pedidos por ano
d) a duração entre os pedidos (em dias)
14.5 CONTROLE DE ESTOQUE CURVA ABC
O princípio da curva ABC ou 80-20 foi observado por Vilfredo Pareto, na Itália, no final do século passado, num estudo de renda e riqueza, segundo o qual, uma parcela apreciável da renda concentrava-se nas mãos de uma parcela reduzida da população, numa proporção de aproximadamente 80% e 20% respectivamente.
Na gestão de estoques, os itens são classificados em três grupos: A, B e C.
A – Grupo de itens mais importantes que devem ser tratados com maior atenção pela administração.
B – Grupo de itens em situação intermediária.
C – Grupo de itens que justificam pouca atenção por parte da administração.
14.6 MODELO DE ANÁLISE E CONTROLE DE ESTOQUES
A administração de estoques deve atentar às políticas de compras e critérios de controle e à análise desses ativos como reflexo de uma decisão financeira de investimento.
Quantidades excessivas de estoques, imprimem maior lentidão ao giro dos ativos e reduzem a rentabilidade da empresa.
Baixos níveis de estoques podem truncar a produção por falta de matérias-primas e impedir o atendimento de clientes.
O montante de estoques é influenciado pelo comportamento e volume previstos da atividade da empresa e pelo nível de investimentos exigidos
O investimento em estoques para reduzir as perdas com inflação deve ser feito mediante um estudo criterioso dos perigos da manutenção de altos níveis de estoques.
A análise e controle de estoques podem ser feitos através de sistemas de Kanban (JIT), MRP ou MRP II.
14.7 FLOAT
Float refere-se aos fundos enviados pelo pagante, mas ainda
não disponíveis ao que recebe o pagamento. Ele é importante no ciclo de conversão de caixa porque sua presença estende tanto o prazo médio de recebimento quanto o de pagamento. Entretanto, o objetivo deve ser encurtar o prazo de recebimento e ampliar o prazo médio de pagamento. Ambos podem ser conseguidos com a gestão de float.
O float é constituído por float de correspondência (tempo entre a postagem do pagamento e seu recebimento); float de processamento (tempo entre o recebimento do pagamento e seu depósito na conta da empresa) e, float de compensação (tempo necessário para a compensação do título).
14.8 IMPACTO DO TED NAS OPERAÇÕES DA EMPRESA
A função de um sistema de pagamentos é transferir recursos, bem como processar e liquidar pagamentos entre os diversos agentes atuantes em nossa economia, como pessoas, empresas, governo, Banco Central e instituições financeiras.
O risco sistêmico é o risco de falha de um participante ou de um procedimento impossibilitando a liquidação dos demais participantes, causando um impacto em cadeia no sistema.
O novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) passou a vigorar em 22 de Abril de 2002 passando as liquidações das operações a serem feitas em tempo real, havendo monitoramento constante de saldo da conta de reservas bancárias, não sendo permitido saldo
devedor em nenhum momento do dia. As transferências de valores elevados acima de R$ 5.000,00 são realizadas através de Transferência Eletrônica Disponível (TED).
Antes da implantação do SPB, as liquidações das operações ocorriam sempre no dia seguinte (D+1) em horários pré -determinados; as instituições podem ficar com saldo negativo na conta de Reservas Bancárias durante o dia positivando-se à noite; a liquidação é realizada por diversas entidades: COMPE (Câmara de Compensação), CETIP (Central e Custódia de Títulos),
SELIC (Serviço de Liquidação e Custódia) e outros. Segundo o Banco ABN AMRO Real (2002), anterior ao SPB a movimentação bancária das empresas era realizada através de DOC (Documento de Ordem
de Crédito) e Compensação de cheques e com a implantação do Novo SPB as empresas possuem outras opções neste para realizar suas operações bancárias.
15 BIBLIOGRAFIA
- ASSAF, Alexandre Neto - Os Métodos Quantitativos de Análise de Investimentos - Caderno de estudos, FIPECAPI/FEA-USP, sem data.
- BRIGHAM, Eugene F. & HOUSTON, Joel F. – Fundamentos da Moderna Administração Financeira. Campus, Rio de Janeiro, 1999. - DOWNES, Jonh & GOODMAN, Jordan Eliott- Dicionário de termos
financeiros e de investimento. Nobel, São Paulo, 1998.
- GITMAN, Lawrence J. – Princípios de Administração Financeira. Harbra, São Paulo, 1997.
- GROPPELLI, A. A. & NIKVAKHT, Ehsan – Administração Financeira. 3ª ed. Saraiva São Paulo, 1998.
- IUDÍCIBUS, Sérgio de & MARION, José Carlos - Curso de Contabilidade para não contadores. Atlas, São Paulo, 1998.
- MARTINS, Eliseu & NETO, Alexandre Assaf - Administração Financeira: as finanças das empresas sob condições inflacionárias. São Paulo, Atlas, 1986.
- ROSS, Stenphen A.; WESTERFIELD, Randolph W.; JORDAN, Bradford D. - Princípios de Administração Financeira. São Paulo, Atlas, 1998.
- SANVICENTE, Antonio Zoratto – Administração Financeira. 3ª ed. Atlas, São Paulo, 1997.
- ALEXANDRE ASSAF NETO – Administração do Capital de Giro - Atal
- SOLOMON, Ezra & PRINGLE, John J. - Introdução à Administração Financeira - São Paulo, Ed. Atlas, 1981.
- TREUHERZ, Rolf M. - Análise Financeira por objetivos. 5ª ed. Pioneira, São Paulo, 1999.
- WOILER, SANSÃO & MATHIAS - Projetos: planejamento, elaboração, análise. São Paulo, Ed. Atlas, 1986.
- ABN – Banco ABN AMRO Real S/A – Reestruturação do Sistema de Pagamento Brasileiro. Disponível em: <http://www.bancoreal.com.br> Acessado em 10 de julho de 2002.
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