SEGUNDA PARTE
ADMINISTRADORES E ARRENDATÁRIOS
Foram Administradores do Teatro S. João:
Domingos Antonio Zuaniry (1830), coronel Ignácio Accioly de Cerqueira e Silva (1836-39), Angelo da Costa Ferreira, Antonio Pedro-
so d’Albuquerque e Ignácio Rigaud, em Comissão (1839), Brigad. An- tonio de Sousa Lima e Joaquim José de Araújo (1841), Francisco Moniz Barreto e Ambrozio Ronzy (1842), João Alves Portella (1846), Antonio Maria de Moura e Matos (1847), José Joaquim dos Reis Lessa (1848), Francisco Justiniano de Castro Rebêllo (1857), Dr. Antonio Joaquim Rodrigues da Costa (1858), Dr. Agrário de Sousa Menezes (1858-63), Manuel Ignácio de Sousa Menezes (1863), Francisco Justiniano de Cas- tro Rebêllo (1874), Custódio Rebêllo de Figueiredo (1879), Dr. Henri- que de Almeida Costa (1881-89), Comm. Theodóro Teixeira Gomes (1896-1912).
Por Decreto de 19 de julho de 1912, do Governo do Estado, foi nomeado, em substituição, com o título de Diretor do teatro, sem direito a remuneração, o engenheiro Sílio Boccanera Júnior, que ainda exerce o cargo.
Entre os anos de 1880-81, exerceu, interinamente, cargo de Administrador o Comm. José Gonçalves Martins, filho do grande esta- dista baiano, de memória imperecível, o Visconde de S. Lourenço, du- rante o impedimento do efetivo, Custódio Rebêllo de Figueiredo,
Os antigos Administradores do Teatro São João percebiam re- muneração do governo, a título de gratificação, isso até o ano de 1878.
Não esmoreceu, porém.
Num gesto de civismo, e cheio de perseverança e energias, apelou, então, para o governo do seu Estado e Assembléia Legislativa, compreendendo bem o nobre sentimento de ser a peça montada em um dos teatros da Bahia, no seu dia mais glorioso, do Centenário do 2 de Julho, por meio de lisonjeiro Parecer, encaminhou a Petição de Israel Ribeiro, em que solicitava o auxílio pecuniário de 5:000$000, para a mon- tagem dispendiosa da peça histórica, de grande encenação, e custoso guarda-roupa encaminhou-a para a Comissão Executiva das patriótica: festas, nomeada pelo governo do Estado, para as mesmas: habilitada com a quantia de 800:000$000, concedida pelo poder competente.
Essa comissão houve a bem negar ao nosso conterrâneo, que é pobre, mas procura, por seus talentos, e come baiano, honrar o
nome de sua terra natal, no dia máximo de nossas liberdades políticas, o insignificante auxílio de 5:000$000!
Não esmoreceu, ainda, Israel Ribeiro, e arcabouçado em sua fé, que arma os grandes heróis, abre, de logo para conseguir seu fim, para levantar o capital necessário negado pela patriótica comissão, grande subscrição pública, que é iniciada pelo Governador do Estado com a quantia de 50$000, achando a mais lisonjeira acolhida da parte de to- dos, principalmente do Comércio, negociantes, capitalistas, estabeleci- mentos bancários e industriais promove, ainda, espetáculos em bene- fício, em cinema da cidade, de todos os meios, em fim, lança mão, dignos de aplauso, sempre encorajado, e, triunfante, mete sua peça em ensaios, cuja interpretação é cometida a distintos amadores do Centro Dramático Sílio Boccanera Júnior, tomando, também parte no desem- penho, por nimia gentileza, como excepcional destinção ao ‘’Centro Dramático”, de que é patrono seu marido, e em homenagem, como brasileira, a gloriosa data nacional, a destinta artista Luísa Leonardo, que se acha retirada do palco há 20 anos, encarregando-se do papel da protagonista do drama Soror Joanna Angélica.
O corpo cênico está composto, além da citada artista, dos seguintes amadores, quase todos baianos: Judith de Oliveira, Albertina Salles, Armando Fonseca, Aurélio Epaminondas, Manuel Espinheira, Xavier Leal, Ruy Medeiros, André Silva, Germano de Oliveira, Arlindo Novaes, Florisvaldo Leal, Manuel Vergne, Manuel Pinto, Francisco Ro- cha e Synesio Gottschalk. que interpretarão os principais papéis.
Ensaiador - Paulo Cruz.
Cenógrafo - Manuel Espinheira. Ponto - Arlindo Teixeira.
Quando já em ensaios adiantados a peça, deliberou o Gover- nador do Estado contribuir com a quantia de 1:500$000, para auxiliar as despesas da montagem.
O Município da capital contribuiu com a quantia de 500$000. Em 1844-45, por um documento, existente no Arquivo Pú- blico, tinham direito a 4 benefícios, por ano nos meses de fevereiro,
maio, julho e outubro, livres de toda despesa, feita por conta das com- panhias que trabalhavam no teatro.
Ignácio Accioly, dando demissão do cargo de Administrador, diz, no seu ofício ao governo, datado de 16 de janeiro de 1839: ...“por conhecer que tal Administração é, presentemente, ambicionada pelos que a reputam um Potosi para o Administrador’’.
Têm sido seus arrendatários, a partir do advento da Repúbli- ca: Cap. João Gomes de Oliveira (1889-95) ; Dr. João Rodrigues Germa- no (1908-11); Cor. Ruben Pinheiro Guimarães (1911-20); Sowzer & C., por 10 anos (1923-1933), conforme contrato celebrado com o Gover- no do Estado, assinado aos 2 de maio de 1923.
Ainda em tempo, tristemente deixamos nesta página regista- do que fatal incêndio, ocorrido na madrugada de 6 de junho, deixou em ruínas - sagradas ruínas - o secular Teatro São João da Bahia, fican- do, assim, sem efeito o contrato de arrendamento um mês antes feito com firma Sowzer & C.
E, assim, também, depois de 111 anos, despareceu, para sempre, de nossas vistas, o glorioso Templo da Arte, o único teatro dos tempos coloniais que existia no Brasil.
Dois meses antes, a 6 de abril, fora, também por um incên- dio, destruído o edifício do antigo e glorioso Teatro São Pedro de Alcân- tara, à rua Carlos Gomes, já de há muito extinto, ocupado, nos últimos tempos, pelo Bazar Machado, e onde funcionava o Grêmio Literário, a mais vetusta e tradicional instituição de Letras da Bahia, tabernáculo que foi do nosso grande Castro Alves.
O fogo tem sido, nesta nossa terra, o mais implacável inimigo de nossos templos de Letras e de Artes.
FOTO (1920)
Projeto de reforma e remodelação do “Teatro São João”, do Eng.
Civil Filinto Santóro, premiado pelo Governo do Estado (fachada principal)