ETIQUETA TEXTUAL
2. O agir humano à luz do ISD
2.2. O agir humano nos textos
A influência da obra de Voloschinov (1929/1964) gravada, ainda que não dogmaticamente26, pelos princípios filosóficos enunciados por Marx & Hegels
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Bronckart (2009:33) a este respeito esclarece: “Le marxisme de Voloshinov était cependant résolument critique et se distinguait sur deux points centraux du dogme qui commençait alors à se mettre en place. L’auteur considérait d’une part que si elle constituait un cadre de pensée nécessaire, la philosophie marxienne ne fournissait ni les concepts théoriques, ni les principes méthodologiques nécessaires au déploiement des sciences humaines, et qu’en ce sens il ne pouvait y avoir ni linguistique marxiste, ni quelque science marxiste que ce soit. D’autre part, il récusait la thèse du déterminisme des infrastructures sur les superstructures, soutenant notamment que les phénomènes langagiers témoignent d’une réelle autonomie eu égard au substrat politico-économique, et plus précisément que ces phénomènes constituent une sorte de “milieu intermédiaire”,entre l’ordre des activités socio-politico- économiques et celui des diverses idéologies”.
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(1845/1951) na constituição da base gnosiológica do ISD é fortemente marcada pelo estatuto conferido à linguagem, intimamente articulado às condições do funcionamento psíquico e da consciência: ela é vista como um elemento construído socialmente, sendo que as interações verbais são externas e socializadas. Nessa perspetiva, a conceção de linguagem constrói-se a partir do conceito de dialogismo.
Como assinala Bronckart (2008:10):
“Pour l’auteur, toutes les unités de la connaissance humaine ont un statut sémiotique; ce sont des signes d’entités mondaines constituant des référents. Mais ces «signes-idées» ne peuvent émaner de l’activité des seuls individus; ils sont nécessairement les résultats de discours produits dans le cadre d’interactions sociales et en raison de ce statut, ces discours présent toujours un caractère dialogique: ils s’inscrivent dans un horizon social et s’adressent à un auditoire social.”
Linguagem e aspetos sociais (meio e contexto) estão intimamente ligados, uma vez que se defende que a relação social se estabelece a partir do diálogo entre o eu e a alteridade, ou seja, a interação pressupõe o outro. Tese fundadora neste autor é também a que acentua o caráter socio-histórico das propriedades comportamentais e mentais humanas, resultado de um processo de socialização.
É também a Voloshinov (1929/1977) que se deve a contribuição teórica de um programa metodológico de índole descendente que focaliza a materialização das atividades por meio dos géneros de texto, com o objetivo de analisar as formas com as quais as condutas humanas se organizam e se desenvolvem, a partir das suas dimensões linguísticas, psicológicas e sociais: “(…) analyser d’abord les activités d’interaction verbale dans leur cadre social concret; analyser ensuite les types d’actes de parole, ou les genres de discours mobilisés dans ces interactions; procéder enfin à l’examen des propriétés linguistiques formelles de chacun des genres” (Voloshinov, 1929/1977:137-138).
Como se pode verificar, este pensador, teórico do círculo de Bakhtin é, igualmente, pioneiro na introdução da centralidade do conceito de género textual, referindo-se ao facto de que toda a produção verbal, tenha ela origem em trocas quotidianas ou seja fruto de aspirações literárias, procede de um género, o qual tem
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uma estreita dependência das situações específicas de comunicação. Sobre a sua importância no seio do ISD, falaremos daqui a pouco.
Importa, ainda, referir que um outro aspeto fundamental a assinalar é a preocupação de Voloshinov não com a classificação, mas com o dialogismo do processo comunicativo, em que as relações interativas são encaradas como processos produtivos de linguagem.
Entretanto, mantendo a atenção na centralidade da linguagem e da interação humanas, Bronckart vai além de Vygotski e procura em Bakhtin27 (1978, 1984/2000) uma visão da linguagem que lhe parece mais adequada. Com efeito, o seu entendimento contrapõe-se marcadamente aos paradigmas tradicionais vigentes à época que concebiam a linguagem ora como um sistema abstrato das formas da língua e fechado em si mesmo, sem manter relação com os aspetos sociais e culturais ora como decorrente do psiquismo individual do falante. Para ele, na verdade, “(…) a língua é um processo de evolução ininterrupto, que se realiza através da interação verbal social dos locutores” (1978:122), ou seja, a língua é o reflexo e o principal instrumento da interação social e Bronckart abraça esta conceção. Por outras palavras, o centro organizador de toda a enunciação é exterior, está situado nas condições do meio social que envolvem o indivíduo, como tal, no ponto de vista de Bakhtin, os enunciados são produtos da atividade humana e, enquanto tal, articulam-se às necessidades, aos interesses e às condições de funcionamento das formações sociais em que são produzidos.
Consequentemente, os textos são variados, heterogéneos e complexos tanto quanto o são as atividades do ser humano. Nessas diferentes situações de uso da língua vão sendo elaborados “tipos relativamente estáveis de enunciados” (os géneros) que Bakhtin (1984/2000) caracteriza como ostentando três aspetos elementares: a) o conteúdo temático, b) o estilo e c) a construção composicional, que se fundem no todo do texto e que são marcados pela especificidade de uma esfera da comunicação, que o autor designa como esfera de atividade – instância sociodiscursiva que estimula e norteia a produção e circulação dos géneros. Além disso, os géneros tomam lugar na
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Embora como já referimos anteriormente, seja de toda a justiça atribuir a Voloshinov a origem de um conjunto de escritos de que Bakhtin se terá indevidamente apossado, há alguns contributos que lhe continuam a ser imputados.
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nossa experiência e na nossa consciência de maneira integrada, o que conjugado com as transformações da sociedade e os diferentes contextos em que são utilizados ocasiona a constante evolução a que estão sujeitos, sendo, por isso, suscetíveis de se ajustar a novas situações. É o que veremos já de seguida.