2. DINÂMICA DO USO DA TERRA NO MATO GROSSO
2.4. Algumas políticas públicas de uso da terra relevantes para o MT
O governo destinou R$ 12 bilhões, por meio do Pronaf (Programa Nacional de
Agricultura Familiar), para a agricultura familiar na safra 2007/2008, incluindo incentivos fiscais para produção e subsídios para implementação de fontes renováveis de energia e substituição de fontes fósseis de combustível, assim como a ampliação da assistência técnica e apoio à comercialização. Dentre as linhas de crédito, a linha “Pronaf Floresta” sobressai-se, financiando sistemas agroflorestais, o extrativismo sustentável, o manejo florestal e a elaboração do plano de manejo. Os recursos poderão ser utilizados na recomposição e manutenção de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais.
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2.4.2. Renegociação das dívidas rurais
16O governo federal apresentou em 27 de maio de 2008 os termos de renegociação das dívidas rurais contraídas, potencialmente beneficiando 2,8 milhões de contratos de crédito rural, responsáveis por um saldo devedor de R$ 75 bilhões. O intuito por trás dessas medidas é estimular a produtividade agropecuária, reduzindo o endividamento do pequeno e grande produtor, permitindo, assim, o acesso a novos financiamentos. Entre as ações propostas, destaca-se a redução da dívida, a prorrogação de prazos e o tratamento diferenciado a municípios que decretaram estado de calamidade. Cabe destacar as medidas de incentivo a preservação ambiental, as quais incluem a utilização de florestas cultivadas como penhor nas garantias das operações de crédito rural e financiamentos florestais; taxas de juros anuais baixas (4%) para operações florestais com recursos dos fundos constitucionais e concessão de subvenção direta a agricultores envolvidos na atividade extrativista.
2.4.3. Incentivos à produção de biocombustíveis
Os Biocombustíveis vêm assumindo uma participação cada vez maior na Matriz Energética Nacional (MEN). O governo, por meio de políticas públicas, busca alavancar a produção das matérias primas do etanol e biodiesel, assim como a incorporação destes combustíveis na dinâmica energética nacional. A expansão da tecnologia total flex (motores que funcionam tanto a gasolina quanto e a álcool) a partir de 2003, associado à perspectiva de ampliação do mercado internacional de biocombustíveis, estimularam o aumento na produção nacional de etanol. As decisões políticas para o setor sucroalcooleiro estão subordinadas ao Conselho Interministerial do Açúcar e Álcool, com atribuições normativas, dentro das quais se destaca a obrigatoriedade de adição de etanol anidro a gasolina.
Um recente diagnóstico (2007) realizado pelo ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza) demonstrou o avanço da cana sobre áreas de alta prioridade de conservação no centro–sul do país. A expansão se dá sobre o segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado, o qual, ao contrário da Amazônia, não possui um sistema de vigilância efetivo e nem políticas públicas que se adiantem na reorientação na distribuição territorial do cultivo feito pelo capital privado. Diversas usinas de processamento de cana estão sendo construídas nos estados de Minas Gerais, Goiás,
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70 Mato Grosso do Sul e São Paulo, vindo somar as outras que já existiam. De acordo com as tendências observadas, espera-se que o avanço se estenda futuramente aos estados do Mato Grosso e Tocantins, nos quais algumas usinas já estão em construção. O deslocamento de outras atividades agropecuárias para frente de expansão da fronteira é um potencial efeito colateral oculto no avanço canavieiro.
2.4.4. Projetos de Assentamento Rural
Com a mecanização da agricultura e esgotamento de atividades como garimpo e extração madeireira, parte do contingente ocioso inseriu-se em projetos de reforma agrária no norte do Mato Grosso.
O Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) em parceria com o Incra desenvolve Projetos de Assentamentos (PA) rurais. Até 2005, 8 municípios do norte do estado foram contemplados, beneficiando 3.092 famílias (Tabela 2.8). Além dos projetos de redistribuição fundiária, em 2006 foram disponibilizados para mais de mil famílias o Crédito Instalação modalidade Materiais de Construção previstos no programa federal de reforma agrária. São valores de R$ 7 mil para serem utilizados na construção de habitações dentro dos lotes explorados pelos assentados, totalizando um orçamento que ultrapassa R$ 2 milhões.
Tabela 2.8. Projetos de assentamentos rurais implementados pelo Intermat/Incra até 2005 no norte do Mato Grosso.
fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário
Contudo, cabe destacar que a redistribuição de terras, por si só, não é suficiente. Os assentados devem ter acesso à infra-estrutura de produção e escoamento para efetivar a sua estada na terra. Do contrário, políticas de reforma agrária acabam resultando em nova concentração fundiária à medida que os beneficiados vendem suas terras para atores mais capitalizados. Segundo Micol et al.(2008), o desmatamento abrange 49% das áreas destinadas aos assentamentos de reforma
Município N° de famílias Beneficiadas Área (ha)
Alta Floresta 93 2.447
Apiacás 237 9.843
Aripuanã 195 66.000
Canabrava do norte 86 10.885
Colniza 279 332.446
Nova Canaã do Norte 137 25.851
Novo Mundo 1852 336.987
Porto alegre do Norte 213 21.175
71 agrária, proporcionalmente maior que o observado nas propriedades rurais do Mato Grosso. Mesmo respondendo por apenas 5% do território do estado, explicita-se a necessidade em entender a dinâmica dos assentamentos, tendo como objetivo combater o desmatamento no Mato Grosso.
2.4.5. Criação de Unidades de Conservação e Terras Indígenas
Em 2009, um mosaico de territórios indígenas e Unidades de Conservação (de proteção integral e uso sustentável) pontilham o norte do Estado. Algumas que merecem destaque são:
? Parque nacional de Juruena: criado em 2006, o parque abrange 1,9 milhões de hectares. É o quarto maior parque nacional brasileiro, fazendo parte do Corredor de Conservação do sul do Amazonas, um mosaico de unidades de conservação que visa conter o avanço do desmatamento.
? Parque Nacional Indígena do Xingu: criado em 1961, apresenta área de 2.800.000 há, comportando 5500 índios de quatorze etnias distintas.
? Estação Ecológica Iquê: localizada no noroeste mato-grossense, a reserva conta com 224.890 ha, contínua com a área indígena dos Enauenê- Nauê. A unidade sofre com a presença de garimpeiros de diamantes em seu entorno e dentro dos próprios limites, provocando desmatamento e poluição da bacia hidrográfica.