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Alguns princípios do nosso Modelo de Jogo

No documento Um Treinar Para Um Jogar (páginas 43-52)

3. Relatório de estágio – Varzim S.C

3.3 Alguns princípios do nosso Modelo de Jogo

O modo como se idealiza o jogo de Futebol é determinante para a construção do Modelo de Jogo, isto é, para se atingir um determinado jogar, é necessário treinar esse jogar. Para se construir um Modelo de Jogo é importante que o treinador saiba muito bem aquilo que deseja para a sua equipa. Tem que ter ideias muito concretas em relação às “invariantes/padrões” que pretende que a equipa e os respectivos jogadores manifestem. O Modelo de Jogo foi um aspecto fundamental de todo o processo de treino, sendo ele que orientava, direccionava tudo o que fazíamos e que pedíamos para fazer, tendo Oliveira, J.G. (2006) e Gomes (2008) a mesma linha de pensamento.

“Um Modelo de Jogo condiciona um modelo de treino, um modelo de exercícios, um modelo de jogador. O modelo de jogo é um projecto consciente do que é a concepção de jogo do treinador, onde as características individuais dos jogadores são determinantes na definição desse mesmo Modelo de jogo” (Faria, 1999, pp 49).

Desta forma, o processo de treino deve ser elaborado sofrendo influências do Modelo de Jogo, do modelo de preparação e do modelo de jogador (Araújo, 1987). Devendo, os modelos de preparação e de jogador, aquando da organização do processo de treino, ter como ponto de partida o Modelo de Jogo da equipa (Tschiene, 1985, citado por Garganta, 1997).

Assim sendo, apresentamos alguns princípios do nosso Modelo de Jogo, o qual vamos decompor em princípios, sub princípios e sub dos sub princípios. “Desmontando em diferentes níveis de organização”, ou seja,

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descomplexificando o nosso Modelo de Jogo, de forma a podermos trabalhá-lo melhor e ser de mais fácil compreensão e assimilação para o jogador.

3.3.1

Organização defensiva

Na organização defensiva, temos como principal princípio a defesa à zona pressionante, isto é, após determinarmos uma zona de pressão (que poderá ser alta, média ou baixa consoante o jogo) a equipa tem de mudar rapidamente de atitude e pressionar para provocar o erro do adversário ou ganhar a posse de bola.

Seguindo os seguintes sub princípios – pressão ao portador da bola pelo jogador mais próximo (contenção); coberturas defensivas por parte dos colegas mais próximos ao colega que realiza a pressão; restantes elementos da equipa organizam-se defensivamente (concentração), mantendo sempre a equipa equilibrada defensivamente.

Dentro destes sub princípios convém destacar alguns dos sub dos sub princípios como: não entrar de primeira na pressão ao portador da bola, tentar provocar o erro numa fase inicial para depois procurar “roubar” a bola, fechar os espaços e as linhas de passe e agressividade em todos os momentos de pressing e quando falamos em agressividade falamos em retirar espaço para jogar e tempo para pensar ao portador da bola.

3.3.1.1. Alguns dos comportamentos da dinâmica defensiva da equipa:

- Os avançados são os primeiros a defender, onde o PL, procura condicionar os centrais mantendo-se sempre entre o central que tem a bola e a nossa baliza, cortando linhas de passe para o pivô e condicionando o passe longo.

- Os extremos condicionam a linha de passe para os laterais, realizando logo pressão quando a bola entra nestes (referência de pressão); os extremos quando a bola se encontra no lado oposto, têm de fechar dentro, retirando espaço e equilibrando a nossa equipa; à medida que vai rodando o jogo para o seu lado, o extremo báscula, subindo no terreno de jogo, condicionando o passe para o lateral. O mesmo tem de dar coberturas por cima ao médio interior e ao lateral do seu lado, cortando linhas de passe e fechando espaços.

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- Aos médios pedimos uma dinâmica muito intensa, sendo um aspecto chave do nosso jogar, pedindo aos interiores para realizarem basculações à medida que a bola vai rodando, dando coberturas ao PL e aos extremos, sendo que quando a bola está na lateral, o médio interior desse lado dá cobertura ao extremo e o outro fecha o espaço para o meio, condicionando o passe para o pivô adversário. Quando um médio interior assume a contenção, o pivô e o outro médio interior têm de dar coberturas, sendo que, o médio interior que realiza a contenção não pode “largar” o adversário enquanto este estiver no seu lado do campo, havendo uma troca de contenção para o outro médio interior quando há uma passagem de um lado do campo para o outro, invertendo os papéis.

Quando a equipa se encontra numa zona mais baixa do terreno de jogo, os médios interiores têm de dar coberturas aos laterais, fechando o espaço interior por cima (sendo os centrais a fecharem os espaço interior por baixo), onde o médio interior do lado contrário fecha o meio e em caso de perigo de cruzamento fica há entrada da área, ficando o pivô a fechar as linhas de passe para o meio da área, dando coberturas ao médio interior do lado da bola (nota: se puder o médio interior assumir a contenção na lateral, melhor, para assim ficar com a cobertura do lateral, do pivô e do extremo).

O papel do defensivo do pivô é muito importante, pois é ele que dá os equilíbrios todos e retira espaço nas costas dos médios interiores, dando confiança para estes pressionarem o adversário. Quando o pivô tem de assumir a contenção, os médios interiores têm de ajustar rapidamente e de preferência um deles assumir a contenção deixando o pivô ajustar e equilibrar a equipa, mas quando isso não é possível é um dos interiores que deve assumir o papel do pivô. Esta dinâmica defensiva dos médios muito complexa e intensa, sendo por esse motivo um comportamento sempre presente em todas as semanas de treino.

- Aos defesas pedimos que encurtem os espaços de maneira a dar coberturas ao pivô e retirarem o espaço nas costas dos médios interiores na zona lateral do campo. A dinâmica defensiva pedida aos laterais é para bascularem fechando o espaço quando a bola se encontra no lado oposto (muito ou pouco espaço, vai depender da velocidade do lateral e da equipa adversária, o espaço é gerido pelo jogador, sendo corrigido por nós se

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acharmos que está muito fechado ou muito aberto, porém é uma distancia que teremos (o jogador e nós) de nos sentir confiantes e confortáveis), e assumindo a contenção quando a bola se encontra do seu lado.

É muito importante, não entrarem de primeira, nem para roubar a bola, pedimos apenas para condicionar o adversário e não deixar sair cruzamento, pois ao condicionarmos com as respectivas coberturas (médio interior, central e restantes a fechar espaço) o adversário erra por si próprio, mas temos de ser agressivos, inteligentes e não dar espaço para jogar (não sermos precipitados).

Os centrais dão coberturas aos laterais e pivô, retirando espaço nas costas deste. Quando a bola se encontra na lateral, um central vai dar cobertura e o outro fica na zona do primeiro poste e o lateral do lado oposto fica na zona do segundo poste (médio interior do lado oposto na zona de entrada da área/penalti e o pivô a fechar o passe rasteiro para o meio (entre o lateral, médio interior e central do lado da bola), estilo losango, ficando no vértice o lateral e no oposto o pivô, sendo os vértices laterais ocupados pelo central e médio interior), estando preparados para o cruzamento (que não deverá sair). O GR tem de acompanhar sempre a equipa e se necessário subir para retirar espaço nas costas dos defesas.

- Queremos sempre que possível, que seja um jogador mais subido no campo a fazer contenção para assim ter mais coberturas entre ele e a baliza. Quando o GR adversário pontapeia longo, queremos que sejam os médios a ganhar a bola, tendo a cobertura os avançados e dos defesas. Assim como, quando há uma bola no ar, o mais próximo vai disputar e os restantes dão coberturas e fecham espaços para ganharmos as segundas bolas.

Nota: As contenções e as coberturas defensivas são demasiado

importantes no nosso Modelo de Jogo, pelo que devem ser realizadas com eficácia e rapidez, assim, na contenção e nas coberturas, nunca devemos entrar de primeira, devemos sim condicionar o adversário e quando uma é ultrapassada (contenção) a outra (cobertura) deve actuar logo, deve ser uma cobertura activa e não passiva. Na defesa à zona atemos como referências: a bola, o colega de equipa, o espaço e por último o adversário, sendo a interacção entre elas e delas com a situação, que torna a defesa à zona eficaz.

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3.3.2

Transições ofensivas

Continuando a descomplexificação do Modelo de Jogo, nas transições ofensivas, temos como principal princípio retirar a bola imediatamente da zona de pressão através do passe.

Tendo como sub princípios: retirar a bola da zona de pressão para ataque rápido, onde procuramos chegar o mais rapidamente possível à baliza adversária através do passe longo em profundidade ou com passes curtos em progressão; retirar a bola da zona de pressão para segurança, isto é, quando a nossa equipa se encontra desequilibrada preferimos conservar a posse de bola, tirando de uma zona mais povoada para uma zona menos povoada, deixando a nossa equipa equilibrar-se, passando assim a um ataque mais apoiado.

Como sub dos sub princípios procuramos uma mudança rápida de atitude, onde os extremos abrem e dão profundidade à equipa para sairmos em transição em profundidade; os jogadores mais próximos da bola procuram criar linhas de passe em segurança (recuadas ou laterais em diagonal para virar o lado da bola).

3.3.2.1. Dinâmica desejada na transição defesa-ataque:

- Queremos uma mudança de atitude rápida de todos os jogadores, sendo que os avançados sobem e abrem, dando profundidade e largura à equipa. Os médios fazem o mesmo, mas procuram linhas de passe curtas e seguras para sair em ataque rápido ou para circularem a bola em segurança.

Quando recuperamos a bola, os jogadores devem olhar logo para os avançados, mais em específico o extremo do lado contrário. Os defesas devem baixar e abrir, dando linhas de passe de segurança para virar rapidamente o lado da bola sem correr o risco de a perder. Devendo tirar rapidamente a bola da zona de pressão pelos defesas em segurança, ou pelos avançados para ataque rápido, ou pelos médios que poderão sair em ataque rápido ou em segurança.

- Mas não é sempre tão linear, a bola poderá sair pelos avançados e não sair um ataque rápido. O importante é sair da zona de maior pressão para menor pressão, dando sempre linhas de passe seguras (de onde sairá ataque rápido ou ataque apoiado).

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3.3.3

Organização ofensiva

Para a organização ofensiva, temos como principal objectivo a circulação objectiva da bola, onde procuraremos desorganizar a equipa adversária para podermos criar situações de finalização.

Como sub princípios pedimos: tem que haver sempre uma ou mais linhas de passe de segurança (cobertura ofensiva); os jogadores têm de criar linhas de passe diferentes e ocupar espaços vazios para procurar desequilibrar a equipa adversária (mobilidade); no último terço do campo queremos objectividade, onde o drible serve para procurarmos o espaço para desequilibrar o adversário para depois passarmos a bola ao colega solto, isto é, penetrações sucessivas e passe até haver possibilidade de golo (estilo andebol).

Nos sub dos sub princípios temos as trocas posicionais; rematar sempre que possível; jogar o mais simples possível no nosso meio campo defensivo; laterais mais fixos, onde só sobem pela certa; pivô sempre em equilíbrio e como linha de passe de segurança...

3.3.3.1. Comportamentos ofensivos esperados:

- Equipa bem aberta, quer em largura quer em profundidade, jogadores móveis a criar sempre linhas de passe em diagonais e objectivos na circulação; na última zona do campo pedimos para não hesitarem nas decisões, assumirem uma e irem até ao fim, quer seja remate, passe ou finta (logicamente vamos trabalhar essa decisão ao longo da época para assim escolherem a que melhor se enquadra na situação).

Pedimos qualidade nos passes e inteligência na ocupação dos espaços. Para nós dar uma linha de passe, não implica aproximar, implica sim, inteligência a pedir a bola e se necessário libertar espaços e ocupar outros espaços vazios para a bola poder entrar em segurança (o que acontece é que ao aproximarem do jogador com bola retiram espaço de jogo a este).

- Na zona defensiva do campo pedimos que joguem simples, de preferência a dois toques, sendo os laterais importantes na circulação de bola por trás para virar o jogo. Estes não devem subir no terreno de jogo desnecessariamente, o papel deles é defender e é isso que têm de ter em mente, assim têm de criar linhas de passe de segurança aos centrais.

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Quando têm a bola devem entregar aos médios e aos extremos, ou seja, não devem ser eles a criar o desequilíbrio, temos jogadores cuja posição é mais propícia a isso, pelo qual a bola deve ser entrega a esses. Assim, devem entregar e apoiar, dando linhas de passe de segurança. Logicamente que poderão subir no terreno de jogo, quando este o pede, porém só pela certa, e quando os colegas dão indicação para isso (não é norma, é pedido pelo jogo), após a jogada têm de reorganizar rapidamente.

- Os extremos não devem baixar em demasia para pedir jogo, devem deixar esse papel para os médios, podendo haver trocas de posições, onde assumem o papel da respectiva posição. Os extremos na última parte do campo podem “ir para cima” do adversário quando existe 1x1 e mesmo 2x1, porém devem decidir bem e não hesitar, dentro da área ou na sua periferia estão todos autorizados a rematar, tendo sempre que haver movimento para a recarga. A decisão nesta última parte do campo é fundamental e por esse motivo, esperamos que façam a decisão correcta.

- O pivô tem que promover sempre o equilíbrio da equipa mesmo a atacar, sendo sempre linha de passe de segurança e tendo sempre em mente virar o lado da bola, tirar da confusão para uma zona menos povoada.

- Pretendemos uma dinâmica “estilo andebol” para os médios interiores e avançados, sendo os restantes membros da equipa a provocar o equilíbrio para os desequilíbrios criados por essa dinâmica. Assim, o portador da bola ataca o espaço vazio e depois solta a bola para um colega livre, caso ninguém lhe feche o espaço, vai para a baliza para finalizar. Tentando com isso criar o desequilíbrio da equipa adversária, promovendo situações de finalização para a nossa equipa.

- No pontapé de baliza, pedimos, sempre que possível para sair a jogar, sendo que a equipa sobe deixando apenas os quatro defesas, após a bola entrar nos centrais aparece o pivô para ir buscar jogo, caso não consiga receber sai e aparece o médio interior do lado contrário aonde está o pivô. Caso não dê para sair, pedimos ao GR para bater para o meio campo, onde vão estar os nossos médios preparados para ganhar a bola.

Nota: Vamos dividir a nossa organização ofensiva em quatro fases, para

nos ser mais fácil identificar no jogo em que fase está a ocorrer a maior parte dos erros e melhorá-los (1ª Fase de construção – Gr para defesas, 2ª fase de

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construção – Defesas para médios, 3ª fase de construção – Médios para os avançados e 4ª fase de construção – Finalização).

Estamos conscientes que poderão haver passes do GR para os avançados, dos defesas para os avançados…, contudo, estamos interessados em analisar o porque de isso acontecer, se é porque o jogo pede (desmarcações, transições rápidas…) ou se é por falta de opções, linhas de passe, e/ou dificuldade criada pelo adversário.

3.3.4

Transição defensiva

Na transição defensiva, temos como princípio a pressão imediata ao portador da bola, onde pedimos uma mudança rápida de atitude após perda de bola para que a nossa equipa, por um lado possa impedir o contra ataque adversário, e por outro lado dar tempo aos restantes membros da equipa para se organizarem defensivamente.

Como sub princípios pedimos um pressing inteligente e organizado, onde o mais próximo realiza a contenção e os restantes dão coberturas e fecham espaços, criando uma grande aglomeração (organizada) de jogadores em torno da bola.

Para sub dos sub princípios pedimos sempre para não entrarem de primeira, provocando inicialmente o erro do adversário antes de tentarem “roubar” a bola; qualidade na decisão se fazemos ou não falta para impedir males maiores; mas mais importante que isto tudo é sermos inteligentes, disciplinados e mentalmente disponíveis para a realização de uma transição ataque-defesa forte e rápida.

3.3.4.1. Comportamentos esperados na transição ataque-defesa:

- A equipa, após a perda da bola tem de reagir rápido e com inteligência, o mais próximo condiciona o portador da bola para dar tempo à nossa equipa reorganizar-se, sendo essa reorganização activa e rápida, isto é, o mais próximo da bola faz contenção, os mais próximos dessa zona dão coberturas e os restantes membros fecham espaços e equilibram a equipa.

Mais uma vez a contenção é fundamental, devendo ser realizada com eficácia, sem entrar de primeira, sem tentar tirar a bola (numa primeira fase),

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onde as coberturas também têm de estar presente e ser activas, ou seja, mal o colega é batido têm de actuar, passando a realizar a contenção.

- Uma transição ataque-defesa, inteligente, rápida e organizada é fundamental para recuperarmos a bola rapidamente e quando isso não acontece é fundamental para reorganizarmo-nos defensivamente sem que o adversário nos crie perigo.

Entre outros princípios estes são hierarquicamente mais “importantes”, isto é, são os que definem os quatro momentos. Porém, é a interacção entre todos os princípios/comportamentos que vai permitir atingir a concepção de jogo desejada.

Temos consciência que o Modelo de Jogo poderá sofrer algumas alterações ao longo da época, pois nunca podemos considerar um Modelo de Jogo acabado. O Futebol é imprevisível e está em constante evolução, logo as nossas concepções de jogo sofrem alterações, evoluem e consequentemente o nosso Modelo de Jogo também evolui, como refere Tamarit (2007).

Contudo, a maneira escolhida por nós para conseguirmos trabalhar os comportamentos referidos anteriormente, que nos permitiu uma maior transferência para o jogo e foi muito importante para a obtenção de sucesso, foi respeitando a “especificidade”, onde as adaptações que o treino provocava não ficam somente limitadas a adaptações fisiológicas, mas também a factores tácticos, técnicos e psicológicos, (Bompa,1983), e onde trabalhávamos princípios/comportamentos contemplados no nosso Modelo de Jogo, como corrobora Oliveira, J.G. (2004).

Se entendermos a “especificidade” como um conceito qualificador de uma relação entre variáveis, essas variáveis vão representar a informação específica de determinado contexto (Gibson, 1979).

Assim, a “especificidade” para nós tem a ver com o treino dos comportamentos que desejamos nos determinados momentos do jogo, tendo sempre como referência o nosso Modelo de Jogo. Ou seja, tem de haver uma permanente e constante relação entre as várias dimensões (tácticas, técnicas, físicas e psicológicas) e estas com os princípios do nosso Modelo de Jogo. Só podemos considerar algo específico se estiver relacionado com o Modelo de

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Jogo que estamos a criar, como confirmam Oliveira, J.G. (1991), Gomes (2008) e Oliveira, J.G. et al (2008).

Desta forma, corroborando com Faria (2007) a “especificidade” colocada no treino vai consentir que o jogador se adapte à forma de jogar pretendida, respeitando os princípios propostos, originando em competição que o jogador se antecipe a um conjunto de situações, possibilitando uma resposta mais acelerada. Pois a experimentação em treino dos comportamentos desejados vai permitir que em jogo aconteçam naturalmente.

Porém, estamos conscientes que não chega criar exercícios em que os princípios do nosso Modelo de Jogo possam aparecer, isto é, o seu verdadeiro aparecimento depende da intervenção do treinador, pois a verdadeira “especificidade” só aparece quando o gestor do treino (treinador) tem a capacidade de intervir e direccionar o treino para os comportamentos desejados.

Desta forma, não basta os exercícios serem potencialmente específicos de algo, é necessária uma intervenção “interactiva” do treinador com os exercícios e com os jogadores. Como salientam Oliveira, J.G. (2003) e Campos (2008), devemos perceber em que momento efectuar reajustes entre o grau de dificuldade do exercício e a promoção do sucesso, para permitir o aparecimento e frequência dos comportamentos desejados.

Aliando a “especificidade” do nosso Modelo de Jogo à intervenção do treinador, ficamos mais perto do “jogar” por nós pretendido (um treinar para um jogar).

No documento Um Treinar Para Um Jogar (páginas 43-52)