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Alicerces de granito

No documento DADOS DE COPYRIGHT (páginas 58-86)

O fanatismo é a única forma de vontade que pode ser incutida nos fracos e nos tímidos.

Friedrich Nietzsche

NA FELBERSTRASSE, PERTO DE onde ele morava, havia uma tabacaria onde era vendida uma revista que tratava de problemas raciais. Sua tiragem alcançava cem mil exemplares e seus leitores eram, na maior parte, estudantes e pessoas da classe média. “Você é louro? Nesse caso, você é um gerador de civilização e contribui para mantê-la! Mas certos perigos o ameaçam! Leia então a literatura dos louros e dos defensores do homem!”, anunciava um cartaz de propaganda ali afixado. Editada por um monge despojado de um título nobiliárquico, mas que inventara um para si, cujo nome real era Jorg Lanz von Liebenfels, essa revista, intitulada Ostara, nome da deusa germânica da primavera, expunha a teoria tão extravagante quanto sanguinária do combate travado pelos Asinge (ou heróis) contra os Äfflinge (sub-homens). Em Wertenstein, a fortaleza que pudera adquirir graças à liberalidade de alguns industriais, Lanz von Liebenfels tinha o propósito de fundar e organizar uma espécie masculina de heróis arianos destinados a formar a vanguarda da raça dos senhores louros de olhos azuis na luta sangrenta contra as raças mestiças e inferiores. Sob o signo do estandarte da cruz gamada, que hasteara em sua fortaleza em 1907, prometia substituir a luta de classes propugnada pelos socialistas pela luta racial, devendo para tanto utilizar “o cutelo da castração”. Lanz preconizava a aplicação sistemática de práticas de educação e de eliminação “para exterminar os sub-homens e desenvolver o homem superior da nova era”. À seleção metódica dos nascituros e à higiene racial correspondia um conjunto de medidas prevendo a esterilização, a deportação para “a floresta dos símios”, assim como a liquidação por meio de

trabalhos forçados e assassinatos. “Filhos dos deuses”, dizia ele, delirante,

“apressai-vos em fazer imolações a Frauja! Deponham a seus pés os filhos dos sub-homens!” A fim de popularizar o ideal ariano, ele recomendava a organização de concursos de beleza racial. Hitler visitou ocasionalmente Lanz para conseguir alguns números atrasados da revista que faltavam em sua coleção. Aparentemente, dedicou-se com fervorosa atenção ao exame da doutrina de Liebenfels, mas lhe deixou a impressão de um moço modesto e retraído.49

A análise dos documentos de que dispomos não permite certamente concluir que Lanz von Liebenfels tenha exercido uma influência acentuada sobre Hitler ou ainda que lhe tenha “incutido suas ideias”. A importância desse fundador de uma ordem monástica extravagante e momesca não advém das sugestões concretas que tenha podido formular, mas do papel sintomático que representou: foi ele um dos porta-vozes mais impressionantes da neurose de seu tempo e veio dar uma coloração característica à atmosfera ideológica vienense na primeira década do século XX. Tal constatação nos permite indicar a medida exata de sua influência sobre Hitler, que marcou menos sua ideologia do que a patologia que lhe servia de base.

Esses contatos, assim como os ensinamentos que o próprio Hitler reconheceu ter colhido em artigos de jornais ou edições populares, permitem afirmar que sua visão do mundo era o produto de uma cultura primária representativa do oposto da cultura burguesa. De fato, a oposição plebeia à moral burguesa figura sem cessar na sua ideologia. Seu dilema advinha de que, pela ação daqueles subprodutos, essa cultura burguesa viera após longo tempo a difamar e contestar os valores sobre os quais se fundamentava. Em outras palavras, a cultura primária descoberta por Hitler em Lanz von Liebenfels, ou em outras manifestações culturais vienenses do início deste século XX, não representava, propriamente falando, a negação do sistema de valores vigente, mas sua caricatura. Em seu empenho para se inserir nos quadros da burguesia, Hitler entrou em choque constante, embora sob uma forma sublimada e de melhor qualidade, com as ideias, os complexos e os temores evocados pelos livros populares. Ele não tinha nenhuma necessidade de renunciar às ideias vulgares que o haviam conduzido às suas primeiras opções. Nos discursos dos políticos influentes que escutara com uma admiração respeitosa, nada havia que lhe causasse estranheza. Quer se tratasse de obras de qualidade, como as encenadas na Ópera imperial, ou daquelas de compositores mais comumente executadas —

as mais famosas — ele não descobria nelas senão a forma de expressão artística que lhe era familiar. Lanz, a revista Ostara e as publicações vendidas a preços populares só lhe permitiam ascender à sociedade pela escada de serviço, mas esse era, de qualquer maneira, um meio de penetrar em seu mundo.

A necessidade de justificar e de consolidar esse acessório social explica igualmente seus esforços iniciais, ainda hesitantes, visando a atribuir uma forma ideológica a seu ressentimento. Por um fenômeno de supercompensação comum aos indivíduos que se sentem ameaçados de uma marginalização social, Hitler assumiu de maneira crescente os preconceitos, os lemas, as angústias e as reivindicações da boa sociedade vienense. Nesse contexto figuravam tanto o antissemitismo como as teorias relativas à raça pura, nas quais se refletiam a preocupação do germanismo ameaçado e o ódio aos socialistas e igualmente às ideias ditas do darwinismo social. Essas doutrinas racistas se baseavam num nacionalismo exacerbado e a ele se referiam. Tais eram as ideias dominantes pelas quais ele tentava se acercar dos homens que detinham o poder.

Hitler sempre procurou apresentar sua filosofia de ação como resultante de reflexões pessoais. Suas conclusões, a crer nele, seriam devidas a seus dotes de observação e a seu trabalho pessoal. A fim de negar toda influência norteadora, ele mesmo se atribuiria, posteriormente, um liberalismo desprovido de preconceitos. E assim acentuaria, por exemplo, a repugnância que lhe teriam inspirado certas “declarações desfavoráveis” relativas aos judeus durante os anos que viveu em Linz. Mais verossímil, como aliás o afirmaram diversas testemunhas, é que pelo menos seu ponto de partida e a orientação de sua filosofia tenham sido marcados até certo ponto pelo ambiente ideológico da capital da Alta-Áustria.

No início do século, Linz era, realmente, não apenas um dos centros de reunião de grupos nacionalistas, mas também estava impregnada de seu espírito doutrinário. E tal constatação é válida em especial para a escola profissional que Hitler frequentou. Seus alunos exibiam ostensivamente na lapela uma escovinha, flor simbólica de germanidade. Eles erguiam com entusiasmo as flâmulas com as cores do movimento unitarista alemão, preto, vermelho e ouro, saudavam-se com um “Heil!” ou cantavam o Deutschlandlied em lugar do hino imperial austríaco. Sua oposição nacionalista dirigia-se sobretudo contra a dinastia e se identificava mesmo com o Reich “protestante” ao manifestar-se contra os ofícios religiosos e as procissões de Corpo de Deus. Hitler contou para os comensais de seu quartel-general, durante a guerra, que tivera ocasião de manifestar entre aplausos de seus colegas daquela escola seu espírito de livre-pensador, com observações que confundiam tanto seu professor de religião, Sales Schwarz, que

este não sabia como retrucar.50

O porta-voz dessas tendências e resistências era o dr. Leopold Potsch, conselheiro da comunidade e professor de história na escola profissional. Potsch causou, evidentemente, profunda impressão no jovem Hitler. Sua eloquência, assim como as cromolitografias com que ilustrava suas aulas, impressionavam e norteavam a imaginação dos meninos. Nas páginas que seu ex-aluno lhe dedicou em Mein Kampf há, claramente, um exagero tardio, ainda que Adolf houvesse concluído o ano letivo com uma nota apenas sofrível em história. Mas o complexo de perseguição do habitante de uma região fronteiriça, a animosidade em relação à monarquia danubiana e sua mistura de raças e nacionalidades, e enfim o antissemitismo fundamental de Hitler tiveram lá certamente sua origem.

É provável também que ele lesse a revista essencialmente satírica do movimento de Schönerer, Der Scherer, O Tosquiador, “órgão mensal tirolês ilustrado de política e humor na arte e na vida”, que circulou em Linz naquele tempo. Em seus artigos, e através de charges ferinas, o mensário abria discussão com os

“papistas”, os judeus e o parlamento; desfechava críticas à emancipação da mulher, ao relaxamento dos costumes e ao alcoolismo. Desde o seu primeiro número, a revista passou a publicar uma reprodução da cruz suástica, que cada vez mais se impunha como o símbolo de uma profissão de fé em favor da nação alemã. Era descrita como “o fogo verticilado” e que, segundo a mitologia germânica, teria sido a origem da criação do mundo. Parece certo, por outro lado, que o jovem Hitler, tanto em seu período escolar como nos anos ociosos que se seguiram, leu Altdeutsche Tagblatt, o Sudmark-kalender, muito divulgado entre a burguesia alemã nacionalista, assim como o Linzer Fliegenden Blatter, um panfleto pangermanista e ferozmente antissemita. De maneira contrária, com efeito, ao que nos desejaria fazer crer o autor de Mein Kampf, e como corolário de uma vasta modificação política e social, o antissemitismo não se restringia a Viena mas se manifestava na província sob uma forma apenas menos violenta.51

A esse respeito, Hitler falou sobre o “conflito íntimo” de dois anos que teria marcado “sua mais penosa conversão”. No transcorrer desse período, o sentimento de rebeldia nele se manifestaria “milhares de vezes” contra uma razão pretensamente impiedosa, antes que “o cosmopolita sem energia que fora até então viesse a se transformar num antissemita fanático”. Na realidade, o que houve foi simplesmente a transformação de uma repugnância indefinível, sem bases sólidas, numa animosidade consciente de seus objetivos. Foi a passagem do plano do simples sentimento para a teologia. Conquanto inofensivo de início e circunscrito a meios-termos de coexistência, o antissemitismo reinante em Linz transformou-se assim, cada vez mais, em uma doutrina de princípios rigorosos e

de alcance universal na qual a imagem do inimigo era claramente definida. O dr.

Eduard Bloch, médico judeu de seus pais e a quem, nos primeiros tempos de sua estada em Viena, Hitler ainda dirigira “palavras de cumprimento e gratidão”; o dr. Joseph Feingold, advogado; e o moldureiro Morgenstern, que ao adquirir por várias vezes aquarelas de Hitler copiando cartões-postais, encorajava sua vocação de artista; ou, ainda, por exemplo, o companheiro judeu dos tempos do albergue, Neumann, a quem devia grandes favores, enfim, todos esses homens cujas figuras surgem, sempre, como sombras, no quadro da sua juventude, desapareceram pouco a pouco, mergulhando num segundo plano no decurso dessa mutação desenvolvida gradativamente por diversos anos. Essas figuras foram substituídas na memória de Adolf Hitler por aqueles “personagens de longos caftãs e de cabelos negros” cuja imagem cada vez mais consistente se desenvolvia à maneira de um espectro mitológico. Impusera-se à sua mente

“num dia em que percorria a velha cidade”. Ao evocar tal lembrança, Hitler observara com uma ênfase especial que aquela impressão direta, recolhida por acaso, se “metamorfoseara” em seu espírito tomando pouco a pouco a forma de uma ideia fixa dominante:

Depois que passei a me preocupar com essa questão e que minha atenção foi despertada para os judeus, vislumbrei Viena sob outro aspecto. Em todos os lugares aonde eu ia, via judeus e, quanto mais os contemplava, mais meus olhos aprendiam melhor a distingui-los claramente dos outros homens. O centro da cidade e os quarteirões localizados ao norte do canal do Danúbio formigavam especialmente de uma população cuja aparência não apresentava nenhum traço de semelhança com a dos alemães. (…) Todos esses detalhes já não eram atraentes, e se experimentava até repugnância quando se descobria subitamente sob a sua casca desagradável a sujeira moral do povo eleito. Por que nunca deixava de haver uma sujeira, qualquer que fosse, uma infâmia, sobretudo na vida cultural, da qual um judeu pelo menos não tivesse participado? Tão logo se introduzia um bisturi num tumor desse tipo, poderíamos perceber, como um verme num cadáver putrefato, um pequeno semita ofuscado pela súbita claridade. (…) Passei pouco a pouco a odiá-los.52

É provável que não se possa jamais pôr a nu todo o complexo instintivo desse ódio que só fez se intensificar com o tempo e que durou praticamente até seu derradeiro instante de vida. Um de seus equívocos companheiros daqueles anos atribuiu tal sentimento de ódio ao recalque de origem sexual de um filho de burguês desqualificado. Essa pessoa esboçou a tal propósito uma história na qual a imagem de uma certa feminilidade germânica, a rivalidade com um semijudeu e, por fim, a tentativa de Hitler de violar uma modelo desempenham um papel tão grotesco quanto plausível.53 Oscilando entre um ideal exaltado e obscuros sentimentos de angústia, a representação estranhamente desequilibrada que desde o princípio de sua juventude ele fazia das relações entre homem e mulher

não é a única a reforçar a hipótese de um estado sexual patológico. Essa hipótese é apoiada também pelas suas descrições, nas quais sempre aparece a figura de um judeu. Seguramente o ar de obscenidade que envolve todas as páginas de Mein Kampf onde ele tenta exprimir sua repugnância não é apenas casual. Não reflete só a lembrança do estilo e da entonação empregados pela revista Ostara e os livros de qualidade duvidosa aos quais Hitler devia os deslumbramentos jamais esquecidos da juventude. Esse ar de obscenidade revela muito mais a natureza específica de seu ressentimento.

Uma longa lista das amantes de Adolf Hitler, na qual — detalhe bem significativo — se encontra mesmo a bela judia pertencente a uma rica família, foi divulgada após a guerra pela camarilha do ditador. Somos levados a dar mais crédito à afirmação de que tanto em Linz como em Viena ele não teria tido

“contato real com uma mulher”. De qualquer modo, é certo que nunca conheceu a paixão magnífica que teria sido capaz de libertá-lo de seu egocentrismo teatral.

A contrapartida dessa carência é uma obsessão característica que ele mesmo descreveu como “a visão de um pesadelo com milhares de mocinhas seduzidas por judeus repugnantes e bastardos de pernas tortas”. Lanz já tinha sido atormentado por essa imagem horrível, sonhando sem cessar com aristocráticas mulheres louras submetidas ao assédio de sombras violadoras. Sua teoria racista refletia os complexos sexuais de inveja e uma misoginia declarada. A mulher, afirmava, tinha introduzido o pecado no mundo e a facilidade com que cede aos artifícios lúbricos do sub-homem vizinho da animalidade é a causa principal da poluição do sangue nórdico. Por seu turno, Hitler serviu-se de uma imagem análoga para evocar a verdadeira alucinação na qual se exprime o impulso de uma virilidade retardada e recalcada. “O jovem judeu de cabelo negro, o rosto animado de um prazer satânico, espreita durante horas a fio a inocente jovem que irá conspurcar com seu contato e arrancar do seio do povo a que ela pertence.” Aqui mergulhamos de novo no mundo de lugares-comuns grosseiros e gastos do sonhador insatisfeito e, sob muitos aspectos, somos forçados a pensar que a atmosfera realmente sufocante na qual se desenvolve o programa da ideologia nacional-socialista é explicada como um fenômeno de recalque sexual no seio do mundo burguês.54

Kubizek, o amigo da juventude, e outros companheiros que emergiram da penumbra da clandestinidade vienense frisaram que Hitler se indispôs desde cedo com o mundo inteiro e sentia ódio por tudo o que o cercava. É lícito concluir então que seu antissemitismo não era senão a forma acanhada de um ódio até então difuso e que encontrou afinal seu alvo definido no judeu. Em Mein Kampf, defendeu a tese de que não se deve jamais indicar às massas mais

de um inimigo de cada vez, porque, apontando-lhes vários, lança-se dúvidas em suas mentes. Já foi salientado, e com razão, que esse princípio era particularmente importante para Hitler. Ele sempre concentrou sua paixão com intensidade sem igual sobre um só sintoma, congregando nele todos os males do mundo. E suas acusações sempre tiveram um alvo que lhe era fácil delinear sob uma forma concreta, não sendo nunca um conjunto de causas difíceis de entender.55

Mas ainda que seja impossível distingui-lo em seu estágio inicial, ou mesmo simplesmente estabelecer o motivo que explicaria a natureza do terrível complexo de Hitler em relação aos judeus, podemos pelo menos partir da ideia de que se trata essencialmente de uma transferência para o plano político das dúvidas interiores experimentadas acerca de si mesmo por um desclassificado tão ambicioso como desamparado. Porque, ao notar que estava prestes a se tornar um marginal, viu a necessidade de tomar consciência da angústia provocada por essa queda na escala social. Ao mesmo tempo, extraía da observação do fenômeno judaico o ensinamento que daí lhe advinha, o “pobre-diabo”, a lei histórica e a natureza de seu caso. O próprio relato de Hitler reforça, além disso, a tese segundo a qual ele se converteu ao antissemitismo após ter dilapidado a herança deixada pelos pais. Se então não se achava na dura miséria a que se refere mais tarde, pelo menos vivia às voltas com certas dificuldades financeiras e, em todo caso, descera muito mais baixo na escala social do que julgara possível – ele, que sonhara representar um papel destacado no mundo das artes, tornar-se um gênio e maravilhar o mundo.

Viena, a Viena alemã e burguesa do despertar deste século, para a qual se voltaria toda sua ânsia de contatos sociais, achava-se então sob o signo de três influências predominantes: politicamente, estava submetida à ação de Georg Ritter von Schönerer e de Karl Lueger. Em troca, no domínio intermediário entre a política e a arte, que, a seguir, teria uma importância tão decisiva sobre a carreira de Hitler, ela se via dominada pela personalidade todo-poderosa de Richard Wagner. Essas foram as três figuras-chave dos anos de formação de Adolf Hitler.

De fonte segura, soubemos que, em Viena, Hitler se apresentou como discípulo e imitador fervoroso de Georg von Schönerer, cujos axiomas emoldurou e afixou na parede sobre a cabeceira da cama. “A catedral da Germânia será construída sem a ajuda de Judá e de Roma. Heil!”, enunciava um dos lemas, enquanto o outro expressava o desejo dos alemães da Áustria de

serem reunidos à mãe-pátria56, máximas que formulavam desde já, no essencial, com alcance popular, o programa do movimento pangermanista de von Schönerer que, diferentemente da associação de mesmo nome atuante na Alemanha, não perseguia objetivos expansionistas e imperialistas sob o slogan de uma “Weltpolitik alemã” mas visava a reunir todos os alemães no seio de uma federação. Em oposição à associação organizada no Reich, ela preconizava a renúncia aos territórios não alemães na monarquia e se pronunciava contra a existência do estado plurinacional.

Georg Ritter von Schönerer, fundador desse movimento, era o proprietário por direito de herança daquela região florestal próxima da fronteira e que fora o berço da família de Hitler. Após ter iniciado sua carreira como democrata revolucionário, pouco a pouco substituíra suas ideias de reforma política e social por um ultranacionalismo. Como se possuído pelo complexo da alienação, só via ameaças em toda parte pairando sobre o germanismo. Essas ameaças eram representadas pelos judeus, pelo catolicismo romano, pelos eslavos e os socialistas, pela monarquia dos Habsburgos e por todas as formas de internacionalismo. Concluía sempre suas cartas com “saudações alemãs”, participava de toda a sorte de manifestações destinadas a ressuscitar os costumes germânicos e recomendava o uso de um calendário alemão que teria fixado o início de nossa era no ano 113 antes de Cristo, data em que os cimbros e os teutões exterminaram as legiões romanas na Batalha de Noreia.

Schönerer era um fanático, aferrado a princípios e de gênio irritadiço. Em resposta à atitude benevolente do pequeno clero eslavo em relação às nacionalidades, organizou o movimento “Los von Rom”, “livremo-nos de

Schönerer era um fanático, aferrado a princípios e de gênio irritadiço. Em resposta à atitude benevolente do pequeno clero eslavo em relação às nacionalidades, organizou o movimento “Los von Rom”, “livremo-nos de

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