• Nenhum resultado encontrado

Fuga para Munique

No documento DADOS DE COPYRIGHT (páginas 86-97)

Eu tinha que partir para o Grande Reich e chegar à terra de meus sonhos e meus anelos.

Adolf Hitler

EM 24 DE MAIO DE 1913, Hitler deixa Viena para morar em Munique. Aos 24 anos, era um moço melancólico que observava com um misto de nostalgia e amargura um mundo incompreensível. As desilusões dos anos anteriores tinham reforçado ainda mais sua inclinação ao devaneio e ao isolamento. Não deixava amigos para trás. Mergulhando no irreal, era mais propenso a buscar contato com personagens inacessíveis: Richard Wagner, Ritter von Schönerer, Lueger.

“As opiniões pessoais primárias” que adquirira sob “pressão do destino” eram constituídas de alguns ressentimentos categóricos que, após fases de sombria meditação, manifestavam-se de uma hora para outra numa explosão apaixonada.

Como ele mesmo registrou mais tarde, tinha deixado Viena “pangermanista, fanaticamente antissemita, inimigo declarado de toda a ideologia marxista”. 88

Como todas as definições que deu de si mesmo, essa observação traduz claramente a vontade de atribuir a seu personagem um senso político precoce, preocupação que predominou na elaboração do Mein Kampf. Por si só, o fato de preferir instalar-se em Munique em vez de Berlim, capital do Reich, vai de encontro a essa afirmativa. Mostra, sem dúvida alguma, que, por índole, ele obedecia muito mais a considerações romântico-artísticas do que a motivos políticos. Porque, antes da Grande Guerra, Munique era tida como uma cidade de acentuada vida intelectual, centro espiritual agradável e meio frívolo também, onde as artes e a ciência se desenvolviam numa atmosfera ao mesmo tempo humana e sensual. O “estilo de vida de um artista plástico era ali perfeitamente legítimo”. Como já se disse numa sentença inesquecível, Munique brilhava então

com todos os seus fogos.89 O caráter peculiar da cidade, que se delineava claramente, era sobretudo de contraste em relação ao modernismo ameaçador, babilônico e proletário de Berlim. Na capital, o social predominava sobre o estético, a ideologia sobre a civilização burguesa, em síntese a política triunfava sobre a arte. O argumento de que a situação de Munique, tão próxima de Viena, teria determinado a escolha de Hitler confirma precisamente o que ele procurava negar: foram considerações gerais mais do que razões de ordem política que o fizeram tomar aquela decisão. Foi por causa da atmosfera e ambientação cultural de Munique que ele a escolheu e rejeitou Berlim, na medida em que se viu desafiado por uma opção. No Anuário do Reich de 1931, anotou que se estabelecera em Munique pretendendo achar ali “campo mais amplo para a sua atividade política”. Mas a capital do Reich lhe teria oferecido a tal respeito possibilidades bem melhores.

Uma indolência interior e o isolamento já manifestados durante os anos vividos em Viena marcaram também sua permanência em Munique e por vezes se tem a impressão de que ele passou a juventude num vasto espaço vazio de humanidade. Fica evidente que não fez contatos com os partidos e grupos políticos e que também no plano ideológico permaneceu solitário. Mesmo na cidade de Munique, tão excitante intelectualmente com sua intensidade de comunicação, na qual uma ideia fixa era tida como prova de originalidade, ele não encontrou pontos de contato, não travou relações. E no entanto a ideologia racista contava com partidários naquela cidade em suas variações mais excêntricas. O mesmo poderia ser dito quanto ao antissemitismo, cujos defensores eram recrutados sobretudo na pequena burguesia inquieta com a evolução econômica, assim como também havia tendências revolucionárias de esquerda das mais diversas nuanças. Toda aquela proliferação de correntes intelectuais era equilibrada pelo clima espiritual de Munique e se apresentava com a fisionomia de uma retórica de boa vizinhança. O bairro de Schwabing era o ponto de encontro de anarquistas, boêmios, reformadores do mundo, artistas e apóstolos de cabelo crespo pregando novos valores. Jovens gênios de rosto pálido sonhavam com uma renovação elitista do mundo, com liberações, banhos de sangue, catástrofes purificadoras, curas de rejuvenescimento bárbaras para a humanidade degenerada. O centro de atração de um dos círculos mais significativos que se formavam muitas vezes em redor de uma mesa de café em homenagem a um homem ou a uma ideia era o poeta Stefan George, que reunira um enxame de jovens discípulos de grande talento a imitá-lo em seu desdém pela moral burguesa, em sua exaltação da juventude, do instinto, da super-humanidade, do rigor do ideal artístico, e até em suas atitudes e sua aparência estilizada. Um deles, Alfred Schuler, tinha redescoberto para o patrimônio

alemão a cruz gamada, havia longo tempo esquecida; Ludwig Klages, que durante certa fase dele se aproximou, estigmatizava “o intelecto como adversário da alma”,90 enquanto Oswald Spengler anunciava “o declínio do Ocidente” e via surgir entre as ruínas da civilização ocidental a sombra dos césares que as multidões seguiam desesperadas. Lênin tinha morado no nº 106 da rua Schleissheimer no bairro de Schwabing. Foi nessa mesma rua, no nº 34, a poucos passos, que Adolf Hitler veio a morar, dividindo as despesas do aluguel com o alfaiate Popp.

Assim como ocorrera quanto à fermentação intelectual, a revolução da arte, que se manifestava em Munique tão claramente como em Viena, deixou Hitler indiferente. Wassili Kandinsky, Franz Marc ou Paul Klee, que viviam igualmente nas proximidades de Schwabing e abriram novas perspectivas para a pintura, nada significaram para ele. Durante toda sua estada em Munique, Hitler permaneceu como o modesto copiador de cartões-postais que tinha suas visões, suas angústias, seus pesadelos, mas era incapaz de transpô-los para o terreno da arte. A minúcia sempre pedante com que sublimava o mundo espectral de seus complexos e de suas agressões em inocentes imagens idílicas, fixando cada tijolo, cada talo de relva, cada telha, testemunha sua necessidade interior de pureza e de beleza idealizada.

Mais a consciência da escassez de seus dotes artísticos crescia em seu íntimo, mais ainda se tornava evidente a certeza de seu fracasso. Mesmo assim, sentia necessidade de alimentar razões para crer na própria superioridade. O cinismo com que se felicitava por descobrir “as opiniões muitas vezes incrivelmente primitivas das criaturas” tinha a mesma origem da sua tendência a ver em toda parte só a ação dos instintos mais baixos, a corrupção, a sede de poder, a brutalidade, a inveja, o ódio: o desejo de encontrar no próximo o mal que o afligia. Do mesmo modo, o aspecto acidental de sua procedência racial lhe serviu de base inicial onde apoiou a ânsia de superioridade individual. Deu-lhe a confirmação da certeza que alimentava de ser outra coisa e bem acima de todos os proletários, vagabundos, judeus e tchecos que lhe tinham cruzado o caminho.

Entretanto, era acossado mais fortemente do que nunca pela angústia de perder-se no escalão mais baixo da sociedade, onde sua existência se confundisse com a dos seres marginalizados, indigentes ou proletários. As inúmeras figuras que durante os anos passados na pensão para homens tinham desfilado diante dos seus olhos, os rostos entrevistos na sala de espera e no vestíbulo sombrio, que refletiam tantas esperanças perdidas e frustrações, num retrato vivo de decadência, marcaram-no de forma indelével. Por fim, em segundo plano, a Viena do fim de século, uma cidade envolta numa atmosfera de

decadência, o impregnara de seu perfume já enfraquecido. A escola da vida lhe transmitira realmente a tendência de pensar tudo num sentido de declínio. A experiência dominante de seus anos de formação não fora senão a da angústia e, como veremos mais tarde, ela é que deu impulso ao dinamismo titubeante de sua vida. Sua imagem do mundo e do homem, tão compacta na aparência, sua dureza e desumanidade eram sobretudo reações de defesa, uma tentativa de racionalizar esse “estado de assombro” que as raras testemunhas de seus primeiros anos de juventude observaram nele.91 Para onde quer que olhasse, não via senão sintomas de envenenamento do sangue, de decomposição, de morte e infecção, indícios de esgotamento, de submersão racial, ruínas e desastres. Com essa disposição, reencontrava por assim dizer o sentimento pessimista da vida, que é uma das características essenciais do século XIX e que tolheu visivelmente todas as crenças no progresso e na ciência brilhante da época. Pela violência instintiva, pela inconsciência com que se entregava à angústia, fez dela um traço peculiar da sua personalidade.

Esses dados subjacentes de sua consciência explicam também a afirmação de Hitler quanto às razões pelas quais deixara finalmente Viena após vários anos de ociosidade, de devaneios excêntricos e evasões constantes no rumo de um mundo imaginário. Em apoio ao ódio que sentia por aquela cidade, invoca motivos diversos onde se misturam considerações eróticas, pangermanistas e sentimentais:

O conglomerado de raças exibido pela capital do império, toda essa mistura étnica de tchecos, poloneses, húngaros, rutenos, sérvios, croatas etc., me parecia repugnante, sem esquecer a bactéria dissolvente da humanidade, os judeus. Essa cidade gigantesca eu a via como a encarnação do incesto…

Todas essas causas provocaram em mim o desejo cada vez mais ardente de ir para onde, desde a minha juventude, meus sonhos íntimos e um secreto amor me atraíam. Esperava me projetar mais tarde como arquiteto e poder prestar serviços com toda a sinceridade à minha nação no posto — modesto ou de relevo — que a sorte me reservasse.

Enfim, queria ser desses que têm a felicidade de viver e agir seja onde for de acordo com a realização do voto mais ardente de seu coração: a junção de minha pátria bem-amada à grande pátria comum, o Reich alemão.92

Ainda que tais motivos tenham podido desempenhar certo papel na sua decisão de deixar Viena, outras considerações de maior ou menor importância evidentemente contribuíram para isso. Depois, ele próprio reconheceria que lhe fora impossível “aprender o linguajar vienense”; além de não entender a

terminologia usada “no setor estritamente cultural ou artístico”, descobria naquela cidade “todos os indícios da efeminação”, e prolongar sua permanência ali lhe parecera inútil, “e se isso não bastasse, depois dos trabalhos de remodelação da Ringstrasse as tarefas próprias de um arquiteto eram sem interesse, pelo menos em Viena”.93

Mas todas essas razões já citadas não foram decisivas. Aí também o motivo determinante foi, de novo, sua alergia declarada à vida comum, às normas e deveres a que todos os cidadãos são submetidos. Seu certificado de reservista, descoberto na década de 1950 e que ele mandou procurar febrilmente em 1938 logo após a ocupação da Áustria, não deixa dúvida quanto ao fato de que fora considerado insubmisso. Em outras palavras: fugira ao cumprimento das obrigações militares. A fim de ocultar esse delito, não apenas se fez registrar como apátrida em Munique, como também falsificou em suas memórias a data da partida de Viena. Na verdade, não deixou aquela cidade na primavera de 1912, como alegou, mas em maio do ano seguinte.

As buscas efetuadas em relação a esse caso pelas autoridades austríacas de início foram em vão. A 22 de agosto de 1913, Zauner, o delegado de Linz que se incumbira do inquérito, anotou em seu relatório: “Adolf Hietler [!] não parece ter-se inscrito no escritório de polícia da localidade ou da redondeza e assim não foi possível localizar-lhe o domicílio.” Da mesma forma, ao ser interrogado a respeito, o presidente do conselho municipal de Leonding, Josef Mayerhofer, antigo tutor de Hitler, viu-se na impossibilidade de informar o paradeiro do tutelado, do qual nunca mais tivera notícias. Por fim, as duas irmãs do procurado, Ângela e Paula, declararam que “nada mais tinham sabido do irmão desde 1908”. Porém as investigações empreendidas pelas autoridades vienenses permitiram saber que ele se fixara em Munique, onde residia como sublocatário do alfaiate Popp, na rua Schleissheimer nº 34. Foi nesse endereço que na tarde de 18 de janeiro de 1914 um policial apareceu de repente, deteve o insubmisso e levou-o no dia seguinte ao consulado da Áustria.

A acusação que pesava sobre ele era grave e, depois de tanto tempo de dissimulação, acarretava condenação imediata. Foi um desses acontecimentos corriqueiros e que teria podido dar à sua carreira um rumo inteiramente diverso.

Porque é difícil supor que, marcado por algo tão desonroso socialmente como a insubmissão, Hitler tenha conseguido reunir milhões de adeptos e mobilizá-los nas formações das grandes paradas militares.

No entanto, como lhe aconteceu por diversas vezes, o acaso veio em seu auxílio: as autoridades de Linz o tinham convocado tardiamente, não lhe dando o tempo necessário para se apresentar na data fixada para a conclusão do

alistamento. O adiamento do processo permitiu-lhe redigir uma declaração cuidadosamente elaborada. Em carta endereçada ao “Conselho Municipal de Linz, II Divisão”, que constitui o documento mais extenso e o mais importante da sua juventude, ele tentou se justificar. Essa carta não revela apenas seu conhecimento deficiente da língua alemã e da jurisprudência: mostra também, pela descrição de sua situação pessoal, que, no todo, sua vida continuava a seguir o rumo desordenado e sem objetivo dos anos vividos em Viena:

O formulário de convocação me qualifica como artista plástico. O fato de estar habilitado a me prevalecer desse título é parcialmente exato. Ganho sem dúvida meu sustento como pintor independente, mas isto unicamente para poder prosseguir em meus estudos, pois sou inteiramente desprovido de recursos financeiros (meu pai era funcionário). Não posso dedicar senão uma parcela mínima de meu tempo a esse ganha-pão, já que frequento cursos de pintura arquitetônica. Desse modo, meus ganhos são muito modestos e me permitem apenas subsistir.

Como prova do que afirmo anexo à presente carta minha declaração de renda e vos solicito a bondade de me devolvê-la pelo correio. Os rendimentos que me são atribuídos na declaração somam 1.200 marcos, o que representa, sem dúvida, muito pouco e não se deve deduzir que ganho sempre 100 marcos por mês. Oh, não! Minha renda mensal é muito variável e, no momento, ela é certamente sofrível, porquanto nesta temporada o comércio de obras de arte em Munique se acha em hibernação.(…)

A declaração que ele imaginou para justificar sua conduta dava na vista, mas talvez fizesse efeito. Ela pretendia provar que ele não pudera atender a tempo à primeira convocação, mas que pouco mais tarde se apresentara espontaneamente e que os documentos fornecidos na ocasião tinham sido perdidos pelas autoridades. Procurou desculpar essa perda invocando as condições aflitivas em que vivera em Viena, e à sua defesa chorosa, autopiedosa, não faltou também uma certa astúcia obsequiosa:

No que concerne à falta cometida por omissão no outono de 1909, devo assinalar que esse foi para mim um período infinitamente amargo. Eu era então um jovem sem experiência, privado de toda ajuda pecuniária e orgulhoso demais para aceitar algo de quem quer que fosse e com mais razão ainda para solicitá-lo. Sem o menor apoio e dependendo unicamente de mim mesmo, as poucas coroas, por vezes alguns heller [centavos] obtidos com meu trabalho, davam apenas para pagar meu aluguel. Durante dois anos tive como amigos apenas a inquietude e a miséria, sem outra companhia que a fome sempre insaciada.

Na verdade, jamais conheci o sentido desta bela palavra: juventude. Hoje, cinco anos depois, sinto ainda nos dedos das mãos e dos pés um calafrio que vem daquele período.

Mas, ainda que eu tenha superado o pior, não posso evocar aquele tempo sem uma certa satisfação. A despeito da intensa miséria, vivendo num ambiente muitas vezes mais que duvidoso, conservei meu nome e minha pessoa ao abrigo de toda a infâmia, não cometi a menor infração aos olhos da lei e trago limpa minha consciência.

Quatorze dias mais tarde, a 5 de fevereiro de 1914, Hitler se apresentou perante o conselho de revisão em Salzburgo. O certificado de baixa ao qual apôs sua assinatura rezava o seguinte: “Inapto para o serviço militar e para o serviço auxiliar do exército, muito fraco. Incapacitado.”94 Logo depois ele voltava a Munique.

Ao que tudo indica, parece que dessa vez ele não se sentiu infeliz. Mais tarde viria a falar do “amor profundo” por essa cidade que o dominou de imediato e atribuiu tão extraordinária atração “a esse maravilhoso enlace de força espontânea e de sentimento artístico delicado, essa perspectiva única que compreende a Hofbrauhaus e o Odeon, pela Oktoberfest e a Pinakothek”. É muito sintomático não invocar nenhum motivo político ao justificar essa simpatia. Enfurnado na Schleissheimerstrasse, continuou a viver solitário, mas parece que, como anteriormente, essa ausência de contato humano não o fez sofrer. Suas relações, sempre superficiais, ele as mantinha apenas com o alfaiate Popp e seus vizinhos e conhecidos. Motivava essas relações apenas o gosto comum pelas discussões políticas. No mais, naqueles cafés de Schwabing, onde a origem e a condição de uma pessoa eram algo sem importância e onde todos eram aceitos socialmente, Hitler encontrou evidentemente a única forma de contato que suportava, porque ela lhe assegurava a um só tempo uma comunicação humana e a preservação do que lhe era mais íntimo. Eram relações típicas de mesa de bar, fruto do acaso, que não implicavam compromissos de amizade, podendo ser iniciadas e terminadas facilmente. Tratava-se dos tais

“círculos restritos” de que ele tinha falado, onde fazia o tipo do “homem instruído” e onde também, logo de início, obteve mais elogios do que críticas.

Falava então do estado calamitoso da monarquia dual, do caráter nefasto da aliança germano-austríaca, da política antialemã e eslavófila dos Habsburgos, do judaísmo e do salvamento da nação. Num meio favorável ao anticonformismo e sempre disposto a vislumbrar nas opiniões e comportamentos excêntricos um toque de genialidade, as tomadas de posição do jovem Hitler não causavam nenhuma surpresa. Assim que uma determinada questão o irritava, dizem que muitas vezes se punha a gritar. Mas seus discursos, qualquer que fosse o grau de paixão que lhes infundisse, impressionavam pela lógica. Outra paixão era bancar o profeta e predizer acontecimentos políticos.95

Hitler já abandonara a ideia com a qual, apenas dez anos antes, justificara sua saída da escola profissional: afirmaria depois que, por ocasião de sua estada em Munique, não desejava mais tornar-se pintor, mas também não indica o que queria para o futuro. Pensava bastante, segundo afirmou, em atender às suas necessidades e custear os estudos. Mas na realidade nada fez de positivo para

realizar esse programa. Junto à sua janela continuava a pintar pequenas aquarelas calcadas em motivos locais, a Hofbrauhaus, a porta de Sendling, o Teatro Nacional, o Mercado, a Feldherrnhalle e de novo a Hofbrauhaus. Anos depois, todas essas obras foram consideradas patrimônio artístico da nação por decreto ministerial e seu registro tornou-se obrigatório.96 De tempos em tempos, sentado a uma mesa de bar, ele passava horas a fio em silêncio, comendo fatias de bolo, folheando os jornais espalhados diante de si, ou então se metia na cantina da Hofbrauhaus, ruminando suas ideias, em péssimo humor, o rosto descorado.

Uma vez ou outra, na atmosfera enfumaçada da cervejaria, rabiscava em largos traços em seu caderno de esboços, que trazia sempre consigo, alguns motivos inspirados pelo que ocorria nas mesas vizinhas ou um detalhe arquitetural. Tinha o maior cuidado com a roupa; a família de seu locador declarou que ele gostava de usar um terno preto, e que era visível sua vontade de guardar distância de todos. “Nunca se conseguia penetrar em sua intimidade. Ele jamais falava de seus pais, nem de seus amigos ou de garotas.” No todo, parecia menos disposto a perseguir um objetivo na vida do que interessado vivamente em não descer na escala social. Josef Greiner, que o encontrou nessa época em Munique, conta que lhe indagou como via seu futuro e Hitler respondeu que “de qualquer

Uma vez ou outra, na atmosfera enfumaçada da cervejaria, rabiscava em largos traços em seu caderno de esboços, que trazia sempre consigo, alguns motivos inspirados pelo que ocorria nas mesas vizinhas ou um detalhe arquitetural. Tinha o maior cuidado com a roupa; a família de seu locador declarou que ele gostava de usar um terno preto, e que era visível sua vontade de guardar distância de todos. “Nunca se conseguia penetrar em sua intimidade. Ele jamais falava de seus pais, nem de seus amigos ou de garotas.” No todo, parecia menos disposto a perseguir um objetivo na vida do que interessado vivamente em não descer na escala social. Josef Greiner, que o encontrou nessa época em Munique, conta que lhe indagou como via seu futuro e Hitler respondeu que “de qualquer

No documento DADOS DE COPYRIGHT (páginas 86-97)

Documentos relacionados