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Ambiente Institucional

No documento ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING (páginas 24-27)

Duas abordagens se destacam em relação ao ambiente institucional, notadamente a sociológica e a econômica. Enquanto o ambiente institucional sociológico foca o processo por meio do qual as ações coletivas da sociedade e os valores são a base para o desenvolvimento e a manutenção do ambiente institucional na sociedade, o ambiente institucional econômico foca as implicações do institucionalismo sobre o comportamento do investimento, o funcionamento dos mercados e a geração de riquezas.

Segundo Scott (1995), o ambiente institucional é constituído por três domínios: o domínio regulatório, o normativo e o cognitivo. O domínio normativo, relacionado à cultura,

valores, normas e crença do país é o compartilhamento de entendimentos, significados ou lógicas de apropriação. Já o domínio cognitivo está relacionado à maneira como o outro internaliza as representações simbólicas em um ambiente; diz respeito, portanto, à estrutura cognitiva para interpretar e compreender o mundo (SCOTT, 1995).

O domínio regulatório representa o espaço de operação das empresas de acordo com normas e regras estabelecidas pelos atores relevantes tais como clientes, governo, organizações e público em geral, os quais definem o “padrão” para as estruturas e procedimentos (DIMAGGIO; POWELL, 1983; MEYER; ROWAN, 1977).

A nova economia institucional argumenta que o desenvolvimento econômico não é simplesmente o resultado da acumulação de recursos econômicos sob a forma de capital físico e humano, mas também é uma questão de “construção institucional” que reduz as imperfeições da informação, maximiza os incentivos econômicos e reduz os custos de transação (KIRKPATRICK et al., 2006). Há várias definições para Instituições, a mais citada é de Douglas North, sob o termo "Tabela institucional", que se refere ao conjunto informal e formal de "regras do jogo" que restringem as interações em questões políticas, econômicas e sociais (NORTH, 1990,1991).

O ambiente institucional econômico é multidimensional, complexo e policêntrico, composto por várias instituições interdependentes que compreendem as organizações e as instituições. As instituições representam as regras do jogo em uma sociedade, ou mais formalmente, são as restrições concebidas para a interação humana, portanto, o propósito das regras é definir como as organizações irão atuar (NORTH, 1990, 1991).

Das instituições formais e informais que compõem o ambiente institucional, as formais que merecem destaque são: regulatória, política e econômica. De modo geral, estes três tipos de instituição formal constituem e definem o estabelecimento de ordem dentro da qual ocorrem os negócios no país. Cada uma destas instituições é promulgada por áreas do governo, baseada na soberana autoridade para conceber sistemas jurídicos e de controle, que estabelecem as regras, monitoram a adesão a essas regras, e disciplinam a não conformidade. Os diferentes tipos de instituição estão identificados na sociedade pelas funções a que certas leis e supervisão governamental se aplicam (HOLMES et al., 2012).

Nesta perspectiva, um "bom" ambiente institucional é aquele que reduz a incerteza e promove a eficiência, contribuindo assim para um desempenho econômico mais forte. Incluída nesta estrutura institucional estão as leis, políticas, normas sociais e convenções que são a base

para o sucesso da produção e troca de mercado (KIRKPATRICK; PARKER; ZHANG, 2006).

Centrado no Estado, o conceito de regulação define o que se refere às leis editadas pelo Estado;

enquanto centrado na sociedade, analistas e pesquisadores da globalização tendem a apontar para a proliferação da regulação institucional além do Estado (LEVI-FAUR, 2011). Embora o conteúdo e o escopo regulatório possam variar, essas instituições regulatórias, na prática, codificam as expectativas da sociedade e as preferências em relação ao poder e autoridade das organizações (NORTH, 1990).

As exigências informacionais e institucionais necessárias para atingir mercados eficientes são rigorosas em função da racionalidade instrumental que os players detêm, podendo conduzir a modelos equivocados, assim a arbitragem e o feedback informacional corrigem os modelos e punem os comportamentos desviantes, conduzem os players sobreviventes ao modelo correto (FOGEL; NORTH, 1993).

Nesse sentido, Fogel e North (1993) apontam que, se a eficiência de mercado depende de forma implícita de requisitos ainda mais rigorosos para o funcionamento do modelo, nesta situação, a disciplina do mercado competitivo resultará em significativos custos de transação, então, instituições e, consequentemente o mercado, induzirão os players à aquisição de informações essenciais que os levará a corrigir seus modelos.

O conceito de regulação econômica tem sido revisto ao longo do tempo, desde ser visto como uma forma de erradicar o mercado até na década de 1960 como uma forma de envolver o Estado na atividade econômica (KIRKPATRICK; PARKER; ZHANG, 2006). Já na década de 1980, era uma forma de legitimar a intervenção do Estado no mercado (KIRKPATRICK;

PARKER; ZHANG, 2006). Mais recentemente, o Estado é visto pelo papel de regulamentar, ou seja, prevê a saída da produção a favor do setor privado em setores competitivos e o uso da regulamentação governamental em setores com significativas falhas de mercado (WORLD BANK, 2013). Os setores de infraestrutura são marcados pela elevada intensidade de falhas de mercado, sendo, portanto, os candidatos naturais à regulação e a mecanismos de participação do setor privado sob regulação governamental (KIRKPATRICK et al, 2006; KESSIDES, 2004;

RAMAMURTI, DOH, 2004; RAMAMURTI, 2003; RAMAMURTI, 1996).

A regulação econômica define tarifas que asseguram o equilíbrio econômico dos contratos, e essa regulação leva a mecanismos que induzem à eficiência da prestação do serviço.

Dessa forma, a regulação incide sobre a estrutura por meio de uma resposta do operador público, leilão de franquia, defesa da concorrência e agência reguladora. Incide sobre as práticas econômicas para atenuar o poder de mercado via defesa da concorrência, Ministério Público e

Agência Reguladora, ou atores similares em diferentes jurisdições. A tarifa é outro objeto de regulação que tem como resposta a exclusão dos mecanismos de mercado para encontrar o equilíbrio de mercado (GUASCH et al., 2005).

A regulação atua sobre o acesso universal ao serviço, abrandando as externalidades, via obrigações contratuais e metas regulatórios. A qualidade, no que diz respeito à assimetria informacional, está contida na regulação no que se refere à vigilância sanitária; fiscalização e regulação técnica, e, por fim, a proteção ao meio ambiente que se justifica pela necessidade de proteger os bens públicos é alcançada via legislação sobre recursos hídricos (GUASCH et al., 2005; VISCUSI et al, 2005; BALDWIN et al, 2012).

No documento ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING (páginas 24-27)