2.2 Desinvestimento Direto Estrangeiro
2.2.3 Determinantes do Desinvestimento Direto Estrangeiro
Em um estudo de 59 desinvestimentos realizado por grandes empresas americanas no período de 1975-1980, Duhaime e Grant (1984) identificaram três fatores com influência significativa na decisão de alienação: baixa solidez financeira (retorno sobre o patrimônio) da empresa alienante em relação à sua média industrial; desempenho fraco e perspectivas das unidades cedidas, e baixa interdependência entre a unidade cedida e outras áreas das atividades do desinvestidor. A estrutura financeira do cedido (por exemplo, nível de alavancagem), apego gerencial, e o ambiente econômico geral não teve influência significativa sobre o desinvestimento.
Hamilton e Chow (1993) desenvolveram uma pesquisa com 36 CEOs (Chef Executive Officers) de grandes empresas na Nova Zelândia, com 208 alienações entre 1985-1990. A maior
parte (78%), assumiu a forma de uma venda completa dos ativos envolvidos para outra empresa.
A maioria dos desinvestimentos remanescentes envolveu outros acordos, como spin-off, buy-out de administração ou apenas liquidação. Outra característica notável, que está de acordo com o que Duhaime e Grant (1984) encontraram nas 59 unidades analisadas em seu estudo, é que alienações representam pequenas partes da empresa alienante: 62% das 208 alienações envolveram menos de 5% do total de ativos da empresa, e 82% menos de 10%. No entanto, o fator mais importante identificado nessa pesquisa foi o baixo retorno alcançado nas unidades alienadas, seguido por suas baixas perspectivas de crescimento.
Um estudo realizado por Belderbos e Zou (2009) revelou que uma conTabelação de plataformas de fabricação do país fornece valor de opção para a empresa, oferecendo opções de crescimento futuro e trocando opções para ajustar a distribuição das atividades de fabricação em locais sob incerteza (KOGUT; KULATILAKA, 1994a, 1994b). Ao mesmo tempo, os resultados confirmam que as conTabelações de afiliados multinacionais devem ser consideradas como uma carteira de opções, e que as características da carteira afetam as probabilidades de avaliação e desinvestimento de opções de afiliadas individuais. Isso é parecido com as descobertas anteriores sobre a avaliação de opções reais de alianças tecnológicas (VASSOLO et al., 2004), em que as alianças com características de desempenho tecnológico sobrepostas encontradas, possuem taxas de resiliência mais altas. Os resultados implicam que as decisões de desinvestimento de afiliados devem ser consideradas no contexto de uma estratégia de empresa multinacional mais ampla e sua posição em conTabelações de planta internacional, e não como decisões separadas, como tem sido a abordagem na maioria dos trabalhos anteriores sobre desinvestimentos estrangeiros.
Tong e Reuer (2007) argumentam que, com maior dispersão, os custos marginais de coordenação e utilização de opções de troca aumentam. Outros moderadores do valor da opção de portfólio de afiliados que foram apresentados são a distância cultural entre países do portfólio, dificultando a coordenação efetiva (TONG; REUER, 2007) e heterogeneidade no valor das opções de afiliados relacionadas ao modo de entrada e linha de negócios (TONG et al., 2008). As descobertas de Belderbos e Zou (2009) sugerem que uma explicação alternativa plausível seria que as empresas multinacionais diferem no grau de redundância em seu portfólio de afiliados internacionais, e que essa redundância provavelmente será maior para redes de plantas mais densas.
A figura, a seguir, desenvolvida por Hamilton e Chow (1993), ilustra os principais fatores que determinam as decisões de desinvestimento.
Figura 2: Determinantes das Decisões de Desinvestimento Fonte: Hamilton e Chow (1993, p. 481).
Soule et al. (2014) analisaram o desinvestimento da Birmânia, examinando a influência integrada das características do país de origem e os efeitos interorganizacionais, devido à assimetria entre as decisões envolvendo investimento estrangeiro direto e desinvestimento. Ou seja, as empresas podem não apenas alienar as operações no exterior por causa de considerações financeiras ou oportunidades de negócios não realizadas, mas por condições políticas, pressões por parte de seus diferentes interessados e ações de membros em seus grupos de referência relevantes. O caso de desinvestimento da Birmânia sugere que essas considerações não-específicas podem ser ainda mais importantes para as empresas do que seus lucros e outras oportunidades de negócios.
Nessa mesma linha, o exame da influência do ambiente do país de origem contribui para uma crescente literatura sobre os determinantes institucionais do comportamento das firmas multinacionais (GARCIA-CANAL; GUILLEN, 2008; HOLBURN; ZELNER, 2010). As empresas de países com níveis mais altos de liberdade política e com transparência têm maior propensão a alienar suas operações. Estes resultados sugerem que as características políticas do país de origem, além das considerações comerciais tradicionais, podem ser determinantes significativos do desinvestimento internacional (MCDERMOTT, 2010).
Os pontos comuns no ambiente político dos estados-nação, como a adesão comum às organizações intergovernamentais sociais-econômicas e sociais, agem como mecanismos para
a difusão da saída das empresas de um determinado país ou as preferências das elites. As análises custo-benefício de como uma determinada decisão pode afetar uma empresa devem ser sensíveis a fatores externos à própria empresa (BURSTEIN, 1998).
Conforme Hiatt et al. (2009) e Soule (2009), focalizando as empresas multinacionais e os efeitos dos movimentos sobre o mesmo, a política privada nos países de origem pode afetar ações corporativas em outros países, indiretamente por meio de processos de difusão. A maioria das pesquisas sobre políticas privadas se concentra no impacto direto do ativismo nas respostas corporativas em esferas geográficas específicas. Uma importante implicação sobre isso refere-se à atividade do movimento social que pode refere-ser importante para decisões ao nível da firma, diretamente por protesto ou indiretamente, à medida que as decisões de alienação das empresas se espalham para outros.
Finalmente, a literatura no âmbito dos estudos organizacionais e dos movimentos sociais tem sido profundamente consciente da influência da estrutura de oportunidades corporativas e políticas sobre os resultados da atividade de protesto e movimento social (KING; PEARCE, 2010; SOULE, 2009; SOULE; OLZAK, 2004). O ambiente político a nível do país é um importante contributo para esta literatura, na medida em que as oportunidades políticas de muitos países impactam nas decisões de nível da empresa. Há uma relação importante também entre instituições políticas e IDE (JENSEN, 2008; BUSSE; HEFEKER, 2007).