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E TAXINOMIA DE DEFICIÊNCIA INCAPACIDADE E DESVANTAGEM

1.1 Ameaças e oportunidades do presente e do futuro

“Há evidências históricas suficientes de que o desenvolvimento huma- no não tem por que se desenvolver em paralelo ao progresso material, de forma que, inclusivamente em épocas de expansão económica, há pessoas que não encontram uma oportunidade para participar na pros- peridade. Entre estas pessoas encontram-se, muito frequentemente, as pessoas com incapacidades, cujos anseios e aspirações de participação e igualdade contrastam com as circunstâncias em que se desenvolve a sua existência.” (Garcia, p.44, 2003, tradução livre)

Para Garcia as pessoas com incapacidade, as respectivas famílias, as- sociações de pessoas com incapacidade, profissionais e técnicos, e as diversas instituições que têm como missão esta causa, já percorreram um longo caminho até à consciencialização de uma cidadania de plenos di- reitos para todos. Contudo, são ainda muitas as barreiras físicas e sociais que limitam a participação de pessoas com incapacidade na sociedade. Como tal, no fomento da integração e da multiculturalidade é necessário reconhecer a diferença e o potencial criativo da diversidade. Muitas das vezes as diferenças entre pessoas não incidem somente a um nível cul- tural e espiritual, nem dos diferentes níveis de rendimentos ou posição social, há também outros tipos de desigualdades que advêem da consti- tuição, das suas capacidades funcionais e de como se desenrolou o seu trajecto de vida. Estas desigualdades podem também surgir das barreiras que os habituais métodos produtivos, sociais e culturais erguem em redor da diferença de capacidades das pessoas.

Várias instituições entre as quais se encontra o Clube de Roma1 exploram estas ideias desde há já algum tempo. É então de salientar que não basta um desenvolvimento sustentado, mas acima de tudo é necessário um de- senvolvimento humano, que permita aproveitar de cada pessoa as suas capacidades, irradicando com isso qualquer tipo de exclusão. Entre essas pessoas encontram-se aquelas com graves incapacidades, que querem trabalhar mas não encontram forma de o conseguir. Como tal se é uma perda de oportunidade para essa pessoa também o é para o resto da so- ciedade. Assim sendo para Garcia e outros autores que referencía como Ricardo Díez Hochleitner na obra La Calidad Humana, onde a evolução requer não só uma visão de conjunto, mas também é necessário ter em conta as conotações morais e éticas, bem como a constante referência a valores como a liberdade, equidade e justiça, e que para o autor também refenciado por Garcia, Aurelio Peccei em Testimonio sobre el futuro, tem o seu principal foco na qualidade dos cidadãos e nas suas capacidade de fazer frente às adversidades e desafios, aproveitando as oportunidades. Sem nunca perder de vista esta perspectiva humana, o Clube de Roma, tem analisado as consequências do crescimento ilimitado, da evolução tecnológica, da cada vez mais complexa e dificil governabilidade dos sis- temas, as economias financeiras, os limites da coesão social e o desen- volvimento humano, assim como, se juntam hoje novas consequências derivadas da revolução dada na informação proporcionando uma maior interacção dos mercados e aumentando os riscos da bipolaridade como consequência a um aumento e surgimento de novas formas de exclusão. A humanidade de acordo com o pensamento de Garcia e como conse- quência visível destas novas formas de exclusão, tem vindo a tomar cons- ciência de que “não é possível manter uma relação homem-natureza que

não tenha em conta os limites nem as suas consequências posteriores”

(Garcia, p.47, 2003, tradução livre), tem também tomado consciência de que os problemas se interrelacionam e de que factores como o excesso de população e a falta de recursos educativos e materiais não podem ser considerados fenómenos isolados. O Clube de Roma perante esta análise prevê que as consequências para as gerações futuras desta visão origina- rão um fim lastimoso, caso não se comece a preservar a biodiversidade. Contudo, a humanidade ainda não se capacitou de que esta confusão que incentiva as dualidades progesso e atraso, opulência e miséria, não está a desenvolver valores que permitam que a evolução técnica se colo- que ao serviço de todos de modo a melhorar a qualidade de vida. É necessário desenvolver valores que estimulem e encorajem a igualda- de de oportunidades para essa vasta diversidade, e que esse processo

1_ O Clube de Roma é uma organização não governamental que junta cientistas, economistas,

homens de negócio, governantes e ex-governantes e as pessoas em geral dos cinco continen- tes, e que estão convencidos de que o futuro da humanidade não é determinado, e que cada ser humano pode contribuir para melhorar as nossas sociedades.

seja consumado nos diversos ambitos da vida, desde o nascimento até à morte independentemente da sua condição humana, de forma que as sociedades tirem o máximo de partido de todas as potencialidades do ser humano. Para Garcia a nova travessia que a humanidade tem de percor- rer não é provavelmente ao nível do desenvolvimento tecnológico e eco- nómico mas sim a um nível de relações interpessoais, relações essas que deverão ter como base a compreensão e aceitação da individualidade de cada ser humano, construindo e compartilhando um futuro comum. Os avanços sociais e tecnológicos que se perpetuaram durante a segun- da metade do século XX e este ínicio do século XXI, parecem ter entrado em fim de ciclo. De acordo com a situação social e económica actual, é certo, e de acordo com o autor que temos vindo a referenciar nestes últimos parágrafos, que esses avanços melhoraram a comunicação e o contacto entre sociedades e indivíduos, mas foram de tal forma rápidos na sua evolução que se tornam dificeis de assimilar e permitir a adaptação e integração, mas ao mesmo tempo estas alterações constantes resul- tantes dessa evolução, criaram as bases para uma sociedade globalizada em constante interacção. Esta situação não deixa de ser um pouco anta- gónica. Se por um lado o desenvolvimento social e tecnológico aumenta a qualidade de vida, por outro cava um fosso ainda maior entre os dife- rentes equilibrios territoriais, provoca tensões no meio ambiente, choques culturais e de valores entre sociedades, grupos e indivíduos.

Concluímos então que esta evolução permitiu atingir níveis de bem es- tar nunca antes alcançados a certos grupos ou colectividades, mas que ao mesmo tempo provocou a já referida dualização da humanidade, de modo que o progresso e riqueza de uns, contrasta com miséria, estag- nação e consequente exclusão de outros. Este fenómeno não é única e exclusivamente característico, como se pode pensar, de paises denomi- nados de Terceiro Mundo, não nos podemos esquecer que segundo os últimos estudos 15% da população nos países industrializados se encon- tra abaixo do limiar de pobreza.

1.2 Os modelos actuais do design e do designer,