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3 Qualidade de vida: aspectos gerais e aplicação ao envelhecimento

DESIGN: CONCEITOS, DESIGNAÇÕES E ASPECTOS METODOLÓGICOS

4.3 Conceito de design inclusivo

4.3.1 O processo do design inclusivo

Qualquer produto ou serviço desenvolve-se devido a um desafio, que identifica uma necessidade específica. A transformação dessa necessi- dade numa solução que satisfaça os seus requisitos, necessita de um processo de design apropriado. O desafio para o design pode aparecer de diversos contextos. Pode surgir da identificação de uma nova oportu- nidade de mercado, de uma nova tecnologia disponível ou da necessida- de do re-design de um produto ou serviço já existentes.

Achamos então ser importante demonstrar o processo de design inclu- sivo, com base no “modelo em queda de água” proposto pelo Inclusive design toolkit e que se compõe por quatro fases chave:

Figura. 32

O modelo em queda de água de um processo de design inclusivo. Fonte: http://www. inclusivedesigntoolkit.com

Identificação da necessidade

Consiste na exploração da necessidade identificada por todos os interve- nientes no desafio de design, esta exploração traduz-se no total conheci- mento da necessidade real. A importância de explorar e refinar a neces- sidade percebida revela-se na capacidade de originar a necessidade real, muitas vezes, no processo de desenvolvimento de um produto ou serviço, a necessidade que é percebida não é realmente a necessidade dos utiliza- dores desse mesmo produto ou serviço.

Figura. 33

Esquema demonstrativo da exploração e refinamento da necessidade percebida até à necessidade real.

Fonte: http://www. inclusivedesigntoolkit.com

Seguidamente à descoberta da necessidade e do seu refinamento e ex- ploração até à necessidade real, a principal compreensão é a da interac- ção entre o utilizador e o produto, ou serviço possível, no seu ambiente de uso provável. Num contexto mais largo, essa interacção deve ser feita entre o utilizador, entre o produto ou serviço provável e o negócio ou a actividade comercial, tudo dentro de um ambiente específico. Segundo o Inclusive design toolkit, o sucesso de um produto pode ser medido atra- vés da sua funcionalidade, usabilidade, ser desejável e viável. O objectivo da fase de descoberta é a consolidação e fundamentação do conheci- mento capaz de atingir os objectivos propostos.

Figura. 34

Diagrama exemplificativo das interacções necessárias na fase de descoberta entre o utilizador, o possível produto ou serviço e o negócio ou empresa, sendo que essas interacções se desen- rolam num ambiente específico. Fonte: http://www. inclusivedesigntoolkit.com

Tradução da necessidade em requisitos

A tradução e conversão do conhecimento adquirido acerca da necessi- dade e que se traduz no plano de intenções do projecto de design. Esta tradução vai-se reflectir nos requisitos específicos da solução. Como já referimos anteriormente, a compreensão das reais necessidades dos uti- lizadores e da consequente actividade empresarial envolvida, é um factor nevrálgico para o sucesso de um produto inclusivo. Nesta fase do projec- to, o Inclusive design toolkit sugere, que a equipa envolvida no projecto deve ter resposta para questões como:

- Quem são os utilizadores e todos os agentes envolvidos no projecto? - Quais as tarefas que o produto pretende realizar?

- Porque é que o utilizador / actividade comercial necessita desse pro- duto?

- Quando é que o produto será disponibilizado? - Em que ambiente é que o produto será usado?

Figura. 35

Diagrama demonstrativo da compreensão das necessidades dos utilizadores, do produto, da actividade comercial e ambiente, traduzidas em forma de requisitos.

Fonte: http://www. inclusivedesigntoolkit.com

Depois de totalmente compreendidas as necessidades reais, é necessária a sua tradução em forma de requisitos específicos do projecto, com o objectivo de transformar e estruturar a informação para poder ser usada no desenvolvimento de conceitos. Esses requisitos são fruto do conhe- cimento adquirido com os utilizadores e com as tarefas a desempenhar em determinado ambiente, em conjunto, com os objectivos funcionais e relativos à usabilidade, desejáveis e relativos à sua rentabilidade.

Criação de conceitos derivados dos requisitos

A criação dos conceitos preliminares é avaliada tendo em consideração os requisitos específicos originando o conceito (e.g. a forma do produto, as características técnicas, quem são os utilizadores, ou qual o mercado e o valor de negócio). Nesta fase é necessário recorrer a técnicas e ferra- mentas que potenciem a criatividade e que filtrem as diferentes alternati- vas de solução originadas.

O processo de filtragem das alternativas originadas através dos requisitos do projecto, deve ser elaborado por uma equipa multidisciplinar de áreas transversais ao projecto. Nesta fase o Inclusive design toolkit, considera três considerações chave fundamentais para promover o processo criati- vo: a estimulação do processo criativo, a estruturação do rendimento es- perado, assim como, a capacidade de filtrar e hierarquizar. O resutado do processo criativo revela-se sob a forma de conceitos, através dos quais

é demonstrado como é que o produto ou serviço pode ser alcançado de forma técnica, a potencial forma, o tipo de utilizadores ou mercados que se pretende atingir e o valor comercial da solução proposta.

Desenvolvimento do conceito

O desenvolvimento consiste no design de detalhe do produto ou serviço final, podendo estar pronto a ser produzido e emplementado no mercado, dando origem à disponibilização da tão desejada solução. A solução tem de ser avaliada de acordo com os requisitos especificos que foram defi- nidos, assim como, da capacidade de satisfação das reais necessidades do utilizador. A avaliação pode ser feita através da observação da interac- ção do produto com o utilizador, do nível de ajuda e apoio necessário no uso do produto e através da monitorização da incidência de falhas sem a possibilidade de retorno.

Figura. 36

Diagrama em espiral do pro- cesso de design, proposto pelo

Inclusive design toolkit, em que as soluções são emitidas em resposta à necessidade real. Este modelo é uma outra forma de representar o processo de design tal como o modelo em “queda de água”. Fonte: http://www. inclusivedesigntoolkit.com

A avaliação da solução centrada no utilizador contribuí para que o uso do produto tenha relevância no seu sucesso comercial. O acesso à visão dos utilizadores de como realmente usam o produto, pode dar origem à identificação de novas oportunidades de mercado e futuros modelos de negócio mais sustentáveis. De acordo com o Inclusive design toolkit, o processo de design com base no modelo “em queda de água” apre- sentado no início deste sub-capítulo, pode sofrer uma mutação para um modelo em espiral (ver figura 36), neste modelo todas as soluções são emitidas e geradas em resposta à necessidade do utilizador.

berta da necessidade, tradução, criação e desenvolvimento – são neste modelo em espiral complementadas com as fases de remeter/distribuir a solução desenvolvida, assim como, o respectivo suporte e auxílio ao utilizador na melhor percepção e compreensão no seu uso. O método ou processo de design aqui revisitado e proposto pelo Inclusive design toolkit, não deve ser interpretado como uma receita rígida sem base de manobra e sem capacidade de adaptação a diversos contextos de actu- ação. Tal como refere Coleman, “(…) Independentemente da metodologia

usada, o objectivo é, ou deveria ser, desenvolver melhores produtos que se comprometam emocional e fisicamente com as pessoas que os usa- rem. (…)” (Coleman, p. 31, 2001, tradução livre) (1).

4.3.2 O design inclusivo, a terceira idade e o mercado