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1.1 Limitações à organização e implementação das AEC

Como ficou descrito é parecer dos participantes locais no nosso estudo, que as AEC são muito importantes para o desenvolvimento dos alunos, nas diferentes áreas disponibilizadas. A sua planificação e implementação nunca tiveram qualquer implicação negativa nos seus protagonistas e não existiram bloqueios ao trabalho que está a ser desenvolvido.

No Agrupamento de Escolas em estudo não existem constrangimentos provocados pela introdução das AEC, de acordo com as respostas dos participantes no inquérito. Todos os professores da amostra responderam à pergunta dezassete (17) “Existem constrangimentos na escola e no agrupamento, provocados pela introdução das AEC?”; a maioria (87,0%) respondeu “não”. Os registos pormenorizados encontram-se no Quadro 15D, do anexo 11.

1.2. Principais dificuldades na organização e implementação das AEC

Esta temática foi abordada no inquérito aos professores, através das questões da pergunta onze (11), de tipo sim/não. Todos os professores responderam a todas as perguntas; as respostas obtidas representam-se, seguidamente, com as respetivas percentagens, evidenciando as principais dificuldades por ordem decrescente.

d) Tempo disponível (dos professores) para reuniões, deslocações e preparação de aulas (73,9%).

a) Articulação horizontal (entre Professor titular - Professor das AEC) (52,2%) h) Contactos com os Encarregados de Educação (47,8%).

i) Apoio dos serviços da Câmara Municipal (47,8%).

b) Articulação vertical (com órgãos do agrupamento) (43,5%). e) Cansaço dos alunos (43,5%).

f) Problemas comportamentais dos alunos (43,5%). c) Informação e/ou formação dos professores (39,1%). g) Desmotivação e faltas dos alunos (0%).

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Neste grupo de perguntas não são apresentadas dificuldades no que respeita à alínea “g) Desmotivação e faltas dos alunos”. Os valores mais preocupantes estão relacionados com o corpo docente, supostamente pelo volume de tarefas administrativas que lhe são atribuídas nos últimos anos, diretamente relacionadas com a alínea “d) Tempo disponível (dos professores) para reuniões, deslocações e preparação de aulas”, que se vai refletir nas tarefas pedagógicas não obrigatórias, ou não quantificáveis como a articulação horizontal.

1.3. Propostas de aspetos a melhorar nas AEC

A implementação das AEC, por se tratar de uma intervenção de política educativa, curricular e social muito recente, em fase de acompanhamento pela CAP26, deve ser objeto de estudo e análise cuidados, atendendo às consequências que daí poderão advir para os alunos e para as gerações futuras. Na presente data encontra-se em fase de projeto a criação de uma de Norma Portuguesa, pelo Instituto Português da Qualidade, do qual apresentamos excerto:

«Transformações recentes na sociedade portuguesa ditaram o progressivo alargamento do período de funcionamento dos estabelecimentos (…) através da oferta das atividades de animação e de apoio à família no pré-escolar, de enriquecimento curricular e de componente de apoio à família no 1.º ciclo do ensino básico.

A implementação destas medidas de política educativa fomentou o estabelecimento de parcerias entre a Escola e outras organizações, promoveu a abertura da escola à comunidade, reforçou a cooperação e contribuiu para uma maior e melhor rentabilização dos recursos locais.

A diversificação das respostas educativas e das entidades envolvidas na sua implementação levou à necessidade de criar uma Norma que defina os requisitos de qualidade necessários para que se cumpram de forma plena os objetivos educativos dos serviços a prestar. (projeto de Norma Portuguesa AEC 4510 – 2012: 5)

Questões relacionadas com aspetos a melhorar nas AEC foram colocadas aos professores inquiridos, à Representante de Pais e ao Vereador da Educação entrevistados.

1.3.1. A perspetiva dos professores inquiridos

A questão dos aspetos a melhorar nas AEC foi abordada na pergunta dezanove (19) do inquérito aos professores da seguinte forma: “O que faria com as AEC, na sua escola, para as melhorar e desenvolver?”, à qual responderam apenas onze professores (47,8%). Pelos mesmos foram apresentadas várias sugestões de melhoria. Os dados recolhidos nas respostas foram organizados nas seguintes categorias - horário, coordenação/componente pedagógica,

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Comissão de Acompanhamento do Programa das Atividades de Enriquecimento Curricular no primeiro ciclo do ensino básico – Despacho nº 14 460/2008 de 26 de maio com a nova redação dada pelo Despacho nº 8683/2011, de 28 de junho.

83 funcionamento e professores, que a seguir se registam, de forma simplificada e com as frequências respetivas:

a) relativamente ao horário: melhorar o horário (1); aulas a partir das 16 horas (1); aulas no horário da tarde (1);

b) relativamente à coordenação/componente pedagógica: nomear um coordenador para cada área (1); maior articulação horizontal e vertical (1); realizar mais reuniões ao longo do ano entre o PTT e professor das AEC (1); realizar mais atividades entre as diferentes AEC (1);

c) relativamente ao funcionamento: dar mais apoio às AEC (1); melhorar as condições de trabalho (1); disponibilizar instalações adequadas para o Ensino da Música e Educação Física (1); apoiar mais as AEC, dando mais apoio material e técnico (1); d) relativamente aos professores: penalizar quem não cumpre objetivos, atividades e

funções que lhe foram concedidas (1); estabilizar os profissionais (1).

Quando os professores foram inquiridos, na pergunta dezoito (18), sobre as mudanças a efetuar nas AEC, onze professores (47,8 %) referem-se ao horário, dizendo que deve ser a partir das 16 horas.

1.3.2. A perspetiva dos pais

A Representante de Pais/EE entrevistada refere-se diversas vezes a questões escolares; no que respeita à coordenação das atividades, responde:

«Por vezes há uma notória falta de coordenação na gestão dos Departamentos Curriculares e das AEC. Para fazer face a este problema, os Departamentos que englobam as AEC, deveriam planificar as atividades do Plano Anual de Atividades em parceria com os professores das AEC.» [Entrevista 3, Resposta 5]

Sobre a continuidade das AEC refere o seguinte: «Pessoalmente julgo que a experiência das AEC deve continuar, na minha opinião deveria também fazer parte deste programa a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).» [Resposta 13, Entrevista 3,].

Em relação às mudanças a efetuar nas AEC, a mesma apresenta a seguinte sugestão: «Penso que o estado deveria possibilitar às autarquias maneira de poder constar do seu Quadro de Pessoal, os professores que lecionam as AEC.

A Autarquia deveria manter aqueles professores que tanto têm feito pelos nossos filhos. O Agrupamento deve planificar os Departamentos em parceria com as AEC, para que se conseguisse melhores resultados para as duas partes AEC, e Currículo dos alunos. De todo o modo acho que não há situações graves resolver.» [Resposta 14, Entrevista 3].

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1.3.3. A perspetiva do Vereador da Educação

O Vereador da Educação entrevistado, principal responsável municipal pela gestão das AEC, refere unicamente a necessidade de haver alterações por parte do Estado, respeitantes a assegurar o financiamento de forma correta, pagar também para manter as atividades durante o período de férias e permitir contratos para admissão de pessoal, conforme se descreve:

«Da parte do estado (…); deverá pagar para manter as atividades durante as férias; será necessário permitir contratos e admissão de pessoal para não acontecer o que está agora, com contratos através de empresas. Da parte da autarquia não vemos necessidade de fazer alterações. Da parte do agrupamento de escolas também não são necessárias alterações. Não tem havido problemas de registo e existe um relacionamento muito bom, entre a Câmara Municipal e o Agrupamento de Escolas.» [Resposta 25, Entrevista 1]

1.4. Continuidade das AEC na escola/agrupamento

Com a polémica instalada nas “entidades públicas”, relativamente às dotações orçamentais (lei do orçamento de Estado para 2012) e à aplicação da Lei dos Compromissos (Lei 8/2012, de 21 de fevereiro), nos circuitos informais académicos locais surgem preocupações relativas à continuidade das AEC, dado tratar-se de atividades não obrigatórias.

Na pergunta dezoito (18) do inquérito foi apresentada uma questão da seguinte forma: “Acha que a experiência das AEC deve continuar?”. A maioria dos professores inquiridos respondeu: “Sim” (95,6%) e apenas um não respondeu (Quadro 16D, anexo 11).

O Vereador da Educação, questionado sobre o mesmo assunto - “A experiência das AEC deve continuar?”, referiu:

«Sim esta experiência deve continuar. Não tem necessidade de ser ampliada uma vez que já foi alargada às crianças do pré-escolar, com as mesmas atividades do 1º CEB – Música, Atividade Física e Inglês, com objetivos adaptados e horário mais reduzido por se tratar de crianças muito pequenas.» [Resposta 24, Entrevista 1]

A Técnica de Serviço Social respondeu à mesma pergunta, dizendo:

«Em meu entender as AEC devem continuar. Quer pela necessidade e hábitos já criados nos alunos, pela importância dos módulos ministrados e pelas famílias dos alunos uma vez que este prolongamento do horário escolar lhes permite outra disponibilidade no acompanhamento dos filhos sobretudo para aqueles que têm ocupações profissionais.

Penso que esta atividade deve ser ampliada não no alargamento do horário mas complementado com o módulo de teatro.» [Resposta 14, Entrevista 2]

85 1.5. Mudanças a efetuar nas AEC - perspetiva dos professores

Nesta mesma pergunta dezoito (18), do Inquérito, foram colocadas outras questões, em três situações diferentes, a complementar a pergunta referida no ponto anterior: a continuar, o que deve mudar? a) da parte do estado; b) da parte da autarquia; c) da parte do agrupamento.

As sugestões apresentadas pelos inquiridos, relativamente às mudanças a efetuar nas AEC, foram organizadas em categorias (mudanças a efetuar) e subcategorias (áreas) e apresentadas no Quadro 18D, anexo 11.

Registamos que são relevantes as mudanças propostas para o horário (em geral) e que a principal mudança se refere ao Agrupamento de Escolas, para elaboração de horário a partir das 16 horas (11 respostas).

Tratando-se de sugestões, evidenciam a preocupação dos participantes, no que respeita a critérios relacionados com a autonomia municipal, estatuto docente (concursos, avaliação, igualdade de direitos) e desenvolvimento curricular. Merecem melhor destaque as sugestões relativas a professores, em todas as categorias apresentadas, nomeadamente as seguintes: “Dar ao município possibilidade de autogestão dos recursos humanos na contratação de professores”; “Recrutar diretamente os docentes através de concurso e pagar salário igual ao dos outros docentes”; “Colocação permanente no agrupamento onde leciona; “Valorizar o trabalho através de avaliação justa e competente, penalizando quem não cumpre”; “Articulação horizontal e vertical”; entre outras.