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4 ANÁLISE INSTITUCIONAL

4.2 ANÁLISE INSTITUCIONAL DA PROPOSTA CURRICULAR DO ESTADO DA

A Proposta Curricular54 (PC) do Estado da Bahia, da disciplina matemática para o 6º ano do ensino fundamental, atende à política da Secretaria de Educação do Estado da Bahia e é respaldada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação Básica e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de Nove Anos. Esse documento, composto a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), apresenta uma organização curricular que contempla uma base nacional comum e uma parte diversificada, e objetiva orientar o trabalho docente. Apresenta como critério de seleção de conteúdos a relevância social e a contribuição para o desenvolvimento do conhecimento matemático.

Assim como nos PCN (BRASIL, 1998), na PC (BAHIA, 2013) buscamos revelar as condições e restrições que incidem sobre a abordagem do tema área para o sexto (6º) ano do ensino fundamental.

No âmbito da civilização, o documento faz referência ao conhecimento matemático construído ao longo da história da humanidade sob o imperativo das necessidades cotidianas dos indivíduos. A PC, como os PCN (BRASIL, 1998), considera que as antigas civilizações trouxeram grande contribuição para esse saber de referência, e propõe ao professor perpassar por esse ambiente de aprendizagem nas suas aulas, utilizando o argumento de que a História da Matemática oportuniza “pesquisas históricas, contextos de aplicação e construção de instrumentos que os validem” (BAHIA, 2013, p. 129).

No campo da sociedade, faz alusão à riqueza cultural da Bahia instituída pelas contribuições das diferentes raças, etnias, gêneros e classes sociais, que também estão atreladas à vida social e à história de diversas culturas oriundas de outras sociedades (BAHIA, 2013). Entretanto, a PC reconhece que, no decorrer do tempo, problemas de naturezas variadas têm colocado o estudante em situações de vulnerabilidade, uma vez que, um grande percentual dos estudantes baianos que frequentam as escolas públicas convive com vários problemas, entre esses, baixa renda familiar, precária qualidade de vida, saneamento básico inadequado e situação de risco no seu cotidiano (BAHIA, 2013).

Diante desses fatores, o documento intenciona oferecer informações para a organização do trabalho pedagógico, orientar os educadores no sentido da construção de uma escola voltada para a formação de cidadãos em um ambiente contemporâneo de progressos

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Em alguns trechos do texto, adotamos a sigla PC para nos referirmos à Proposta Curricular do Estado da Bahia.

científicos e avanços tecnológicos que priorize atividades contextualizadas e significativas, dentre outras exigências. A PC (BAHIA, 2013, p. 19) “convida a escola a se reinventar cotidianamente, [...] considerando as questões que envolvem o olhar interdisciplinar”.

A PC (BAHIA, 2013) propõe a construção do Projeto Político Pedagógico, apoiado nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação e do Plano Nacional de Educação (BRASIL, 1996), respeitando a diversidade da sua comunidade no contexto social. Para a construção, o documento oferece livre-arbítrio, mas o que notamos é o uso de um currículo único adotado em grande parte das escolas baianas.

A PC (BAHIA, 2013) recomenda a reorganização da parte diversificada em cinco eixos temáticos55 e concebe o currículo por Competências56 e Habilidades57, cabendo, portanto, à escola definir os focos referentes a cada eixo.

Para cada competência proposta, são sugeridas algumas habilidades nos respectivos níveis do ensino. Além disso, o documento apresenta “possibilidades metodológicas e conteúdos referenciais para o ensino fundamental, [...] tendo em vista seu desenvolvimento por área de conhecimento” (BRASIL, 2013, p. 13). Para os 3º e 4º ciclos, viabiliza a produção de conhecimento dos estudantes que se encontram na faixa etária entre 11 e 14 anos. Esse documento discute ainda sobre a possibilidade de articulação entre o eixo das grandezas e das medidas, com os números e as operações e as grandezas geométricas.

Porém, na instituição escola, algumas restrições se fazem presentes, restrições essas que precisam ser superadas para que seja possível o desenvolvimento das atividades matemáticas adotadas pela instituição. Exemplo disso é a escassa condição de infraestrutura encontrada em grande parte das escolas públicas baianas, além de problemas ocasionados por questões alheias às escolas.

Identificamos que o saber de referência, área de superfície plana, é discutido no eixo 4, cujo tópico se intitula: “A Contextualização das Grandezas e das Medidas”; no eixo 1: “Os Números e as Operações como Ferramentas Humanas”; e no eixo 3: “O Pensamento Geométrico em Construção” (BAHIA, 2013). Também identificamos orientações que contemplam o objeto de nossa investigação, AFP, conforme os esquemas a seguir:

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Conjunto de competências e habilidades adotadas para serem trabalhadas nos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental (BAHIA, 2013).

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As competências são definidas, neste documento, como “a capacidade do sujeito de mobilizar saberes, conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver problemas e tomar decisões adequadas” (ZABALA, 1998 apud BAHIA, 2013, p. 31).

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As habilidades “estão relacionadas ao saber fazer, em uma dimensão mais técnica, e são necessárias para a consolidação de uma competência” (ZABALA, 1998 apud BAHIA, 2013, p. 32).

Figura 46 – Competências e Habilidades para área de figuras planas: eixo 1.

Legenda: (I) iniciar; (TS) trabalhar sistematicamente; (C) consolidar. Fonte: BAHIA, 2013, p. 126.

No eixo 1 (Figura n. 46), o documento explana que é importante que se adquira a habilidade de verificar que existem situações- problema atreladas à geometria e às medidas, cujas soluções não são obtidas por números racionais (BAHIA, 2013).

Figura 47 – Competências e Habilidades para área de figuras planas: eixo 3.

Fonte: BAHIA, 2013, p. 126.

No eixo 3 (figura 47), inferimos que o documento apresenta a habilidade “compor e decompor figuras planas” (BAHIA, 2013, p. 128). Essa habilidade está conectada com o bloco de conteúdo grandezas e medidas, notadamente, no que concerne ao estudante saber resolver tarefas utilizando a técnica da comparação pela composição e decomposição de figuras.

Conforme a PC (BAHIA, 2013), o eixo aludido deve priorizar a presença de instrumentos que permitam a articulação das estruturas geométricas, “evitando uma geometria

baseada apenas em figuras desenhadas na folha de papel” (BAHIA, 2013, p. 129). Nessa perspectiva, o documento incentiva a exploração de softwares geométricos, o desenvolvimento de tarefas que mobilizem situações de transformações e a utilização de materiais diversos (origami, tangram, geoplano), entre outros dispositivos didáticos.

Figura 48 – A Contextualização das Grandezas e das Medidas – Competências e Habilidades para área de figuras planas: eixo 4.

Fonte: BAHIA, 2013, p. 130.

Na Proposta Curricular (BAHIA, 2013), evidencia-se um incentivo à articulação das grandezas e medidas com o espaço e formas e com os números e suas operações. Essa articulação permite que o professor desenvolva um trabalho integrado aos três eixos, possibilitando, assim, a compreensão da interdependência entre as grandezas.

O documento ainda propõe um enfoque num ambiente interdisciplinar e um trabalho voltado à História da Matemática. Esse tipo de abordagem pode vir a justificar a origem do saber de referência área de figuras planas, através das várias maneiras de medidas na história das civilizações e das profissões. No eixo quatro (4), o documento também recomenda:

Figura 49– Competências e Habilidades para área de figuras planas.

Para essas indicações, o documento sugere a conversão de unidades padrões (km², hm², dam², m², dm², cm², mm²) e unidades agrárias empregadas na cultura baiana (alqueire, tarefas, légua, hectare, milhas terrestres); esse estudo, permite a articulação da matemática com questões do cotidiano.

O documento também recomenda a valorização de propostas de situações que permitam ao estudante a descoberta das relações não lineares, como “construir e usar o metro quadrado, compará-lo com o decímetro quadrado (por meio do material dourado)” (BAHIA, 2013, p. 131).

Pela PC (BAHIA, 2013), todas as habilidades identificadas nos três eixos devem ser iniciadas e trabalhadas sistematicamente a partir do 6º ano do ensino fundamental, o que impõe um cuidado peculiar por parte do professor, sobretudo porque é nesse ano que se concentra o maior índice de repetência (BAHIA, 2013).

No decorrer da análise, constatamos que é dada ênfase ao desenvolvimento de competências, o que proporciona possibilidades da preparação de organizações didáticas interdisciplinares, a partir da definição do conteúdo com os temas transversais.

Assim como na instituição PCN (BRASIL, 1998), a PC (BAHIA, 2013) se inquieta com a maneira como os conteúdos são abordados, visto que, no enfoque do tema área, é provável que uma quantidade expressiva de professores não vincule os eixos das grandezas e das medidas com os números e as operações e com o eixo da geometria, como orienta a proposta.

Tanto quanto nos PCN (BRASIL, 1998), as PC (BAHIA, 2013) buscam a excelência no ensino. Esse documento enfatiza o desenvolvimento de competências e habilidades, apresenta sugestões de um trabalho interdisciplinar contextualizado e distribui seus conteúdos em eixos temáticos. Além disso, o documento referido convida as escolas a se “reinventar” (BAHIA, 2013) considerando temas ligados às questões sociais, dentre outras exigências, mas não apresenta exemplos de como fazer essas articulações.

Ao realizarmos uma análise sob o ponto de vista dos níveis de co-determinação, consideramos o saber de referência área, imbricado aos níveis da escala superior (civilizações, sociedade, escola e pedagogia) e inferior (domínio, setor, tema e questão). Esta metodologia focou o nosso olhar para: as contribuições oriundas das civilizações, as propostas das políticas públicas, os programas de ensino, as políticas de gestão e as questões metodológicas referentes ao ensino e aprendizagem de área, contribuindo, assim, para um estudo aprofundado do tema.