4.1 O MAPA DO CONHECIMENTO SOBRE O PROCESSO DE OFERTA DE CURSOS NO SISTEMA UAB
4.1.1 Análise do Mapa Macro UAB
O Mapa Macro UAB, em seu estágio atual de construção, apresenta quatro fases principais, representadas acima em formato de figuras ovais, colocadas estrategicamente ao longo do processo para indicar os pontos importantes da gestão do conhecimento em rede no Sistema UAB. Como pode ser visto nesta representação, o fluxo de gestão do conhecimento tem início na demanda por um determinado curso. Esta demanda pode ser apresentada à universidade de diversas formas e pode ainda ser oriunda de fontes diferentes.
O primeiro quadro na extremidade esquerda do Mapa indica a origem destas demandas. Algumas vezes a comunidade, através dos cidadãos que residem na proximidade da universidade ou mesmo que visitam seu portal na Internet, buscam informações e revelam os seus interesses. Quando esta procura se faz representativa, a universidade mobiliza recursos, busca meios junto à CAPES para concretizar este atendimento. Outras vezes esta demanda tem origem nos Polos de Apoio Presencial, integrados ao Sistema UAB, na medida em que, de forma semelhante, são instados pela sua comunidade próxima ou remota via rede, a provocar a universidade no sentido de atender suas demandas espontâneas.
Este mesmo quadro, à esquerda do mapa, revela duas outras forças que podem originar uma oferta de cursos a distância no Sistema UAB. Uma está representada pelas redes estaduais e municipais de educação que, no intuito de atender às suas demandas por formação de professores, recorrem às universidades com as suas carências indicadas por área do conhecimento, informando a quantidade de vagas que se precisa dispor para qualificar o seu corpo docente, provocando estas instituições de ensino superior a buscar na CAPES os meios para atendimento destes pleitos.
Por último, mas não menos importante, a própria CAPES, atendendo a diretrizes políticas do governo federal, através do Ministério da Educação, promove chamadas, por editais voltados para as universidades integrantes do Sistema UAB, ou mesmo outras universidades públicas que desejem se juntar o Sistema. Desta forma promove a oferta de cursos voltados para a formação de professores e de servidores públicos, visando a cumprir seu papel de expandir a oferta e buscar a interiorização da educação superior no País.
Observa-se no Mapa Macro UAB 5 (figura 12) que, uma vez caracterizada e assumida pela universidade esta demanda, segue-se para a primeira etapa interna do processo, que é a elaboração do Projeto do Curso (figura 13, abaixo).
Figura 13 – Mapa parcial da elaboração do Projeto de Curso
Fonte: elaboração própria.
O processo de elaboração e de aprovação destes projetos de cursos não foi retratado no mapa, pois, na maioria dos casos, segue a mesma dinâmica de qualquer outro curso da modalidade presencial ofertado pelas diversas universidades, bem como as peculiaridades de cada instituição de acordo com as suas normas e regimentos internos.
aprovados pelas instâncias formais da universidade. No entanto, acrescenta-se o que há de diferente nestes cursos, que é o fato de serem destinados à oferta através do Sistema UAB, portanto, sujeitos a uma “articulação” com os Polos de Apoio Presencial, bem como à adequação ao sistema de financiamento, de acordo com os parâmetros predefinidos.
A segunda etapa do processo de gestão do conhecimento do Sistema UAB, mapeada neste estudo (figura 14), é a avaliação do projeto do curso pela CAPES. A palavra de ligação entre esta etapa e a primeira é “submissão”, e foi empregada porque esta é de fato a prática do sistema – a universidade propõe os cursos idealizados e projetados pelos seus órgãos internos, a partir de demandas locais ou adesão a um edital publicado pela CAPES, enviando estes projetos para análise e aprovação ou não daquele órgão.
Figura 14 – Mapa parcial: aprovação dos cursos pela CAPES
Nesta etapa, as avaliações dos projetos de cursos feitas pela CAPES, via de regra, recorre comissões ad hoc, compostas por professores das diversas universidades que integram o sistema. Nela são selecionados os projetos que atendem aos critérios do edital ou as regras das ofertas já aprovadas previamente, e, principalmente, são avaliadas as articulações.
Uma articulação, na linguagem do Sistema UAB representa a harmonização da proposta da instituição de ensino superior com a demanda e as boas condições de oferta dos Polos de Apoio Presencial.
Para julgar as propostas enviadas pelas Instituições de Ensino Superior (IES) à Capes, as comissões ad hoc consideram as normas gerais de ofertas de cursos definidas pela Capes e publicadas nos editais de chamadas ou através de ofícios e comunicados; consideram ainda a pertinência do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), a documentação exigida e, em conjunto com os técnicos da Coordenação de Articulação Acadêmica (CAAC) e da Coordenação de Apoio a Polos (COAP), verificam a capacidade de oferta de cada Polo articulado na proposta, observando se as condições de oferta são adequadas, tendo em vista a avaliação do polo, a sua capacidade par receber novos cursos, entre outros critérios.
Os resultados desta avaliação são publicados em forma de aprovação parcial, através da qual são indicados pontos eventualmente frágeis da proposta para que as IES apresentem os necessários esclarecimentos. Nesta oportunidade ocorre também um período destinado a recursos para que as IES que não tenham sido contempladas nesta aprovação parcial possam buscar formas de resolver problemas que motivaram a reprovação da sua proposta (fase recursal). Finalmente, sanadas estas questões de ajustes, a Capes publica o resultado definitivo, indicando as IES que tiveram aprovação integral de seus cursos, bem como as articulações com os Polos de Apoio Presencial que foram julgadas aptas para oferta.
Vale ressaltar que este processo de apresentação de propostas através de editais ocorre quando o sistema está implantando cursos novos ou expandindo a oferta de cursos já existentes para novas IES e, consequentemente, novos polos.
Para o caso de reofertas de cursos que já estão em funcionamento em IES e Polos, relativos a novas turmas dos mesmos cursos, todo o processo de articulação é feito através do Sistema SISUAB, uma plataforma de gestão mantida pela Capes,
através da qual as IES apresentam propostas de articulação de novas turmas, sendo este julgamento de propostas realizado pelos técnicos da Capes, dispensando assim a necessidade de comissões ad hoc e de editais.
A terceira fase do processo de gestão do conhecimento no Sistema UAB está representada no mapa sob a denominação “Processo de Implantação do Curso” (figura 15), sendo deflagrada imediatamente apos a publicação do resultado do julgamento do Edital para novos cursos.
Figura 15 – M ap a p arcia l: P roce s so de I m pl an taç ão de C ur sos Fo nte: el ab oração próp ri a .
Esta etapa é crucial para o sucesso do projeto de implantação dos cursos, pois consiste na preparação de toda a estrutura de pessoal e material que antecede a sua implementação. Observa-se, na parte inferior da figura oval que representa a etapa 03, que logo após a aprovação das articulações que acontecem na etapa anterior, tem início a fase de financiamento e liberação de recursos pela Capes para que a IES possa dar início ao planejamento e à execução das atividades preparatórias para a oferta dos cursos.
Mesmo representada de forma simples e reduzida, a exemplo de todas as outras subetapas, esta fase de financiamento envolve grande complexidade. Neste ponto existe uma importante diferenciação no processo de financiamento de repasse de recursos, de acordo com a natureza da IES. Para as Universidades e Institutos Federais de Educação, este repasse se dá através de descentralização dos recursos aprovados nos projetos, seguido de execução e posterior prestação de contas. Este processo acontece através de um sistema denominado Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (SIMEC), que adota os mesmos procedimentos de repasse de recursos pelo governo federal para as Universidades e Institutos, uma vez que estes fazem parte da sua estrutura organizacional.
Por outro lado, no caso das Universidades Estaduais, o sistema adotado é o Sistema de Convênios do Governo Federal (SICONV), fazendo-se necessária a assinatura de um convênio entre a Capes e a Universidade, para tornar legítimo este repasse e definir, através de Planos de Trabalho anexados aos convênios, as atividades que serão financiadas.
Tanto as Universidades e Institutos Federais, quanto as Universidades Estaduais recebem este financiamento por vias diferentes de acordo com a natureza da despesa. As bolsas que são recursos destinados a remuneração de professores formadores, professores autores e revisores, além de tutores e pessoal de coordenação, constituem itens de custeio que não são repassados para as IES.
O processo de execução destes recursos se dá através de pagamento direto aos bolsistas e ocorre através de um Sistema Geral de Bolsas (SGB). Nele os bolsistas são cadastrados de acordo com as peculiaridades de suas atividades (tutoria, docência, autoria, coordenação), e suas bolsas são programadas de acordo com as cotas aprovadas desde a proposição dos projetos de cursos pela IES e
liberação da Capes.
Como se pode ver ilustrado na figura 5, segue-se nesta etapa, também, um conjunto de atividades preparatórias que são indispensáveis para uma boa oferta. Em relação aos Polos de Apoio Presencial, com os quais a IES mantém convênios de cooperação para a oferta destes cursos, nos quais estão definidas as obrigações das partes neste processo, faz-se necessária a visita prévia para planejamento, supervisão das condições de oferta que devem ser mantidas no mesmo nível da etapa anterior ou melhoradas por indicação dos avaliadores (da Capes ou do Inep).
Nestas oportunidades, os representantes das IES, ao visitarem os polos, verificam a existência de acervo bibliográfico, de acordo com as exigências legais para oferta de cada curso específico, bem como as condições dos laboratórios, nos casos de cursos que tenham aulas experimentais ou de campo, tais como biologia, química, física, educação física e outros.
Ainda neste momento são planejadas as atividades de capacitação de pessoal dos polos, planejamento de pedagógico para ofertas dos cursos e procedimentos locais para os processos de inscrição e de aplicação de provas do processo seletivo de tutores presenciais e de estudantes (vestibular ou Enem/Sisu) para ingresso nos cursos.
Para além destas atividades junto aos polos, a IES seleciona e capacita os professores autores que vão produzir o material didático nas diversas mídias (impressos, vídeos, animações etc.), realizando os mesmos procedimentos de seleção e capacitação para tutores a distância, professores formadores, equipe técnica e administrativa. Neste mesmo processo, faz-se ainda o planejamento pedagógico que detalha a oferta de cada disciplina e fornece o conteúdo que será disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem.
A realização de todas estas atividades da terceira etapa possibilita o início da quarta e última etapa do processo, que é a de execução do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), ilustrado na figura abaixo (Figura 16) e denominado no mapa “Implementação dos Cursos”.
Os recursos destinados ao custeio destas atividades, diferentemente das bolsas, que são depositadas diretamente em contas bancárias individuais dos bolsistas e específicas para este fim, mediante pedido da IES através do SGB, são
repassados para as instituições, por meio de descentralização orçamentária, no caso das instituições federais ou através de depósito em conta corrente especialmente criadas para atender aos convênios das Universidades Estaduais.
No momento de início das aulas, a situação ideal é que todos os materiais didáticos estejam prontos, os impressos enviados para os polos para serem entregues aos estudantes. É importante também que estes estudantes já estejam devidamente matriculados, de acordo com sua classificação no processo seletivo, que os ambientes virtuais de aprendizagem estejam prontos, com todos os seus recursos planejados e seus conteúdos disponibilizados. As vídeo-aulas precisam estar elaboradas e distribuídas em mídias adequadas (CD, DVD, Pen drives etc.) ou disponibilizadas na Internet.
Além destas providências que se referem aos materiais, faz-se necessário ainda que os professores e tutores estejam selecionados, capacitados e cadastrados no SGB para receberem suas bolsas, à medida que forem cumprindo as etapas das suas atividades docentes. Há que se cuidar da oferta de links para bibliotecas virtuais e acervos públicos, tais como o Portal de Periódicos Capes, o IBICT, o Portal de Domínio Público e outros, para dar acesso à pesquisa pelos estudantes, de acordo com a demanda das disciplinas e, finalmente, que os planos de ensino, com as suas respectivas atividades de avaliação de desempenho dos estudantes, estejam disponíveis para acesso.
Quanto aos Polos de Apoio Presencial, as boas condições de oferta também devem ser asseguradas no início das aulas, garantindo-se que os laboratórios, bibliotecas, salas de aulas, salas de tutoria, áreas de convivência etc., estejam em pleno funcionamento, que os acervos bibliográficos estejam de acordo com os cursos ofertados, os laboratórios e links de Internet disponíveis e em bom estado de funcionamento. É importante também que o seu pessoal de coordenação, limpeza, segurança, biblioteca, secretaria e de tutoria presencial esteja contratado e capacitado para a realização de atividades de suporte aos estudantes.
Figura 16 – Mapa parcial: implantação dos Cursos
Fonte: elaboração própria.
Observadas estas condições iniciais que são providas nas etapas anteriores, tem início a oferta de disciplinas de acordo com os PPC, tendo lugar então o exército da vida acadêmica dos estudantes, apoiados pelos professores, tutores presenciais, pessoal dos polos e tutores a distância. Esta é a fase da implementação do curso.
A novidade que representa o estudo na modalidade a distância requer um cuidado especial nesta etapa. Observam-se representadas no mapa as atividades de ambientação dos estudantes e de acompanhamento dos mesmos, inclusive com encontros presenciais, que implicam na ida aos polos, pelos representantes das IES, além de todo o acompanhamento através do Ambiente Virtual de Aprendizagem.
eventos acadêmicos, seminários, congressos etc., realização de atividades curriculares complementares, estágios, iniciação científica, avaliações de desempenho de estudantes, recuperação quando necessário, até a conclusão do curso com a colação de grau, seguindo-se os mesmos rituais acadêmicos que envolvem uma formação universitária.
Concebido como uma rede de conhecimento, no dizer de Mance (1999), uma articulação entre diversas unidades que, através de certas ligações, trocam elementos entre si e podem multiplicar-se em novas unidades, o mapa geral acima apresentado, denominado Mapa Macro UAB, possibilitou a construção de novos mapas, concebidos a partir dos seus componentes.
Estes componentes ou unidades, uma vez estudados em sua complexidade, revelaram novas redes, mais específicas, representadas em forma mapas das subetapas do processo geral (componentes ou unidades), denominados Mapa Micro UAB.
Estes mapas secundários têm como principal objetivo promover reflexões sobre o processo de gestão do conhecimento, em cada uma das etapas intermediárias, representá-las graficamente para permitir uma visualização do fluxo de conhecimentos, decorrente da implementação de processos específicos, permitindo assim o seu aperfeiçoamento contínuo, bem como a sua adaptação a cada realidade, de acordo com as características da instituição interessada na sua aplicação.
4.1.2 Mapas do Conhecimento sobre o processos intermediários ou Mapas