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4. PERCURSO METODOLÓGICO

4.1 ANTROPOLOGIA VISUAL E ETNOGRAFIA VIRTUAL

A Antropologia Cultural, sendo entendida como o estudo das diferentes culturas, começou por se preocupar, enquanto ciência, em estudar o Outro, os seus comportamentos, os seus sistemas simbólicos e as suas crenças. O contacto com esse Outro estabeleceu-se principalmente a partir da época dos intitulados Descobrimentos, o que se pode comprovar nos relatos de viagens, na descrição do ambiente natural e social dos povos colonizados, dos seus hábitos e crenças. A Carta do Descobrimento do

Brasil154, de Pero Vaz de Caminha, por exemplo, demonstra essa preocupação descritiva no contacto com a alteridade. Os antropólogos continuam a proceder da mesma forma, encontrando meios que lhes permitam a descrição minuciosa de determinada cultura ou subcultura.

No século XIX procede-se a uma sistematização dos conhecimentos adquiridos acerca de outros povos, considerando-se estes como inferiores na escala da evolução humana, de acordo com o paradigma do evolucionismo social. O paradigma oposto, defendido pelo behaviorismo e pela escola sociológica francesa, defende que somos um produto do meio em que vivemos, como consideravam John B. Watson e Émile Durkheim, defensor da perspetiva de que os seres humanos possuem uma vida social baseada na troca e na reciprocidade. No início do século XX, se a nível da Sociologia surge a tentativa de estudar o facto social total (biológico, psicológico e social), a nível da Antropologia surge a monografia, como modelo da etnografia clássica, dando-se destaque ao trabalho de campo e à consequente observação participante, como se comprova, por exemplo, nas obras de Malinowski155.

154 «A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos.

Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.» (CAMINHA, 1963, p. 2)

155 «Levantei-me com enxaqueca: Caí numa concentração eutanásica no navio. Perda do subjetivismo e

privação da vontade (sangue fugindo do cérebro?), viver apenas pelos cinco sentidos e o corpo (através das impressões) causa uma fusão direta com o ambiente.» (Malinowski, 1997, p. 69)

O culturalismo norte-americano, por seu lado, passou a utilizar o método comparativo e a procurar leis que definissem o desenvolvimento das culturas. São desta época os trabalhos etnográficos de Margaret Mead e Ruth Benedict, mas o estruturalismo de Lévi-Strauss, que distingue a natureza da cultura e tenta encontrar as regras estruturantes da cultura presentes no psiquismo humano, continua a considerar apenas as outras culturas como objeto de estudo. Clifford Geertz, representante da Antropologia Interpretativa, considera-a, supondo como «Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu (…) portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado» (GEERTZ, 1978, p. 15).

É já aqui aberto o caminho para o modelo hermenêutico, que conjuga várias das perspetivas anteriores, considerando que um estudo científico tem de interpretar a leitura que os indígenas fazem da sua própria cultura. Nos finais do século XX, começa- se a questionar a autoridade etnográfica do antropólogo e a sua capacidade de se pôr de fora para analisar o seu objeto de estudo, considerando-se a cultura como um processo polissémico e a etnografia como situada entre sistemas poderosos de sentido

(CLIFFORD, 1986, p. 2), como defende James Clifford. Na verdade, à medida que o Outro se tornou mais próximo ou que a cultura a que pertencia o antropólogo passou também a ser questionada, foi-se perdendo o distanciamento face às outras culturas, criticando-se cada vez mais o etnocentrismo em detrimento da defesa do relativismo.

Atualmente, podemos considerar que a Antropologia estuda o ser humano enquanto ser cultural, mas inserido num contexto social, estuda a diversidade de culturas e as diferenças culturais, assim como as formas que nos possibilitam lidar com indivíduos de outra cultura. A Antropologia Visual, que surgiu já há dois séculos, com o objetivo de documentar e preservar as práticas culturais, foi-se gradualmente transformando «em formas narrativas, visuais, sonoras, audiovisuais e, mais recentemente, digitais”» (RIBEIRO, 2005, p. 1), pois enquanto antes a preocupação com a documentação visual era apenas um auxiliar na pesquisa etnográfica, na atualidade a Antropologia Visual é um ramo da Antropologia, que deixou de ser apenas um registo inócuo das diferentes práticas culturais, mas que cada vez mais tem desbravado novos domínios, inclusive o das sonoridades, o da cultura visual e o da cultura virtual.

Um dos objetivos da Antropologia Visual é compreender o que o grupo a estudar pretende comunicar, neste domínio pretende-se que as práticas culturais sejam também objeto de estudo, mas enquanto imagens, que podem ser captadas no Second Life como se fossem fotografias, a que se chama snapshots, ou por machinima, uma espécie de filme realizado apenas em mundos virtuais. Utilizei as duas ferramentas na coleta de dados e na ilustração dos fatos, mas como o mundo virtual é considerado usualmente, fora do metaverso, como um produto do imaginário humano, as comparações com a realidade são sempre redundantes. No entanto, devido à facilidade com que podemos capturar as imagens que temos de tudo o que nos rodeia, passou a ser comum utilizarem-se registos visuais a nível das investigações etnográficas.

Supondo que possa existir a especialização em Antropologia Visual do Corpo156 e da Identidade, provavelmente seria nesse domínio específico que se poderia inserir este projeto, no entanto o estudo dessas temáticas no mundo virtual acaba por conduzir à utilização de conceitos oriundos da Etnografia Digital ou Virtual, que só surgiu nas últimas décadas, facilitando o trabalho do antropólogo, que não necessita de se deslocar ao local a estudar nem para a recolha de dados nem para o trabalho de campo, pois este está sempre acessível online. O objetivo é o estudo das práticas socioculturais e da interação entre os interlocutores, que também se manifesta através da experimentação de diferentes personagens, identidades e corpos. A etnografia virtual implica a inserção no terreno, que pode ou não obedecer a um processo de socialização, assim como a identificação do problema a ser analisado, a recolha e análise de dados, finalizando-se o trabalho de investigação pelo confronto com as perspetivas dos entrevistados e dos informantes.

O uso da Etnografia tem por objetivo fundamental a descrição de determinada cultura ou faceta cultural, num grupo específico ou numa comunidade. Aqui o papel do investigador é crucial, pois por mais que se insira na comunidade a estudar, tem sempre

156 «A Antropologia Visual do Corpo é uma metodologia multidisciplinar (antropologia social,

antropologia visual e antropologia do corpo, comunicação visual, história das Artes, entre outras disciplinas) que pretende inventariar as lógicas sociais e culturais que se encontram na corporalidade e na gestualidade humanas, pois o corpo é o eixo da relação com o mundo, o espaço e o tempo nos quais a existência do ator social se singulariza.» (MALYSSE, 2002, p. 68)

de assumir uma perspetiva crítica, que lhe permita pôr-se de fora do seu próprio objeto de estudo. Nem sempre isto é possível, pois quando se passa a viver com e como os membros da comunidades, a ter os mesmos comportamentos e a sentir como eles, criando amizades e tendo confidências que excedem as que seriam lícitas a um investigador, é muito difícil observar o que se está a analisar e a descrever como se não fizéssemos parte do que vivenciamos.

Por outro lado, só fazendo parte é que poderemos atribuir um sentido semelhante ao que nos rodeia e entender as perspetivas dos outros membros, que não seriam válidas noutro grupo ou comunidade qualquer. Ora, apesar de tradicionalmente o objeto de estudo se situar no mundo real, na atualidade poderá ter sentido deslocá-lo, quando necessário, para o mundo virtual, em que também se criam comunidades e se formam grupos, que encenam determinadas práticas culturais e que obedecem a regras muitas das vezes semelhantes às da vida quotidiana. Poder-se-ia chamar Etnografia Visual à tentativa de viver no Second Life para observar a forma como as pessoas criam as suas identidades e os seus corpos virtuais nesta plataforma virtual, mas se a Etnografia implicar a presença física do investigador e não se incluir nessa conceção a presença física do avatar, então não seria correto considerar este estudo como etnográfico.

Talvez, como consideram alguns estudiosos, seja mais correto inserir este estudo no domínio alargado da Antropologia Virtual ou então de Netnografia157, pois para ser etnográfico exigiria pelo menos que o investigador viesse a conhecer no mundo real as pessoas que estão por trás dos avatares cujo comportamento observou apenas no mundo virtual, o que neste caso só aconteceu relativamente a um pequeno grupo de pessoas e por amizade ou em encontros de profissionais que estudam o mundo virtual, não propositadamente por ditames do próprio projeto de investigação. Aliás, parti do princípio que esse conhecimento poderia ser prejudicial ao desenvolvimento da pesquisa etnográfica, nomeadamente nos casos em que o mundo virtual funcionou como local ideal para a divulgação de aspetos íntimos das suas vivências, que de outra forma não teriam sido transmitidos.

157 «A etnografia virtual ou netnografia é um processo que se desenvolve a partir da ação do pesquisador,

de suas escolhas dentro do contexto pesquisado e, por isso, não tem uma estrutura rígida, pois depende do que vem do campo de pesquisa. Deste modo, parte de uma visão dialética da cultura, na qual esta se movimenta entre as estruturas sociais e as práticas sociais.» (GUTIERREZ, 2011, p. 4)

A Netnografia pode ser entendida como uma adaptação da etnografia ao estudo

online do mundo virtual, semelhante à Etnografia Virtual, mas enquanto a Etnografia se

processa no mundo real, esta estuda principalmente a comunicação verbal escrita, assim como as imagens que a sustentam. Tem a vantagem do investigador não se ter de deslocar para aceder ao seu campo de pesquisa, mas tal como acontece na etnografia tradicional, ele tem de se inserir na comunidade que pretende estudar, a partir daí poderá começar a fazer a recolha de dados, para posteriormente os analisar, preocupando-se sempre em não divulgar aspectos íntimos dos informantes ou entrevistados sem a sua autorização e em validar as suas conclusões com eles.

A Netnografia é realizada num contexto natural158, que neste caso é virtual, por isso completamente imersiva, visto que o próprio investigador acaba por encarnar de alguma forma a pele do seu avatar, apesar da sua função ser fundamentalmente descrever o que o rodeia. Pode também ser usada juntamente com outras metodologias, assim como ser motivadora para o uso de uma diversidade de técnicas. A escolha da Netnografia implica uma interpretação das relações sociais e das práticas culturais que lhes estão subjacentes, quer de acordo com a perspetiva do investigador quer de acordo com a dos informantes e entrevistados. No entanto, esta metodologia não defende que se tenha de utilizar a observação participante para atingir a fiabilidade dos resultados, pois poderíamos nos limitar à figura do simples observador, que recolhe tudo o que pode captar para posterior interpretação.

No caso do observador não se identificar inicialmente, estaremos a pôr em causa o nosso comportamento como investigadores, pois não temos o direito de observar e recolher dados, se as pessoas não sabem o que fazemos ali nem a razão de estarmos a documentar as atitudes dos seus avatares. Normalmente, no Second Life, quando isso acontece, existir alguém sempre presente e que nunca se pronuncia, os restantes membros começam-se a sentir ameaçados pela observação do desconhecido, que regista os diálogos que mantêm e tira snapshots, sem no entanto ter transmitido o objetivo porque o faz ou sem participar das interações comuns entre todos os membros. Mesmo

158 «One of the major advantages of netnography is the fact that, like the etnography is so close related to,

que isto aconteça sem os indivíduos observados estarem informados, os dados coletados só poderão ser divulgados depois da aceitação por parte deles.

As críticas mais comuns a esta metodologia prendem-se com o excesso de informação obtido, não sabendo o investigador por onde começar ou o que valerá a pena verdadeiramente analisar. Quando se trata da observação de interações, mesmo quando os participantes utilizam a voz, continua a não se saber como agem as pessoas por trás dos avatares, os gestos que fazem ou como reagem fisicamente ao que se passa no ecrã. Por outro lado, a dificuldade em confirmar a veracidade dos dados também leva ao afastamento dos mais tradicionalistas, pois muitos avatares pretenderem manter o seu anonimato e não querem nem sequer divulgar ao investigador quem na realidade são. Esta recusa em se exporem publicamente, pode ser um dos factores que conduz às críticas à referida metodologia.

Assim, para além da Etnografia virtual, foi também realizada uma Autoetnografia, pois o nível de imersão no Second Life e o envolvimento em determinados eventos, possibilitaram que me fosse transformando numa das informantes da minha própria pesquisa etnográfica. Em termos práticos, isso significa que, sempre que as respostas pretendidas levantaram dúvidas, tive de eu própria vivenciar o que cada um poderia sentir em determinada situação descrita, mas sem assumir conscientemente um objetivo crítico. Se utilizei a minha própria história de vida, tendo sempre em conta que a observação participante tem de respeitar os seus próprios limites, fui necessariamente obrigada a fazer uma autoanálise do meu percurso. Apesar do contacto com outros investigadores do metaverso, não foi realizada uma Autoetnografia colaborativa159, mesmo sendo esse um dos objetivos para continuar a pesquisar acerca das temáticas abordadas neste projeto.

No caso do trabalho de campo no Second Life, seria complicado utilizar a Fotoetnografia para documentar os dados recolhidos, no entanto ocasionalmente utilizei imagens como fonte principal de documentação sobre determinado local ou evento.

159 «Autoethnographic conversations refer to collaborative autoethonographies in wich researchers engage

in conversation (face to face or e-mail) on an agreeded-on topic with the purpose of gaining a deeper understanding of the topic through a self-other analysis.» (AA.VV., 2013, p. 46)

Quando isso acontece, os snapshots deixam de ser apenas uma forma de documentar o que se está teoricamente a tentar demonstrar para passar a ser ela o centro da análise de dados, nomeadamente quando se trata de uma imagem que capta a forma de comunicar e o comportamento dos avatares. Através das imagens podemos detetar o que não foi anotado ou recordar o que não anotamos, voltando a reviver determinado acontecimento sem termos de o repetir, por isso é que os snapshots e os machinimas podem funcionar como documentos de apoio à escrita ou mesmo como documento principal na descrição de determinado evento.

A vídeo Etnografia Virtual (STRANGELOVE) seria o meio mais adequado para a realização do trabalho de campo no Second Life, no entanto o fraco domínio da tecnologia virtual fez-me optar por recolher imagens paradas, snapshots, em vez de gravar o movimento e a voz dos meus interlocutores. A minha pesquisa a nível das imagens centrou-se principalmente no campo da arte virtual, mas também na recolha documental da captação das imagens dos avatares que participaram em toda a pesquisa, que aliás documentam uma série de eventos nas ilhas que frequentei. O visionamento de vídeos sobre os projetos de aproximação do corpo real ao virtual, nomeadamente o de Isabel Valverde, assim como dos machinimas de Amadeu Gazov, de Amitaf Citron e de Janjii Rugani, sobre eventos culturais, serviram para tentar descrever aquilo a que podemos assistir no mundo virtual quando nos encontramos no mesmo local com outros avatares e com um objetivo usualmente comum.

A possibilidade de em alguns desses machinimas poder observar o meu avatar e até a minha voz, foi a origem da minha reflexão acerca da aproximação entre mim e a imagem que criei para me representar160, assim como da dissociação entre o meu corpo físico e o virtual, pois fez-me tomar consciência de que sinto sempre o que o meu avatar faz, no entanto muitas vezes sou incapaz de na vida real reagir como ele. Um exemplo disso é o Second Life permitir-nos dançar de todas as formas que quisermos, sozinhos

160 «O avatar funciona como um ”eu” e um “outro, símbolo e índex. Como “eu” o comportamento deste

está associado à interface (teclado, rato, joystick) e relaciona-se com o movimento literal do jogador mas também com os triunfos e quedas em termos figurativos que resultam das ações deste. Como “outro” porque o comportamento do avatar é um agenciamento sobrenatural delegado pelo “eu, do qual é embaixador e representante. Os avatares diferenciam-se do “eu” humano pelo sua capacidade de viver, morrer e viver outra vez, num renascer simbólico.» (AA.VV., 2008, p. 152)

ou acompanhados, com uma diversidade de escolhas e adaptando-nos a qualquer estilo musical, o que para a maioria das pessoas seria impossível de realizar na vida real. Aliás, numa das conversas que tive, com os muitos avatares com quem contactei no metaverso, um deles contou-me que quando o grupo a que pertencia no mundo virtual se encontrava na vida real, os participantes tentavam imitar os seus próprios avatares a dançarem e a movimentarem-se.

As formas de registo tradicional da Antropologia eram o diário de campo e as fotografias, mais tarde surgem os filmes etnográficos e os audiovisuais, depois começa- se a utilizar o computador para compilar e tratar a informação, e na atualidade já se utiliza o próprio computador, com ligação à Internet, como instrumento necessário para o estudo de comunidades virtuais. No caso do Second Life, pode-se aceder a esta plataforma por telemóvel, por exemplo, mas a visibilidade fica bastante limitada, assim como a possibilidade de interação. Por isso, exige-se que o investigador possua um computador com uma placa gráfica que sustente a instalação do metaverso e permite a mínima qualidade no visionamento do ambiente virtual.

Para além do diário de campo, da seleção de documentos digitais, das histórias de vida e da análise do percurso pessoal no metaverso, foram gravadas algumas das conversas informais e das tertúlias acerca dos temas aqui abordados, mas também se realizaram inquéritos e entrevistas (estruturadas e semi estruturadas). No caso destes últimos, tentou-se seguir as regras que lhes são inerentes, entre elas: fazer cada entrevista com apenas uma temática, sem provocar divagações que não tenham como objetivo desenvolvê-la; confrontar os inquiridos apenas com duas questões fundamentais, sendo as restantes o desenvolvimento dessas; não colocar afirmações nas próprias questões e utilizar o porquê para levar o interlocutor a responder a razão pela qual respondeu de determinada forma; utilizar questões abertas e que permitam aos inquiridos levantar novos problemas e dar soluções diferentes aos já existentes.

Não foram utilizados neste projeto de investigação os mapas cognitivos, que no entanto poderiam facilitar quer a delimitação do problema que a visão do conjunto das temáticas que teriam de ser abordadas. Os esboços realizados inicialmente foram-se modificando e optou-se por deixar para o final a construção de um esquema que facilitasse essa visão de conjunto. Esta perspetiva esquemática, de todo o percurso e das

questões abordadas, permitiu uma maior consciencialização da complexidade dos assuntos aqui delineados e da necessidade de continuar esta pesquisa etnográfica no mundo virtual, aprofundando gradualmente cada uma das temáticas. Esta possibilidade de aprofundamento resultou também do contacto com outros investigadores161 e das diversas perspetivas delineadas acerca do mesmo objeto de estudo.

No Facebook existem também uma série de grupos de discussão que permitem o contacto com outros investigadores, que poderão ou não validar o percurso de cada um, mas que também o podem ajudar a descobrir novas respostas para as questões inicialmente delineadas. Em vários grupos ou páginas sobre o Second Life, mundos virtuais e educação online, podemos ter acesso a uma quantidade enorme de informação, transmitida através de documentação existente online, de diálogos e de discussões. Deixamos aqui a referência a alguns deles, que utilizamos amiúde para