5. A DESCOBERTA DA IDENTIDADE NO SECOND LIFE
5.1 ATIVIDADES LÚDICO-EDUCATIVAS
Se o computador apareceu nos escritórios e nas escolas como um objeto de trabalho, os mais velhos tendem a considerar que a sua função não pode ser predominantemente lúdica, no entanto não é como o consideram os mais jovens, que passam horas a jogar ou na conversa uns com os outros. Tal como na vida real, as duas funções podem ser importantes, aliás mesmo a trabalhar grande parte dos adultos acaba por ter uma série de janelas abertas, inclusive para o Facebook, um bom exemplo da forma como conciliamos o prazer com o trabalho. Também aqui há quem defenda que se deve separar a função lúdica, de modo que o mesmo utilizador pode criar uma identidade social, enquanto trabalhador, e uma pessoal, dedicada à família e aos amigos. O mesmo acontece no Second Life, em que a mesma pessoa pode criar mais do que um avatar, dependendo das funções que pretende exercer e do que pretende mostrar aos outros.
180 Por isso mesmo farei minhas as palavras de Paulo Frias, elucidativas do percurso que ainda teremos de
seguir para compreender a interação nos mundos virtuais e a sua influência na vida real de cada um de nós:
«Finalmente, e resumindo muitas das preocupações anteriormente detalhadas, parece-nos essencial para a investigação em Second Life® a compreensão dos ‘ritmos de vida’ que aí se verificam, em particular no seio dos grupos que se pretendem estudar.
Como vimos ao longo deste estudo, as noções de tempo e de espaço diferem muito das da vida real e mesmo das experimentadas na Web, por exemplo, pelo que consideramos ser essencial um entendimento o mais completo possível das idiossincrasias do(s) mundo(s) em análise, sob pena de não ser possível perceber devidamente o objeto de estudo.» (FRIAS, 2010, p. 283)
Por outro lado, cada vez é mais difícil concentrarmo-nos apenas numa tarefa e por isso, em frente ao computador, podemos estar a fazer várias coisas ao mesmo tempo, tal como podemos estar a assumir várias identidades em simultâneo, mas em contextos diferentes. Sherry Turkle considera que ficamos a perder por estarmos em vários locais ao mesmo tempo e por já não termos paciência para nos deixarmos estar apenas na vida real, aqui e agora, como acontece quando estamos uns em frente aos outros, mas continuamos com o telemóvel ou o computador ligado, a falar com pessoas que estão longe de nós ou a escapulirmo-nos para outros locais. Esta psicóloga pensa que o ser humano digital pretende conseguir controlar a sua própria vida, mas como não o consegue aqui e agora, em frente aos outros, tenta sempre esconder-se atrás das máquinas, sejam elas, neste caso, o computador181 ou o telemóvel, para o resguardar da vida real. É claro que esta fuga constante do aqui e do agora tem repercussões a nível da sociabilidade, da identidade e do próprio corpo.
O Second Life é também um local de aprendizagem, quer no contexto de um ensino formal, com aulas e workshops, seminários e convenções, quer no das experiências vividas como fonte de conhecimento. Como as experiências podem diferir das que temos no mundo real e como podemos visualizar o que apenas conhecíamos teoricamente, as fontes de ensino e os meios de aprendizagem são inesgotáveis no metaverso. Quer seja utilizado como uma forma de apoio à aprendizagem não virtual, quer seja o único meio utilizado no ensino formal, os resultados da inserção neste contexto virtual têm sido favoráveis à continuação das experiências de ensino- aprendizagem que aqui têm sido realizadas – como as da Anitia182 e da Mysa183 - e
181 Na entrevista de Alexandre Nunes de Oliveria, Baudrillard defende que o computador nos absorve
como se fizesse parte de nós: «Penso que o indivíduo é um falso interlocutor da máquina. O sistema – rede ou net – não tem princípio nem finalidade, o seu efeito é narcótico, é a interatividade em circuito fechado. Veja: o computador é diferente da máquina de escrever, pois esta era totalmente exterior ao sujeito, ao passo que em frente ao computador nos tornamos um ectoplasma do ecrã e da máquina.» (disponível em http://11dejulho.blogspot.pt/2005/11/entrevista-com-jean-baudrillard.html) [19/03/13].
182 Ana Loureiro fez tutoria, numa lógica de sala de aula estendida, com estudantes do ensino superior
politécnico (regime geral e regime Maiores de 23 Anos), no âmbito da tese de Doutoramento em Multimedia em Educação da Universidade de Aveiro.
183 Maria de Balsamão Mendes, criadora da e-Learning3 Academy (onde fez tutoria na unidade Curricular
de Comunicação Educacional Multimédia dos Mestrados de Pedagogia do e-Learning e de Comunicação Educacional Multimedia, da Universidade Aberta, durante dois anos), primeiro na Ilha Diabolus e depois na Ilha Timbucks, ambas já desaparecidas. Utilizou o Second Life com recurso ao Sloodle e conseguiu encontrar ferrmentas que fazem da utilização do metaverso uma plataforma que pode ser utilizada com
divulgadas - no SLactions, por exemplo. As experiências cognitivas são também fundamentais para o nosso desenvolvimento pessoal, mostram-nos que nunca deixamos de aprender, que o que somos depende em grande parte daquilo que sabemos ou pensamos saber.
Quanto mais realista é o mundo virtual mais aumenta a sensação de imersão, mesmo quando se trata de um ambiente a que não estamos acostumados, como acontece muitas vezes quando nos deslocamos para locais de RPG. No entanto, a visualização de um ambiente colorido e supostamente tridimensional permite-nos manter a ligação ao nosso mundo real, marcado pelas cores e pela profundidade. Numa aula online através do Second Life, a sensação de presença provoca também a de imersão, mas não necessariamente a de atenção ao que nos é transmitido, pois a possibilidade de estarmos sempre a falar por mensagem pessoal com outros avatares faz com que as conversas surjam em simultâneo. Enquanto o visionamento da televisão nos torna passivos e recetores de informação, o metaverso implica que sejamos ativos e nos tornemos também transmissores de informação.
Mas como um dos principais atrativos do Second Life é a interatividade, também copia e em muito a vida real, como acontece com os edifícios que são um decalque dos reais, das aulas que são dadas em salas semelhantes às reais, dos encontros entre pessoas interessadas numa mesma temática. A diferença é que na vida real dificilmente juntaríamos pessoas tão díspares numa mesma sala, seria impossível deslocarmo-nos tão rapidamente para qualquer local do mundo e muito dificilmente conseguiríamos falar com qualquer um desses interlocutores tendo um tradutor automático a esclarecer o que acabamos de escrever. Para além disso, a informalidade com que os avatares falam uns com os outros, principalmente por escrito, facilita a comunicação e a entreajuda184 entre pessoas que não têm a mesma cultura e que pertencem a ambientes antípodas.
suceso no e-learning, para além de ter construído e concebido um projeto para o trabalho subjacente à dissertação de mestrado: «Processos de Comunicação e Aprendizagem em e-Learning - Uma Experiência no Second Life» (disponível em https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/2158) [19/03/13].
184 Cópia de uma mensagem (enviada por notecard) no Diário de Campo: Caros amigos e conhecidos SL:
Escrevo esta note porque, ando tristinha e um pouco solitária, estou sem projetos SL, não sei que mais fazer, ando por aqui um pouco perdida...
Unindo a faceta lúdica à educativa, podemos participar, no Second Life, tal como na vida real, em sessões de poesia, em tertúlias, em grupos de teatro, de dança, de ópera, em aulas sobre a etiqueta e a construção do próprio mundo virtual. Apesar dos benefícios que a utilização de plataformas virtuais poderia trazer para o ensino, em Portugal continua a ser proibido o acesso ao metaverso nas escolas públicas de ensino básico e secundário. Na sala de aula, devido às dificuldades de acesso a esta plataforma, quer por existir um limite de idade para a sua utilização, quer devido à qualidade dos computadores escolares e das interdições de acesso ao que se considera como jogos virtuais, os professores utilizam usualmente outras plataformas para que os alunos possam aprender ao transformarem-se em personagens de jogos ou ao criarem os seus próprios jogos educativos.
A arte virtual também pode ser considerada uma atividade lúdico-educativa, pois para além de nos permitir uma imersão que provavelmente não sentiríamos na vida real, entrando dentro dos próprios objetos artísticos, também nos permite desenvolvemos a nossa criatividade através da construção de objetos impossíveis no mundo físico. No que se refere a este domínio do que poderemos chamar de arte virtual, temos de destacar a ilha Delicatessen, dedicada a projetos artísticos realizados por Catarina Carneiro de Sousa e Sameiro Oliveira Martins185, que se dedicam à pesquisa e à construção de avatares, geralmente oferecidos aos seus visitantes para poderem encarnar a pele de outros, de modo a poderem assumir personagens diferentes das que usualmente encarnam.
A realização de machinimas com objetivos estéticos, em que podemos relembrar os nomes de SpyvSpy Aeon e de Halden Beaumont, os mais divulgados na comunidade portuguesa e com mais sucesso fora dela, continuam a ser comuns no Second Life, também como forma de documentação de determinado acontecimento e de divulgação ao restante publico que não esteve presente no evento. Aliás, a ideia de SpyvSpy de A opção é acabar com o Sl ou pedir ajuda...e optei pela segunda. Alguém tem algum projeto em que eu posso participar? Alguém precisa de ajuda nem que seja em regime de voluntariado? Alguém quer um sócia para algo novo? Alguém me quer adotar? Já me fiz entender certo? Beijinhos GK
185 « By 2009 we already had our region in Second Life which we decided to call ‘ Delicatessen.’ It was a
landscape created mainly by Meilo Minotaur, where I had my photo studio in a castle which I called ‘Photo Delicatessen.’ We gave our land this name not because of Marc Caro and Jean-Pierre Jeunet’s film, but because of the European meaning of the word, a store for delicacies.» (SOUSA, 2012, p. 7)
criar um Canal Virtual sobre acontecimentos do Second Life, obedece à necessidade de satisfazer precisamente essas funções, assim como a Gazeta do Minho186 e as Conversas
ao Domingo, criadas respetivamente por Ana Varhgon e Antonius Dollinger no presente
ano, em que participaram alguns dos moradores e simpatizantes desta região.
Figura 21 - A importância do design no dia-a-dia, na Costa de Aveiro
As exposições de arte virtual e real, como as que são realizadas nas ilhas alugadas pela associação francesa dos Pirats Art Network, são outro dos atrativos do metaverso, permitindo aos seus utilizadores contemplar obras de arte ou expor as suas sem terem de se deslocar para o espaço físico comum. Entre os artistas portugueses que continuam a expor as suas obras de arte no metaverso teremos de realçar as pintoras Wan Laryukov e Zoree Jupiter, que demonstram a sua criatividade e originalidade através das suas obras, assim como os fotógrafos Jazz62 Masala e Reviriato Merlin, ambos com uma perspetiva incomum acerca dos objetivos da fotografia artística e que por acaso fazem parte da comunidade portuguesa que atualmente habita o Minho, em Portugal Center.
Os eventos que se têm sucedido nesta ilha têm sido documentados dedicadamente pela Amitaf Citron, a cujos machinimas podemos aceder através do Youtube. Também poderíamos incluir os construtores nesta visão global da função estética do Second Life
186 «A Gazeta do Minho é uma publicação mensal inworld-Second Life,que pretende dar a conhecer um
pouco do que se faz e do que se pode ver ou fazer nesse metaverso,dando contudo preferência ao que se
passa nos SIMS Portugal Center e na comunidade portuguesa em geral.
Sem fins lucrativos deve-se apenas à boa vontade dos colaboradores que teimam em fazer algo diferente no Second Life.» (disponível em http://gazetadominho.blogspot.pt/) [19/03/13]
para a comunidade portuguesa. Entre eles, terei de realçar Genius Bikcin e joaoluis5858 Foden, que se dedicaram nos últimos anos à divulgação no metaverso do património cultural português através da realização de uma série de construções em algumas ilhas ainda existentes e outras já desaparecidas, como o Alentejo, Costa de Aveiro, Gaia, Guimarães, a Ilha da Presidência, Lisboa, Porto, Portugal Center e as diversas ilhas da Utopia Portugal. Muitas delas estão documentadas em snapshots espalhados em páginas da internet, em blogs, no Facebook e em apresentações de slides também acessíveis através da Web.
Na atualidade, a minha participação no mundo virtual cinge-se à organização de eventos, nomeadamente as Noites de Poesia no SL e as Imagens da Cultura, numa casa minhota, em Portugal Center, construída pelo joaoluis5858. O edifício original foi construído pelo Genius, perto da igreja do Senhor da Pedra, no Second Life, numa ilha que na altura se chamava Gaia, mas que posteriormente foi comprada pela Linda Faith, que mais tarde a vendeu e levou os habitantes atrás dela para a Costa de Aveiro. Foi aqui que começaram os encontros nas Imagens da Cultura, em 2010, com o objetivo de reunir pessoas que se interessassem por partilhar os seus conhecimentos acerca de temas considerados nucleares para a educação através de plataformas virtuais, assim como para a pesquisa e reflexão acerca do Second Life.
Durante aproximadamente três meses, os apresentadores dessas sessões, que na altura eram semanais, participaram e partilharam conhecimentos com uma série de visitantes ou de habitantes do Second Life. Alguns deles participaram também no seminário anual, que nesse ano se realizou no início de Julho, no Porto, em que três das apresentações foram realizadas a partir do metaverso, nomeadamente a da Anitia Loire, a do Genius Bikcin e a do Spyvsy Aeon. Para além dos encontros temáticos, as Imagens
da Cultura foram animadas por exposições de design, de pintura, de poesia, de
fotografias reais e virtuais, de arte virtual, assim como por espectáculos de música ao vivo, nomeadamente de músicos portugueses, entre eles Arménio Pessoa e Dubai Avril.
Depois das férias escolares desse mesmo ano, as Imagens da Cultura mudaram-se para Portucalis, um espaço frequentado principalmente por estudantes e professores, o que veio fazer com que o tipo de público se modificasse e inicialmente diminuísse. Depois de se ter experimentado que as sessões temáticas abrangessem assuntos que não
fossem específicos do mundo virtual, como o artesanato em Portugal, e de se ter variado o tipo de encontros, incluindo sessões de poesia, aulas sobre construção básica no
Second Life, sessões de Yoga do Riso, decidiu-se, em 2011, dar inicio às Conversas às Quartas. Estas acontecem semana sim semana não, ou com um tema apresentado por
um dos membros do grupo e posteriormente debatido por todos os presentes, ou com uma tertúlia temática em que todos participam, como aquela em que se discutiu o Corpo
e a Identidade.
Imagens da Cultura / Cultura das Imagens é o nome de um Seminário e uma
Rede de pesquisa, sobre a imagem e a cultura, visual e sonora, associando núcleos de pesquisa da Europa e da América Latina, que se encontram pelo menos uma vez por ano num dos países dos vários participantes, nomeadamente Brasil, Espanha e Portugal. Há uns quatro anos atrás, decidimos, juntamente com o Professor José Ribeiro, responsável pelo Laboratório de Antropologia Visual e pelas Imagens da Cultura / Cultura das
Imagens, criar um local onde nos pudéssemos reunir no Second Life. Passou então a
existir um grupo informal paralelo à rede de pesquisa mencionada, atualmente com a sua sede na ilha minhota de Portugal Center, no edifício das Imagens da Cultura, em que se realizam às quartas-feiras, quinzenalmente, conversas sobre os mais variados temas, geralmente com uma apresentação prévia acerca da temática a abordar.
Sendo um espaço de comunicações e conversas informais, as Imagens da Cultura no Second Life transformaram-se também num local de aprendizagens, em que cada um transmite o que sabe sobre determinado assunto, permitindo aos outros que esclareçam todas as questões e duvidas que ainda possam ter acerca dele. As Conversas às Quartas surgiram com a ideia de dar continuidade às Conversas Vadias em que participei com CarmindaProenca Magic no Café Livraria Nova Águia, numa das ilhas das Utopia Portugal, que hoje já não existem. A divulgação do que tem sido realizado nas Imagens
da Cultura tem sido feita no Facebook, nos grupos For Us e Amigos da Ilha, mas
principalmente na página e no grupo das Imagens da Cultura, que tem cada vez mais membros e que ocasionalmente traz alguns visitantes, curiosos e expectantes, às
Conversas às Quartas e a outros encontros realizados no Second Life, nomeadamente o SLactions e a Coied, para realçar os que são organizados por portugueses.
Se no inicio, na primeira metade de 2010, o objetivo principal foi que as comunicações pudessem também realizar-se no Seminário anual das Imagens da
Cultura / Cultura das Imagens, o que realmente sucedeu com algumas delas, na
segunda metade desse mesmo ano passou-se a dar mais importância à vertente informal e a escolher o tema de acordo com as necessidades manifestadas pelos participantes, perdendo-se a vertente académica, mas transformando-se o espaço das Imagens no
Second Life num local de convívio, em que na atualidade também se realizam
quinzenalmente, às quartas-feiras, as Noites de Poesia no SL, alternando com as
Conversas às Quartas, que tanto podem ser na ilha minhota como em Portugal Center,
dependendo do número de participantes em cada sessão, pois a referida ilha apenas pode ser acedida simultaneamente por 20 avatares.
A primeira noite de poesia em ilhas portuguesas foi realizada pela Ana Varghon, em Dezembro de 2007, no antigo For Us. Nos últimos anos essas noites foram sendo realizadas esporadicamente e em 2010-2011 retomamos assiduamente essa tradição, com encontros semanais, principalmente no Minho e em Portugal Center, na Costa de Aveiro, no Alentejo e em Portucalis. Como estas três últimas ilhas já desapareceram, agora restam-nos as duas primeiras, onde nos continuamos a reunir quinzenalmente. Apesar da participação nestas sessões de poesia ter diminuído nos últimos tempos, no entanto existe um grupo pequeno que está sempre presente e que impulsionou a passagem para o mundo real, fazendo encontros esporádicos em vários locais do país.
Como para cada sessão se escolhe antecipadamente uma temática, para além dos poemas escolhidos de autores conhecidos, os participantes também costumam trazer os seus próprios poemas, dando um toque de intimidade a cada encontro, pois de cada vez se ouvem poemas diferentes e se fica a conhecer mais um pouco dos outros, quer pela forma como declamam quer pelos comentários que fazem aos poemas lidos. Há também, ocasionalmente, noites de poesia internacional, em que participam avatares de outras nacionalidades ou se declama noutras línguas, o que pode ser considerado motivador, quer do ponto de vista da socialização quer do conhecimento de outras formas de declamar ou de conhecer poemas de autores estrangeiros, a que usualmente não se tem acesso.
O Minho, tal como muitas aldeias do norte de Portugal, tem casas de pedra com paredes grossas, uma burra a passear a carroça pelos caminhos entre as casas, um moinho e um depósito de água, um café e uma mercearia, uma igreja e um largo, uma praia e até uma escola primária, apenas construída este ano, mas também um ginásio e um acampamento de motoqueiros. A Ana Varghon e o JoalLuis5858 Foden são os mentores e criadores deste espaço, de convívio e de divertimento, em que amiúde se fazem festas e se podem assistir a aulas. Ao contrário do que acontece na ilha mãe, Portugal Center, aqui podem-se alugar casas a preços módicos, uma das razões para que se tenha mantido uma vizinhança mais ao menos estável, em que algumas das pessoas conseguiram manter ou criar uma amizade que extravasou para fora do Second Life, pela troca de mails ou telefonemas, pela presença física ou apenas pelos contactos através do Facebook, que supostamente exige que os seus utilizadores utilizem a sua identidade real, também necessária para se criarem páginas ou grupos.
Para responder à questão epistemológica acerca da autenticidade dos atores que interagem online, contribuíram em muito as conversas informais, assim como a criação