Economia Portuguesa e Finanças Públicas: Evolução
I.3. Competitividade e Crescimento
I.3.3. Apoio ao Investimento
A criação de um contexto favorável ao investimento privado constitui uma prioridade do Governo, na medida em que dele depende o desígnio do crescimento económico sustentável. A captação de novos investidores e o reforço de investimentos já existentes exigem um esforço contínuo de melhoria do ambiente de negócios e a redução de custos de contexto.
Nesse sentido, foi criado o Conselho Nacional para o Empreendedorismo e a Inovação (CNEI), órgão consultivo do Governo em matérias relacionadas com a política nacional para o Empreendedorismo e para a Inovação, apostas centrais na Estratégia para o Crescimento e Emprego, funcionando na dependência do membro do Governo responsável pela área da Economia, sendo presidido pelo Primeiro-Ministro de Portugal.
Foi ainda reestruturada a Comissão de Avaliação e Acompanhamento dos Projetos de Interesse Nacional, cujas competências alargámos a outros projetos de investimento na nova Comissão Permanente de Apoio ao Investidor (CPAI). Esta Comissão, presidida, quinzenalmente, pelo Vice-Primeiro-Ministro, constitui uma das iniciativas implementadas para melhorar a eficiência e a rapidez na concretização dos investimentos, tendo por missão, não só acompanhar os Projetos de Potencial Interesse Nacional (PIN), como outros projetos que aguardam decisão por parte da Administração Pública há mais de 12 meses. Em paralelo, foi revisto o regime de reconhecimento de projetos PIN, tornando-o mais transparente e com maior abrangência.
No contexto dos apoios fiscais, foi prolongado até 2017 o Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI), aumentando o limite do benefício de 25% para 50% da colecta de IRC.
No contexto da promoção do investimento produtivo, o Governo introduziu o Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento (CFEI), permitindo que as empresas que investiram nos 3.º e 4.º trimestres de 2013 beneficiassem de uma dedução à coleta de IRC no montante de 20% do investimento, que poderia corresponder a uma taxa efetiva de IRC de 7,5%.
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No âmbito dos Benefícios Fiscais ao Investimento de Natureza Contratual determinou-se a diminuição de 5 milhões de euros para 3 milhões de euros no montante de investimento mínimo, bem como o estabelecimento de um prazo máximo de 60 dias úteis para aprovação do benefício.
Outras iniciativas levadas a cabo na atração de investimento estrangeiro foram reforçadas, nomeadamente a promoção externa via Roadshows realizados em coordenação com a rede externa de Portugal, Embaixadas, Consulados, AICEP e Turismo de Portugal, e a dinamização do Vistos Dourados, Programa de Autorização de Residência em caso de investimento, para transferências de capitais no valor igual ou superior a 1 milhão de euros, criação de pelo menos 10 postos de trabalho, ou a aquisição de imóveis de valor maior ou igual a 500.000 euros.
Na área do licenciamento, o Licenciamento Zero Online e a experiência do Balcão do Empreendedor, recentemente premiados como um dos vencedores do Prémio Europeu para a Inovação da Administração Pública, foi levada a cabo uma ambiciosa reforma do Licenciamento Industrial denominada por Sistema de Industria Responsável (SIR), com vista a reduzir o fardo administrativo das empresas que querem investir no sector industrial. Ainda no âmbito do SIR, foram criadas e dinamizadas as Zonas Empresariais Responsáveis (ZER) que visam criar condições mais favoráveis ao investimento e à reindustrialização. Foi também apresentado pelo Governo o novo Regime Jurídico de acesso e exercício de Atividades de Comércio, Serviços e Restauração (RJACSR), que nasceu da necessidade de consolidar e simplificar uma significativa parte das atividades do comércio, serviços e restauração num único diploma, simplificando e desburocratizando, de forma a retirar entraves aos agentes económicos.
Na mesma linha foi aprovado o Regime Jurídico da Arborização e Rearborização (RJAAR), com vista a simplificar, desburocratizar e reduzir custos de contexto associados à atividade florestal, bem como foi revisto o Regime de Exercício da Atividade Pecuária (REAP), que desenvolveu a articulação com os regimes conexos, simplificou as classes de atividade pecuária e desenvolveu a matéria do sistema de informação, gestão e registo, facilitando a ação dos produtores.
O Governo procedeu ainda à revisão do Regime de Licenciamento de Empreendimentos Turísticos, reduzindo obrigações, reduzindo taxas, introduzindo o deferimento tácito em todos os passos do licenciamento, liberalizando a atividade de diretor de hotel e flexibilizando a classificação de empreendimentos para permitir a sua requalificação e a adequação da oferta hoteleira a uma procura cada vez mais diversificada e exigente.
Relativamente à Lei de bases de política pública de solos, do ordenamento do território e do urbanismo, o Governo procedeu a uma reforma estruturante, tanto do ponto de vista dos conteúdos,
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no sentido de definir um conjunto de normas habilitantes relativas à disciplina do uso e da utilização do solo, como do ponto do vista do seu sistema jurídico, com vista a traduzir uma visão conjunta do sistema de planeamento e dos instrumentos de política de solos, alargando a sua aplicação real a todo o território terrestre. Promove-se, assim, um planeamento municipal mais estratégico e programático, capaz de reagir, em tempo oportuno, às alterações e evolução de contexto e favorecendo a negociação com os agentes urbanísticos. Promove-se igualmente a simplificação administrativa uma vez que cidadão e o investidor passam a ter de conhecer um e um só plano.
Procurando agilizar a reabilitação urbana e promover a reocupação dos centros das cidades, foi igualmente apresentado o Regime Excecional para a Reabilitação Urbana (RERU) que assume a missão de estabelecer as «Exigências Técnicas Mínimas para a Reabilitação de Edifícios Antigos», que permitam adequar à realidade da reabilitação urbana as regras atualmente em vigor.
No âmbito da conservação da natureza e da valorização das áreas protegidas e classificadas, o Governo encontra-se a preparar uma iniciativa de escala nacional, com vista à promoção de uma maior sustentabilidade nestas áreas, aliando conservação da natureza a um estímulo à economia local, alavancada pelo próximo Portugal 2020. Pretende-se assim, criar uma marca de âmbito nacional, que potencie a criação de uma rede de destinos de turismo sustentável, baseada em produtos e serviços desenvolvidos com base nos recursos endógenos de um conjunto de áreas em Portugal onde a conservação da natureza e a paisagem constituam uma mais-valia. A utilização sustentável do património natural nacional é requisito base para que se mantenham os serviços que os ecossistemas proporcionam, desde a produção de alimentos, a polinização, o controlo da erosão, a disponibilidade e boa qualidade de água, a regulação das cheias, a capacidade de mitigação às alterações climáticas, aos valores culturais e estéticos incluindo o recreio e turismo. Neste âmbito, o Governo está a promover uma iniciativa TEEB1 Portugal, que procura reconhecer, aprofundar e divulgar os serviços que os ecossistemas nos prestam, contribuindo assim para uma Economia Verde.
Na área do ambiente, foi concluída a revisão do regime jurídico de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), tendo em vista uma melhor articulação entre a atividade económica e a proteção dos valores ambientais em presença. Foi, ainda, iniciado o desenvolvimento de um projeto de diploma sobre licenciamento ambiental integrado, que procura o estabelecimento de requisitos para apresentação de pedidos ao abrigo de diferentes regimes aplicáveis em matéria de ambiente, no âmbito do SIR, designadamente, a definição de conceitos, a aprovação de um modelo de dossier único (formulário eletrónico) a utilizar para efeitos de apresentação de pedidos, a criação de
1 The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB).
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modelos-tipo de títulos autónomos/modelo-tipo integrado, a revisão das taxas autónomas/criação de taxa integrada e a simplificação do regime contraordenacional aplicável.
Recentemente, foi também aprovada a criação de dois mecanismos de avaliação e de atenuação de impacto regulatório, o Teste PME (SME-Test) e a regra da Comporta Regulatória (in, one-out), que assumem papel de relevo na redução dos custos de contexto que mais afetam a atividade económica e os cidadãos. O Teste PME destina-se a proceder à avaliação do impacto de atos normativos com incidência sobre as PME. Trata-se de um procedimento que decorre da Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho Europeu, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões – Think Small First, um Small Business Act para a Europa. A regra da Comporta Regulatória obriga, sempre que se proceda à aprovação de atos normativos que criem custos de contexto sobre cidadãos e empresas, à apresentação de proposta de redução de custos de contexto equivalentes, através da alteração de outros atos normativos que tenham idêntico impacto. Esta reforma terá impacto em todos os sectores da economia portuguesa.
Por último, refira-se ainda o ambicioso programa de privatizações levado a cabo pelo Governo, com os processos de privatização da ANA, CTT e Caixa Seguros entre outros, que contribuíram para estimular significativamente o investimento nacional e estrangeiro associado à abertura de novos mercados.
Em matéria de fundos específicos da agricultura e do mar, o modelo de concursos de pedidos de apoio abertos em permanência é agora regra dominante. No caso do PRODER, as candidaturas passaram a estar abertas em permanência desde outubro de 2012. Tal opção já havia sido tomada desde julho de 2011 em relação a algumas medidas, nomeadamente na medida de apoio à instalação dos jovens agricultores. Relativamente ao PROMAR, este modelo foi adotado para a quase totalidade das medidas desde julho de 2012.
Adicionalmente, o Governo desenvolveu várias iniciativas no âmbito do apoio ao financiamento ao sector agrícola e das pescas, entre elas: i) as empresas do sector primário foram incluídas na Linha de Crédito PME Crescimento desde o início de 2013; ii) foi criada uma linha de crédito de 1,5 mil milhões de euros, no final de 2012, específica para apoio aos projetos PRODER aprovados, estabelecida inicialmente com 8 entidades bancárias, incluindo também o apoio ao PROMAR. Já em 2013 foi assinado protocolo com mais uma entidade bancária, passando esta linha de crédito a representar no seu conjunto um valor de 1,6 mil milhões de euros.
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As instituições concedentes de crédito aos investidores darão prioridade de análise aos projetos preliminarmente aprovados pelo PRODER e PROMAR, suportando-se na opinião técnica e económica subjacente a essa aprovação, o que contribuirá para uma maior celeridade no processo.