Consolidação Orçamental
II.2. Impacto dos Riscos Orçamentais
II.2.2. Riscos das Responsabilidades Contingentes
II.2.2.1. Garantias
Garantias Concedidas ao Sector Bancário
O stock da dívida garantida pelo Estado às Instituições de Crédito, no âmbito da Iniciativa para o Reforço da Estabilidade Financeira (IREF), à data de 31 de dezembro de 2013, ascendia a 13.475 milhões de euros (Quadro 15).
2010 2013 Var. 2013/2010
EP 1.179,04 593,26 -50%
ML 128,91 108,89 -16%
MP 63,14 53,89 -15%
REFER 249,63 183,82 -26%
Transtejo 33,23 30,27 -9%
Total 1.653,96 970,14 -41,3%
Fonte: Direção-Geral do Tesouro e Finanças
Milhões de euros
Conta Geral do Estado de 2013
41
Consolidação Orçamental
QUADRO 15 - Garantias concedidas ao sector bancário
De acordo com os respetivos planos de amortização, aprovados pelo Garante, não se encontravam previstos, nas operações financeiras contratadas pelas Instituições de Crédito, quaisquer reembolsos em 2013. No entanto, nesse ano, ocorreram amortizações antecipadas de alguns desses empréstimos garantidos, como é o caso do empréstimo obrigacionista do BANIF, de 300 milhões de euros9, em 30 de janeiro de 2013, do empréstimo do BCP, de 1.750 milhões de euros, em 28 de junho, e de parte (1.000 milhões de euros) do empréstimo da CGD, de 1.800 milhões de euros, em 6 de agosto de 2013. Tais operações repercutiram-se numa redução da exposição do Estado perante o sistema financeiro.
Cabe ainda referir que as instituições de crédito cumpriram, nas respetivas datas de vencimento, com o pagamento do serviço da dívida das operações garantidas bem como com o pagamento da comissão de garantia devida ao Estado.
Garantias Concedidas a Outras Entidades
O stock da restante dívida garantida pelo Estado, a 31 de dezembro de 2013, ascendia a cerca de 21.315 milhões de euros registando um acréscimo de cerca de 18% em relação ao final do ano de 2012, concentrando-se nas operações contratadas pelas empresas que constam do seguinte quadro:
9 O cancelamento desta emissão, em conformidade com o compromisso assumido por este Banco no contexto da sua recapitalização, foi concretizado através da recompra, para amortização, de todas as obrigações emitidas.
CGD 3.600
BES 4.750
GRUPO BANIF 875
BCP 4.250
TOTAL……… 13.475
Fonte: Direção-Geral do Tesouro e Finanças.
Montante em m ilhões de EUR Em itente
42
Conta Geral do Estado de 2013
Consolidação Orçamental
QUADRO 16 - Garantias concedidas a outras entidades
A dívida contraída pelas sociedades Parvalorem e Parups junto da Caixa Geral de Depósitos, na sua maioria com garantia do Estado, tem o seu vencimento em 2020 e 2021. No entanto, existe em todos estes empréstimos a possibilidade de reembolso antecipado. Por este facto, considerou-se em 2013, nas operações ativas do Capítulo 60.º, a possibilidade de realização de empréstimos do Tesouro às referidas sociedades para amortização antecipada dos empréstimos junto da CGD, o que não se veio a concretizar. Os empréstimos concedidos às citadas sociedades visaram financiar o respetivo serviço da dívida vencido durante o ano e o reembolso de capital junto da CGD, no montante de 400 milhões de euros.
No caso das restantes empresas classificadas no perímetro da AP também não se verificaram quaisquer execuções de dívida garantida, salvaguardando-se que por via da concessão de empréstimos o Estado assegurou as necessidades de financiamento decorrentes do serviço da divida vencido.
Deste modo, as execuções de garantia por incumprimento dos devedores limitaram-se aos beneficiários acima designados por “Outros”, cuja previsão dos reembolsos, para 2013, foi estimada
Entidades classificadas dentro do perímetro das AP
PARVALOREM 3.177,10 14,91%
Entidades classificadas fora do perímetro das AP
CP 812,13 3,81%
Fonte: Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.
Nota: (*) Disperso por cerca de 33 entidades, públicas não reclassificadas, privadas e países objeto da cooperação portuguesa e, em nenhum caso, superior a 1% do total garantido pelo Estado.
% Beneficiário da Garantia Montante Garantido
em m ilhões de EUR
Conta Geral do Estado de 2013
43
Consolidação Orçamental
em termos orçamentais com base no histórico das execuções de garantia. Assim, inscreveram-se no OE2013, para o SEE, 26 milhões de euros para a Parque EXPO e cerca de 11 milhões de euros para duas entidades privadas, Casa do Douro e Europarques, cujos pagamentos, embora de valor mais reduzido, acabaram por se concretizar, nos seguintes termos: Casa do Douro, 5,87 milhões de euros;
Europarques, 4,86 milhões de euros; e Parque EXPO, 5,95 milhões de euros.
II.2.2.2.Parcerias Público Privadas
Aquando da preparação do OE2013, foram identificados três grupos de riscos orçamentais decorrentes da existência de responsabilidades contingentes com PPP, nomeadamente: riscos relacionados com litígios em curso nas PPP do sector rodoviário, riscos relacionados com as receitas provenientes da cobrança de taxas de portagem e, finalmente, riscos relacionados com litígios em curso nas PPP do sector ferroviário.
No que diz respeito às PPP rodoviárias, foi, nessa altura, identificado um conjunto de litígios pendentes, respeitantes, designadamente, a pedidos de reposição do equilíbrio económico-financeiro dos contratos, bem como a outros pedidos de indemnização apresentados pelas concessionárias em diversas fases de desenvolvimento. Tal como apontado no Relatório do OE2013, nenhum destes processos teve desfecho durante 2013, pelo que não geraram qualquer encargo financeiro para o Estado.
Por sua vez, relativamente aos riscos orçamentais relacionados com a concretização das receitas provenientes da cobrança de taxas de portagem, verificou-se um resultado positivo para o Estado, dado que o valor das mesmas foi superior ao inicialmente previsto no OE2013. Mais concretamente, as receitas totais ascenderam a 294 milhões de euros, sendo a estimativa inicial de 272 milhões de euros – a qual foi posteriormente corrigida aquando da preparação do OE2014 para 276 milhões de euros.
Por fim, no que toca aos litígios em curso nas PPP do sector ferroviário, o Relatório do OE2013 identificou duas potenciais fontes de riscos orçamentais: (i) o pedido de reposição do equilíbrio financeiro da concessão Ferroviária do Eixo Norte-Sul (Fertagus), e (ii) o pedido de indemnização apresentado pela concessionária para o Troço da Linha Ferroviária de Alta Velocidade Poceirão-Caia.
Tal como exposto no Relatório, os diferendos não foram dirimidos durante 2013, pelo que não geraram qualquer encargo financeiro para o Estado.