Situação Financeira das Administrações Públicas
III.3. Ativos e Passivos das Administrações Públicas
III.3.2. Tesouraria do Estado
III.3.2.1. Unidade de Tesouraria do Estado
A atividade da Tesouraria do Estado é um importante instrumento de suporte à gestão dos fundos públicos e à otimização da gestão da liquidez. O progressivo aumento da eficiência nesta atividade permitirá uma redução de custos por parte do Estado tendo em conta o diferente perfil de execução das despesas e receitas orçamentais. A Unidade de Tesouraria do Estado assume, desta forma, um papel muito relevante na otimização da gestão dos recursos financeiros disponíveis.
Os objetivos centrais da Unidade de Tesouraria do Estado são os seguintes:
• Minimização do prazo de imobilização dos recebimentos;
• Maior eficiência e eficácia na execução dos pagamentos, nomeadamente na redução de custos financeiros associados à realização dos mesmos;
• Maior articulação entre recebimentos e pagamentos, com a finalidade de obtenção de ganhos financeiros e/ou redução de custos de financiamento.
Recebimentos
A melhoria contínua da Rede de Cobranças do Estado (RCE), tem permitido minimizar o tempo de centralização de fundos na Tesouraria do Estado, bem como os custos operacionais de cobrança, acompanhamento e controlo da mesma.
Neste sentido, tem-se vindo a privilegiar o alargamento da RCE a novas entidades públicas administradoras de receitas, a acrescerem à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), à Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), à Caixa Geral de Aposentações (CGA), à Câmara dos Solicitadores (CS), à Direção-Geral de Proteção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas (ADSE), à Direção-Geral do Orçamento (DGO), à Entidade Reguladora da Saúde (ERS), ao Instituto de Gestão Financeira e
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Equipamentos da Justiça, IP (IGFEJ), ao Instituto de Seguros de Portugal (ISP), como utilizadores do documento único de cobrança (DUC) para a arrecadação de receitas.
Em 2013, iniciaram a cobrança através do DUC a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e a Agência para o Desenvolvimento e Coesão, IP (ADC).
O valor centralizado na tesouraria do Estado, através do DUC, rondou, em 2013, 61,2 mil milhões de euros (mais 12% que no ano anterior), correspondente a mais de 29 milhões de documentos únicos de cobrança pagos.
Dos serviços bancários prestados pelo IGCP, através do seu HB, realça-se, ainda, a possibilidade que os organismos públicos dispõem de arrecadação dos valores das receitas diretamente nas suas contas no IGCP, através das Caixas Automáticas Multibanco da SIBS, mediante a utilização de uma referência de pagamento específica.
Os valores arrecadados, através desta funcionalidade em 2013, ascenderam a cerca de 551 milhões de euros (mais 172 milhões de euros que em 2012), dos quais o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) é responsável por 47% (257 milhões de euros) e o Instituto dos Registos e Notariado por 15% (81 milhões de euros).
Ainda a nível dos serviços bancários, refira-se, também, a progressiva disponibilização de Terminais de Pagamento Automático (TPA), móveis, fixos e portáteis, iniciada em 2008, que tem permitido incrementar a centralização de fundos na tesouraria do Estado, ao possibilitar aos organismos públicos descentralizados receber as respetivas receitas em contas no IGCP.
Assim, durante o ano de 2013 foram centralizados na tesouraria do Estado, através da utilização de 1.888 TPA (mais 264 equipamentos, que no ano transato), valores que rondaram 31 milhões de euros, verificando-se um aumento de 15%, face a 2012.
Pagamentos
A vertente devedora do Sistema de Débitos Diretos (SDD) veio viabilizar a execução de movimentos automáticos a débito nas contas dos organismos públicos, para execução dos respetivos pagamentos designadamente à EDP, PT, GALP e EPAL, simplificando e automatizando os procedimentos e reduzindo os custos inerentes aos meios de pagamento em uso. Em 2013, foram concretizados por débito direto, pagamentos que rondaram 34 milhões de euros.
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Acompanhando a evolução dos sistemas de compensação europeus, objetivando a uniformização dos instrumentos de pagamento em toda a zona EURO, o IGCP realizou os ajustamentos, do sistema de compensação de transferências a crédito e a débito e do sistema de débitos diretos, à SEPA – Single Euro Payments Area.
Ao nível dos meios de pagamento, procurou-se dinamizar o uso dos meios de pagamento eletrónicos (como as transferências bancárias e os débitos diretos) em detrimento da utilização dos que têm suporte físico (como o cheque), ajustando-se às melhores práticas do sector bancário a nível europeu, no quadro da criação da Área Única de Pagamentos Europeia.
Gestão da liquidez
As melhorias desencadeadas nos domínios dos pagamentos e recebimentos permitem, no seu todo, um acompanhamento mais fiável da execução orçamental, o qual tem reflexos imediatos numa maior fiabilidade das previsões de Tesouraria e numa maior racionalidade das disponibilidades gestão da tesouraria do Estado.
O modelo de gestão integrada dos ativos e passivos financeiros do Estado (Decreto-Lei n.º 273/2007, de 30 de julho) permite a obtenção de ganhos de eficiência, uma vez que os saldos de tesouraria passaram a ser utilizados para compensar interanualmente os saldos da dívida, diminuindo a dívida em circulação e os consequentes encargos financeiros para o Estado.
III.3.2.1.1.Cumprimento do Princípio da Unidade de Tesouraria do Estado
Aplicando o disposto nos artigos 14.º do Decreto-Lei de execução orçamental de 201350 e 124.º da Lei 66-B/2012, de 31 de dezembro, segundo a regra geral, as entidades devem efetuar toda a movimentação de fundos por recurso aos serviços bancários disponibilizados pelo IGCP, verificando-se o cumprimento do princípio da Unidade de Tesouraria do Estado51.
Em referência ao princípio referido, a Direção-Geral do Orçamento promoveu a sua monitorização através da elaboração de relatórios internos mensais baseados em informação reportada pelos organismos sujeitos ao cumprimento deste princípio.
50 DL n.º 36/2013, de 11 de março.
51 Para aferição do cumprimento da execução do princípio da unidade de tesouraria, as entidades reportam mensalmente o saldo no final do mês dos depósitos e aplicações financeiras junto do IGCP e das instituições bancárias, e respetivas receitas próprias arrecadadas, bem como das disponibilidades e aplicações mantidas na banca comercial e respetivos rendimentos auferidos.
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O último ponto de situação, relativo à imagem em 31 de dezembro de 2013 evidenciou que 1,9%
do total de disponibilidades se encontravam fora do IGCP52.
De um ponto de vista da representatividade no total dos incumpridores a 31 de dezembro de 2013 (utilizando o rácio “Aplicações fora da Tesouraria do Estado”/Total de disponibilidades no IGCP53), destacam-se os organismos que mais contribuíram para a situação de incumprimento (84%):
QUADRO 91 - Organismos em situação de incumprimento mais representativos
Fonte: Ministério das Finanças.
No entanto, a percentagem de disponibilidades fora do IGCP apresentou valores significativamente diferenciados ao longo do ano, apresentando uma diminuição no final do ano para menos de metade do valor observado no final do primeiro trimestre do ano.
52 Este apuramento excluiu, atendendo ao regime de exceção legalmente aplicado, as Instituições de Ensino Superior e a Caixa Geral de Aposentações, embora, no caso das primeiras, sejam objeto de análise individualizada.
53 Excluindo as IES e a CGA.
ME METROPOLITANO DE LISBOA, S.A. 45.915.219 0 0 0
ME FCM - FUNDAÇAO PARA AS COMUNICAÇOES MOVEIS 27.939.268 49.109 0 0
PCM INSTITUTO FINANCEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL IP 9.521.267 0 0 0
MAOTE COSTA POLIS SOC PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROG POLIS NA COSTA DA CAPARICA, SA 112.214 6.944.781 49.362 0
MNE FUNDO PARA AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS, IP 5.363.573 0 0 0
MJ DIRECÇAO-GERAL DE REINSERÇAO E SERVIÇOS PRISIONAIS 4.706.875 116.604 936 157
MF COMISSAO DO MERCADO DE VALORES MOBILIARIOS 1.165.614 2.980.000 1.004 1.004
ME INSTITUTO DE APOIO ÀS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS E A INOVAÇAO IP 3.742.511 0 14.178 0
ME INSTITUTO DA MOBILIDADE E DOS TRANSPORTES TERRESTRES 2.083.411 0 0 0
MS ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO CENTRO, I.P. 2.013.143 0 152 15.211
102.563.097 10.090.493 65.632 16.372
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GRÁFICO 20 - Evolução da percentagem de disponibilidades fora do IGCP, em 2013
Fonte: Ministério das Finanças.
Relativamente aos Ministérios, destaca-se o montante que é detido em situação de incumprimento por parte de entidades do Ministério da Economia, designadamente o Metropolitano de Lisboa e a Fundação para as Comunicações Móveis, que detém 73,8 milhões de euros e 82,7 milhões de euros em incumprimento. De entre os motivos invocados pelas entidades para os incumprimentos verificados foi referido como principal justificação o facto de pretenderem ter acesso a serviços que o IGCP não prestava, designadamente quanto à necessidade de gestão de fundos de maneio ou serviços descentralizados.
4,1%
3,4% 3,6%
1,9%
0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5
1TRIM 2TRIM 3TRIM 4TRIM
%
180
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QUADRO 92 - Incumprimento da UTE por Ministério
Fonte: Ministério das Finanças.
QUADRO 93 - Incumprimento por parte das Instituições do Ensino Superior
Fonte: Ministério das Finanças.
De acordo com o n.º 3 do artigo 115.º do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) 54, as IES podem depositar as receitas que arrecadam em qualquer instituição bancária, com exceção das dotações transferidas do Orçamento de Estado as quais devem ser movimentadas através do IGCP. Ainda no n.º 5 do mesmo artigo é referido que “as aplicações financeiras de cada instituição de ensino superior pública devem ser realizadas no Tesouro, salvo para um valor que não exceda 25 % do seu montante total”.
54Lei 62/2007, de 10 de setembro.
Ministério Disponibilidades no sistema
bancário (sem IES) Disponibilidades no IGCP
(sem IES) %
UL - FACULDADE DE BELAS-ARTES - 0,0%
UTL - FACULDADE DE MEDICINA VETERINARIA 26,7%
-INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO - 73,9%
UNIVERSIDADE DO PORTO - FUNDAÇÃO PÚBLICA - 2,5%
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