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Aprenda a se Proteger

No documento livro-a-grande-queda.pdf (páginas 110-115)

Investidores costumam perder em equity. Para se proteger, verifique se há petrolíferas em sua carteira.

A Exxon Mobil não vai falir. Talvez corte gastos e tenha um pouco de prejuízo, mas uma empresa desse tamanho não vai simplesmente desaparecer. Na verdade, as grandes empresas às vezes lucram com situações assim porque conseguem elimi- nar a competição.

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O setor de fraturamento é mais vulnerável que as petrolí- feras tradicionais porque sua tecnologia é mais cara. Muitas empresas são novas e ainda financiadas. São várias empresas de pequeno e médio porte. É com elas que você precisa to- mar cuidado porque pode perder em equities, caso venham à falência.

Você também precisa analisar os bonds de sua carteira e ver se há dívidas dessas empresas. Há investidores cansados de não ganhar juros no banco, nos bonds do Tesouro ou em outros investimentos mais seguros. Eu gosto de ouro, mas ouro não paga dividendos em juros. Você precisa ter olhos com meca- nismos de preservação de riqueza. Ouro, dinheiro e títulos do Tesouro (treasury bills) não pagam nada.

Isso significa que as pessoas estão perseguindo yields. Talvez um investidor diga para si mesmo: “Ei, estou aposen- tado, trabalhei muito a vida inteira, tenho todo esse dinheiro guardado; estou contando com um rendimento de cinco, seis ou sete por cento para aproveitar minha aposentadoria”.

Boa sorte para conseguir isso com títulos do tesouro (trea-

sury bills).

Um corretor dirá: “Tenho esse fundo aqui; é um bond fund que paga cinco ou seis por cento”. E o investidor diz: “Quero um pouco disso”.

Mas, frequentemente, investidores não observam o que há nesses bonds.

Quando está tudo bem, a economia está crescendo, pe- tróleo está sendo descoberto e seu preço parece bom, esses fundos pagam 5% ou 6%. Não estou dizendo que é impossí- vel conseguir esses valores. Mas quando as perdas surgem, de repente, você verá que os dividendos de 5% não compensam a perda de 20% em sua carteira.

Veja quais equities você tem em sua carteira, mas também veja as bonds, porque dentro delas pode haver fundos com no- tas ou bonds de empresas com problemas.

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Não é difícil. Procure por pequenas e médias empresas de exploração e produção de petróleo, especialmente aquelas na indústria de fraturamento. Mais uma vez, Dakota do Norte, Pensilvânia e Texas são os principais centros dessas empresas.

O Preço do Petróleo: O Bom, o Mau e o Feio

Todos os dias, norte-americanos encontram motivos para cele- brar e temer a queda recente no preço do petróleo. Essa é a maior e mais rápida queda desde a década de 1980. É possível ver os resultados nas bombas. O preço da gasolina caiu de quase $4 para $1,99 o galão (1 galão = 3,78 litros) em alguns lugares.

Para um motorista que usa 50 galões por semana, são $100 a mais no bolso: o suficiente para comprar um novo vestido ou levar a família para jantar. Se esse novo preço se mantiver, serão $5.000 a mais em um ano. O melhor de tudo, o governo não pode cobrar impostos. Caso você tenha um aumento de salário, será cobrado, mas, se o custo das coisas que compra cai, o governo não pode cobrar impostos. Não há o que não gostar. É uma notícia ótima.

Economistas supõem que esse dinheiro extra no bolso será gasto imediatamente, o que poderia fazer com que outras pes- soas também tivessem acesso a mais dinheiro. Por exemplo, se você gasta seus $100 em jantares, pode dar uma gorjeta de $15 para o garçom, que terá $15 a mais (talvez mais ainda se seus vizinhos fizerem o mesmo), então, ele poderá gastar mais, e assim por diante.

É o famoso efeito “multiplicador” em funcionamento, no qual um gasto extra gera mais gastos, resultando em crescimento econômico. O que os economistas chamam de “demanda agregada” é maior que o gasto inicial. Mais notícia boa. Pelo menos, é isso o que você vai ouvir na TV.

Além da superfície, vemos notícias não tão boas para a sua carteira.

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Por exemplo, só porque alguém tem $100 no bolso, não significa que vá gastá-los. Muitas pessoas podem usar o di- nheiro para pagar dívidas de cartão de crédito, empréstimos estudantis, financiamentos imobiliários etc.

Isso é prudente, mas não ajuda o PIB. É apenas uma forma de desalavancagem. Ambos os lados de seu balanço pessoal, crédito e débito são reduzidos. Não há nada de errado com isso, mas não há aumento em demanda agregada nem multi- plicador místico.

Além disso, quando você gasta $2 por galão a menos na bomba, isso significa que alguém – a petrolífera – está rece- bendo menos. Seu ganho é a perda deles. Ninguém precisa derramar uma lágrima pela pobre petrolífera gigante, mas os efeitos práticos da redução do preço do petróleo e do lucro das empresas de energia podem ser danosos. O baixo preço atrasa projetos novos e faz com que campos com alto custo sejam de- sativados. Isso significa demissões e redução de investimento em equipamentos e transporte. Empregos no setor costumam pagar bem. Empregos de garçom, não. Se ganharmos empre- gos em restaurantes e perdermos empregos em petrolíferas, não haverá melhora na economia.

Essa notícia é ruim.

A partir desse ponto, a situação fica feia. O preço do petró- leo fica baixo porque a demanda caiu, por causa da redução de crescimento e porque a oferta aumentou, por causa do fratura- mento. Mas todo o sistema de fraturamento é custoso e muito dinheiro foi arrecadado na forma de junk bonds. Quando esses

junk bonds foram emitidos, supunha-se que o preço do petró-

leo ficaria entre $80 e $130 por barril.

Com o preço do barril entre $45 e $55, o fraturamento dei- xa de ser lucrativo e, por isso, a dívida não será paga a partir do final de 2015 ou do início de 2016. Quem são os credores dela? Talvez uma parte esteja em sua conta de aposentadoria, escondida em um fundo com yields altos. É algo a se pensar.

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Seja você, seu vizinho ou o banco em frente, o ponto é que alguém é o credor dessa dívida e está prestes a não ser pago.

Finalmente, deveríamos considerar o impacto da queda rápida do preço do petróleo no Fed e nas políticas monetá- rias dos EUA. O Fed quer alcançar uma inflação de 2%. No momento, a inflação está abaixo da meta e caindo. Os índi- ces de preços recentes indicam deflação, o oposto do que o Fed deseja.

Quando o Fed observa esses dados, foca-se em inflação de base, que exclui o impacto dos preços de alimentos e energia porque eles são altamente voláteis e tendem a seguir a infla- ção base a longo prazo. Você pode ignorar as altas e baixas do preço de energia porque elas costumam ser mensais e se equilibram ao final de um ano.

Há evidências práticas que comprovam a eficácia dessa abordagem e é por isso que o Fed a utiliza.

Mas e se essa queda no preço de energia não for só um rumor? E se durar por anos porque é causada por forças geo- políticas e macroeconômicas que não irão embora tão cedo?

Se esse for o caso, então a abordagem padrão do Fed não levaria em conta a importância dessa variação e subestimaria o impacto da queda de preço e da deflação que a segue. O Fed pode aumentar as taxas de juros em 2015 – como já indicou que fará – conforme quedas persistentes de preço criam ex- pectativas deflacionárias e levam a economia rumo à recessão. Um aumento na taxa de juros à beira de uma recessão é a pior medida possível. Mas os modelos equivocados do Fed podem caminhar para esse desfecho.

A longo prazo, preços mais baixos de petróleo são bons para os consumidores e para o crescimento real. Mas, a curto prazo, são ruins para os produtores, desastrosos para acionis- tas de junk bonds e talvez estejam iludindo o Fed e fazendo com que ele erre em suas políticas. O próximo ano pode ser difícil com o aumento do desemprego e, consequentemente,

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da inadimplência. Seria ainda pior se o Fed lesse as cartas er- roneamente e aumentasse as taxas, como já ameaçou fazer.

Você deve analisar sua carteira e vender todos os fundos de bonds que contenham essas dívidas que podem não ser pagas. Use o dinheiro para construir posições de caixa e com- prar notas do tesouro norte-americano. O dinheiro preservará riqueza e as notas trarão ganhos no período deflacionário à frente. Quando a visibilidade em relação às políticas do Fed melhorar, o dinheiro poderá ser usado para comprar ativos em crise por um bom preço. Teremos mais a dizer sobre quais serão essas barganhas nos próximos meses.

No documento livro-a-grande-queda.pdf (páginas 110-115)