Nos próximos meses, acredito que possa haver um colapso seis vezes maior que o colapso das hipotecas de alto risco em 2007.
As circunstâncias levam a crer que poderia ser como o colapso de 1998, que ocorreu após o fracasso do Long-Term
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Mas, desta vez, haverá muitas diferenças cruciais que dei- xarão investidores e reguladores sem saber o que fazer.
Para entender qual é o cenário mais provável, usamos como ponto de partida aquilo que já sabemos.
Na comunidade de defesa nacional, comandantes militares são conhecidos por lutarem a última guerra. Eles estudam seus fracassos e se preparam para o próximo conflito. O problema é que cada guerra inevitavelmente envolve novas técnicas para as quais eles estão completamente despreparados.
O caso mais famoso é o da Linha Maginot, na década de 1930. Em resposta aos rápidos avanços da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, a França construiu em sua fronteira uma li- nha de fortificações e obstáculos de aço e concreto para ganhar tempo de mobilização, caso fosse invadida novamente.
Mas Hitler a circundou e invadiu a França através da neu- tra Bélgica. Os franceses não estavam preparados. Algumas se- manas depois, as forças alemãs ocuparam Paris.
O mesmo erro é cometido em círculos financeiros. Reguladores não são diferentes dos comandantes militares. Eles lutam a última guerra. Os dois últimos colapsos globais, em 1998 e 2008, são bons exemplos.
Em 1998, um pânico financeiro destruiu os mercados capi- tais globais. Ele começou na Tailândia em junho de 1997 e se espalhou para a Indonésia e Coreia. No verão de 1998, a Rússia não pagou suas dívidas e sua moeda entrou em colapso. A crise de liquidez resultante causou grandes perdas no fundo multi- mercados Long-Term Capital Management.
Sei disso porque estava lá. Como o principal conselheiro do LTCM, estive presente em todas as reuniões durante o pico da crise em agosto e setembro. Perdíamos milhões de dólares por dia. Foram quase $4 bilhões em dois meses. Mas isso não foi o pior.
Nossas perdas foram triviais se comparadas com o $1 tri- lhão de derivativos que tínhamos com os maiores bancos de
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Wall Street. Se o LTCM fracassasse, aqueles trilhões de dólares em transações não seriam pagos e os bancos cairiam como do- minós. Mercados globais sofreriam um colapso total.
Negociei um resgate com os líderes dos 14 maiores bancos, inclusive Goldman Sachs, JPMorgan e Citibank. Conseguimos $4 bilhões de Wall Street, o Fed diminuiu a taxa de juros e a situação ficou estável, mas foi por pouco, algo que ninguém quer ver de novo.
Foi uma lição valiosa porque, logo depois, reguladores tra- balharam para tornar empréstimos de fundos multimercado mais seguros. Eles determinaram que os bancos monitorassem os riscos de seus fundos mais cuidadosamente e melhorassem a documentação legal, além disso, exigiram mais garantias para assegurar o desempenho em open trades.
Reguladores acreditavam que isso evitaria a próxima crise. No pânico de 2008, ficaram surpresos que os pro- blemas não estivessem em fundos multimercados, mas nas hipotecas de alto risco. O mercado de hipotecas saiu de controle rapidamente e deixou os mercados financeiros à beira do colapso.
Depois de 2008, reguladores novamente se prepararam para a última guerra. Esse é o cenário para a crise que pre- vejo. Eles deixaram hipotecas muito mais seguras ao exigir maiores entradas, melhor documentação, prova de renda, de emprego e maior pontuação de crédito antes que um emprés- timo pudesse ser concedido. Mas, de novo, estão consertando o último problema e ignorando o próximo.
O colapso financeiro, já no nosso radar, não virá dos fun- dos multimercados ou das hipotecas. Virá dos junk bonds, especialmente os de energia e de dívidas corporativas dos mercados emergentes.
Recentemente, o Financial Times estimou que a dívida cor- porativa total da área de energia – concedida no período de 2009 a 2014 para exploração e desenvolvimento – passa dos
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$5 trilhões. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) estimou que o total das dívidas em dólar dos mercados emer- gentes passa dos $9 trilhões.
A dívida do setor de energia entrou na pauta por causa do colapso do preço do petróleo; e a dívida dos mercados emergentes, por causa da redução do crescimento global, da deflação e da alta do dólar.
O resultado é uma pilha de $14 trilhões em dívida corpo- rativa que não podem ser pagos nem perdoados no cenário econômico atual. A maioria dos empréstimos para o setor de energia foi concedido na expectativa de que o petróleo perma- necesse entre $80 e $130 o barril.
A maior parte da dívida dos mercados emergentes veio da ex- pectativa de que o dólar continuasse tão fraco quanto em 2012. Em vez disso, o petróleo está em queda e o dólar em alta, uma mudança dramática.
Se a taxa de inadimplência for de apenas 10% – uma supo- sição conservadora – , o fiasco da dívida corporativa será seis vezes maior que as perdas de 2007. O mundo está diante de uma catástrofe muito maior que o LTCM em 1998 e que o mer- cado imobiliário em 2008. Reguladores não estão preparados porque estiveram ocupados lutando a última guerra.
A boa notícia é que esse fiasco não acontecerá da noite para o dia, mas no prazo de um ou dois anos. O pânico de setembro de 1998 começou um ano antes, em junho de 1997, na Tailândia. O pânico de setembro de 2008 também começou um ano antes, em agosto de 2007, quando o comentarista da CNBC, Jim Cramer, gritou ao vivo, falando sobre o Fed: “Eles não sabem de nada!”.
Esse novo fiasco de dívidas de alto risco começou no verão de 2014, mas não chegará ao clímax até 2016. Mesmo empre- sas e países com prospectos sombrios têm dinheiro suficiente para fazer alguns pagamentos antes de chegar à inadimplên- cia. Enquanto isso, você pode lucrar.
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A inadimplência dos bonds ainda não aconteceu, mas os sinais já são visíveis nos preços mais baixos do petróleo e no dólar forte. Em análise de inteligência, não esperamos que os desastres aconteçam, observamos a informação, os “indícios e alertas”, e usamos técnicas de inferência, como probabilidade inversa, para prever o futuro.
A alta do dólar é deflacionária. Se ela persistir, o preço do petróleo provavelmente continuará baixo. Isso significa que a dívida do setor de energia não pode ser paga e não será. A inadimplência ainda não aconteceu, mas podemos vê-la se aproximando. Ainda há uma oportunidade de lucro com o co- lapso iminente em junk bonds. O momento de agir é agora.