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O caminho à informação e ao conhecimento foi sendo democratizado com a presença contínua da Internet na sociedade hodierna. Desta forma, a Internet tornou-se um instrumento primordial, que, para além de apoiar o acesso a conteúdos, fomenta a comunicação entre indivíduos e desenvolve ambientes de aprendizagem em rede, remodelando a dimensão de espaço e tempo, conduzindo desta forma a novas consciências no campo da aprendizagem.

As TIC proporcionam aos alunos um potencial de informação infindável e inovadoras formas de aprendizagem como a aprendizagem colaborativa em ambientes virtuais, que não podemos descurar.

O ciberespaço eclode com a conjetura de um tempo adequado para a aprendizagem, em que o espaço para decorrer é o aqui e em qualquer lugar, o momento para aprender é agora e continuadamente (Coutinho & Junior, 2007a).

É nas redes de aprendizagem que prevalece a aprendizagem colaborativa, onde a colaboração, a partilha, a troca de saberes se impõem face ao saber individual.

As teorias anteriormente referidas partilham uma caraterística comum, o facto de se ter consciência da existência do outro, e que cada contribuição individual enriquece o conhecimento coletivo.

Autores como Harasim (2000), Kenski (2003), Ponte (2004), Meirinhos e Osório (2006) ou ainda Costa (2008), reconhecem o potencial inovador da aprendizagem colaborativa.

A aprendizagem colaborativa, de acordo com Meirinhos e Osório (2006), baseia-se em padrões do construtivismo, com destaque primordial para a autonomia, a reflexão e a participação ativa. As teorias de cariz sócio-construtivista ajudam a reforçar e ratificar a compreensão e respeito pelas desigualdades pessoais, assim como a esclarecer os mecanismos de aprendizagem.

No entanto encontramo-nos perante dois conceitos que se confundem permanentemente e prendem a nossa atenção, referimo-nos aos conceitos de colaboração e cooperação.

Para Ponte (2004) e Coutinho e Junior (2007b), a aprendizagem colaborativa traduz-se pela participação e envolvimento de todos os alunos na construção de um trabalho, ou na consecução de um objetivo comum. A aprendizagem cooperativa está relacionada com o trabalho em grupo, o que implica a realização de uma tarefa de forma isolada, sem

entendimento conjunto e em que pode ocorrer subordinação de um elemento em relação aos demais, o que torna as relações hierarquizadas (Lisbôa, 2010).

A colaboração e a cooperação, segundo Barbosa (2008), distinguem-se na regularidade das trocas efetuadas, assim como no planeamento e coordenação de um trabalho. A autora estruturou as suas ideias numa tabela síntese, onde anota as diferenças basilares, com a qual concordamos e em seguida apresentamos. No entanto, acrescentámos à proposta da autora uma sétima categoria que designámos por “Vinculo à Aprendizagem” por considerarmos que ocorre uma diferença acentuada entre as duas abordagens, a colaborativa e a cooperativa, no que respeita ao vínculo dos alunos no que concerne à aprendizagem. Desta forma, observamos que na aprendizagem colaborativa os alunos percecionam a importância do outro na construção conjunta do conhecimento, existindo assim um vínculo permanente. Já na aprendizagem cooperativa tal não acontece.

Abordagem colaborativa Abordagem cooperativa Caraterística conceitual

Filosofia de ensino: engloba questões teóricas, políticas e filosóficas.

Técnica de trabalho: estrutura de interação planeada para facilitar a realização de um objetivo ou produto final. Conceção

Promove a “aculturação” dos alunos nas comunidades de conhecimento.

Aumenta as habilidades cognitivas e sociais por meio de um conjunto de técnicas aprendidas. Estruturação Compartilhamento de autoridade e aceitação de responsabilidades entre os membros, nas ações do grupo.

Estrutura hierárquica num processo mais direcionado pelo professor.

Foco Processo mais aberto, com um papel mais ativo do aluno. Processo centrado no professor e controlado por ele. Forma de organização

Compromisso mútuo dos participantes num esforço coordenado, visando à conclusão de um problema.

Cada um é responsável pelo desenvolvimento de uma parte do problema.

Prescrição de atividades

Atividade sincronizada, resultado de um esforço continuado de construir e manter uma conceção compartilhada de um problema.

Segue uma série de etapas com normas bem definidas.

Vínculo à aprendizagem

Os alunos compreendem que aprendem com os outros – com vínculo.

Não há exigência de um vínculo comunitário – sem vínculo. Tabela 2 - Comparação entre abordagens colaborativa e cooperativa (adaptado de Barbosa, 2008:75)

Segundo Meirinhos e Osório (2006), o grau de autonomia dos alunos, bem como o nível de controlo do professor, são as primeiras e particulares formas diferenciadoras entre

colaboração e cooperação. Por conseguinte, e segundo os mesmos autores, “na cooperação existe um maior controlo por parte do formador e uma menor autonomia por parte do formando. Sendo assim, nas tarefas colaborativas, é necessária mais autonomia e, consequentemente, maior maturidade cognitiva do que na cooperação” (Meirinhos & Osório, 2006:3).

A mesma fonte aponta, ainda, uma outra caraterística diferenciadora dos dois conceitos que é o objetivo a alcançar. Quando as tarefas e as responsabilidades são repartidas pelos elementos do grupo visando um dado objetivo estamos perante a cooperação, quando ocorre negociação e orientação da interação auspiciando um objetivo comum deparamo-nos com a colaboração.

Neste sentido Kenski (2003) refere que,

A colaboração diferencia-se da cooperação por não ser apenas um auxílio ao colega na realização de alguma tarefa ou indicação de formas para acessar determinada informação. Ela pressupõe a realização de atividades de forma coletiva, ou seja, a tarefa de um complementa o trabalho de outros. Todos dependem de todos para a realização das atividades, e essa interdependência exige aprendizados complexos de interação permanente, respeito ao pensamento alheio, superação das diferenças e busca de resultados que possam beneficiar a todos. (Kenski, 2003:112)

Segundo Palloff e Pratt (2002), os alunos que produzem colaborativamente conquistam um saber mais redundante, abandonando a sua independência para se tornarem interdependentes. Desta forma, ao professor compete um papel de dinamizador de diálogos, sem o dominar e alongando-o a uma variedade de opiniões e pontos de vista.

A colaboração pode ser interpretada como uma atividade espontânea, que se pauta por uma motivação intrínseca a cada aluno, que concilia o individual e o coletivo e evoca a autonomia (Meirinhos & Osório, 2006).

De forma a salientar a relevância da colaboração para a aprendizagem em rede, Harasim (2000:43) refere que: “The principle of collaborative learning may be the simple most important concept for online networked learning, since this principle address the strong socio- affective and cognitive of learning in the web”.

Como processo dinamizador para a conceção de comunidades virtuais de aprendizagem (assimiladas como entidades que unificam pessoas em volta de uma temática e objetivos comuns), a colaboração afigura-se como substancial e como forma de partilha e edificação do saber no âmago da comunidade.

Desta forma, a aquisição do conhecimento pelos alunos será o resultado de um processo educativo reforçado pela participação social em ambientes que favoreça a interação e a colaboração.

Neste trabalho, pretendemos uma reciprocidade entre todos os alunos participantes no projeto, em processos de colaboração na resolução de problemas matemáticos encadeados com a vida real e de interesse comum a todos.