2.3 Processo de aprendizagem
2.3.2 Aprendizagem em equipe
Equipes, grupos e times são vocábulos freqüentemente utilizados sem distinção, aparecendo como sinônimos. Desta forma, há necessidade de um maior esclarecimento e entendimento sobre as principais diferenças existentes entre um time, uma equipe, e um grupo. Além disso, o fato deste estudo estar diretamente relacionado com o trabalho em equipe, analisando-se como esta se comporta, aprende e consegue lidar com as divergências entre os diferentes modelos mentais de seus integrantes, exigem que se faça distinção entre os termos.
O dicionário Michaelis (1998) traz as seguintes definições: Grupo – um certo número de pessoas reunidas; Equipe – grupo de pessoas que se dedicam a uma mesma tarefa; e Time – o mesmo que equipe.
Ao abordar este tema, Pinchot e Pinchot, (1994) estabelecem uma distinção entre o significado de equipe e de grupo: por equipe, entende-se pequenos ou médios grupos de indivíduos que trabalham em união, objetivando gerar um resultado comum. O grupo de trabalho, por sua vez, se reúne para dividir o trabalho, mas em seguida o realiza individualmente. As verdadeiras equipes criam e aprendem em conjunto.
Goldbarg (1995) define um time como sendo um pequeno ou médio grupo de indivíduos com habilidades que se complementam entre si, que são comprometidos com um propósito comum e que coordenam esforços e responsabilidades de forma a perseguir uma missão.
O desenvolvimento de uma equipe, segundo Moscovici (1995) é entendido como um programa educacional dirigido a grupos de pessoas interdependentes que precisam unir esforços nos procedimentos de trabalho e na resolução de problemas. A autora acrescenta, ainda, que é relativamente mais fácil acreditar no trabalho em equipe, bem como compreendê-lo e adotá-lo, quando o grupo ou a unidade está deficitário, enfrentando sérios contratempos ou crescente competição.
Após apresentar a definição e diferenciação dos termos: equipes, times e grupos, sob a ótica de alguns autores, optou-se por utilizar, nesse estudo, a terminologia e os conceitos de equipe, tanto para as equipes organizacionais quanto para as equipes desportivas. Na seqüência, destacar-se-á a importância dos trabalhos em equipe nas empresas, de acordo a visão de Leonard e Straus sobre equipes homogêneas e heterogêneas.
Os autores traçam um paralelo de vantagens e desvantagens do trabalho em equipes homogêneas e heterogêneas. A total e absoluta homogeneidade na abordagem cognitiva de uma empresa pode ser muito eficiente. No entanto, por mais brilhante que seja o grupo de indivíduos, suas contribuições para a solução de problemas de maneira criativa serão ampliadas mediante o confronto de perspectivas totalmente diferentes, uma vez que o objetivo, segundo Leonard e Straus (2000, p.119), “é estimular a fertilização cruzada de idéias e abordagens para a solução de problemas”.
Partindo do pressuposto de que a mudança ocasiona inovação e para isso necessita de pessoas diferentes, com idéias diferentes, a fim de que haja um aumento de criatividade, surge a necessidade de um mediador para trabalhar com esta diversidade, pois a dificuldade de gerenciamento para solucionar o problema da divergência intelectual é bastante grande. O recomendável é manter as discussões no plano das idéias, eliminando as disputas pessoais, que provocam a ruptura do processo criativo. Isto somente poderá ser efetivado por meio de um eficiente mediador.
Na visão de Leonard e Straus (2000), a mudança é imprescindível. As empresas, nos dias de hoje, em sua maioria, vivem uma competitividade atroz. Lembrando que as transformações ocorrem com a colisão de diferentes idéias, percepções, formas de processamento e avaliação de informações. Normalmente, ainda se exige a colaboração entre participantes que vêem o mundo sob diferentes ângulos. Como conseqüência, o conflito que deveria desenvolver-se de maneira construtiva, muitas vezes surge entre as pessoas, como resultados destrutivos. As disputas se tornam pessoais, provocando a quebra do processo criativo.
Se estas diferenças não forem gerenciadas de modo a possibilitarem a criatividade, a abrasão inibirá o esforço construtivo dos indivíduos e organizações. As pessoas que não entendem as preferências cognitivas tendem a personalizar ou a evitar o conflito. Em vista disso, há necessidade da despersonalização deste conflito. Quando se constata que a abordagem de outra pessoa não é obstinação ou obsessão, mas algo diferente, acaba-se dispersando a raiva e aproveitando o que de melhor há em uma equipe heterogênea, que é a criatividade e a abordagem diferenciada para a solução dos problemas.
Assim, uma maneira de se desenvolver a aprendizagem produtiva entre diferentes abordagens é por meio da abrasão criativa, que é uma ferramenta de trabalho para criar idéias e produtos novos. O gerenciamento do processo de abrasão criativa consiste em assegurar a participação de todos. As pessoas diferentes desenvolvem estilos de pensamentos diversos: analítico ou intuitivo, conceitual ou experimental, social ou independente, e lógico ou induzido por valores. Cada pessoa deve respeitar o estilo de pensar da outra, pois, conforme Leonard e Straus (2000, p.115), “se quisermos uma organização inovadora, precisamos contratar, promover e trabalhar em conjunto com quem estejamos pouco à vontade”. Sendo necessário também, compreender e aceitar as próprias preferências, para contrabalançar os pontos negativos e aperfeiçoar os pontos positivos. O maior desafio da aceitação das contribuições de indivíduos com características diferentes é o próprio ego.
Atentando para os problemas que margeiam uma organização e os benefícios que os trabalhos em equipe podem gerar, é aconselhável que se repense os modelos mentais e que se deixe vir à tona o espírito de companheirismo e parceria.
Apesar das diferenças de pensamento entre os indivíduos, Senge (1998, p.262) constata que a aprendizagem em equipe é o “processo de alinhamento e desenvolvimento da capacidade de um grupo criar os resultados que seus membros realmente desejam”. Este processo se desenvolve a partir da criação de uma visão compartilhada e da maestria pessoal, uma vez que equipes talentosas são formadas por indivíduos talentosos. No entanto, objetivo comum e talento não são suficientes. O fundamental é implementar o aprendizado em equipe nas organizações, uma vez que quase todas as decisões importantes são, atualmente, tomadas em equipe.
Quando equipes aprendem em conjunto, elas passam a ser uma partícula indispensável para o processo de aprendizagem da organização inteira. A equipe deve canalizar o potencial de mentes diversificadas de maneira que a inteligência do conjunto seja maior do que a individual.
Com base no que foi apresentado, pode-se afirmar que a disciplina do aprendizado em equipe requer, principalmente, a prática do discussão e do diálogo. Para Senge (1990), a discussão é a contrapartida necessária ao diálogo. Em uma discussão, diferentes idéias são apresentadas e defendidas, o que pode resultar uma análise eficaz de toda a situação. No diálogo, diferentes idéias são apresentadas como um meio para se chegar a uma nova idéia. Na discussão, decisões são tomadas. No diálogo, questões complexas são analisadas.
No entanto, em uma equipe de aprendizagem, seus integrantes devem saber se mover entre o diálogo e a discussão, passando de uma para a outra sempre que necessário. As regras do jogo são diferentes, os objetivos são diferentes e, não sabendo distingui-los, não se tem diálogo nem discussões produtivas. Portanto, cabe à equipe e às pessoas que a compõem se desenvolver, porque elas precisam umas das outras para agir.