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Na aprendizagem social, não são somente as funções mentais de representação, de raciocínio que são levadas em consideração, mas o conjunto de vida afetiva e a vontade do indivíduo. A aprendizagem é também observada nas suas relações com a atenção, a motivação, as atitudes, as opiniões e os projetos (BANDURA, 2004). Ou seja, as pessoas podem aprender quando observam o que acontece com os outros e quando ouvem alguma coisa, tanto quanto pela experiência.

A aprendizagem social é adquirida por meio da análise da conduta de outra pessoa. Portanto, a aprendizagem por imitação ou observação consiste em utilizar a experiência de outra pessoa, através da compreensão do comportamento da mesma e as suas conseqüências. Para isso, o indivíduo necessita ter algumas competências específicas, tais como atenção, retenção, reprodução e motivação, durante a preparação ou acompanhamento de programa de desenvolvimento.

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5. 3 APRENDIZAGEM INDIVIDUAL

Segundo Kim (1998), as teorias da aprendizagem individual são cruciais para a compreensão da aprendizagem organizacional. Para Nonaka (1997) o conhecimento novo sempre começa no indivíduo. Por exemplo, a intuição de um gerente em relação às tendências do mercado torna-se importante para o desenvolvimento de um novo produto, ou um operário pode surgir com uma idéia que inova um processo. Em cada um dos casos, o conhecimento pessoal do indivíduo é transformado em conhecimento organizacional, importante para toda a empresa.

Nonaka (1997) também ressalta que a confusão criada pelas inevitáveis discrepâncias de significado que ocorrem numa organização pode parecer um problema, mas, na realidade, isto pode ser uma fonte de novos conhecimentos. Para tanto, os gerentes precisam propiciar aos funcionários um ferramental que os ajude a extrair significado de sua própria experiência.

Kanter (1997) ressalta que a adaptação do indivíduo em um novo ambiente corporativo depende da habilidade do indivíduo de se auto-recriar através do aprendizado contínuo. Os indivíduos devem assumir mais responsabilidades pelo aprendizado ininterrupto.

5.3.1 Definição da Aprendizagem Individual

Kolb (1978) define aprendizagem como um processo em que o conhecimento é criado através da transformação da experiência. Dessa forma, a aprendizagem pode ser definida como o aumento da capacidade de alguém em tornar as ações eficazes (KIM, 1998). Para Gagné (1971) e Argyris e Schön (1996), a aprendizagem acontece quando novos conhecimentos são traduzidos em diferentes comportamentos que sejam replicáveis. Portanto, Gagné (1971) afirma que o processo de aprendizagem se realiza quando a

situação estimuladora35 afeta de tal maneira o aprendiz que o seu desempenho se modifica

ao entrar em contato com essa situação. Ou seja, a modificação de desempenho indica que a aprendizagem se realizou.

Segundo George (1973), a aprendizagem é definida como o processo de adaptação às circunstâncias mutáveis dos mecanismos de sucesso e fracasso envolvidos no mesmo.

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Segundo Gagné (1971), situação estimuladora é a soma dos fatores que estimulam os órgãos dos sentidos da pessoa que aprende.

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Esse mesmo autor afirma que, sem armazenar a informação adquirida de um processo

adaptativo36 em ação, a aprendizagem não é possível.

Gagné (1971) afirma que os fatores que atuam na aprendizagem são determinados principalmente por acontecimentos que pertencem ao meio ambiente do indivíduo. Isto significa que a experiência é importante. Esse autor afirma que os acontecimentos vividos pelos indivíduos, em sua casa, meio geográfico, escola e em seus vários ambientes sociais determinam o que ele vai aprender e, também, em grande parte, a espécie de pessoa que se tornará. Da mesma forma, Richter (1998) reconhece a linguagem e a ação como um fator importante no processo de aprendizagem do indivíduo. Segundo o mesmo autor, as pessoas agem de acordo com o próprio ambiente em que estão inseridas e por isso, é preciso conhecer o contexto empresarial e social em que elas operam.

Segundo Hilgard (1966), a aprendizagem é o processo pelo qual uma atividade tem origem ou é modificada pela reação a uma situação encontrada. Esse mesmo autor ressalta que a característica de mudança da atividade não pode ser explicada por tendência inata de resposta, maturação ou estado temporário do organismo, por exemplo, fadiga, drogas, etc. Em suma, pode-se afirmar que o processo de aprendizagem tem como características:

a) Consiste em uma mudança através de um novo conhecimento; b) Resulta na transformação através da experiência;

c) Depende do contexto e da interação social; d) Resulta em melhoria da performance.

Adota-se, neste trabalho, a aprendizagem como uma mudança de comportamento através de um novo conhecimento ou resultado da experiência por meio da interação social, ocasionando uma melhoria no desempenho.

No próximo item apresentam-se duas contribuições importantes sobre aprendizagem individual, o modelo de aprendizagem vivencial de Kolb e a teoria da aprendizagem de Vygotsky.

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Segundo George (1973), esse processo adaptativo está ligado ao resultado das transações entre o organismo e o meio- ambiente.

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5.3.2 O Modelo de Aprendizagem Vivencial de Kolb

Kolb (1978) desenvolveu seu modelo de aprendizagem a partir do processo de como o homem gera, através de sua experiência, conceitos, regras e princípios que guiam o seu comportamento em novas situações e de como ele modifica esses conceitos a fim de aumentar seu desempenho de forma geral.

Clark (2002) afirma que Kolb desenvolveu o modelo de aprendizagem vivencial (ver figura 22) a partir dos trabalhos de John Dewey, que enfatiza a necessidade da aprendizagem estar fundamentada na experiência; de Kurt Lewin que enfatiza a importância do indivíduo como ser ativo na aprendizagem; e na teoria de Piaget sobre a inteligência como resultado da interação do indivíduo e o ambiente

Teste das Implicações dos Conceitos em Novas Situações Formação de Conceitos Abstratos e Generalizações Experiência Concreta Observações e Reflexões Teste das Implicações dos Conceitos em Novas Situações Formação de Conceitos Abstratos e Generalizações Experiência Concreta Observações e Reflexões

Figura 22 – Ciclo vivencial de Kolb (1978)

No modelo de aprendizagem vivencial, a experiência concreta imediata é a base da observação e da reflexão. Os conhecimentos são assimilados na forma de uma teoria a partir da qual se podem deduzir novas implicações para a ação. Tais implicações ou hipóteses servem então de guias durante a ação para criar novas experiências. Segundo Kolb (1997), o que se aprende deve ser refletido no que se faz.

Assim, o processo de aprendizagem tem um caráter cíclico e passa pelas seguintes etapas: a experiência concreta seguida por observação e reflexão, que levam à formação de conceitos abstratos e generalizações, que, por sua vez, levam a hipóteses a serem testadas em ações futuras, as quais levarão a novas experiências (KOLB, 1978).

A experiência concreta, pode-se aferir, é um recurso importante para aprendizagem (HOLMAN; PAVLICA; THORPE, 1997). Seu significado é visível e, em geral, decifrável. A

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pessoa sente o que há em torno dela (KOLB, 1978). Ocorre quando a pessoa depara-se com uma nova experiência concreta e interage em termos de novos sentimentos, observações e reações (KOLB, 1978).

A observação e reflexão envolvem a busca e a organização de informações, sendo assim o processo que transforma o significado da experiência concreta e aprende-se com esse (HOLMAN; PAVLICA; THORPE, 1997). Essa é a forma como o indivíduo observa a nova situação, coleta informações, agrupa-as e usa seu pensamento crítico (KOLB, 1978).

A formação de conceitos se dá através da compreensão de como a ordem é introduzida e os modelos e esquemas são construídos (HOLMAN; PAVLICA; THORPE, 1997).

O processo transformativo é inerente à ação que acontece na experiência aprendida (HOLMAN; PAVLICA; THORPE, 1997). Esses mesmos autores afirmam que o indivíduo busca e explora oportunidades, define metas e objetivos, realiza tomada de decisão, compromete-se com objetivos e assume riscos.

Kolb (1997) afirma que o modelo de aprendizagem proposto é útil não só para examinar o processo educacional, como também para entender o processo gerencial de resolução de problemas e a adaptação organizacional. O modelo de Kolb aborda uma corrente de aprendizado baseada na experiência, com um enfoque individual.

Swieringa e Wierdsma (1995) apontam como contribuição do ciclo de Kolb a compreensão da aprendizagem orientada por meio da ação e da aprendizagem orientada à resolução de problemas. Aprender através de problemas é tanto um estímulo quanto um meio de aprender, porque trabalha com atividades cotidianas como um dos processos de aprendizagem. Neste caso, o problema representa o motivo e ao mesmo tempo o meio para a aprendizagem.

Segundo Clark (2002), é importante ressaltar que a aprendizagem pode ocorrer a partir dos quatro quadrantes. Esse mesmo autor sugere que o ideal em um treinamento é incluir cada uma das etapas. Por exemplo, o ciclo pode começar com uma experiência concreta. Depois, o indivíduo reflete, sobre essa experiência, procurando o significado. Então, aplica este significado para formar uma conclusão lógica e, finalmente, experimenta com problema similar, o que resulta em uma nova experiência concreta. O ciclo de aprendizagem pode começar novamente devido à experiência nova e diferente (CLARK, 2002).

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5.3.3 Teoria da Aprendizagem de Vygotsky

Para Vygotsky (1984) a aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes e valores, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente e as outras pessoas.

Segundo Vygotsky (1984) o aprendizado do indivíduo é decorrente da sua interação com o ambiente. É o aprendizado que possibilita o despertar do desenvolvimento através do contato do individuo com o ambiente cultural (VYGOTSKY, 1984).

Essa mediação entre o mundo real e o indivíduo é realizada pelo significado das palavras. O significado de uma palavra representa uma linha tênue tão estreita do pensamento e da linguagem que fica difícil dizer se é um fenômeno da fala ou do pensamento (VYGOTSKY, 1995). Portanto, o significado das palavras é um processo dinâmico que sofre alterações, refinamentos, ao longo do tempo, resultante das relações dos indivíduos com o mundo social em que vivem. Para Vygotsky (1995) o aprendizado envolve a interação com outras pessoas e a reconstrução pessoal da experiência e dos significados.

5.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este capítulo apresentou uma discussão sobre as principais teorias de aprendizagem que fundamentam o modelo proposto de desenvolvimento de competências e aprendizagem organizacional. O processo de aprendizagem gera as condições necessárias para a apropriação e internalização de conhecimentos e habilidades, ampliando o repertório de respostas e de maneiras de ser e agir (competências) associadas a novos princípios e práticas de gestão. Neste trabalho o desenvolvimento de competências e a aprendizagem organizacional está associada à resolução de problemas reais dentro do contexto organizacional.

No capítulo seguinte discute-se sobre a Aprendizagem baseada em problemas – ABP, que, segundo Wood (2003), é uma abordagem eficaz utilizada na educação médica, A mesma autora afirma que é um programa coerente e integrado, oferecendo diversas vantagens sobre o método tradicional de ensino. Está baseado nos princípios da teoria de aprendizagem dos adultos, que tem mecanismos para a motivação dos estudantes, encorajando-os em seus próprios objetivos de aprendizagem e determinado-lhes um papel na decisão do que afeta seu próprio aprendizado.

CAPÍTULO SEIS

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS – ABP

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria

produção ou a sua construção. – PAULO FREIRE

Este capítulo discute a abordagem da Aprendizagem Baseada em Problemas – ABP. Inicialmente, apresenta-se seu histórico, de forma sucinta, seguido da sua definição. Em seguida, suas características e elementos fundamentais da aprendizagem são descritos, incluindo a organização do processo de aprendizagem na ABP. Além disso, são apontados os fatores críticos dessa abordagem. Por fim, de forma sucinta, apresenta-se à potencial contribuição dessa abordagem para a formação do engenheiro civil.