Vamos conhecer as contribuições de melhorias e outros tipos de tributos.
a) A Contribuição de Melhoria
É o tributo cuja obrigação tem como fato gerador a valorização de imóvel de particular em decorrência da realização de obra pública.
A contribuição de melhoria se distingue do imposto porque o fato gerador de um imposto não pressupõe qualquer retribuição direta do Estado.
Distingue-se também da taxa, pois a taxa está ligada à prestação permanente de um serviço público, enquanto a cobrança da contribuição de melhoria se associa à valorização imobiliária efetivamente gerada pela realização de uma obra pública.
b) Outras Contribuições
Além da contribuição de melhoria, há ainda três tipos de contribuições com finalidade constitucionalmente definida na CF/88 arts. 146, III, 149, 150 I e III e 195 § 6o (MACHADO, 2000):
• as contribuições de intervenção no domínio econômico;
• as contribuições de interesse de categorias econômicas ou profissionais; e
• as contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social.
Essas contribuições não possuem a função expressa de suprir o Tesouro Nacional de recursos financeiros, daí dizer-se que elas possuem natureza parafiscal, algumas, e extrafiscal, outras.
• Contribuições de intervenção no domínio econômico
A finalidade da intervenção no domínio econômico caracteriza essa espécie de contribuição como tributo de função nitidamente extrafiscal, pois tem como objetivo induzir os agentes econômicos a incorporar a preocupação com os interesses sociais em suas ações individuais.
A contribuição
Finanças e gestão tributária
Os recursos arrecadados pela cobrança da contribuição de intervenção sobre o domínio econômico aplicada nos combustíveis destinam-se a custear o desenvolvimento de produtos e processos poupadores de combustíveis, investimentos em melhorias das estradas e redução da poluição ambiental, por exemplo.
Dentre as mais importantes contribuições de intervenção sobre o domínio econômico podem ser listadas:
– Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE, incidente sobre a importação de petróleo, gás natural e álcool combustível;
– Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE, sobre o consumo de Combustíveis;
– Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE, sobre remessas para o exterior;
– Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública;
– Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – CONDECINE.
• Contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas São contribuições que objetivam atender a determinadas categorias profissionais ou econômicas, vinculando sua arrecadação às entidades que as instituíram, não sendo computadas pelo Orçamento da União.
Essas contribuições são destinadas ao custeio das organizações de interesse de grupos profissionais, como, por exemplo: OAB, CREA, CRM, entre outras.
Visam também ao custeio dos serviços sociais autônomos prestados no interesse das categorias, como SESI, SESC e SENAI, mas que não integram o Sistema de Financiamento da Seguridade Social.
Deve-se fazer ainda uma distinção entre a contribuição confederativa e a contribuição sindical:
– A contribuição confederativa não é tributo, pois é instituída pela assembleia geral da categoria profissional e não por lei.
A Divisão Tributária Capítulo 2
• Contribuições para a Seguridade Social
A competência da instituição das contribuições de seguridade social é da União Federal, mas só quem as pode arrecadar é a pessoa, necessariamente distinta da União em virtude do disposto no art. 194, parágrafo único, inciso VII da CF/88.
Com isso, temos as contribuições para a Seguridade Social dos empregadores domésticos, dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro e as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.
São exemplos de contribuições da seguridade social: o FGTS, o PASEP, o PIS, a CSL e a CPMF. É importante ressaltar, contudo, que há outras, como é o caso do salário-educação, da contribuição parafiscal administrada pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (“FNDE”) e das contribuições destinadas a entidades privadas (sistema “S” – SENAI, SENAC, SESC, SESI, SEBRAE).
Atividade de Estudos:
A CPMF ou Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transferência de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (“CPMF”), também conhecida como “imposto sobre o cheque”, é um tributo que vem sendo instituído e revogado desde 1996, tendo sido criado para financiar a saúde, um dos elementos da Seguridade Social.
A alternância entre a sua instituição e revogação revela a importância da participação da sociedade no processo político que envolve as questões tributárias.
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Finanças e gestão tributária
c) Os Empréstimos Compulsórios
O artigo 148 da CF/88 ainda prevê a possibilidade de a União instituir empréstimos compulsórios, nas seguintes hipóteses:
– para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; ou
– no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.
Dispõe, também, que a aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.
No caso de guerra externa a União poderá instituir empréstimo compulsório, conforme citado no art. 148, I da CF/88, e impostos extraordinários, os quais serão suprimidos gradativamente, cessadas as causas de sua criação, como disposto no art. 154, II.
As diferenças entre o empréstimo compulsório e o imposto extraordinário são:
O Empréstimo Compulsório deve ser instituído por lei complementar e ocorre para atender a despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência ou no caso de investimento publico de caráter urgente e de relevante interesse nacional.
O Imposto Extraordinário pode ser instituído por lei ordinária e ocorre na iminência ou no caso de guerra externa.
Algumas Considerações
Enquanto que no Capítulo I foi adotada uma análise baseada em critérios econômicos, este capítulo destacou as diferenças conceituais e práticas entre as modalidades de tributos sob a ótica da legislação, podendo ser observado o rigor jurídico empregado na definição e na classificação dos tributos, a fim de que os cidadãos e o Estado possuam o exato conhecimento dos seus direitos e deveres em matéria tributária.
A Divisão Tributária Capítulo 2
No próximo capítulo será estudada a classificação quanto à competência impositiva, isto é, os tributos federais, estaduais e municipais.
Com isso poderemos compreender a importância das três esferas de governo em dimensionar de maneira conjunta o volume de recursos tributados para o atendimento das necessidades da população no contexto do crescimento local, estadual, regional e nacional.
Do ponto de vista prático o objetivo é o de podermos estabelecer os limites da participação dos governos federal e estadual no conjunto dos investimentos e custeio do governo local.
Para finalizar, agora que já sabemos um pouco mais sobre os tributos, que tal visualizar a lista de todos os tributos atualmente vigentes em nosso país, na qual estão incluídos os mencionados na CF/88, no CTN e os que foram introduzidos por meio de outros instrumentos legais? Para ver a lista, vá ao endereço:
http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88). Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 22 dez. 2011.
BRASIL. Lei no 5.172, de 25 de Outubro de 1966 (CTN). Dispõe sobre o
Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/L5172.htm>. Acesso em: 22 dez. 2011.
MACHADO, H. B. Curso de Direito Tributário. 18 ed. São Paulo: Malheiros, 2000.
PORTAL TRIBUTÁRIO. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br>.
Acesso em: 22 dez. 2011.
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