A repartição de receitas tributárias ou de transferências entre governos tem por objetivo corrigir desequilíbrios existentes em qualquer federação.
Os desequilíbrios assumem duas características: verticais e horizontais:
• desequilíbrios verticais refletem a insuficiência de recursos disponíveis para os municípios, decorrente da competência tributária, e a sua responsabilidade do gasto público.
• desequilíbrios horizontais refletem as divergências inter-regionais de renda. Regiões cuja base econômica é mais desenvolvida possuem maior arrecadação, que deve ser parcialmente repassada para regiões menos desenvolvidas.
No Brasil, as transferências podem ser classificadas em: constitucionais;
legais e voluntárias.
a) Transferências Constitucionais O somatório das
receitas tributárias municipais próprias não é suficiente para garantir a autonomia
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As transferências constitucionais são aquelas expressamente previstas na CF/88, que obrigam a União e os Estados a efetuar repasses parciais de determinados tributos.
As transferências constitucionais podem ser subdivididas em:
– transferências diretas - repasse de parte da arrecadação para determinado governo, ou
– transferências indiretas - mediante a formação de fundos especiais.
• Transferências Constitucionais Diretas
A CF/88 define os critérios aplicáveis às transferências constitucionais diretas da seguinte maneira:
a) pertence aos Estados e aos Municípios o total da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre rendimentos pagos a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem (art. 158, I);
b) pertencem aos Municípios 50% da arrecadação do Imposto Territorial Rural, relativo aos imóveis neles situados (art. 158, II);
c) pertencem aos Municípios 50% da arrecadação do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores licenciados em seus territórios (art. 158, II);
d) pertencem aos Municípios 25% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias, sendo 75%, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações realizadas em seus territórios e até 1/4 de acordo com a Lei Estadual (art. 158, IV, e parágrafo único);
e) O IOF - Ouro (como ativo financeiro e não, por exemplo, quando usado como matéria-prima de uma mercadoria) será transferido no montante de 30% para o estado de origem e no montante de 70% para o município de origem (art.
153, §5º, I e II).
Finanças e gestão tributária
• Transferências Constitucionais Indiretas
Os fundos constituídos para a realização das transferências indiretas têm como base a arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre a Renda (IR).
FPE – Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal: composto por 21,5% da arrecadação do IPI e do IR, distribuídos de acordo com a população e a área e inversamente proporcional à renda per capita do ente federativo;
FPM – Fundo de Participação dos Municípios: composto por 22,5% da arrecadação do IPI e do IR, distribuídos na razão direta da participação da população, sendo 10% do fundo reservados para os Municípios das Capitais;
FPEx – Fundo de Compensação de Exportações: constituído por 10% da arrecadação total do IPI. É distribuído aos Estados, na razão direta do valor das exportações de produtos industrializados, sendo a participação individual limitada a 20% do total do fundo;
Fundos Regionais (FNO, FCO e FNE): totalizando 3% da arrecadação do IPI e do IR para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, através de instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semiárido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região, na forma que a lei estabelecer. (art. 159, I, a, b, c).
A título de ilustração, apresentam-se a seguir os percentuais da distribuição regional dos valores repassados aos estados e municípios pelos respectivos fundos constitucionais:
FPE
O Fundo de Participação dos Estados destina 85% de seus recursos às Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e 15% às Regiões Sul e Sudeste. Cada Estado ou Município recebe as dotações de acordo com sua área geográfica e sua população e em razão inversa de sua renda per capita.
A participação de cada região no FPE é a seguinte:
Região Norte (25,37%) Região Nordeste (52,46%)
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Região Centro-Oeste (7,17%) Região Sudeste (8,48%) Região Sul (6,52%)
FPM
O Fundo de Participação dos Municípios fornece 10% de seus recursos aos Municípios de Capitais de Estados, 86,4% aos Municípios do Interior e 3,6% aos Municípios com mais de 156 mil habitantes.
No caso do FPM, a distribuição é dada da seguinte forma:
Região Norte (8,52%) Região Nordeste (35,30%) Região Centro-Oeste (7,46%) Região Sudeste (31,19%) Região Sul (17,54%)
Atividade de Estudos:
1) Qual a parcela que o Município recebe da arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR), arrecadado pela União, incidente sobre os imóveis localizados em seu território?
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2) Qual a parcela que o Município recebe da arrecadação do Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), arrecadado pelo respectivo Estado, incidente sobre os veículos licenciados em seu território?
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b) Transferências Legais
As transferências legais são regulamentadas em leis específicas.
Essas leis determinam a forma de habilitação, transferência, aplicação de valores e prestação de contas.
Há duas modalidades de transferências legais:
– sem especificação da finalidade da aplicação dos valores repassados;
– com especificação da finalidade da aplicação dos valores repassados.
• Transferência legal sem especificação da finalidade da aplicação dos valores repassados
Quando não há especificação da finalidade dos valores repassados, o município possui discricionariedade para definir a despesa correspondente ao recurso repassado pela União. Por exemplo, dos royalties do petróleo, que, conforme a Lei nº 7.435/1985, são repassados aos municípios, a título de indenização, 1% (um por cento) sobre o valor do óleo, do xisto betuminoso e do gás extraídos de suas respectivas áreas, onde se fizer a lavra do petróleo.
• Royalties do petróleo e do gás natural
Os royalties são uma compensação financeira devida a Estados, Distrito Federal e Municípios pelo resultado da exploração de petróleo, xisto betuminoso e gás natural, extraídos de bacia sedimentar terrestre e de plataforma continental pelas empresas concessionárias exploradoras. É uma remuneração feita mensalmente à sociedade pela exploração desses recursos, que são escassos e não-renováveis.
A Lei n.º 9.478, de 06/08/97, conhecida como Lei do Petróleo, estabeleceu em 10% a alíquota básica dos royalties. Essa alíquota pode, contudo, ser reduzida pela Agência Nacional do Petróleo – ANP, até um mínimo de 5%, tendo em conta os riscos geológicos, as expectativas de produção e outros fatores. Assim, a alíquota divide-se em duas parcelas: uma, fixa, de 5% da produção (valor mínimo) e outra, excedente aos 5%, representada pela diferença entre a alíquota básica e os 5% mínimos.
As transferências legais são regulamentadas em
leis específicas
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obrigatoriamente, do contrato de concessão firmado entre a ANP e as empresas exploradoras, nos termos da Lei n.º 9.478/1997 e do Decreto n.º 2.705/1998.
– Repasse aos beneficiários - A partir de 06/08/1998, os pagamentos dos royalties, que até então eram feitos diretamente aos beneficiários, passaram a ser efetuados à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que os repassa aos beneficiários por intermédio do Banco do Brasil.
• Transferência legal com especificação da finalidade da aplicação dos valores repassados
Na ocorrência de especificação da finalidade, os valores são repassados para acorrer a uma despesa específica. Nessa modalidade, o município deve se habilitar para receber recursos apenas uma vez e, a partir da habilitação, passa a ter o direito aos recursos federais, sem a necessidade de apresentação de documentos e tramitação de processos a cada pleito, como ocorre nas transferências voluntárias.
Esse mecanismo tem sido utilizado para repassar valores aos Municípios em substituição aos convênios nos casos de ações de grande interesse para o Governo.
Há duas formas de transferência legal cujos valores repassados estão vinculados a um fim específico: transferência automática e repasse fundo a fundo.
c) Transferência automática
A transferência automática consiste no repasse de valores financeiros sem a utilização de convênio, ajuste, acordo ou contrato, mediante depósito em conta-corrente específica, aberta em nome do beneficiário. Tal forma de transferência é utilizada nos seguintes casos:
• Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE
Consiste na transferência de valores financeiros da União destinados exclusivamente à aquisição de gêneros alimentícios para atendimento aos alunos da educação pré-escolar e do ensino fundamental matriculados em escolas públicas dos Estados, Distrito Federal e Municípios, ou em estabelecimentos mantidos pela União (Medida Provisória nº 1.979-24/2000, art. 1º).
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na educação pré-escolar e no ensino fundamental de cada um dos entes governamentais, a partir dos dados oficiais de matrículas obtidos no censo escolar, relativo ao ano anterior ao do atendimento. Esse repasse é realizado pelo Ministério da Educação. Excepcionalmente, a critério do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, poderão ser computados como parte da rede municipal os alunos matriculados em escolas qualificadas como entidades filantrópicas ou por elas mantidas (Medida Provisória nº 1.979-24/2000, art. 1º).
A transferência de valores financeiros para a execução descentralizada do PNAE é feita automaticamente pela Secretaria-Executiva do FNDE, sem necessidade de convênio, ajuste, acordo ou contrato, diretamente para as entidades executoras responsáveis pelo recebimento e execução dos valores financeiros, em conta única e específica para o programa, aberta pelo FNDE, no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal (Medida Provisória nº 1.979-24/2000, art. 2º, Resolução FNDE nº 15/2000, art. 10).
Os estados, o Distrito Federal e os municípios devem dispor de um Conselho de Alimentação Escolar – CAE - como órgão deliberativo, fiscalizador e de assessoramento, constituído por sete membros (com respectivos suplentes), para mandato de dois anos, não remunerado (podendo ser reconduzidos uma única vez), com a seguinte composição: um representante do Poder Executivo, indicado pelo chefe desse poder; um representante do Poder Legislativo, indicado pela respectiva mesa diretora; dois representantes dos professores, indicados pelo órgão de classe; dois representantes de pais de alunos, indicados pelos conselhos escolares, associações de pais e mestres ou entidades similares; e um representante de outro segmento da sociedade local (Medida Provisória nº 1.979-24/2000, art. 3º).
• Compensações Financeiras (participação no resultado da exploração de recursos minerais)
Foram estabelecidas pela CF/88, conforme o disposto no § 1º do art. 20, assegurando aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.
Os repasses da Compensação Financeira não podem ser aplicados no pagamento de dívida e no quadro permanente de pessoal (o art. 8º da Lei nº
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• Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível – CIDE está prevista no art. 177, § 4º, da CF/88, tendo sido regulamentada pela Lei n.º 10.336/2001.
• Aplicação dos recursos da CIDE
Nos termos do da Lei n.º 10.336/2001, art. 1º, § 1º, o produto da arrecadação da CIDE será destinado, na forma da lei orçamentária, ao:
I. pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo;
II. financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás;
III. financiamento de programas de infraestrutura de transportes.
Vê-se, portanto, que os valores da CIDE que são repassados se caracterizam como transferência legal com finalidade específica e transferência automática.
• Critérios de distribuição da CIDE aos municípios
Os repasses efetuados pela União aos Estados e ao Distrito Federal ocorrem a cada trimestre, até o oitavo dia útil do mês subsequente ao do encerramento de cada trimestre, mediante crédito em conta vinculada aberta para essa finalidade no Banco do Brasil S.A. ou outra instituição financeira que venha a ser indicada pelo Poder Executivo Federal, observando-se os seguintes critérios, nos termos do art. 1º A, § 2º, da Lei n.º 10.336/2001:
I. 40% proporcionalmente à extensão da malha viária federal e estadual pavimentada existente em cada Estado e no Distrito Federal, conforme estatísticas elaboradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT;
II. 30% proporcionalmente ao consumo, em cada Estado e no Distrito Federal, dos combustíveis sobre os quais a CIDE é calculada, conforme estatísticas elaboradas pela Agência Nacional de Petróleo - ANP;
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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE;
IV. 10% distribuídos em parcelas iguais entre os Estados e o Distrito Federal.
Do montante dos valores da CIDE que cabem a cada Estado, 25% (vinte e cinco por cento) serão destinados aos seus Municípios para serem aplicados no financiamento de programas de infraestrutura de transportes.
Enquanto não for sancionada a Lei Federal a que se refere o art. 159, § 4º, da CF/88, a distribuição entre os Municípios observará os seguintes critérios, nos termos da Lei n.º 10.336/2001, art. 1º B, § 1º, com a redação dada pela Lei n.º 10.866/2004:
I. 50% proporcionalmente aos mesmos critérios previstos na regulamentação da distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios - FPM; e II. 50% proporcionalmente à população apurada pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.
d) Transferência fundo a fundo
A transferência fundo a fundo consiste no repasse de valores diretamente de fundos da esfera federal para fundos da esfera estadual, municipal ou do Distrito Federal, dispensando a celebração de convênios. Tais transferências são utilizadas em programas na área da saúde e da assistência social.
• Sistema Único de Saúde – SUS
Instituído pela CF/88 e regulamentado pelas Leis n° 8.080/1990 e n°
8.142/1990 (Leis Orgânicas da Saúde), compreende todas as ações e serviços de saúde estatais das esferas federal, estadual, municipal e do Distrito Federal, bem como os serviços privados de saúde contratados ou conveniados.
O SUS tem por objetivo proporcionar acesso universal, igualitário e integral à saúde para a população brasileira. Como meio de atingir esse propósito, o SUS rege-se pelos princípios da participação da comunidade, da existência de rede de serviços hierarquizada e regionalizada e da descentralização.
A definição das competências das três esferas de governo no SUS está definida na CF/88, nas Leis Orgânicas da Saúde e nas Normas Operacionais
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principalmente, as competências relacionadas à fiscalização financeira a cargo dos diversos agentes do sistema.
Compete aos municípios suplementar a legislação federal e a estadual no que couber e prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e dos estados, serviços de atendimento à saúde da população. Além de prestar os serviços e executar as políticas de saúde, os municípios devem planejar, organizar, controlar e avaliar o sistema de saúde em seu território e participar do planejamento regional, em articulação com a direção estadual do SUS (CF/88, art.
30, incisos II e VII e Lei nº 8.080/1990, art. 18).
Existem diversas instâncias consultivas e deliberativas colegiadas no SUS, nas quais gestores, especialistas e representantes dos usuários participam do planejamento e da tomada de decisão. Entre elas destacam-se o Conselho Nacional de Saúde – CNS e os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde (Lei nº 8.080/1990, arts. 36 e 37 e Lei nº 8.142/1990, art. 1º).
• Financiamento do SUS
O Sistema Único de Saúde é financiado com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes (CF/88, arts. 195 e 198 e Lei n° 8.080/1990, arts. 31 e 32).
A descentralização de recursos no âmbito da área de saúde é concretizada principalmente mediante convênios, contratos de repasse e repasse fundo a fundo para financiamento das ações e serviços de saúde.
São repassados valores especialmente destinados para o financiamento do atendimento hospitalar, do atendimento ambulatorial, e da atenção básica à saúde. Esta última é subdivida em seis ações específicas: Programa de Saúde da Família - PSF; Programa de Agentes Comunitários de Saúde - PACS;
Farmácia Básica - PAFB, Epidemiologia e Controle de Doenças - PECD; Incentivo às Ações de Combate às Carências Nutricionais – ICCN e Incentivo às Ações Básicas de Vigilância Sanitária. Cada uma dessas ações obedece a uma série de regulamentos relacionados à sua aplicação, controle e prestação de contas.
Para se habilitarem, os estados, o Distrito Federal e os municípios devem
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apresentar plano de saúde, comprovar o funcionamento do fundo de saúde e demonstrar capacidade técnica, administrativa e material para o exercício de suas responsabilidades e prerrogativas.
• Mecanismos de repasse fundo a fundo no SUS
No repasse automático e regular fundo a fundo, os valores são transferidos diretamente do Fundo Nacional de Saúde aos fundos do estado, do Distrito Federal e do município.
O depósito é feito em contas individualizadas, isto é, específicas dos fundos, e realizado previamente à sua utilização pelo fundo beneficiário. A aplicação dos valores deve ser realizada conforme o disposto no plano de saúde do estado, Distrito Federal ou município.
d) Transferências Voluntárias
As transferências voluntárias são definidas no art. 25 da Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF), como a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou recursos destinados ao Sistema Único de Saúde.
Há dois instrumentos para a operacionalização das transferências voluntárias:
convênio e contrato de repasse. A diferença entre as duas modalidades reside no fato de que, no convênio, os valores são transferidos diretamente da União para o município, enquanto que no contrato de repasse há a intermediação de um banco oficial.
Atividade de Estudos:
1) O que são transferências constitucionais diretas?
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2) O que são transferências legais automáticas?
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3) O que são transferências voluntárias?
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• Convênio
O convênio é um acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que discipline a transferência de valores financeiros de dotações consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e tenha como partícipe, de um lado, órgão ou entidade da administração pública federal, direta ou indireta, e, de outro lado, órgão ou entidade da administração pública estadual, distrital ou municipal, direta ou indireta, ou ainda, entidades privadas sem fins lucrativos, visando à execução de programa de governo, envolvendo a realização de projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação (ver art. 116 da Lei nº 8666/1993).
• Contrato de repasse
O contrato de repasse é o instrumento utilizado para a transferência de valores da União para estados, Distrito Federal ou municípios, por intermédio de instituições ou agências financeiras oficiais federais, destinados à execução de programas governamentais.
Nessa situação, as agências financeiras oficiais atuam como mandatárias da União para execução e fiscalização das transferências de valores da União, a
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Para operacionalizar esse instrumento, o Ministério concedente firma termo de cooperação com a instituição ou agência financeira oficial federal escolhida, que passa a atuar como mandatária da União.
A partir da formalização do termo de cooperação, a transferência dos valores será efetuada mediante contrato de repasse, do qual constarão os direitos e obrigações das partes, inclusive quanto à obrigatoriedade de prestação de contas perante o Ministério competente para a execução do programa ou projeto.
Esse instrumento vem sendo utilizado pelo Governo Federal predominantemente para execução de programas sociais nas áreas de habitação, saneamento e infraestrutura urbana, esporte, bem como nos programas relacionados à agricultura.
As normas aplicáveis aos convênios aplicam-se, no que couber, aos contratos de repasse (Instrução Normativa - IN 01/97 – STN, art. 39, parágrafo único).
• Procedimentos para a solicitação de transferências voluntárias
Atendidas as condições e exigências legais para que o Município esteja apto a receber recursos federais por meio de transferências voluntárias, o Município deve iniciar os procedimentos gerais para a solicitação das transferências.
Observe-se que cada programa pode ter normas específicas definidas pelos respectivos Ministérios.
Se o município for contemplado no Orçamento Geral da União, o órgão ou entidade municipal deve elaborar um plano de trabalho ou de atendimento, conforme o caso, e apresentá-lo na sede do órgão federal descentralizador dos recursos.
Se o Município não estiver explicitamente incluído no Orçamento Geral da União, o órgão ou entidade municipal deve proceder da seguinte maneira:
I - avaliar suas necessidades nas diversas áreas, tais como saúde, educação, cultura, infraestrutura, saneamento, etc;
II - verificar quais projetos, atividades ou eventos podem ser implementados no
II - verificar quais projetos, atividades ou eventos podem ser implementados no