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Princípios do Sistema Tributário Nacional

No documento FINANÇAS E GESTÃO TRIBUTÁRIA (páginas 31-37)

Os Princípios do Sistema Tributário Nacional tratam das regras jurídicas de subordinação dos contribuintes com relação ao Estado quanto às obrigações tributárias. Tratam também das regras que se referem à observância dos limites do Estado quanto ao seu poder de tributar.

Princípios do Sistema Tributário Nacional

Os Princípios do Sistema Tributário Nacional se subordinam à Constituição Federal de 1988 (CF/88), conforme ilustrado nas duas situações a seguir apresentadas:

Situação 1

Considere a realização de um contrato entre dois cidadãos, envolvendo os seus interesses privados (compra e venda de um automóvel, por exemplo). Neste caso as partes, conforme as suas vontades, poderão estabelecer o preço, a forma e o prazo de pagamento, a entrega do automóvel, e outras condições, mediante a assinatura de um contrato.

Nesta situação a existência de regras jurídicas funciona como:

garantia na relação entre as partes privadas.

Finanças e gestão tributária

Situação 2

Considere agora a obrigação de pagarmos os tributos ao Estado.

Caso não haja formalmente uma imposição legal nos obrigando a fazê-lo, podemos deixar de pagá-los, seja porque não concordemos com o valor a ser pago, seu pagamento, e outras condições.

Nesta situação a existência de regras jurídicas funciona como:

garantia na relação entre a sociedade e o Estado.

Nas duas situações mencionadas, as regras aplicadas às relações contratuais entre cidadãos e entre cidadãos e o Estado são subordinadas à CF/88.

A Constituição de um país - chamada Lei Maior ou Carta Magna - é o conjunto de Princípios sobre a organização do Estado, sobre a relação do governo com a sociedade e sobre direitos e deveres recíprocos entre os cidadãos.

A CF/88 dispõe sobre os seguintes Princípios Constitucionais:

Princípios Fundamentais do Estado

República, Federação,

Separação de Poderes e Estado Democrático de Direito.

Princípios Gerais

Legalidade, Isonomia, Liberdade,

Dignidade, dentre outros.

Princípios da Administração Pública

Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade,

Eficiência, dentre outros.

A Divisão Tributária Capítulo 2

No Brasil, os dois principais diplomas legais que, de forma estruturada, tratam do Sistema Tributário Nacional são a Lei no 5.172/66, denominada de Código Tributário Nacional (CTN), e a CF/88. A CF/88, de hierarquia mais elevada, previu a criação de impostos não constantes do CTN e mudou em muitos aspectos os impostos existentes.

Os Princípios do Sistema Tributário Nacional, descritos nos incisos do art.150 da CF/88, e que a ela se subordinam, são os seguintes:

a) O Princípio da Legalidade

O art. 150, no Inciso i da CF/88 dispõe: “[...] é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios exigir ou aumentar tributo sem que lei o estabeleça”.

O estabelecimento do conjunto de regras de tributação aprovadas por lei constitui um dos princípios do Sistema Tributário: o Princípio da Legalidade, ou seja, a garantia dada a todos os cidadãos de que os atos da Administração Pública somente serão válidos se respaldados em lei, assim evitando o abuso de poder por parte do Estado.

Admite-se que medidas provisórias operem nesse sentido, mas este instrumento é legislativamente fraco, porque fica na dependência de aprovação pelo Congresso no prazo de 30 dias. Deve-se notar, ainda, que a CF/88 permite que determinados impostos tenham as alíquotas alteradas por decreto, o que representa um enfraquecimento ao princípio. (MACHADO, 2000).

b) O Princípio da Anterioridade

o Art. 150, inciso III, alínea b) dispõe que: “Cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.”

Uma lei instituindo ou alterando um tributo, ao entrar em vigor, tem sua eficácia suspensa até o início do exercício financeiro seguinte, quando, então, produzirá todos os efeitos jurídicos.

O Princípio da

Finanças e gestão tributária

O tributo poderá ser criado mesmo depois de aprovada a lei orçamentária, portanto, até o último dia do ano. (MACHADO, 2000).

c) O Princípio da Igualdade

O Art. 145, parágrafo 1o da CF/88 dispõe que: “Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”.

O Sistema Tributário deve observar o princípio constitucional da igualdade, pelo qual todos são iguais perante a lei. É a garantia do tratamento igual dos que sejam iguais. (MACHADO, 2000).

d) O Princípio da Competência

Esteja atento para os seguintes Artigos: art. 153 e 154, para a União; art.155 para os Estados e Distrito Federal; art.156 – para os Municípios.

Cada ente tributante deve observar os limites da parcela de poder impositivo que lhe foi atribuída. Assim, a divisão das áreas dentro das quais a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir e cobrar tributos não permite a invasão de uns pelos outros. (MACHADO, 2000).

e) O Princípio da Capacidade de Pagamento

O Art. 145, parágrafo 1o da CF/88 dispõe que: “Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”.

O princípio da Capacidade de Pagamento estabelece a necessidade de graduação dos tributos segundo a capacidade de pagamento dos contribuintes.

A este princípio vincula-se a progressividade dos impostos (CF/88 art. 145 § 1o).

Esse princípio surge como uma decorrência do caput do art. 5o, que rege:

“Todos são iguais perante a lei”, devendo-se interpretar tal enunciado como tratar-se de forma desigual os desiguais. (MACHADO, 2000).

A Divisão Tributária Capítulo 2

f) O Princípio da Vedação do Confisco

De acordo com o art. 150, inciso IV da CF/88, “[...] é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco”.

O princípio da Vedação do Confisco exprime a noção de que a tributação não pode ser excessivamente onerosa, pois através dela o Estado obtém os meios financeiros para desempenhar suas atividades, e não para transformar em público o patrimônio ou a renda privada. (MACHADO, 2000).

g) O Princípio da Liberdade de Tráfego (de Pessoas ou Bens)

O princípio da Liberdade de Tráfego atende ao prescrito no art. 5o, XV da CF/88, que assegura a liberdade de locomoção no território nacional. O artigo 150, V da CF/88, veda a cobrança de tributos com a finalidade de limitar o tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais.

(MACHADO, 2000).

O quadro resumo, contendo as abordagens econômica e jurídica e os Princípios do Sistema Tributário Nacional, é apresentado a seguir:

Quadro 1 - As abordagens econômica e jurídica e os princípios do sistema tributário nacional

ABORDAGEM ECONÔMICA ABORDAGEM JURÍDICA

Princípios Teóricos de Tributação Princípios Constitucionais Princípio da Capacidade de

Pagamento

Princípios Fundamentais do Estado: República, Fede-ração, Separação de Poderes e Estado Democrático de Direito;

Princípios Gerais: Legalidade, Isonomia, Liberdade, Dignidade, dentre outros; e

Princípios da Administração Pública: Legalidade, Impes-soalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência, dentre outros.

Princípio do Benefício Recebido

Finanças e gestão tributária

Fonte: Extraído e adaptado da Constituição Federal de 1988.

Princípios do Sistema Tributário Nacional

a) Princípio da Legalidade – (CF/88, art. 150, I)

O estabelecimento do conjunto de regras de tributação aprovadas por lei constitui um dos princípios do Sistema Tributário: o Princípio da Legalidade (CF/88, art. 150, inc.

I), ou seja, a garantia dada a todos os cidadãos de que os atos da Administração Pública somente serão válidos se respaldados em lei, assim evitando o abuso de poder por parte do Estado.

b) Princípio da Anterioridade – (art. 150, III, b)

Uma lei instituindo ou alterando um tributo, ao entrar em vigor, tem sua eficácia suspensa até o início do exercício financeiro seguinte, quando, então, produzirá todos os efeitos jurídicos.

c) Princípio da Igualdade – (art. 145, § 1o da CF/88).

O Sistema Tributário deve observar o princípio constitucio-nal da igualdade, pelo qual todos são iguais perante a lei.

d) Princípio da Competência

Cada ente tributante deve observar os limites da parcela de poder impositivo que lhe foi atribuída. Assim, a divisão das áreas dentro das quais a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir e cobrar tributos não permite a invasão de uns pelos outros.

e) Princípio da Capacidade de Pagamento

Necessidade de graduação dos tributos segundo a capa-cidade de pagamento dos contribuintes. A este princípio vincula-se a progressividade dos impostos (CF/88 art. 145

§ 1o).

f) Princípio da Vedação do Confisco

A tributação não pode ser excessivamente onerosa, pois através dela o Estado obtém os meios financeiros para desempenhar suas atividades, e não para transformar em público o patrimônio ou a renda privada.

g) Princípio da Liberdade de Tráfego (de Pessoas ou Bens)

Este princípio atende ao prescrito no art. 5o, XV da CF/88, que assegura a liberdade de locomoção no território nacio-nal. O artigo 150, V da CF/88, veda a cobrança de tributos com a finalidade de limitar o tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais.

A Divisão Tributária Capítulo 2

No documento FINANÇAS E GESTÃO TRIBUTÁRIA (páginas 31-37)

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