Os Princípios do Sistema Tributário Nacional tratam das regras jurídicas de subordinação dos contribuintes com relação ao Estado quanto às obrigações tributárias. Tratam também das regras que se referem à observância dos limites do Estado quanto ao seu poder de tributar.
Princípios do Sistema Tributário Nacional
Os Princípios do Sistema Tributário Nacional se subordinam à Constituição Federal de 1988 (CF/88), conforme ilustrado nas duas situações a seguir apresentadas:
Situação 1
Considere a realização de um contrato entre dois cidadãos, envolvendo os seus interesses privados (compra e venda de um automóvel, por exemplo). Neste caso as partes, conforme as suas vontades, poderão estabelecer o preço, a forma e o prazo de pagamento, a entrega do automóvel, e outras condições, mediante a assinatura de um contrato.
Nesta situação a existência de regras jurídicas funciona como:
garantia na relação entre as partes privadas.
Finanças e gestão tributária
Situação 2
Considere agora a obrigação de pagarmos os tributos ao Estado.
Caso não haja formalmente uma imposição legal nos obrigando a fazê-lo, podemos deixar de pagá-los, seja porque não concordemos com o valor a ser pago, seu pagamento, e outras condições.
Nesta situação a existência de regras jurídicas funciona como:
garantia na relação entre a sociedade e o Estado.
Nas duas situações mencionadas, as regras aplicadas às relações contratuais entre cidadãos e entre cidadãos e o Estado são subordinadas à CF/88.
A Constituição de um país - chamada Lei Maior ou Carta Magna - é o conjunto de Princípios sobre a organização do Estado, sobre a relação do governo com a sociedade e sobre direitos e deveres recíprocos entre os cidadãos.
A CF/88 dispõe sobre os seguintes Princípios Constitucionais:
Princípios Fundamentais do Estado
República, Federação,
Separação de Poderes e Estado Democrático de Direito.
Princípios Gerais
Legalidade, Isonomia, Liberdade,
Dignidade, dentre outros.
Princípios da Administração Pública
Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade,
Eficiência, dentre outros.
A Divisão Tributária Capítulo 2
No Brasil, os dois principais diplomas legais que, de forma estruturada, tratam do Sistema Tributário Nacional são a Lei no 5.172/66, denominada de Código Tributário Nacional (CTN), e a CF/88. A CF/88, de hierarquia mais elevada, previu a criação de impostos não constantes do CTN e mudou em muitos aspectos os impostos existentes.
Os Princípios do Sistema Tributário Nacional, descritos nos incisos do art.150 da CF/88, e que a ela se subordinam, são os seguintes:
a) O Princípio da Legalidade
O art. 150, no Inciso i da CF/88 dispõe: “[...] é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios exigir ou aumentar tributo sem que lei o estabeleça”.
O estabelecimento do conjunto de regras de tributação aprovadas por lei constitui um dos princípios do Sistema Tributário: o Princípio da Legalidade, ou seja, a garantia dada a todos os cidadãos de que os atos da Administração Pública somente serão válidos se respaldados em lei, assim evitando o abuso de poder por parte do Estado.
Admite-se que medidas provisórias operem nesse sentido, mas este instrumento é legislativamente fraco, porque fica na dependência de aprovação pelo Congresso no prazo de 30 dias. Deve-se notar, ainda, que a CF/88 permite que determinados impostos tenham as alíquotas alteradas por decreto, o que representa um enfraquecimento ao princípio. (MACHADO, 2000).
b) O Princípio da Anterioridade
o Art. 150, inciso III, alínea b) dispõe que: “Cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.”
Uma lei instituindo ou alterando um tributo, ao entrar em vigor, tem sua eficácia suspensa até o início do exercício financeiro seguinte, quando, então, produzirá todos os efeitos jurídicos.
O Princípio da
Finanças e gestão tributária
O tributo poderá ser criado mesmo depois de aprovada a lei orçamentária, portanto, até o último dia do ano. (MACHADO, 2000).
c) O Princípio da Igualdade
O Art. 145, parágrafo 1o da CF/88 dispõe que: “Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”.
O Sistema Tributário deve observar o princípio constitucional da igualdade, pelo qual todos são iguais perante a lei. É a garantia do tratamento igual dos que sejam iguais. (MACHADO, 2000).
d) O Princípio da Competência
Esteja atento para os seguintes Artigos: art. 153 e 154, para a União; art.155 para os Estados e Distrito Federal; art.156 – para os Municípios.
Cada ente tributante deve observar os limites da parcela de poder impositivo que lhe foi atribuída. Assim, a divisão das áreas dentro das quais a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir e cobrar tributos não permite a invasão de uns pelos outros. (MACHADO, 2000).
e) O Princípio da Capacidade de Pagamento
O Art. 145, parágrafo 1o da CF/88 dispõe que: “Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”.
O princípio da Capacidade de Pagamento estabelece a necessidade de graduação dos tributos segundo a capacidade de pagamento dos contribuintes.
A este princípio vincula-se a progressividade dos impostos (CF/88 art. 145 § 1o).
Esse princípio surge como uma decorrência do caput do art. 5o, que rege:
“Todos são iguais perante a lei”, devendo-se interpretar tal enunciado como tratar-se de forma desigual os desiguais. (MACHADO, 2000).
A Divisão Tributária Capítulo 2
f) O Princípio da Vedação do Confisco
De acordo com o art. 150, inciso IV da CF/88, “[...] é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco”.
O princípio da Vedação do Confisco exprime a noção de que a tributação não pode ser excessivamente onerosa, pois através dela o Estado obtém os meios financeiros para desempenhar suas atividades, e não para transformar em público o patrimônio ou a renda privada. (MACHADO, 2000).
g) O Princípio da Liberdade de Tráfego (de Pessoas ou Bens)
O princípio da Liberdade de Tráfego atende ao prescrito no art. 5o, XV da CF/88, que assegura a liberdade de locomoção no território nacional. O artigo 150, V da CF/88, veda a cobrança de tributos com a finalidade de limitar o tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais.
(MACHADO, 2000).
O quadro resumo, contendo as abordagens econômica e jurídica e os Princípios do Sistema Tributário Nacional, é apresentado a seguir:
Quadro 1 - As abordagens econômica e jurídica e os princípios do sistema tributário nacional
ABORDAGEM ECONÔMICA ABORDAGEM JURÍDICA
Princípios Teóricos de Tributação Princípios Constitucionais Princípio da Capacidade de
Pagamento
Princípios Fundamentais do Estado: República, Fede-ração, Separação de Poderes e Estado Democrático de Direito;
Princípios Gerais: Legalidade, Isonomia, Liberdade, Dignidade, dentre outros; e
Princípios da Administração Pública: Legalidade, Impes-soalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência, dentre outros.
Princípio do Benefício Recebido
Finanças e gestão tributária
Fonte: Extraído e adaptado da Constituição Federal de 1988.
Princípios do Sistema Tributário Nacional
a) Princípio da Legalidade – (CF/88, art. 150, I)
O estabelecimento do conjunto de regras de tributação aprovadas por lei constitui um dos princípios do Sistema Tributário: o Princípio da Legalidade (CF/88, art. 150, inc.
I), ou seja, a garantia dada a todos os cidadãos de que os atos da Administração Pública somente serão válidos se respaldados em lei, assim evitando o abuso de poder por parte do Estado.
b) Princípio da Anterioridade – (art. 150, III, b)
Uma lei instituindo ou alterando um tributo, ao entrar em vigor, tem sua eficácia suspensa até o início do exercício financeiro seguinte, quando, então, produzirá todos os efeitos jurídicos.
c) Princípio da Igualdade – (art. 145, § 1o da CF/88).
O Sistema Tributário deve observar o princípio constitucio-nal da igualdade, pelo qual todos são iguais perante a lei.
d) Princípio da Competência
Cada ente tributante deve observar os limites da parcela de poder impositivo que lhe foi atribuída. Assim, a divisão das áreas dentro das quais a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir e cobrar tributos não permite a invasão de uns pelos outros.
e) Princípio da Capacidade de Pagamento
Necessidade de graduação dos tributos segundo a capa-cidade de pagamento dos contribuintes. A este princípio vincula-se a progressividade dos impostos (CF/88 art. 145
§ 1o).
f) Princípio da Vedação do Confisco
A tributação não pode ser excessivamente onerosa, pois através dela o Estado obtém os meios financeiros para desempenhar suas atividades, e não para transformar em público o patrimônio ou a renda privada.
g) Princípio da Liberdade de Tráfego (de Pessoas ou Bens)
Este princípio atende ao prescrito no art. 5o, XV da CF/88, que assegura a liberdade de locomoção no território nacio-nal. O artigo 150, V da CF/88, veda a cobrança de tributos com a finalidade de limitar o tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais.
A Divisão Tributária Capítulo 2