3 LEIS FEDERAIS BRASILEIRAS E PROJETOS DE LEI
3.3 As leis federais 13.140 de 2015 e 13.129 de 2015
A Lei Federal 13.140 de 2015, que trata sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da Administração Pública, incluiu no Decreto 70.235/1972, que trata sobre o Processo Administrativo no âmbito Federal, o artigo 14-A que dispõe o seguinte:
Art. 14-A. No caso de determinação e exigência de créditos tributários da União cujo sujeito passivo seja órgão ou entidade de direito público da administração pública federal, a submissão do litígio à composição extrajudicial pela Advocacia- Geral da União é considerada reclamação, para fins do disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.
Assim a norma em destaque dispõe sobre mais uma possibilidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por equiparação a uma reclamação administrativa, para a situação de exigência de créditos tributários da União cujo sujeito passivo seja órgão ou entidade de direito público da administração pública federal. Como se trata de norma geral de direito tributário, entretanto, parece que a lei ordinária não poderia fazer tal alteração (art.
146, III, b, da Constituição quando trata da necessidade de lei complementar para disciplinar sobre os aspectos do crédito tributário, inclusive hipóteses de sua suspensão).
Sabe-se que excepcionalmente os entes da adminitração pública podem entrar com ação de conhecimento, inclusive uns contra os outros:
[...] em casos excepcionais, a utilização da ação cognitiva pelo Poder Público, no caso, por exemplo, de demanda entre dois Estados-membros, ou entre Estado e a União, a ser processada perante o STF (CF/88, art. 102, I, f). Também podem ser apontados como exemplo os embargos a uma execução de sentença promovida pelo cidadão e a ação rescisória de uma sentença ou de um acórdão proferidos em ação de conhecimento anterior, movida pelo cidadão. Estes dois últimos exemplos, contudo, dizem respeito a ações de conhecimento que, conquanto autônomas, estão diretamente ligadas a ações de conhecimento anteriores, movidas pela iniciativa do contribuinte. Em qualquer caso, porém, são hipóteses nas quais a pretensão da Fazenda Pública não pode ser satisfeita com a fabricação, por ela própria, de um título executivo, e por isso mesmo são exceções que só confirmam a regra geral enunciada no texto mencionado. (MACHADO SEGUNDO, 2016, p. 11)
A Lei Federal 13.140 de 2016 dispõe sobre a autocomposição de conflitos em que for parte pessoa jurídica de direito público, no Capítulo II, dessa Lei. O caput do artigo 32 da Lei 13.140/16 dispõe que os entes federativos poderão criar e regulamentar câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos pelos órgãos da Advocacia Pública, elencando as suas competências, dentre as quais estão as de dirimir conflitos entre órgãos e entidades da administração pública e promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta e avaliar a admissibilidade de pedidos de resolução de conflitos, por meio de composição, no caso de controvérsia entre particular e pessoa jurídica de direito público, além da resolução de conflitos que envolvam equilíbrio econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração com particulares.
Entretanto, no artigo 38 afasta-se a possibilidade de aplicação do artigo 32, acima referido, à controvérsia jurídica relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) ou a créditos inscritos em dívida ativa da União. No caso de controvérsia jurídica entre órgãos ou entidades de direito público que integram a administração pública federal, em controvérsias jurídicas relativas a esses tributos federais administrados pela SRF, a submissão do conflito à composição extrajudicial pela Advocacia- Geral da União implica renúncia do direito de recorrer ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), além de que a redução ou o cancelamento do crédito dependerá de manifestação conjunta do Advogado-Geral da União e do Ministro de Estado da Fazenda.
A submissão dos conflitos será facultativa e de acordo com o que o regulamento de cada ente federativo dispuser, sendo que, enquanto não forem criadas as câmaras de mediação, os conflitos poderão ser dirimidos nos termos do procedimento de mediação
previsto nos artigos 24 a 29 da Lei acima referida. Estes artigos dispõem que os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, realizando sessões e audiências de conciliação e mediação, pré-processuais e processuais.
Logo, no processo administrativo, caso não haja as câmaras de prevenção e resolução administrativa criada pelo ente da federação, poderão ser utilizados esses centros judiciários de solução consensual de conflitos como espaço físico, aplicando alguns institutos determinados nos artigos 24 a 29 da Lei 13.140: os mediadores não estarão sujeitos à prévia aceitação das partes, salvo se houver suspeição ou impedimento da mesma forma que ocorreria a um magistrado; necessidade de advogado ou defensor público, salvo no caso dos Juizados Especiais das Leis 9.099/95 e a 10.259 de 2001; necessidade de conclusão da mediação em até sessenta dias, contados da primeira sessão, salvo em caso de prorrogação por ambas as partes; e, por óbvio, também que não serão devidas custas administrativas finais tal como não haveria custas judiciais (art. 29).
O acordo tornará título executivo extrajudicial por determinação legal (art. 32, §3), ficando ressalvada a possibilidade de acordo sobre o que não puder ser resolvido por atos ou concessões de direitos sujeitos a autorização legislativa.
O artigo 34 deve ser ressaltado individualmente, pela sua importância, pois através dele ocorrerá mais uma hipótese de suspensão da prescrição pela instauração de procedimento administrativo, quando o órgão ou entidade pública emitir juízo de admissibilidade, que retroagirá à data de formalização do pedido de resolução consensual do conflito, devendo observar o que dispõe o Código Tributário Nacional.
No artigo 35, ao dispor que as controvérsias jurídicas que envolvam a administração pública federal direta, suas autarquias e fundações poderão ser objeto de transação por adesão, com fundamento em autorização do Advogado-Geral da União, com base na jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal ou de tribunais superiores; ou no parecer do Advogado-Geral da União, aprovado pelo Presidente da República.
Os parágrafos do artigo 35 estabelecem ainda que os requisitos e as condições da transação por adesão serão definidos em resolução administrativa própria, que terá efeitos gerais e será aplicada aos casos idênticos, tempestivamente habilitados mediante pedido de adesão, ainda que solucione apenas parte da controvérsia. Ao fazer o pedido de adesão, o interessado deverá juntar prova de atendimento aos requisitos e às condições estabelecidas na resolução administrativa.
Os demais parágrafos do artigo 35 ainda estipulam de antemão que a adesão implicará renúncia do interessado ao direito sobre o qual se fundamenta a ação ou o recurso,
eventualmente pendentes, de natureza administrativa ou judicial, no que tange aos pontos compreendidos pelo objeto da resolução administrativa. Além disso, se o interessado for parte em processo judicial inaugurado em ação coletiva, a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta a ação deverá ser expressa, mediante petição dirigida ao juiz da causa.
Por fim, o último parágrafo do artigo 35 estabelece que a formalização de resolução administrativa destinada à transação por adesão não implica a renúncia tácita à prescrição nem sua interrupção ou suspensão. Tal requisito, entretanto, necessita de lei complementar para tratar desses aspectos, a exemplo do que ocorreu com a Súmula Vinculante 8 que declarou inconstitucionais o §único do art. 5º do Decreto-lei nº. 1.569/1977, e os arts. 45 e 46 da Lei Federal 8.212/1991, por terem tratado indevidamente de prescrição e decadência de crédito tributário.
Com relação à arbitragem, a Lei 13.129 de 2015, alterando a Lei 9.307 de 1996, previu expressamente a possibilidade de a administração pública direta e indireta poder se utilizar da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis, estabelecendo dois requisitos: que seja de direito e que respeite a publicidade (art. 1º, 3º).
No artigo 1º, §2º, da lei acima mencionada dispõe que a autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações.
Por fim, a lei 13.129 de 2015 também tratou do tema prescrição, que deveria ser tratado por lei complementar como dito acima, ao acrescentar no artigo 19, §2º, que a instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo à data do requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem por ausência de jurisdição.
3.4 O projeto de lei geral da transação tributária nº 5.082/2009 e o projeto de lei