TUTORES E ATRIBUIÇÕES
5. DELINEAMENTO METODOLÓGICO
5.3. A trajetória metodológica
5.3.3. Aspectos éticos e o instrumento de coleta de dados
O trâmite de acesso aos sujeitos da pesquisa contemplou o envio prévio de um convite com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido anexado (o mesmo aprovado pelo CEP-ISC/Ufba) e, posteriormente, a autorização do sujeito com nome completo, e-mail para envio do link e telefone para contato em caso de dúvidas. Em seguida, após a confirmação de participação, novo e-mail com o link de acesso ao questionário foi enviado com acompanhamento de sua conclusão pela pesquisadora de, no máximo, cinco dias para cada participante.
Novamente ressaltamos que nenhum contato foi realizado com os educandos, nem acesso aos dados necessários para finalização da amostra, sem a aprovação no Comitê de Ética do Instituto de Saúde Coletiva-Ufba e confirmação de anuência pela EESP-BA (inicialmente por e-mail e posterior aprovação oficial) para a realização da pesquisa. Salientamos que o cumprimento deste acordo implicou na alteração do cronograma da pesquisa, encurtando o prazo para a realização do pré-teste, para as alterações
necessárias no instrumento de pesquisa e para o início do trabalho de campo (de Março para Junho/2012).
O momento do trabalho de campo não apresentou implicações financeiras e/ou dano material aos sujeitos da pesquisa, não apresentando por isso dados orçamentários. A desistência do participante em qualquer momento foi garantida e sem implicação de ônus ao mesmo. As situações que envolveram a não compreensão em alguma questão colocada no instrumento de pesquisa foram disponibilizadas nos contatos de e-mail e celular da pesquisadora para acesso imediato ao participante da pesquisa, a fim de sanar dúvidas ou incompreensões.
A técnica da coleta de dados foi realizada por um instrumento de coleta à distância (questionário online), considerando que o Curso em questão foi semipresencial, e julgando pela familiaridade dos sujeitos da pesquisa quanto a este tipo de acesso e instrumento. Assim, utilizamos uma plataforma de acomodação do instrumento denominada limesurvey, específica para pesquisas à distância, conforme já descrevemos. A sua escolha ocorreu pela possibilidade de inserção de uma variedade de perguntas, dentre elas, prioritariamente, as perguntas abertas, que garantiriam o aspecto qualitativo do processo, portanto não sendo necessariamente uma pesquisa Survey. Esta plataforma foi utiliza por permitir, ainda, condensar as respostas em relatórios de dados e garantir o sigilo e a comodidade dos participantes no seu preenchimento.
Segundo Selltiz (1975), o questionário, assim como a entrevista e o método projetivo são mais eficientes para dar informações sobre “as percepções, sentimentos, crenças, motivações, previsões ou planos da pessoa”, como também sobre “comportamento passado” ou “comportamento íntimo” (devaneios) (SELLTIZ, 1975, p.265).
Optou-se pelo questionário devido ao grande peso dado à descrição verbal, no caso escrita, do sujeito da pesquisa na obtenção da informação, garantindo a obtenção do que ele possa relatar e esteja disposto a fazer diante de questões pré-determinadas (Cf. SELLTIZ, 1975).
Além disto, o contato realizado entre pesquisador e sujeito da pesquisa durante o momento de dúvidas e esclarecimentos, quando houve, buscou assegurar a uniformidade significativa das perguntas e a compreensão do questionário no ato de sua aplicação.
Selltiz (1975) afirma que as perguntas variam conforme o tipo de conteúdo e aquelas que compõem um questionário (ou entrevista) são mais adequadas na “obtenção
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de informação sobre o que a pessoa sabe, crê ou espera, sente ou deseja, pretende fazer,
faz ou fez, bem como a respeito de suas explicações ou razões para qualquer das coisas
pretendentes” (SELLTIZ, 1975, p. 273).
Assim, ressaltamos que especificamente nas questões apresentadas no nosso estudo, podemos afirmar que não houve questões mais complexas que direcionassem para uma “intensa” participação emocional por parte dos sujeitos e do pesquisador. Esperou-se verificar os fatos, as crenças quanto aos fatos, os padrões de ação, e as sensações quanto às circunstâncias vivenciadas pelos sujeitos da pesquisa nos momentos presenciais do Curso diante da atuação do facilitador de grupos.
As perguntas possibilitavam respostas com “alternativas fixas”, ou questões fixas, (“sim”, “não”, “outros”, “às vezes”, “não sabe/não declarado”, além de alternativas fixas e de múltiplas escolhas), respostas “abertas” (que possibilita respostas com as palavras do sujeito da pesquisa e de acordo com seu quadro de referência) complementando com a união de perguntas com alternativas fixas e não diretivas (“sim”, “não”, etc, mas, com suplemento para “justificativa”), todas, entretanto, seguindo uma ordem de apresentação preestabelecida. Tratou-se, portanto, de um questionário misto com questões que exigiam respostas diversificadas que se complementavam e enriqueciam o conteúdo em estudo.
Na versão final do questionário, breves alterações foram necessárias, seja em relação à redação (e não no seu teor) em função das dificuldades de compreensão observadas na fase do pré-teste, seja na inserção de itens como “outros”, “às vezes”, “não sabe/não declarado”, etc. Assim, tais alterações possibilitaram: maior liberdade e explanação aos sujeitos da pesquisa, bem como melhor adequaram a redação para o ambiente virtual; focaram o preenchimento do questionário nos momentos presenciais dos grupos em suas respectivas microrregiões; e maiores esclarecimentos com o acréscimo de dados na carta de apresentação como contatos da pesquisadora, complementação nas instruções gerais e situações adversas no momento do preenchimento ligado ao sistema limesurvey, ao acesso a internet e configurações no computador a ser usado. Foi elaborada ainda, uma versão do questionário no formato Word (anexo) para situações de maior dificuldade por parte dos sujeitos da pesquisa.
A apresentação das perguntas foi mantida em quatro partes com conteúdos que se interligavam: perguntas iniciais do questionário (1ª parte - especificamente de 1 a 22) definiam o perfil do participante da pesquisa, condensando dados referentes à faixa etária, gênero, situação empregatícia, localização geográfica, formação acadêmica e
experiência profissional e de docência. As perguntas posteriores buscaram perceber as impressões do participante quanto à atuação do Coordenador de Núcleo como facilitador de processos grupais (2ª parte - especificamente nas perguntas de 23 a 35), a relação do grupo da microrregional e o clima social predominante durante o Curso (3ª parte - contemplando com as perguntas de 36 a 44), e por fim, a sua efetiva participação e contribuição no processo de relação grupal da sua microrregional e sua perspectiva como futuro facilitador (com as perguntas de 45 a 65, compondo a 4ª parte).