4. A FORMAÇÃO EM SAÚDE E O CURSO PARA A IMPLANTAÇÃO DAS LINHAS DO CUIDADO
4.2. A proposta de implantação das Linhas do Cuidado a partir Diretoria de Atenção Básica do Estado
4.2.1. O Curso para a implantação das Linhas do Cuidado no estado da Bahia
Com vistas a alcançar uma parte do amplo projeto para a implantação das Linhas do cuidado, partindo das necessidades da atenção básica, o curso em questão, voltado para os profissionais de nível superior, foi desmembrado em outros dois cursos (A e B) distintos e paralelos que, por serem complementares, entrecruzam-se em momentos específicos, presencialmente e à distância, com vistas à construção de projetos e planos de ação, a partir da problematização da práxis.
Cada curso, como seu público-alvo distinto, apresentou “metas de aprendizagens” relacionadas com os papéis que seus respectivos educandos exerciam no cotidiano dos serviços, conforme ainda consta no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), BAHIA (2009d):
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Curso de Especialização em Saúde da Família (A) - para os trabalhadores de saúde lotados nas equipes de saúde da família (dentre médicos, enfermeiros e odontólogos), cuja “meta de aprendizagem” consistiu em:
Consolidar mudanças na organização e no processo de trabalho das equipes de saúde da família, buscando qualificar e ampliar o fazer clínico e avançar na produção de uma atenção integral à saúde, fomentando e desenvolvendo nos educandos dessas equipes a capacidade: de refletir criticamente sobre seu fazer e sobre as ações da equipe, de planejar, organizar, desenvolver e avaliar ações necessárias para implantação das linhas de cuidado
na atenção básica, desenvolvendo ainda competências
pedagógicas para multiplicar as ações para outras equipes do Estado da Bahia (grifos nossos) (BAHIA, Ambiente Virtual de Aprendizagem, 2009d).
Curso de Especialização em Gestão da Atenção Básica (B) – para gestores municipais (especificamente gestores da atenção básica ou da educação permanente e membros das diretorias regionais de saúde), cuja “meta de aprendizagem” consistiu em:
Consolidar mudanças na organização e no processo de trabalho dos gestores da atenção básica, buscando qualificar sua ação de gestão compreendendo aí a formulação, o planejamento, a organização, a coordenação e a avaliação das políticas, serviços e equipes de saúde. Relacionados à atenção básica, fomentando e desenvolvendo nos educandos gestores a capacidade: de refletir criticamente sobre seu fazer, sobre o funcionamento e organização dos serviços e sobre o processo de trabalho das equipes de saúde da família, de desenvolver o apoio institucional e a coordenação e gestão do cuidado, de planejar, coordenar e avaliar a implantação das linhas de cuidado na atenção básica (BAHIA, Ambiente Virtual de Aprendizagem, 2009d).
Segundo Guia do Especializando do Curso, Bahia (2009a), o curso na modalidade semipresencial, portanto teve a sua carga horária total de 760 horas, distribuída em 19 meses nos seguintes “campos”, ou espaços, conforme segue:
·Atividades presenciais microrregionais: serão realizadas atividades na sede do núcleo microrregional com a mediação de orientadores de aprendizagem e coordenadores de núcleo, atividades de dispersão na unidade de saúde, serviços do município e na comunidade com tarefas e produtos orientados por tutores do curso e coordenador do núcleo microrregional que reunirão os participantes regionalmente, contemplando 32 horas mensais por 17 meses e totalizando 544 horas; ·Atividades presenciais gerais: serão realizados três momentos presenciais de 8 horas que reunirão todos os participantes da primeira fase do curso, totalizando 24 horas; ·Atividades de educação à distância: serão realizadas na plataforma virtual de aprendizagem contemplando 8 horas mensais por 19 meses, totalizando 152 horas;
·Trabalho de conclusão de curso: será orientado durante todo o curso e contará 40 horas distribuídas durante o curso. Total = 760 horas (608 horas presenciais + 152 horas EAD) (BAHIA, 2009a, p.15-16)
FIGURA 1 - Organização dos módulos segundo a trajetória do educando.
Fonte: Bahia, 2009a, p.14.
Os momentos à distância (EAD) consistiam em pontos de partida e de chegada do processo educativo, nos quais eram disponibilizados os referenciais teóricos para a compreensão do módulo, ou linha de cuidado específica. Os temas eram colocados, levantadas as questões norteadoras de análise da práxis e indicadas às tarefas para serem aprofundadas no momento presencial em cada microrregião, além de retomados em fóruns EAD destinados a este fim.
Cabe ressaltar que, naquele momento, o ambiente virtual de aprendizagem fornecia espaços de discussões entre os educandos de um mesmo Curso e entre os membros dos dois cursos, incluindo educadores, que forneciam uma espécie de consultoria para os casos específicos em cada categoria profissional, conforme detalharemos adiante.
A plataforma e a educação à distância será o meio de problematização dos casos dos módulos, assim como é o espaço de postagem de tarefas, críticas, sugestões, avaliação e acompanhamento do educando. Para isso não deve estar descolado da possibilidade de reflexão e problematização do cotidiano e das experiências pessoais de cada um; no espaço virtual irão ser trazidas as questões da práxis que estão sendo vivenciadas (BAHIA, 2009a, p. 20). Os momentos presenciais, em ambos os cursos, eram divididos entre os momentos para a execução das tarefas no cotidiano dos serviços, envolvendo quase sempre os demais membros da equipe de trabalho, não participantes do curso, e os momentos de encontro entre os públicos-alvo dos cursos distintos, reservados para a discussão
15 dias
Unidade I
Unidade II PRESENCIAL (NÚCLEO)
Reflexões em grupo a partir das tarefas da práxis Consolida conceitos Leitura de textos e discussão
Direciona problematização para a unidade 2 EAD
Casos e situações-problema Questões que produzem
reflexão a partir da sua realidade Indicação de tarefas para
práxis PRÁXIS Tarefas disparadas a partir da EAD a serem realizadas no local de trabalho
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conjunta das tarefas práxicas, consolidação dos conceitos teóricos, problematização e planejamento de atividades conjuntas. Vale ressaltar que tais momentos ocorriam nos municípios participantes do curso, em microrregiões distintas.
As tarefas da práxis são disparadas através da plataforma de educação à distância (EAD), onde, inicia a partir de um caso e/ou situação problema que trazem questões que produzem reflexão a partir de sua realidade vivenciada no trabalho. A partir desse espaço são produzidas tarefas da práxis que são levadas para os locais de trabalho de cada um, onde produz-se reflexões em grupo a partir dessas tarefas, sintetiza e consolida conceitos, faz leituras para embasar e ajudar nas reflexões.
As atividades presenciais do seu curso se darão tanto no cotidiano do seu trabalho quanto no Núcleo, juntamente com os demais educandos da sua microrregião.
A ideia é que elas possam ser realizadas durante os seus atendimentos individuais e coletivos, em reuniões de equipe e espaços de gestão, em visitas domiciliares, em atividades educativas, em análise dos prontuários e sistema de informação, além das rodas de discussão durante as atividades no próprio Núcleo.
Acreditamos que, desta forma, você possa refletir sobre as atividades que realiza em seu cotidiano a partir de um referencial teórico e assim produzir novos saberes que dialogam com a sua forma de trabalhar e com a sua realidade. As atividades de cada um dos módulos serão propostas através do ambiente virtual e através do coordenador do Núcleo (BAHIA, 2009a, p. 20). Cada temática que compôs os módulos do curso estiveram diretamente relacionadas a cada uma das linhas do cuidado, conforme já citamos, com cronograma de execução pré-estabelecido. Os módulos então foram assim distribuídos, segundo BAHIA (2009a).
TABELA 1 - Distribuição dos módulos temáticos no curso
CRONOGRAMA MÓDULOS DO CURSO
Módulos Obrigatórios
Maio a junho - 2009 Acolhimento do educando
Julho a agosto - 2009 Saúde da Mamãe e do Bebê
Setembro - 2009 Saúde da Criança
Outubro - 2009 Saúde da Mulher
Novembro a dezembro - 2009 Módulo Pedagógico
Janeiro a fevereiro - 2010 Saúde do adulto
Março - 2010 Acolhimento às Urgências na Atenção Básica
Abril - 2010 Saúde Bucal
Cirurgias ambulatoriais, cuidado às feridas e estomas
Maio - 2010 Saúde Mental
Junho - 2010 Saúde do Idoso e do Homem
Julho - 2010 Vigilância à saúde e doenças infecto-contagiosas
Dezembro – 2010 Apresentação final dos trabalhos de conclusão de curso
Módulos Optativos
Setembro a dezembro - 2010 Dengue
População negra População indígena População do campo População presidiária
População remanescente de quilombos Saúde e cultura de paz
Práticas integrativas e complementares Uso racional de medicamentos Saúde do trabalhador
Fonte: BAHIA, 2009a, p.15.
A utilização desta estratégia, com momentos de encontro e dispersão, está fundamentada pelos conceitos de “núcleo” e de “campo” propostos por Campos (2000), no qual afirma existir saberes específicos a cada profissão, denominado por ele “saberes de um núcleo”. Existem saberes comuns a todos os profissionais, denominados “saberes de campo”, que são extremamente importantes no fortalecimento das ações em saúde pública. A abordagem dos módulos buscou atender a tais especificidades, alternando os “saberes” entre os momentos presenciais e à distância, sendo que nos momentos presenciais a condução do processo ficava sob a responsabilidade de um agente estratégico, o “educando coordenador do núcleo”, com o suporte direto de um “Orientador de Aprendizagem de Campo (OAC)” em alguns momentos, e que o descreveremos adiante.
Importante lembrar que, como o Curso nasceu também com a necessidade de multiplicação das ações educativas para demais equipes de saúde, o módulo pedagógico concentrou momento de ápice neste sentido. O seu objetivo consistiu no planejamento, execução e avaliação de práticas educativas com saberes de “campo” para cerca de 10 Equipes de Saúde da Família por município integrado ao Curso19, ou seja, foram cerca de 300 novas equipes envolvidas num curso chamado de “Acolhimento Pedagógico”, ou também conhecido como “Introdutório para as equipes de Saúde da Família”, com uma carga horária de 40h/semanais, e onde o grupo de educandos de cada microrregião, com a participação e supervisão direta dos educandos coordenadores, pôde aprender e colocar em prática noções de facilitação de aprendizagem, conforme Guia do Facilitador BAHIA (2009c).
Ainda segundo o Guia do Especializando BAHIA (2009a), os atores principais que deram suporte aos educandos (em geral), são estes abaixo, com suas respectivas atribuições:
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Ao final do Curso, e de acordo com a pactuação no Colegiado de Gestão Microrregional (no qual os gestores municipais de saúde são integrantes, junto com membros da SESAB e DIRES), a Coordenação do Núcleo Microrregional de Educação Permanente em Saúde, juntamente com os educandos da assistência, deverão assumir a responsabilidade na condução de um novo “Acolhimento Pedagógico” para outras equipes de Saúde da Família distribuídos em outros municípios da mesma microrregião e que não foram contemplados pelo Curso para a Implantação das Linhas do Cuidado, em questão, conforme Projeto de Implantação das Linhas do Cuidado, BAHIA (2008c).
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