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TUTORES E ATRIBUIÇÕES

5. DELINEAMENTO METODOLÓGICO

5.3. A trajetória metodológica

5.3.1. Aspectos da abordagem qualitativa descritiva

Tomando como base Minayo (1993), o teor do estudo qualitativo busca estar presente no trabalho de campo pela possibilidade de abordar os significados, os motivos, as aspirações, as crenças, os valores e até mesmo levantar as atitudes dos sujeitos em virtude de uma determinada experiência, a partir dos fenômenos que fizeram parte do mundo das relações sociais dos sujeitos envolvidos, num momento específico.

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), uma investigação qualitativa é de natureza descritiva por evitar que os detalhes escapem a um exame mais minucioso por parte do investigador. Relata ainda que este tipo de estudo tem sua ênfase no modo como as definições que o público-alvo tem de si próprio e/ou dos outros são formadas. Ou seja, está interessado “no modo como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas”, apreendendo as perspectivas do público-alvo a partir da dinâmica interna das situações (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 50-51).

Desta forma, o modo como são descritos os significados pelo olhar e pela escrita do próprio sujeito da pesquisa resguarda a fidedignidade com sua subjetividade e suas impressões, dando ao nosso estudo o elemento necessário para futuros aprofundamentos. Defendemos, por isso, que a utilização do questionário é essencial como levantamento numa pesquisa descritiva, pois além de caracterizar o grupo estudado, permite estimar a proporção de características ou comportamentos predominantes e, ainda, a descoberta ou verificação de relação entre variáveis adotadas.

Minayo (1993, 2006), assim como outros autores, como Demo (1992), por exemplo, opõe-se veemente a ausência de interação entre pesquisador e sujeitos pesquisados no momento do trabalho de campo e não aprova a construção de instrumentos de pesquisa que trazem os sujeitos para o “laboratório do pesquisador” e que mantém com eles uma relação estruturada. Além disto, reserva ao questionário “um lugar de complementaridade em relação às técnicas de aprofundamento qualitativo” (MINAYO, 2006, p. 268).

Ao mesmo tempo, Leonardos e Brito (2001) afirmam que a comunidade científica vive uma tentativa de constituição de um novo paradigma (construtivista, subjetivista,

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“ou outro qualquer”) que envolve, inclusive, a revisão da Sociologia como disciplina, cujos critérios de pesquisa estão sendo repensados. Antes disto, diante de uma imensa variedade de modelos de pesquisa, consideram legítimo um profundo debate para a construção de parâmetros mais amplos e flexíveis no âmbito das ciências humanas e sociais – que busque conceituar o processo de pesquisa tentando descrevê-lo, e não prescrevê-lo.

Assim, Leonardos e Brito (2001) defendem que, na metodologia, o pesquisador evidencie as suas opções de relação com os sujeitos da pesquisa, adequadas ao problema de pesquisa levantado, de acordo com a premissa de que:

[...] toda escolha do equipamento conceitual e operacional a ser adotado em um estudo ocorre em razão de uma interação entre o objeto a conhecer e a personalidade do pesquisador e, por isso, mais do que fornecer informações, denota ‘maneiras de se expressar relações no mundo que nos permitem entender algumas questões fundamentais subjacentes à ‘modernidade’ do mundo em que vivemos’ (Popkewitz, 1990, p. 65) (LEONARDOS; BRITO. 2001, p. 27).

Neste sentido, a adoção pela análise de conteúdo ocorreu em virtude da intervenção de técnicas que possibilitassem priorizar a “fala” dos sujeitos (no aspecto individual da linguagem), suas significações e por buscar conhecer o que está por trás das palavras.

A análise de conteúdo consiste, conforme define Bardin (2010):

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 2010, p. 44).

Segundo Franco (2008), o poder da “fala” (da palavra, da mensagem) agregada à análise de conteúdo surge com o desenvolvimento da psicologia e com o desdobramento da psicologia da educação, que reconhece o papel ativo do sujeito no processo de produção do conhecimento. As manifestações do comportamento humano, então (tais como a expressão verbal, e seus enunciados e mensagens), passam a ser vistos como “indicadores indispensáveis para a compreensão dos problemas ligados às práticas educativas e a seus componentes psicossociais” (FRANCO, 2008, p. 08).

As mensagens expressam as representações sociais a partir da dinâmica estabelecida entre a atividade psíquica do sujeito e o objeto de conhecimento, uma

prática social e histórica da humanidade que se generaliza pela linguagem, conforme defende Franco (2008). Assim, constituída de processos sociocognitivos, tem implicações diretas na vida cotidiana pela influência que exerce tanto na comunicação e expressão das mensagens quanto nos comportamentos.

Segundo Bardin (2010) e Franco (2008), a descrição analítica consiste no tratamento da informação contida na mensagem (‘conteúdo latente’ ou ‘conteúdo manifesto’), na qual a descrição é a primeira fase do procedimento e não é exclusiva da análise de conteúdo.

Assim sendo, a nossa pesquisa está inserida na abordagem qualitativa descritiva pelas seguintes escolhas adotadas onde, noutro momento, gradativamente, serão esclarecidas:

 A amostragem foi definida por conveniência;

 Utilizou-se a técnica de coleta de dados, um questionário aplicado à distância, elaborado numa plataforma denominada limesurvey21 que, apesar do nome, possibilitou a construção de questões fixas e uma grande parte de questões abertas, privilegiando dados qualitativos em detrimento dos dados quantitativos. O questionário aqui tratado, apesar das desvantagens apresentadas por diversos autores, não deixou de privilegiar a interação entre pesquisador e os sujeitos da pesquisa, nem a relação de colaboração entre eles;

 A técnica de análise de dados qualitativos, prioritária no nosso estudo, buscou adotar a “análise do conteúdo” defendida por Bardin (2010) e Franco (2008) ao procurar compreender a percepção dos educandos acerca do papel do facilitador de processos grupais exercido pelos Coordenadores de Núcleos Microrregionais no âmbito do Curso para a implantação das linhas do cuidado.

Com a revisão no nosso projeto de pesquisa, algumas alterações foram necessárias para a garantia dos parâmetros aqui estabelecidos. Estas mudanças no decorrer do

21 O LimeSurvey é uma ferramenta líder em pesquisas online. A plataforma permite o desenvolvimento de questionários, publicação e posterior análise dos dados. Inclui um vasto leque de tipos de perguntas, sendo elas tanto qualitativas, quantitativas ou meramente textuais, que permitem a criação de questionários e pesquisas flexíveis. O LimeSurvey permite a criação de percursos condicionais dentro de seu questionário (questionários dinâmicos), exportação das tabelas de resultados para diversas aplicações tais como: Microsoft Excel, Word e SPSS e permite também a exportação das estruturas dos questionários. Informações presentes no site: <http://www.limesurvey.org> acessado em 22 de dezembro de 2011.

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processo também são defendidas por Minayo (1993), quando afirma que as “mudanças podem ser necessárias e imprevistos costumam acontecer. Essa contingência revela que a pesquisa é uma prática dinâmica.” (MINAYO, 1993, p. 36)

Desta forma, ao longo da explanação, apresentaremos os devidos esclarecimentos e justificativas para as modificações daquilo que havia sido preconizado inicialmente com o projeto da nossa pesquisa.