3 MATERIAL E MÉTODOS
4.2 ASPECTOS DO MEIO FÍSICO
4.2.1 Geomorfologia
A grande diversidade de formas do modelado do relevo na porção norte do Quadrilátero Ferrífero é reflexo do forte controle litoestrutural, configurando dez grandes unidades morfoestruturais (MEDINA et al., 2005). A área da pesquisa encontra-se nos domínios das unidades Crista Monoclinal da Serra do Curral e Platô do Sinclinal Moeda.
A Crista Monoclinal da Serra do Curral corresponde a um extenso “hogback” onde os fortes mergulhos das camadas geológicas impõem expressiva variação na conformação morfológica na qual se destacam a crista, com até 1400 m de altitude, sustentada pelas formações ferríferas. Esta crista exibe altas declividades, superiores a 50º. Falhamentos de direção aproximada N-S também desempenham significativo controle na morfologia, formando colos (“wind-gaps”) e gargantas epirogênicas (“water-gaps”). Couraças de canga recobrem as vertentes orientadas para sul e os solos são pouco profundos, evidenciando o predomínio dos processos morfogenéticos sobre os pedogenéticos.
O Platô do Sinclinal Moeda é dividido morfologicamente em duas unidades: as abas externas e o platô interno. As abas são sustentadas por quartzitos e itabiritos, com altitudes de até 1600 m e por vezes recobertas por cangas, que conformam as serras da Moeda e do Itabirito.
Figura 4.1 - Mapa geológico simplificado do Quadrilátero Ferrífero e localização da área de pesquisa. Fonte: Modificado de Alkmim e Marshak (1998) e Amorim e Grandchamp (2001).
Desnivelamentos entre 100 e 150 m e extensas rampas de colúvio marcam a passagem do topo das cristas para o interior colinoso. O relevo suave do platô está sendo rejuvenescido ao longo dos ribeirões Mata-Porcos, Capitão da Mata e córrego de Fechos condicionado por estruturas tectônicas (BARBOSA, 1967; apud MEDINA et al, 2005). Remanescentes de um pediplano formado no Terciário Superior são indicados pela presença de extensos topos aplainados no platô (MEDINA et al., 2005).
4.2.2 Solos
O mapeamento de solos realizado por Shinzato e Carvalho Filho (2005), na região da APA Sul RMBH, identificou 10 (dez) classes de solos, das quais 8 (oito) são encontradas na área da pesquisa: Cambissolo Háplico, Latossolo Vermelho, Latossolo Vermelho-Amarelo, Neossolo Flúvico, Neossolo Litólico, Argissolo Vermelho e Argissolo Vermelho-Amarelo. Além dos solos destacam-se também os tipos de terrenos classificados como afloramento rochoso, exposições de canga, áreas degradadas e áreas urbanas.
4.2.2.1 Cambissolos Háplicos.
Os Cambissolos foram diferenciados em háplicos distróficos e háplicos perférricos. São solos minerais hidromórficos, com baixo grau de desenvolvimento pedogenético e forte influência do material de origem. Exibem horizonte B incipiente, subjacente a horizonte A de qualquer tipo ou horizonte hístico (horizonte de constituição orgânica) inferior a 40 cm. É a classe de maior ocorrência na área estando associada a todas as demais classes.
Os Cambissolos Háplicos Perférricos são solos pouco profundos que se relacionam aos domínios das rochas ferruginosas (itabiritos e itabiritos dolomíticos). Mostram fraca diferenciação dos horizontes A-Bi-C. Em decorrência da composição do substrato, apresentam alta concentração em óxidos de ferro, igual ou superior a 36%.
Os Cambissolos Háplicos Distróficos são igualmente pouco profundo, mas têm como principal substrato as rochas metapelíticas e xistosas dos Supergrupos Minas e Rio das Velhas e Grupo Sabará. Apresentam, caracteristicamente, baixa velocidade de infiltração.
4.2.2.2 Latossolos
Subdivididos em Vermelhos e Vermelho-Amarelos. Correspondem a solos muito profundos, em elevado estágio de intemperização refletido nas grandes diferenças texturais e composicionais relativamente ao material originário.
São formados por processos que consistem na remoção da sílica e das bases do perfil após intemperismo dos minerais primários constituintes (OLIVEIRA, 2005).
Os Latossolos apresentam, em geral, valores elevados de condutividade hidráulica saturada (Ks) em razão da sua estrutura microagregada, em especial quando são mais argilosos (BALBINO et al., 2003). Entretando, grandes variações são encontradas em funcão da textura do solo e da profundidade. Chagas et al. (1997, apud BALBINO et al. 2003), estudando tipos variados de latossolos, registraram valores de Ksat variando de 4,4 a 7,2 cm/h nos horizontes A e valores inferiores em profundidade (140 cm) para os horizontes B (0,014 a 0,33 cm/h). A redução da condutividade hidráulica com o aumento da profundidade foi também ressaltado por Monteiro e Campos (2007) que notaram que o solo passa a adquirir caráter grumoso a ausente, acarretando em infiltração lenta da água com uma tendência de desenvolvimento de fluxo interno, fato que dificulta a recarga dos sistemas aquíferos situados a maiores profundidades.
A diferenciação em vermelhos e vermelhos-amarelos refere-se ao uso dos limites de matiz de cor (com base na proporção de hematita-Hm e goethita-Gt), conforme apresentado por EMBRAPA (1999). Os latossolos vermelho-amarelos exibem matiz 5 YR ou mais vermelho e mais amarelo que 2,5 (relativo à razão Hm/Hm+Gt de 0,6 a 0,2) na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Por sua vez, os latossolos vermelhos apresentam matiz 2,5 ou mais vermelho (referente à razão Hm/Hm+Gt acima de 0,6) também na porção superior do horizonte B. Os teores em óxido de ferro, a saturação por base e demais atributos diagnósticos levaram à identificação de Latossolos Vermelhos Perférricos, Latossolos Vermelhos Distróficos, Latossolos Vermelhos Ácricos, Latossolos Vermelhos Acriférricos, Latossolos Vermelho-Amarelos Perférricos e Latossolos Vermelho-Amarelos Ácricos.
4.2.2.3 Neossolos.
Foram individualizados em Litólicos e Flúvicos. São representados por solos rasos, pouco desenvolvidos e caracterizados pela ausência de horizonte B. Compreende solos formados por material mineral (ou orgânico) com forte correspondência com as rochas de origem.
Os Neossolos Litólicos possuem horizonte A de espessura inferior a 40 cm, assentado diretamente sobre a rocha ou horizonte C. Em decorrência da pouca espessura, apresentam comumente, elevados teores de minerais primários pouco resistentes ao intemperismo, assim como cascalhos e calhaus de rocha semi-intemperizada na massa do solo.
Foram diferenciados os Neossolos Litólicos com substrato ferruginoso, de textura predominantemente média cascallhenta.
Os Neossolos Flúvicos originam-se dos sedimentos aluvionares recentes e caracterizam-se pela estratificação de camadas, com textura desde arenosa até argilosa, sem relação pedogenética entre si. A variação textural em profundidade condiciona o fluxo vertical da água e, conseqüentemente, influência o estabelecimento de sistemas de drenagem. Têm expressão muito reduzida na área da pesquisa.
4.2.2.4 Argissolos.
São de ocorrência muito restrita e, em geral, profundos e bem drenados. Apresentam como principais características, a presença de argila de baixa atividade e de horizonte B textural imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte superficial. Verifica-se aumento dos teores de argila em profundidade. Foram separados em Vermelhos e Vermelho-Amarelos.
Os Argissolos Vermelhos ocorrem principalmente na região de Casa Branca, enquanto os Argissolos Vermelho-Amarelos aparecem na extremidade oriental da área. Conforme descrito por Oliveira et al. (1992; apud Shinzato e Carvalho Filho, 2005) esses solos, ao contrário dos Latossolos, mostram-se bastante erodíveis, devido às suas características físicas intrínsecas, como o gradiente textural, ou seja, diferença de textura entre os horizontes superficiais e subsuperficiais.
4.2.3 Uso do Solo e Cobertura Vegetal
O estudo de uso da terra e da cobertura vegetal desenvolvido por Oliveira et al. (2005a), na APA Sul RMBH, demonstrou a existência de 14 classes, todas de ocorrência na área da pesquisa.
Mata. Apresenta estrato elevado, com até 20 m de altitude, e tem como principal característica
a perda de parte das folhas durante o período de estiagem. Relacionam-se com freqüência aos solos profundos como latossolos e eventualmente, aos cambissolos, quando mais espessos.
Cerrado. É de ocorrência restrita a cotas, em geral, superiores a 800 m. Compreende
Capoeira. Corresponde à primeira fase do processo de sucessão vegetal após expressiva
intervenção no terreno (e.g. mineração, agricultura, pecuária). Exibe grande variabilidade de porte e diâmetro das árvores ou arbustos.
Campo Graminoso – Campo Cerrado. Refere-se à classe de ocorrência mais expressiva na
área. Constitui uma formação vegetal associada ou mista composta de cerrado e espécies típicas de campo. Associa-se a solos rasos, principalmente Cambissolos e Neossolos Litólicos.
Campo Rupestre. Representa as formações vegetais assentadas diretamente sobre as rochas,
especialmente os maciços quartzíticos e itabiríticos.
Áreas alagadas. Áreas planas e baixas, periodicamente alagadas, localizadas junto a rios,
lagos e lagunas. Apresentam vegetação típica de planícies aluviais.
Reflorestamento. Corresponde às áreas plantadas com eucalipto.
As demais classes abrangem afloramento rochoso, solo exposto, agricultura (em especial hortaliças), pastagem, área urbana, mineração e corpos d’água (lagoas, rios, reservatórios e barragens).