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ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO PNSV 1 Pessoal

I 5.7.7.1. O Fogo e as Eriocauláceas

I.9. ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO PNSV 1 Pessoal

Quando foi criado, em 2002, o Parque Nacional das Sempre-Vivas não possuía nenhum servidor e apenas em 2003 passou a contar com um servidor no cargo de chefe da UC. Só a partir de 2007 que o Parque então teve a primeira equipe de trabalho, com quatro analistas ambientais em seu quadro de pessoal. Este número foi flutuante nos anos seguintes, decrescendo e culminando com a lotação de apenas dois servidores em 2010 e voltando a ter um único em 2011. No ano de 2012 a equipe voltou então a crescer, ficando com quatro analistas lotados. A partir de 2014 a equipe começou a ser ampliada, contando, hoje, com oito analistas ambientais lotados, todos oriundos de concursos

públicos. A equipe atual possui seis biólogos, uma engenheira florestal e uma ecóloga e bacharel em direito.

A organização do trabalho entre os membros da equipe é feita a partir da divisão de tarefas em áreas temáticas inerentes à gestão da unidade e tem o objetivo de priorizar as mais urgentes e primordiais ao manejo da UC. Na época seca, de maior ocorrência de incêndios (maio a novembro), o PNSV conta com a contratação de vinte e um brigadistas, responsáveis pela prevenção e combate a incêndios florestais. Há, ainda, compondo a equipe, uma pessoa terceirizada para a função de limpeza e serviços gerais e dois estagiários (um cursando o ensino médio e outro ensino superior), além de oito vigilantes patrimoniais que se revezam em turnos, sendo quatro na sede, localizada no município de Diamantina, e quatro no alojamento, no interior da UC.

I.9.2. Infraestrutura, Equipamentos e Serviços

A sede administrativa da UC funciona em uma casa alugada localizada no centro da cidade de Diamantina - MG, dotada de infraestrutura básica. Possui no total, quatro cômodos de trabalho com capacidade total para seis pessoas trabalharem, uma sala de reunião, uma sala de recepção, cozinha, dois banheiros e dois cômodos externos para a guarda materiais e documentos.

O alojamento da UC funciona atualmente em uma edificação cedida, localizada em seu interior, na região denominada Campos São Domingos, a 70 km de Diamantina. Possui um cômodo grande com dezesseis leitos e dois banheiros conjugados, onde costumeiramente se alojam os brigadistas; três cômodos com duas camas cada; dois banheiros independentes; duas cozinhas e duas saletas para guarda de material. A infraestrutura é dotada de energia solar, eólica e de motor gerador a combustível, para iluminação. Há um sistema de aquecimento solar para a água dos chuveiros e um sistema alternativo com aquecimento por lenha. O alojamento é o único ponto de apoio para as atividades desenvolvidas dentro da UC, servindo tanto de apoio aos analistas quanto acolhendo os brigadistas e equipamentos de combate a incêndios florestais. Pesquisadores também o utilizam eventualmente para pernoites e processamento de amostras.

A estrutura de apoio existente hoje no PNSV (escritório e alojamento) não é considerada suficiente para uma gestão eficaz da unidade. A maior restrição relativa às estruturas do PNSV se dá pela ausência de área regularizada (sob a dominialidade do ICMBio), o que implica na impossibilidade de construção de outras edificações em seu interior e em virtude do escritório não funcionar em sede própria. No que concerne à parte administrativa, há carência de espaço no escritório para abrigar toda a equipe e não

há garagem para todos os veículos. Em relação a equipamentos, falta mobiliário básico tais como mesas, cadeiras e armários para todos os analistas.

As vias de acesso ao Parque Nacional são precárias e só é possível adentrar pelas estradas em veículos com tração nas quatro rodas (4x4). Existem três pontos de entrada para veículos, no entanto, apenas o Acesso 1 (Figura 01) conduz ao alojamento e o centro da UC, os demais são de pequena extensão. Existem, ainda, outros pontos de acesso que possibilitam entrada a cavalo ou a pé (ver Figura 01).

As vias de circulação interna do PNSV são mais precárias ainda, além de serem insuficientes para alcançar locais estratégicos para a gestão. Existe praticamente uma única via (prolongamento do acesso sul) que conduz ao centro da UC (Figura 01). Desta forma, fica evidente a necessidade de melhoria na manutenção e abertura de novas vias, tanto de circulação interna, quanto de acesso para veículos.

Já as trilhas para cavalos ou a pé existem em bom número e a maioria está conectada entre si (Figura 01). São utilizadas pela população residente, do entorno e por turistas eventuais.

Para a comunicação entre a região do alojamento e a sede administrativa há um sistema de rádio em VHF digital, mas que precisa ser expandido, pois há inúmeros locais de sombra do sinal dentro da UC, devido ao relevo.

A UC conta com cinco caminhonetes Mitsubishi L200, estando uma delas praticamente inservível. Duas estão continuamente em manutenção devido às condições precárias das estradas em que rodam na UC, principalmente no combate a incêndios florestais. As demais estão em bom estado de funcionamento. Há também três motocicletas que são usadas no apoio ao combate a incêndios florestais; um jipe (Troller) e um automóvel de passeio (Gol) adquirido por cessão da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

I.9.3. Atividades de Gestão

Tendo em vista a estrutura, os equipamentos e a equipe disponível para atuar na gestão do PNSV, as principais atividades em curso atualmente estão associadas ao apoio a pesquisas, à gestão participativa e à proteção da UC, conforme descrito sucintamente abaixo.

I.9.3.1. Pesquisas

A equipe do PNSV tem coordenado pesquisas de mapeamento dos campos de sempre-vivas na região do Mosaico do Espinhaço: Alto Jequitinhonha – Serra do Cabral e de cobertura vegetal da UC, bem como levantamentos de herpetofauna e de espécies de eriocauláceas. Sempre que solicitado, sendo possível, é prestado apoio para o deslocamento até o interior da unidade e oferecido alojamento aos pesquisadores, conforme disponibilidade de vagas. Além dessas, há ainda em curso uma pesquisa sobre os efeitos do fogo em duas espécies de sempre-vivas que são objeto de extrativismo na região.

Uma análise do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade – SISBIO no período de 2007 a 2014 demonstra que houve 155 propostas de pesquisa para o PNSV. Deste total, 51 foram realizadas e apresentaram o relatório final com os resultados obtidos. Dentre as pesquisas realizadas, 34 (67%) foram florísticas sendo 24 de levantamento da flora, seis de filogenia, três de sistemática, uma de ecologia e evolução de plantas de campo rupestre e uma de ontogenia de Poaceae; 13 (25%) foram relativas à fauna, sendo onze sobre levantamento da fauna, uma sobre ecologia trófica de mamíferos do cerrado de médio e grande porte e uma de genética de paisagens de aves. Houve ainda quatro outros estudos que totalizam 8% das pesquisas realizadas, uma de caráter social com a proposta de analisar os desafios da efetividade do Mosaico do Espinhaço; uma de análise qualitativa dos impactos, prevenção e combate a incêndios e a aplicabilidade do Registro de Ocorrência de Incêndios (ROI) e duas pesquisas do meio físico sobre fitofisionomia de afloramentos rochosos, em que foi feito o mapeamento e caracterização de turfeiras da Serra do Espinhaço Meridional. A figura 84 traz um resumo do número de pesquisas realizadas:

Figura 90: Gráfico com distribuição em porcentagens por campos de pesquisas realizadas no PNSV entre 2007 e 2014. Fonte: ICMBio.

I.9.3.2. Gestão Participativa

A participação da sociedade na gestão do PNSV ocorre principalmente em três frentes: O Conselho Consultivo (CONVIVAS); a inclusão das comunidades do entorno na gestão e a inclusão das entidades governamentais, ONGs, universidades e outros setores da sociedade civil organizada.