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Aspectos processuais

No documento Universidade Católica do Salvador (páginas 95-98)

O art. 4º da Lei 12.318/2010 abordou as questões processuais da alienação, in verbis:

Art. 4º: Declarado indício de ato de alienação parental, a requerimento ou de

ofício, em qualquer momento processual, em ação autônoma ou

incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária, e o juiz determinará,

com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas provisórias

necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do

adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou

viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso.

Parágrafo único: Assegurar-se-á à criança ou adolescente e ao genitor garantia

mínima de visitação assistida, ressalvados os casos em que há iminente risco

de prejuízo à integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente,

atestado por profissional eventualmente designado pelo juiz para

acompanhamento das visitas.

258

O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a matéria, reconhecendo expressamente

a possibilidade do Poder Judiciário admitir a existência de alienação por meio de processo

autônomo ou de forma incidental, consoante o artigo quarto supra do aludido dispositivo, no

informativo nº 0538 do STJ de 30.04.2014.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO CONTRA DECISÃO QUE

RESOLVE INCIDENTE DE ALIENAÇÃO PARENTAL. [...] A Lei

12.318/2010 prevê que o reconhecimento da alienação parental pode se dar

em ação autônoma ou incidentalmente. (Recurso Especial nº 1.330.172 - MS,

Relatora Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/3/2014)

259

Este dispositivo, segundo Madaleno

260

, é de fundamental importância para o combate eficaz à

alienação parental, que começa a ser identificada, com maior frequência, nos casais que se

separam de forma litigiosa. A atuação rápida e precisa do judiciário é imprescindível para

manutenção da integridade psicológica do menor.

257BUOSI, Caroline de Cássia F. Lei da alienação parental: uma interface do direito e da psicologia, 2012, p.50. 258BRASIL, Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010, que dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990.

259BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo nº 0538.

Para Douglas Freitas

261

, o legislador infraconstitucional foi muito feliz ao determinar, no

aludido dispositivo, que o juiz e o membro do parquet, ao identificarem casos de alienação,

devem conferir tramitação prioritária ao processo e promover medidas que assegurem os

direitos do menor.

Desde que não haja comprovação de nenhum tipo de risco para o menor, o magistrado sempre

deverá tentar proporcionar a aproximação entre o pai alienado e seu filho, garantindo

efetividade ao princípio constitucional do direito ao convívio familiar, depois de ouvida a

manifestação do Ministério Público.

262

O contraditório e à ampla defesa, direitos assegurados, pelo constituinte originário na Carta

Magna de 1988, a todos brasileiros, não são violados ou relativizados quando o Poder Judiciário,

por meio de seus magistrados, utiliza medidas provisórias de caráter protetivo apara assegurar

a integridade física e psicológica do menor, em obediência ao comando, também oriundo da

Constituição, previsto em seu art. 227 que consagra o princípio do melhor interesse da criança.

Perez salienta que, diante do risco eminente de danos irreparáveis ou de difícil reparação ao

menor, que podem ser gerados pela demora na configuração da alienação pelo Judiciário,

deve-se deve-sempre requer antecipação da tutela, com o objetivo de garantir o direito do menor conviver

com o genitor alienado, bem como sua integridade, uma vez que, não raro, o próprio um

processo judicial é utilizado como instrumento alienador em face de seu injustificado retardo e

prolongamento.

263

Amílcar Nadu

264

assevera que foram criados pelo art. 4º da Lei 12.318/2010 dois instrumentos

eficazes para amenizar as devastadoras consequências da alienação parental na estrutura

psicológica do genitor que está sendo vitimado pela alienação e de seu rebento, quais sejam, o

a priorização do tramite processual das ações que tratem de casos de alienação e a garantia de

convivência mínima entre o menor e seu pai alienado.

A convivência familiar dos filhos com seus genitores é sempre assegurada pela Lei 12.318/2010,

salvo nos casos em que haja efetiva possibilidade de risco para a criança caso em que a

261FREITAS, Douglas Phillips. Alienação parental – Comentários Lei 12.318/2010, 2015, Cap.2. VitalBook file. 262SANDRI, Jussara. Alienação parental: O uso dos filhos como instrumento vingança entre os pais, 2013, p.118. 263PEREZ, Elizio Luiz. Incesto e alienação parental: realidades que a justiça insiste em não ver. In: DIAS, Maria Berenice (Coord.). Breves Comentários acerca da Lei da Alienação Parental, 2013, p.75.

264NADU, Amílcar. Lei 12.318/2010: lei da alienação parental. Comentários e quadros comparativos entre o texto primitivo do PL, os substitutivos e a redação final da lei 12.318/10, 2010, p.5.

convivência será reduzida e controlada, mas não eliminada, ocorrendo, por exemplo, por meio

da intermediação de um profissional designado pelo juiz para acompanhar a visita, que se dará

em locais públicos ou nas instalações do próprio Judiciário.

Madaleno

265

defende que, diante da gravidade e da constância dos transtornos emocionais dos

menores, o magistrado deve proceder de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 4º

Lei 12.318/2010, estabelecendo visitas assistidas de forma a minorar as nefastas e perniciosas

consequências da alienação e, também, a assegurar a concretização fática do princípio

constitucional do direito à convivência familiar.

Apenas em situações incomuns e singulares, que forem devidamente comprovadas por robusto

laudo pericial, o magistrado determinará o afastamento total do acusado do menor. Todos

esforços devem ser perpetrados pelo Judiciário para, por meio das visitas, demonstrar ao menor

que sua percepção da realidade foi intencionalmente distorcida por seu genitor alienador.

266

Não raro, os alienadores vêm se utilizando de inverídicas acusações de abuso sexual efetuadas

ao ministério público ou diretamente ao Judiciário como instrumento para a concretização da

alienação parental e, desta forma, tem obrigado, ainda que de forma involuntária, o magistrado

a proibir o convívio do menor com o suposto responsável pelo abuso infantil.

Em tais situações, não é difícil encontrar laudos periciais superficiais, elaborados por

profissionais que não são qualificados nem possuem experiência na identificação e no

acompanhamento de casos de alienação parental. Suas conclusões se lastreiam apenas nas

investigações unilaterais e em documentos fornecidos pelo genitor alienador.

É muito ariscada a suspensão total das visitações a partir de laudos psicológicos que

simplesmente descrevem o caso, e que são elaborados exclusivamente a partir das informações

fornecidas unicamente pelo menor e pelo genitor acusador, que podem acabar distorcendo os

fatos, levando a equivocada conclusão da existência da alienação e de que os transtornos

emocionais do menor decorrerão da atuação do alienador.

267

265MADALENO, Rolf; MADALENO, Ana Carolina Carpes. Síndrome da alienação parental, 2015, p.107.

266FREITAS, Douglas Phillips. Alienação parental – Comentários Lei 12.318/2010, 2015, Cap. 2. VitalBook file.

267CUENCA, José Manoel Aguilar. Recientes modificaciones legislativas para abogados de família:

modificaciones fiscales, el síndrome de alienacion parental, previsiones capitulares. Madrid: Dykinson, 2008, p.87 apud a MADALENO, Rolf; MADALENO, Ana Carolina Carpes. Síndrome da alienação, 2015, p.106.

O parágrafo único deste artigo, segundo o entendimento de Amílcar Nadu

268

, foi criado com o

objetivo específico de enfrentar uma situação recorrente nos tribunais, falsas denúncias de

abuso sexual. O juiz, ao analisar o processo e avaliar a situação do menor, será obrigado a

garantir um mínimo de convivência deste para com o suposto alienador, a não ser que a perícia

psicológica ou biopsicossocial aponte o contrário.

O Judiciário do Estado de São Paulo, em 2012, para os processos que versassem sobre abuso

sexual, inovou ao passar a utilizar instrumentos e técnicas não previstas, à época, pelo ordena-

mento jurídico para garantir o direito à convivência familiar do menor até o término do processo

judicial, a exemplo da realização das visitas, acompanhadas por pessoas indicadas pelo magis-

traldo ou da confiança do genitor guardião, no próprio fórum ou na sede do conselho tutelar.

269

Entre as inovações, merece destaque a criação de um local específico para realização destas

visitas, projetado para parecer com uma residência, de forma a deixar o ambiente mais

acolhedor para as crianças e para os adolescentes, garantindo sua segurança através da

instalação de um circuito interno de TV que permita o monitoramento de todo o espaço.

Para Douglas Freitas

270

, a manutenção do convívio familiar só deve ser interrompida em último

caso, quando se constitui num importante e eficaz meio de demonstrar ao menor que sua

percepção da realidade foi distorcida pelo genitor alienador através de atos de alienação parental,

a exemplo da implantação de falsas memórias.

No documento Universidade Católica do Salvador (páginas 95-98)