O art. 4º da Lei 12.318/2010 abordou as questões processuais da alienação, in verbis:
Art. 4º: Declarado indício de ato de alienação parental, a requerimento ou de
ofício, em qualquer momento processual, em ação autônoma ou
incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária, e o juiz determinará,
com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas provisórias
necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do
adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou
viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso.
Parágrafo único: Assegurar-se-á à criança ou adolescente e ao genitor garantia
mínima de visitação assistida, ressalvados os casos em que há iminente risco
de prejuízo à integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente,
atestado por profissional eventualmente designado pelo juiz para
acompanhamento das visitas.
258O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a matéria, reconhecendo expressamente
a possibilidade do Poder Judiciário admitir a existência de alienação por meio de processo
autônomo ou de forma incidental, consoante o artigo quarto supra do aludido dispositivo, no
informativo nº 0538 do STJ de 30.04.2014.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO CONTRA DECISÃO QUE
RESOLVE INCIDENTE DE ALIENAÇÃO PARENTAL. [...] A Lei
12.318/2010 prevê que o reconhecimento da alienação parental pode se dar
em ação autônoma ou incidentalmente. (Recurso Especial nº 1.330.172 - MS,
Relatora Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/3/2014)
259Este dispositivo, segundo Madaleno
260, é de fundamental importância para o combate eficaz à
alienação parental, que começa a ser identificada, com maior frequência, nos casais que se
separam de forma litigiosa. A atuação rápida e precisa do judiciário é imprescindível para
manutenção da integridade psicológica do menor.
257BUOSI, Caroline de Cássia F. Lei da alienação parental: uma interface do direito e da psicologia, 2012, p.50. 258BRASIL, Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010, que dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990.
259BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo nº 0538.
Para Douglas Freitas
261, o legislador infraconstitucional foi muito feliz ao determinar, no
aludido dispositivo, que o juiz e o membro do parquet, ao identificarem casos de alienação,
devem conferir tramitação prioritária ao processo e promover medidas que assegurem os
direitos do menor.
Desde que não haja comprovação de nenhum tipo de risco para o menor, o magistrado sempre
deverá tentar proporcionar a aproximação entre o pai alienado e seu filho, garantindo
efetividade ao princípio constitucional do direito ao convívio familiar, depois de ouvida a
manifestação do Ministério Público.
262O contraditório e à ampla defesa, direitos assegurados, pelo constituinte originário na Carta
Magna de 1988, a todos brasileiros, não são violados ou relativizados quando o Poder Judiciário,
por meio de seus magistrados, utiliza medidas provisórias de caráter protetivo apara assegurar
a integridade física e psicológica do menor, em obediência ao comando, também oriundo da
Constituição, previsto em seu art. 227 que consagra o princípio do melhor interesse da criança.
Perez salienta que, diante do risco eminente de danos irreparáveis ou de difícil reparação ao
menor, que podem ser gerados pela demora na configuração da alienação pelo Judiciário,
deve-se deve-sempre requer antecipação da tutela, com o objetivo de garantir o direito do menor conviver
com o genitor alienado, bem como sua integridade, uma vez que, não raro, o próprio um
processo judicial é utilizado como instrumento alienador em face de seu injustificado retardo e
prolongamento.
263Amílcar Nadu
264assevera que foram criados pelo art. 4º da Lei 12.318/2010 dois instrumentos
eficazes para amenizar as devastadoras consequências da alienação parental na estrutura
psicológica do genitor que está sendo vitimado pela alienação e de seu rebento, quais sejam, o
a priorização do tramite processual das ações que tratem de casos de alienação e a garantia de
convivência mínima entre o menor e seu pai alienado.
A convivência familiar dos filhos com seus genitores é sempre assegurada pela Lei 12.318/2010,
salvo nos casos em que haja efetiva possibilidade de risco para a criança caso em que a
261FREITAS, Douglas Phillips. Alienação parental – Comentários Lei 12.318/2010, 2015, Cap.2. VitalBook file. 262SANDRI, Jussara. Alienação parental: O uso dos filhos como instrumento vingança entre os pais, 2013, p.118. 263PEREZ, Elizio Luiz. Incesto e alienação parental: realidades que a justiça insiste em não ver. In: DIAS, Maria Berenice (Coord.). Breves Comentários acerca da Lei da Alienação Parental, 2013, p.75.
264NADU, Amílcar. Lei 12.318/2010: lei da alienação parental. Comentários e quadros comparativos entre o texto primitivo do PL, os substitutivos e a redação final da lei 12.318/10, 2010, p.5.
convivência será reduzida e controlada, mas não eliminada, ocorrendo, por exemplo, por meio
da intermediação de um profissional designado pelo juiz para acompanhar a visita, que se dará
em locais públicos ou nas instalações do próprio Judiciário.
Madaleno
265defende que, diante da gravidade e da constância dos transtornos emocionais dos
menores, o magistrado deve proceder de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 4º
Lei 12.318/2010, estabelecendo visitas assistidas de forma a minorar as nefastas e perniciosas
consequências da alienação e, também, a assegurar a concretização fática do princípio
constitucional do direito à convivência familiar.
Apenas em situações incomuns e singulares, que forem devidamente comprovadas por robusto
laudo pericial, o magistrado determinará o afastamento total do acusado do menor. Todos
esforços devem ser perpetrados pelo Judiciário para, por meio das visitas, demonstrar ao menor
que sua percepção da realidade foi intencionalmente distorcida por seu genitor alienador.
266Não raro, os alienadores vêm se utilizando de inverídicas acusações de abuso sexual efetuadas
ao ministério público ou diretamente ao Judiciário como instrumento para a concretização da
alienação parental e, desta forma, tem obrigado, ainda que de forma involuntária, o magistrado
a proibir o convívio do menor com o suposto responsável pelo abuso infantil.
Em tais situações, não é difícil encontrar laudos periciais superficiais, elaborados por
profissionais que não são qualificados nem possuem experiência na identificação e no
acompanhamento de casos de alienação parental. Suas conclusões se lastreiam apenas nas
investigações unilaterais e em documentos fornecidos pelo genitor alienador.
É muito ariscada a suspensão total das visitações a partir de laudos psicológicos que
simplesmente descrevem o caso, e que são elaborados exclusivamente a partir das informações
fornecidas unicamente pelo menor e pelo genitor acusador, que podem acabar distorcendo os
fatos, levando a equivocada conclusão da existência da alienação e de que os transtornos
emocionais do menor decorrerão da atuação do alienador.
267
265MADALENO, Rolf; MADALENO, Ana Carolina Carpes. Síndrome da alienação parental, 2015, p.107.
266FREITAS, Douglas Phillips. Alienação parental – Comentários Lei 12.318/2010, 2015, Cap. 2. VitalBook file.
267CUENCA, José Manoel Aguilar. Recientes modificaciones legislativas para abogados de família:
modificaciones fiscales, el síndrome de alienacion parental, previsiones capitulares. Madrid: Dykinson, 2008, p.87 apud a MADALENO, Rolf; MADALENO, Ana Carolina Carpes. Síndrome da alienação, 2015, p.106.