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Atividade: Descubra quem mora na casa Data: 11/09/

DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS DADOS

M: não, leitura convencional seria a leitura alfabética mesmo De conseguir ler por completo, né

10- Atividade: Descubra quem mora na casa Data: 11/09/

Participantes: M., P., N., e E. Objetivo Função social de comunicação

Descrição da atividade Suporte textual - Leitura de frase; - A partir das pistas do contexto, levar a criança a atribuir um significado à escrita. - Entretenimento e lazer.

Em volta de uma caixa de papelão contendo um coelho dentro, as crianças foram incentivas a ler o que estava escrito em cima da caixa de papelão - CASA DO COELHO. A caixa imitava o formato de uma casinha, contendo porta e telhado.

Frase: CASA DO COELHO

Quadro 18. GÊNERO CHARADA Episódio (...)

(09) S.: olha só ... aqui tá escrito alguma coisa (passa a mão sobre o texto escrito no telhado da caixa de papelão – CASA DO COELHO)

(10) N. : Casa

(11) S. : casa !!! você pode me mostrar onde está escrito casa (leva a caixa mais próxima da N. para ela apontar onde estava escrito casa)

(12) N. : (bate na porta da casa de papelão)

(13) S. : olha aqui tá escrito alguma coisa (indica novamente o escrito). O que será ? (14) E.: [CASA]

(15) S. : onde tá escrito casa ? Mostra para mim (16) E. : (bate na porta)

(17) S. : (imita o gesto de bater na porta) É a porta !!! TUM... TUM... O que é que tá escrito aqui ? (passa o dedo sobre o escrito)

(18) N. : fecha a porta (19) E. : [CASA]

(20) S. : o que é Mariana ?

Pelo fato de as crianças surdas serem iniciantes em práticas sociais de leitura, na escola, e saber que quase nunca a partilhavam em casa ou fora dela, demonstro, no início do processo de investigação nesse estudo, uma preocupação em apresentar aos alunos comportamentos típicos de leitores. É o que se pode observar, na seqüência dos turnos abaixo, quando passo a mão sobre o escrito, para chamar a atenção da criança, indicando que no texto impresso haveria informações que a ajudaria a descobrir o que havia dentro da caixa:

(09) S: olha só ... aqui tá escrito alguma coisa (passa a mão sobre o texto escrito no telhado da caixa de papelão – CASA DO COELHO)

(13) S : olha aqui tá escrito alguma coisa (indica novamente o escrito). O que será ?

A seqüência de turnos, do 9 ao 20, parece demonstrar claramente que tanto N. como E. ainda não perceberam a escrita como uma forma de linguagem, capaz de comunicar fatos, idéias, desejos daqueles que a utilizam.

Entretanto, como professor responsável pela leitura, naquele momento, alerto as crianças para o uso de outra estratégia, ou seja, de que no texto impresso haveria informações. É o que se pode observar na continuidade da atividade, nos turnos apresentados abaixo:

(24) N.: (balança a cabeça dizendo sim)

(25) S.: Aqui tá escrito Nathália (aponta para a escrita da palavra COELHO) (26) N.: não

(27) S.: Tá escrito Edilson (indica E)? (28) E.: não

Nessa seqüência de turnos, chamo a atenção da criança sobre o escrito, a partir de palavras conhecidas, como por exemplo, o seu próprio nome, levando-a a fazer perguntas sobre o escrito, auxiliando-a a eliminar as incertezas. Por estar imerso no jogo interlocutivo na mediação da leitura, E. imediatamente compartilha com o grupo uma nova informação percebida:

Continuidade (...)

(40) E. : (indica o desenho de uma caveira – produtos tóxicos – inserida na caixa e faz sinal de levar choque)

(41) S. : é verdade, aqui tá escrito que é perigoso, sim!!! (42) N. : miau, miau...

(45) E. : [GATO]

(46) S. : Será que é o passarinho [PÁSSARO], piu... piu ?

Como havia poucas pistas sobre o contexto de produção de linguagem e de circulação do texto (como? onde? quando? Por que ele foi produzido? etc.), facilito a descoberta do que havia na caixa, deixando as crianças espiarem dentro dela:

(47) E : (faz sinal positivo)

(46) S : (S. aproxima a caixa de E., levanta a tampa para ele dar uma espiada dentro) (47) E : [COELHO]

(48) N : [GATO] (não conseguiu ver o que tem dentro da caixa) (49) M : [PASSARINHO] (aguarda sua vez para olhar dentro da caixa)

(50) S : (olha para E) É o [COELHO] coelho? onde está escrito?[COELHO] (aproxima a caixa para E. apontar a palavra coelho)

(51) E : (indica a palavra coelho na caixa) [COELHO]

(52) S: que legal!!! Isso mesmo, aqui ta escrito casa do coelho (CASA DO COELHO - fala e passa a mão sobre a frase ao mesmo tempo)?

Essa estratégia parece ter auxiliado uma das crianças a recuperar, em sua memória, a escrita correta da palavra [COELHO] na frase escrita na caixa. Assim, com a sua ajuda, as crianças vão descobrindo para que serve a escrita e como utilizá-la. Trenche e Balieiro (2004) ao enfatizarem as situações dialógicas na mediação linguagem escrita, destacam a importância de incentivar as crianças a “[...] mobilizar o que já sabem, o que pode ser construído por meio de outras leituras, escritas e conversas com o terapeuta”. Dito de outro modo, afirmam que o conhecimento do sistema de escrita se aperfeiçoará com a experiência da criança como leitora e produtora de textos escritos. O trabalho com a leitura e com a escrita, portanto, deve-se efetivar em função da necessidade de se resgatar com essas crianças a memória do que se diz e do que se fala, do que se faz, do que se precisa, no cotidiano, ou seja como parte integrante do trabalho na e com a linguagem.

Embora reconheça que a atividade comentada seja considerada restritiva, do ponto de vista de produção de linguagem em que a leitura de um livro se insere, sublinho que minha preocupação, naquele momento, era a de promover um contato dos alunos com suportes textuais reais. Apesar de ter o conhecimento de que, até há bem pouco tempo, tais atividades de leitura eram bastante incomuns para os participantes deste estudo, assim, questiono: porque demonstro dificuldades para favorecer a exploração visual do material, antes de iniciar a leitura do título do livro? porque não incentivo as crianças a levantar hipóteses sobre o que encontrariam na história? Porque não facilito a ativação dos conhecimentos prévios dos alunos sobre esse gênero discursivo?

Possíveis respostas para tais questionamentos podem estar atreladas ao processo de transformação dos sujeitos no trabalho de pesquisa-ação. Levantar essas questões, atualmente, quando distanciado da prática de intervenção da leitura, significa reconhecer que tanto o aluno como o professor-pesquisador estão em constante processo de transformação. A partir do materialismo dialético, ao reconhecer que tudo está em processo de transformação e movimento, assim como Pastorello (2005, p. 87), pode-se dizer que, “se assim não fosse, estaria recortando parte de um todo em movimento, que ao tentar encaixar essa parte novamente no

todo, ela já não caberia mais e a reflexão sobre ela ao final do trabalho já estaria sem efeito”.

4.3.3 Leitura partilhada: uma estratégia valiosa na produção da leitura

Ao considerar que é pela interação discursiva (em que se encontram as manifestações de linguagem, olhar, gestos, entoação, contexto etc.) que os sujeitos se apropriam dos novos conhecimentos, buscarei destacar aqui, o movimento de transformação dos participantes envolvidos neste estudo.

7- Atividade: Leitura da capa do livro