• Nenhum resultado encontrado

Autoconfiança excessiva

No documento PROCESSO DE DECISÃO (páginas 132-137)

5. MODELO DE PESQUISA

7.2 TESTE DAS HIPÓTESES

7.2.1 Processamento da informação

7.2.1.1 Autoconfiança excessiva

Os resultados do processo decisório do experimento não apresentam nenhuma anomalia. Não foram encontrados valores extremos ou fora de determinados padrões que pudessem representar um grande viés dos grupos ou decisores participantes da pesquisa.

1 e o peso atribuído na tarefa 2, menor deve ser a autoconfiança excessiva, ou seja, mais o decisor considerou a nova informação. Pode-se afirmar que autoconfiança excessiva mede o nível em que o decisor considera efetivamente a informação fornecida pelo SAD, assim quanto menor for a autoconfiança excessiva, mais utiliza o SAD e menos o conhecimento prévio sobre o assunto.

Tabela 8 – Variações absolutas nas atribuições de pesos: “lançamento no Brasil” – “consumo”

Grupo Indivíduos com mais conhecimento Indivíduos com menos conhecimento Tarefa Tarefa Complexa Tarefa Simples Tarefa Complexa Tarefa Simples

20 8,5 9 15

5 0 20 30

15 15 10 0

5 10 0 10

15 15 15 0

10,67 0 0 10

0 0 21 13,33

7,33 5 10 0

20 0 11,67 17,5

-1,5 5 25 1

20 0 9 10

6,67 -5 40 18

-2,5 10 10 18,5

25 10 8 8,33

15 19 5 25

25 25 3 15

14 15 30 14

20 15 9 10

15 15 0 11

17 7,5 30 45

5 0 15 20

20 20 10 20

10 19 47,5 14

20 20 1,67 15

10 20 33 20

5 25 16,15 10

5 -1 21,67 15

15 0 30 23

Diferenças absolutas

20 17,5 20 8,5

Média Geral -11,24 Média Geral - 15,13 Fonte: dados da pesquisa

A análise dos resultados da Tabela 8 foi realizada comparando a diferença das médias entre os grupos pesquisados. Segundo Vieira (1999) é possível comparar diferentes grupos num experimento, quando se necessita observar variações de um procedimento para outro, comparando-se as médias dessas variações. Segundo a autora, pode-se calcular a Diferença Mínima Significante (D.M.S.) estabelecida pelo teste “t”. A D.M.S. fornece o valor que serve para verificar diretamente se a diferença de duas médias é significante ou não. Toda vez que o

valor absoluto da diferença entre duas médias é igual ou superior à D.M.S., as médias são estatisticamente diferentes.

Pode-se observar que, na média, a variação foi menor no grupo de indivíduos com mais conhecimento do que no grupo dos indivíduos com menos conhecimento, demonstrando que os indivíduos com mais conhecimento possuem maior autoconfiança excessiva, ou seja, não consideram a nova informação, não modificam sua opinião com a inserção de uma informação de maior qualidade no mesmo grau dos indivíduos com menos conhecimento.

Importa, nesse primeiro momento, diferenciar decisores com mais conhecimento de indivíduos com menos conhecimento, independente da tarefa que foi resolvida. Ainda não se está analisando questões relativas à complexidade da tarefa, mas questões quanto à qualidade da informação, que é idêntica, tanto na tarefa simples quanto na tarefa complexa.

Calculando a diferença mínima significativa estabelecida pelo teste t (nível de significância de 95%) para os valores acima, chegou-se ao valor de 3,57, ou seja, os valores das diferenças entre as médias deveriam ser iguais ou maiores do que o valor calculado.

Verificando-se a diferença entre as médias, chegou-se ao valor de 3,89, demonstrando que são estatisticamente significativas as diferenças entre as médias do grupo de indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento, quando se analisam se incorporaram a informação de maior qualidade ou não. Pode-se afirmar que os decisores com mais conhecimento possuem maior autoconfiança excessiva do que os indivíduos com menos conhecimento.

A partir desse primeiro resultado buscou-se uma maior precisão nessa diferença. Fez-se o que Fez-se pode denominar de refinamento dos grupos, procurando-Fez-se diferenciar mais os decisores com mais conhecimento dos com menos conhecimento. De acordo com a Figura 48, dentro dos grupos de indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento, há aqueles que possuem características muito semelhantes e, por esse motivo, eles poderiam ser excluídos numa segunda análise para haver uma diferenciação maior. A Figura a seguir demonstra o que se pode denominar de criação de grupos secundários dentro da divisão inicialmente proposta.

Grupo primário Conforme divisão proposta originalmente Indivíduos com mais

conhecimento

Comprou carro até 1 ano. OU comprou carro de 2 a 3 anos e lê revistas ou atua no ramo ou possui curso.

Indivíduos com menos conhecimento

Demais

Grupos secundários Classificações em ordem decrescente, quanto menor o n°

do nível, maior a caracterização Indivíduos com mais

conhecimento nível 1

Comprou carro até 1 ano e lê revistas regularmente ou atua no ramo ou possui curso.

Comprou carro até 1 ano e lê revistas esporadicamente Indivíduos com mais

conhecimento nível 2 Comprou carro de 2 a 3 anos e lê revistas regularmente ou atua no ramo ou possui curso.

Comprou carro até 1 ano, não lê revistas e não atua no ramo e não possui curso

Indivíduos com mais conhecimento nível 3

Comprou carro de 2 a 3 anos e lê revistas esporadicamente.

Indivíduos com menos conhecimento nível 1

Nunca escolheu carro, não lê revistas, não atua no ramo e não possui curso.

Nunca comprou carro, e lê revistas ou atua no ramo ou possui curso.

Indivíduos com menos conhecimento nível 2

Comprou carro há mais de 3 anos ou lê revistas

esporadicamente, ou não lê, ou não possui curso e não atua.

Comprou carro de 2 a 3 anos e não lê revistas e não atua no ramo e não possui curso.

Indivíduos com menos conhecimento nível 3

Comprou carro há mais de 3 anos e lê revistas regularmente ou atua no ramo ou possui curso.

Figura 48 – Criação de grupos secundários para indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento.

Fonte: desenvolvido pelo autor

O que se pode depreender é que os decisores que farão parte do grupo 3 de indivíduos com menos conhecimento e grupo 3 de indivíduos com mais conhecimento possuem características bastante semelhantes e, para uma discriminação maior entre grupos, poderiam ser excluídos. A função desse teste é verificar em que sentido tendem os valores quando os decisores são mais diferenciados em termos de nível de conhecimento. A Figura 49 mostra os resultados da nova classificação.

Indivíduos com mais conhecimento

nível 1

Indivíduos com mais conhecimento

nível 2

Indivíduos com mais conhecimento

nível 3

Indivíduos com menos conhecimento

nível 1

Indivíduos com menos conhecimento

nível 2

Indivíduos com menos conhecimento

nível 3

11 23 24 15 39 8

Figura 49 – Número de participantes em cada nível de grupo de indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento.

Fonte: dados da pesquisa

Foram excluídos 24 decisores do nível 3 dos indivíduos com mais conhecimento, sendo necessário excluir os 8 indivíduos com menos conhecimento de nível 3 e sortear mais 16 indivíduos com menos conhecimentos do nível 2 para exclusão, para haver um emparelhamento dos grupos.

Tabela 9 – Diferenças na atribuição de pesos com refinamento dos grupos Indivíduos com mais conhecimento Indivíduos com menos conhecimento

5 0 20 15

15 10 10 30

15 15 15 10

7,33 0 21 13,33

20 0 11,67 0

-1,5 0 25 17,5

20 0 40 1

6,67 30 10 18,5

-2,5 10 3 25

25 19 30 15

15 20 30 45

20 19 15 20

15 20 47,5 14

5 25 33 20

5 -1 16,15 10

5 0 21,67 15

20 17,5 30 23

Média = 11,16 Média = 19,74

Fonte: dados da pesquisa

Com o refinamento, restaram 34 decisores em cada um dos grupos. Realizando o cálculo da D.M.S. do teste t, chegou-se aos seguintes resultados: a diferença mínima significativa calculada foi de 5,00, e a diferença efetiva entre os grupos foi de 8,58, demonstrando que a diferença se tornou mais significativa à medida que os grupos são discriminados, ou seja, quanto mais extremos se tornam os decisores em termos de nível de conhecimento, maior a diferença (e mais significativa estatisticamente), comprovando, assim, que os decisores indivíduos com menos conhecimento são menos autoconfiantes do que os decisores indivíduos com mais conhecimento.

No documento PROCESSO DE DECISÃO (páginas 132-137)