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MAPEAMENTO DO PROCESSO DECISÓRIO

No documento PROCESSO DE DECISÃO (páginas 155-162)

5. MODELO DE PESQUISA

7.3 MAPEAMENTO DO PROCESSO DECISÓRIO

Um dos objetivos estabelecidos neste trabalho foi a verificação do traçado que os decisores percorrem durante a decisão. Para retraçar o processo de decisão, utilizou-se o mapeamento dos acessos computacionais catalogados pelo sistema Decisor.

O sistema possui sete páginas possíveis de acessar, sendo que três são de efetiva inserção e alteração de dados por parte do usuário - alternativas, critérios, e matriz alternativas X critérios - e quatro são páginas auxiliares para acompanhamento da decisão - valores X critérios; gráfico escores; gráfico pilha; e gráfico dominância. Num primeiro momento, são apresentados os modos de avaliação e classificação do processo dos decisores, em seguida, são apresentados exemplos de cada tipo, e por último, os resultados dos grupos experimentais.

Foi levantado, através do mapeamento dos acessos computacionais, o número de vezes que o decisor migrou das páginas do grupo de atribuição para as páginas do grupo auxiliar e vice-versa. Também foram contadas as trocas realizadas dentro de cada grupo. A partir desse levantamento, construiu-se os relacionamentos que puderam identificar o decisor segundo o seu processo de decisão.

A presente seção pode ser entendida como um trabalho de caráter exploratório. Por esse motivo, outra discussão tem sua importância, a posição epistemológica adotada.

A identificação do processo de decisão deu-se através da análise do uso do sistema.

Com referência ao uso de sistemas de apoio, Trauth e Jessup (2000) sugerem a diferenciação dos estudos em dois tipos, ou uma posição positivista ou interpretativa.

Segundo os autores, o que diferencia estes métodos de análise de um Sistema de Apoio é que uma posição positivista parte de um esquema prévio, onde as categorias estão bem definidas e codificadas, e também as estruturas correspondentes estão quantificadas.

Enquanto que uma posição interpretativa abdica de uma codificação fechada, não há um construto a priori quantificado. Numa análise interpretativa, há uma abertura maior para utilizar dados contextuais em conjunto com achados nos resultados.

Assim, embora exploratório, este estudo se encaixa num modelo positivista, pois toda a análise do processo será inserida numa codificação previamente estabelecida e quantificada.

Sobre a classificação dos tipos de modelos decisórios, Carvalho (1975) propôs um continuum, onde dois tipos de decisores estão situados nos extremos, num os racionais e no outro aqueles que utilizam um processo de ajustamentos incrementais. Klein (2001) divide os métodos de solução de problemas em lineares e não- lineares, dependendo da seqüência do processo.

Neste trabalho, o processo foi classificado em método linear e de ajustamentos, dependendo da seqüência de passos utilizados para chegar à escolha final. Também foi utilizado um continuum com dois extremos e dois pontos intermediários, para uma melhor discriminação dos processos encontrados.

Método Medidas do processo

Linear O decisor inicia o processo nas páginas de atribuição, não repete nenhuma dessas páginas, segue para as páginas auxiliares e também não repete nenhuma delas e encerra o processo.

Linear parcial O decisor inicia o processo nas páginas de atribuição, repete alguma dessas páginas, segue para as páginas auxiliares também podendo repetir alguma delas e encerra o processo.

Ajustador parcial O decisor inicia o processo nas páginas de atribuição, segue para as páginas auxiliares, volta uma vez para as páginas de atribuição e/ou volta ou não às paginas auxiliares.

Ajustador O decisor inicia o processo nas páginas de atribuição, segue para as páginas auxiliares, volta mais de uma vez para as páginas de atribuição e volta às paginas auxiliares.

Figura 62 – Tipos de processos de decisão e medidas Fonte: desenvolvido pelo autor

A seguir são apresentados graficamente os quatro tipos de modelos decisórios.

A Figura 63 está retratando um processo de decisão, onde os retângulos representam as páginas do sistema Decisor, e as linhas direcionadas e numeradas representam os passos, na ordem em que ocorreram, para a resolução da tarefa.

A Figura 63 representa o extremo da linearidade, entretanto, para ser considerado linear, poderá também não ter visitado todas as páginas, e não necessariamente deve ser na ordem acima apresentada.

No caso do método linear parcial, somente não se admite voltar de páginas auxiliares para páginas de atribuição, permitindo mudanças dentro do mesmo grupo.

Alternativas Critérios Matriz

alternativas X critérios

Gráfico dominância Gráfico pilha

Gráfico escores valores X

critérios

Páginas auxiliares Páginas de atribuição

Alternativas Critérios Matriz

alternativas X critérios

Gráfico dominância Gráfico pilha

Gráfico escores valores X

critérios

Páginas auxiliares Páginas de atribuição

1 2

3

4 5 6

Figura 63 – Exemplificação do método linear do processo decisório Fonte: desenvolvido pelo autor

1

2 3

4

5

6

7

Figura 64 – Exemplificação do método linear parcial do processo decisório Fonte: desenvolvido pelo autor

No método de ajustamentos parciais, admite-se retorno de páginas auxiliares para páginas de atribuição, mas somente uma única vez, com um único retorno.

Neste último tipo de método, é admitido um número ilimitado de idas e vindas entre os dois grupos de páginas e trocas dentro das próprias páginas.

Alternativas Critérios Matriz

alternativas X critérios

Gráfico dominância Gráfico pilha

Gráfico escores valores X

critérios

Páginas auxiliares Páginas de atribuição 1

2 3

4

5

6 7

8

Figura 65 – Exemplificação do método de ajustamento parcial do processo decisório Fonte: desenvolvido pelo autor

Alternativas Critérios Matriz

alternativas X critérios

Gráfico dominância Gráfico pilha

Gráfico escores valores X

critérios

Páginas auxiliares Páginas de atribuição 1

2 3

4

5

6 7

8 9

10

11

12 13

14

Figura 66 – Exemplificação do método de ajustamentos do processo decisório Fonte: desenvolvido pelo autor

A Figura 67 mostra os resultados encontrados referentes ao mapeamento dos processo decisórios realizados pelos decisores neste estudo.

Linear

Linear parcial

Ajustador

parcial Ajustador

Tarefa simples – informação baixa

qualidade 0 3 7 19

Tarefa simples – informação alta

qualidade 7 5 7 10

Tarefa complexa – informação baixa

qualidade 1 3 5 20

Indivíduos com mais conhecimento

Tarefa complexa – informação alta

qualidade 8 4 9 8

Total Indivíduos com mais conhecimento 16 15 28 57 Tarefa simples – informação baixa

qualidade 0 1 5 23

Tarefa simples – informação alta

qualidade 1 4 10 14

Tarefa complexa – informação baixa

qualidade 3 2 5 19

Indivíduos com menos conhecimento Tarefa complexa – informação alta

qualidade 8 3 3 15

Total Indivíduos com menos conhecimento 12 10 23 71 Figura 67 – Contagem dos tipos de modelos decisórios dos suje itos experimentais

Fonte: dados da pesquisa

Concluído o mapeamento dos tipos de modelos decisórios dos sujeitos experimentais, optou-se por realizar o teste qui-quadrado de dois critérios, que segundo Levin e Fox (2004), serve para testar uma tabulação cruzada, comparando-se as freqüências observadas com freqüências esperadas sob a hipótese nula.

Figura 68 – Modelos decisórios de indivíduos com mais conhecimento, tarefa simples, informação com baixa e alta qualidade respectivamente.

Fonte: dados da pesquisa

Figura 69 – Modelos decisórios de indivíduos com mais conhecimento, tarefa complexa, informação com baixa e alta qualidade respectivamente.

Fonte: dados da pesquisa

0

3

7

19

7

5

7

10

0 5 10 15 20 25

Linear Linear parcial

Ajustador parcial

Ajustador Tarefa 1 Tarefa 2

1

3

5

20

8

4

9 8

0 5 10 15 20 25

Linear Linear parcial

Ajustador parcial

Ajustador Tarefa 1 Tarefa 2

Foram comparados os indivíduos com mais conhecimento entre si, logo após os indivíduos com menos conhecimento e, por fim, os indivíduos com mais conhecimento versus os indivíduos com menos conhecimento. As Figuras 68 e 69 retratam os modelos decisórios utilizados pelos indivíduos com mais conhecimento. Na Figura da esquerda, estão retratadas as seqüências da tarefa 1 e tarefa 2 daqueles que realizaram tarefas simples, e na Figura da direita, daqueles que realizaram tarefas complexas. Nota-se que da tarefa 1 para a tarefa 2 há um incremento nos modelos lineares de decisão, principalmente naqueles que realizaram tarefas complexas.

Realizou-se o teste qui-quadrado, e foi rejeitada nos dois casos, a hipótese nula, ou seja, há diferença num nível de significância de 5%, pois os indivíduos com mais conhecimento modificam os modelos decisórios quando passam da tarefa 1 para a tarefa 2.

Figura 70 – Modelos decisórios de indivíduos com menos conhecimento, tarefa simples, informação com baixa e alta qualidade respectivamente.

Fonte: dados da pesquisa

Figura 71 – Modelos de cisórios de indivíduos com menos conhecimento, tarefa complexa, informação com baixa e alta qualidade respectivamente.

Fonte: dados da pesquisa

Nestas duas Figuras, estão retratados os modelos decisórios dos indivíduos com menos conhecimento, sendo, na Figura da esquerda, tarefas simples e, na direita, tarefas complexas.

Realizou-se o teste qui-quadrado e constatou-se que não há diferenças significativas nos modelos decisórios quando os indivíduos com menos conhecimento passam da tarefa 1 para a tarefa 2, embora haja uma tendência de migrarem para modelos mais lineares na tarefa 2.

0 1

5

23

1

4

10

14

0 5 10 15 20 25

Linear Linear parcial

Ajustador parcial

Ajustador Tarefa 1 Tarefa 2

3 2

5

19

8

3 3

15

0 5 10 15 20 25

Linear Linear parcial

Ajustador parcial

Ajustador Tarefa 1 Tarefa 2

Figura 72 – Modelos decisórios em tarefas com informações de baixa qualidade, realizadas por indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecime nto, respectivamente.

Fonte: dados da pesquisa

Figura 73 – Modelos decisórios em tarefas com informações de alta qualidade, realizadas por indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento, respectivamente.

Fonte: dados da pesquisa

Nas Figuras acima, as comparações foram realizadas entre indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento. Na Figura 72, à esquerda, comparou-se aqueles que realizaram tarefas com informações de baixa qualidade (tarefa 1) e, na Figura 73, à direita, comparou-se aqueles que realizaram tarefas com informação de alta qualidade (tarefa 2). Nos dois casos, os indivíduos com mais conhecimento possuem uma tendência de serem mais lineares, e não há diferença num nível de significância de 5%. No caso da tarefa com informações com alta qualidade, há diferença, se for considerado um nível de significância de 10%.

Figura 74 – Modelos decisórios em tarefas realizadas por indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento.

Fonte: dados da pesquisa

1

12

3 6 3

39

10

42

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Linear Linear Parcial

Ajustador Parcial

Ajustador Com mais conhecimento Com menos conhecimento

15 16

9

9 7

13 18

29

0 5 10 15 20 25 30 35

Linear Linear Parcial

Ajustador Parcial

Ajustador Com mais conhecimento Com menos conhecimento

16

28

15 10

57

12

23

71

0 10 20 30 40 50 60 70 80

Linear Linear Parcial

Ajustador Parcial

Ajustador Com mais conhecimento Com menos conhecimento

Por último, a análise realizada consistiu em comparar os indivíduos com mais conhecimento e indivíduos com menos conhecimento e compará- los no geral, independente das tarefas realizadas. Há diferença nos testes qui-quadrado num nível de significância de 5%, comprovando que os indivíduos com mais conhecimento apresentam modelos decisórios mais lineares que os indivíduos com menos conhecimento se considerados no total.

No documento PROCESSO DE DECISÃO (páginas 155-162)