No contexto das interfaces da Internet, a criação e a publicação de produções com autoria ganha dimensões bem menos complexas do que seria o trabalho a partir da lógica das publicações impressas. Neste cenário também são evidenciadas e estimuladas as produções em autoria coletiva, sejam elas cooperativas ou colaborativas.
Conforme Demo (2008, p. 73), "a autoria virtual resplandece a possibilidade da autoria coletiva", e nestes espaços a possibilidade e manifestar suas opiniões e sua autoria a partir da crítica às produções lá dispostas é muito mais ampla. A autoria coletiva a partir das interfaces de escrita cooperativa e/ou colaborativa da internet,
fundam-se na autoridade do argumento compartilhado; dificilmente imposições ou veleidades individualistas prosperam, porque o controle de pares não permitiria; constrói-se uma esfera comum de discussão, marcada por regras igualitárias e civilizadas. Nesse sentido a autoria dilui-se. De outro lado, porém, ressurge o horizonte da autoria, à medida que todos, podendo colaborar, comparecem como autores. O que muda é que tais autores não assomam no ambiente como proprietários das idéias, mas distribuidores de idéias com as quais contribuem abertamente para elaborar. Nisso, não se dilui o autor, mas comparece outro tipo de autor, aquele que é original não para si, mas para o grupo.
É o caso por exemplo da Wikipédia (http://www.wikipedia.org). A maior enciclopédia do mundo, está disponível em atualmente mais de 30 idiomas e já supera em quantidade de conceitos a enciclopédia Barsa. Trata-se uma wiki, uma interface de escrita colaborativa a partir da qual, qualquer um pode publicar a sua definição sobre um determinado conceito e os demais internautas podem editar sua publicação síncrona ou assincronicamente.
Fig. 1 - Wikipédia
Na Wikipédia não existe o autor da publicação, como bem destaca Demo (2008), o argumento é compartilhado, pois se assim não o for, o "controle dos pares" altera ou exclui o conteúdo da publicação. Muitos conceitos podem ser encontrados disponíveis a partir da Wikipédia e na maioria das vezes as pesquisas realizadas a partir dos motores de busca da internet apontam como primeiro resultado, o link da Wikipédia.
Apesar dos conceitos que lá estão dispostos, a priori, não terem sido elaborados por especialistas, tais conteúdos, em sua grande maioria, apresentam coerência com a realidade. Isto por que passaram pelo crivo e pela avaliação do controle de pares. Autores que discutem sobre o assunto regulam o que lá está disposto. Neste sentido, como afirma Demo (2008), a autoria se dilui, mas não se dilui o autor, pois a obra é produto coletivo e resultante de uma democracia de idéias.
Segundo Mercado (2009, p. 30), "a autoria coletiva traz a vantagem da pluralidade de vozes, o que determina o enriquecimento do texto pela promoção da emergência de perspectivas múltiplas a um mesmo conceito". Desta forma, no contexto das interfaces que favorecem a autoria coletiva, a pluralidade de vozes se imbrica numa fala única e democrática, regulada pelos pares autores. A possibilidade e as potencialidades do trabalho pedagógico em autoria coletiva, não devem colocar de lado a autoria individual. Não se trata de colocar uma em oposição à outra. Segundo Demo (2008, p. 74),
a nona sinfonia ou a Monalisa não poderiam ter sido elaboradas por um grupo... Assim, não é o caso impor concorrência entre criatividade individual e coletiva, mas propor parceria. O aluno precisa de momento individual, no qual carece acertar contas consigo mesmo, também porque pesquisar e elaborar são atividades que possuem sua dimensão bem individual. Cada qual faz a seu modo, mesmo havendo plataformas metodológicas compartilhadas, mas precisa, talvez ainda mais, de momento coletivo, no qual a cidadania individual se complete e talvez mesmo se transfigure no esforço coletivo, até porque é este que muda a história, não soluços individualistas. Já é importante que a pessoa, individualmente, saiba confrontar-se com os problemas sociais. Mas é ainda mais importante que saiba compor a cidadania coletiva, porque a história é sempre um texto também coletivo.
Desta forma, tanto a autoria individual quanto a autoriattva devem ser estimuladas, tendo em vista que ambas têm seu grau de importância a depender da proposta pedagógica apresentada. Atualmente está disponível na internet uma infinidade de interfaces de escrita coletiva. Algumas são pagas e outras são gratuitas. Dentre estas, destacaremos os editores cooperativos de texto no formato "Office". Segundo Lopes et al. (2006, p. 40), os editores cooperativos são "ferramentas de edição cujo projeto desde o início enfoca a cooperação". O foco neste tipo de editores de texto, é exatamente,
oferecer uma interface web no estilo dos editores de texto presentes nos pacotes de escritório mais tradicionais. Os documentos, entretanto, são versionados no servidor e o acesso pode ser compartilhado. A maioria possui também ferramentas de exportação para formatos conhecidos, como pdf ou doc. [...] Os recentes web-offices vão além dos wikis no sentido de prover manipulação direta dos textos. (LOPES et al. 2006, p. 41)
Um exemplo deste tipo de editor é a interface Google Docs (http://docs.google.com) que, neste capítulo, será apresentada como espaço de formação do sujeito autor e de orientação de trabalhos acadêmicos.
4.1 - A interface Google Docs
A essência do Google Docs (Fig. 2) é o compartilhamento, a escrita coletiva. Trata-se de um conjunto de aplicativos (um editor de textos, um editor de planilhas eletrônicas e um editor de apresentação de slides). Para utilizar estes aplicativos basta criar uma conta no Google. Não apresentam nenhum custo direto e podemos citar dois grandes diferenciais nesta interface: os arquivos que nela são criados ou editados ficam salvos nos servidores da internet; o fato de ser possível convidar a um amigo que também possua conta no Google para em conjunto com você criar ou editar o conteúdo de um arquivo, os dois (ou mais) podem síncrona, ou assincronamente produzirem um texto, ou uma planilha ou uma apresentação de slides em colaboração, cada um em sua casa ou trabalho.
Fig. 2 – Google Docs
Fonte: http:// docs.google.com/
A possibilidade de uso de tais plataformas de escrita coletiva, "cria espaços de aprendizagem que possibilitam experiências pedagógicas dificilmente reproduzíveis em situações presenciais". (MARINHO et al., 2009, online). O Google Docs proporciona a
convergência de dois conceitos em alta na rede: (i) a escrita colaborativa e (ii) a navegação nas nuvens. As interfaces disponíveis no âmbito do Google Docs, mais parecem um documento de um aplicativo do Microsoft Office (Word, Excel, Power Point), ou OpenOffice/BrOffice (Writer, Calc, Draw).
O Google Docs permite que o usuário gerencie os arquivos criados ou publicados em uma de suas interfaces a partir de uma ferramenta de gerenciamento. A interface do gerenciador de arquivos pode ser visualizada partir da fig. 3.
Fig.3 – Gerenciador de Arquivos do Google Docs
Fonte: http://docs.google.com/#all
Os arquivos podem ser organizados em pastas e tal ferramenta apresenta uma interface de fácil navegação se assemelhando ao gerenciador do Windows, o Windows Explorer. O segundo aspecto que caracteriza esta interface é a proposta que foi feita aos usuários pela Google. A proposta é exatamente transformar a internet numa plataforma e que logo mais, os computadores não precisarão de nenhum outro programa além do Browser (Navegador), pois todos os demais programas estarão disponíveis na Internet. Também não precisarão mais de HD, pois os arquivos estarão salvos "nas nuvens".
Sua utilização dispensa a instalação de quaisquer programas além do navegador web. A essência da interface Google Docs é a navegação nas nuvens, na qual não só os arquivos estariam na web, mas também os aplicativos, dispensando assim a necessidade dos computadores vir com HD.
Desta forma, em qualquer lugar que o usuário esteja, poderá acessar seus arquivos, sem se preocupar em transportar computadores portáteis ou pen-drives, ou CD/DVD, ou qualquer outro tipo de dispositivo que armazena arquivos digitais. Tudo estará disponível a
um clique, a partir de sua senha no Google. Enquanto aplicativos de escritório, o Google Docs disponibiliza três interfaces: o Google Docs Documento (Fig. 4), o Google Docs Apresentação e o Google Docs Planilha.
Fig. 4 – Interface do Google Docs Documento
Fonte: http://docs.google.com/Doc?id=d5g5zz3_37cz3bcgd9
No caso específico do Google Docs Documento, o equivalente no pacote Microsoft Office ao Word e no pacote Open Office ao Writer, Marinho et al. (2009, online), o classifica como um "editor de texto coletivo" que na verdade são "ferramentas que permitem a edição cooperativa de textos".
No que diz respeito ao aspecto lingüístico e social, os editores de tetos coletivos, bem como a prática que propiciam, a escrita cooperativa, contemplam duas instâncias sociais que historicamente vêm sendo tratadas de forma superficial pela escola: a linguagem, enquanto espaço para construção dos saberes, e a sociedade, enquanto meio para sua validação. A linguagem foi tradicionalmente concebida, ela ainda é trabalhada nas escolas como um elemento que se presta a dissertações, e que, para ser utilizado com proficiência, deve ser memorizado. Nos editores de textos coletivos, em contrapartida, a linguagem pode ser um espaço simbólico para negociações, refutações, acordos e ressignificações sociais. Isso porque, enquanto planejam, implementam e ditam um documento, os alunos envolvidos em uma situação de escrita coletiva praticam, também, o uso da linguagem para a negociação e para a troca de idéias quanto aos aspectos semânticos e formais do texto (MARINHO et al., 2009, online)
Desta forma, o Google Docs Documento, favorece a emergência não apenas de um novo paradigma em informática mas um novo paradigma educacional. A mesma lógica pode ser encontrada no Google Docs Apresentação (Fig. 5) que se destina a construção e slides. Sua interface se assemelha em organização e layout com o aplicativo Microsoft Power Point ou como o OpenOffice Apresentação/BrOffice Draw. Disposto no centro de um palco no qual o usuário pode manipular o formato e o conteúdo da apresentação e do lado esquerdo de um visualizador de slides a partir do qual o usuário pode alternar entre os slides construídos.
O cabeçalho da interface, dispõe barras de ferramentas a partir das quais os usuários podem manipular o formato e o conteúdos das apresentações. Em qualquer uma das interfaces é possível ao usuário fazer o upload de arquivos já pré-existentes no HD, bem como editá-los, e compartilhá-los através do Google Docs.
Fig. 5 – Interface Google Docs Apresentação
Fonte: http://docs.google.com/present/edit?id=d5g5zz3_38f4rwpr4x
A grande inovação no Google Docs do ponto de vista pedagógico é a possibilidade de construção coletiva, síncrona e assíncrona de documentos necessários ao cotidiano escolar tais como textos convencionais e apresentações de slides. Não é mais necessário que os alunos se desloquem de suas casas para um ponto de convergência no qual fariam o "trabalho em grupo" Podem fazê-lo assincronamente respeitando o tempo disponível de cada um dos membros da equipe, ou sincronamente cada um no conforto e na comodidade do seu lar, ou da lan-house mais próxima.
A interface Planilha (Fig. 6), disponível no Google Docs, favorece a criação, edição e publicação de conteúdos organizados em tabelas a partir das quais se possam manipular fórmulas e algorítimos numéricos. A partir dela é possível ao usuário compartilhar planilhas eletrônicas e bancos de dados que podem ser facilmente atualizados, bastando para isto que o autor da planilha defina as fórmulas e os parâmetros.
Fonte: http://spreadsheets.google.com/ccc?key=tRLsy99hlcoNAHZt82xyLuA&hl=pt_BR
Cada uma das três interfaces do Google Docs - Documento, Apresentação e Planilha - apresentam visualmente e funcionalmente, intensas semelhanças com os aplicativos de escritório dos pacotes Office da Microsoft e Open/BrOffice do Linux. Tais semelhanças favorecem a usabilidade destas interfaces. Serafim et al. (2008) sinalizam para a possibilidade de incluir o Google Docs no currículo dos cursos de nível superior, tendo em vista a possibilidade de alunos de universidades separados geograficamente poderem desenvolver trabalhos acadêmicos em conjunto a partir dos aplicativos do Google Docs.
Com base nos resultados deste estudo, o uso destas interfaces dinamiza o processo de orientação de trabalhos acadêmicos, tendo em vista que o orientador pode a qualquer momento, até mesmo durante a madrugada, corrigir os trabalhos e deixar registrado seus comentários para que o aluno possa fazer suas correções. Para Serafim et al. (2008, p. 319), "alguns dos recursos mais peculiares é a portabilidade de documentos, que permite a edição do mesmo documento por mais de um usuário, bem como o recurso de publicação direta em blog".
Desta forma, para aqueles que preferem armazenar seus arquivos nas "nuvens", tendo em vista a segurança de não perdê-los e o fato de dispensar os pen-drives e suas atualizações, e para aqueles que possuem blogs e que publicam seus arquivos nele, o trabalho com o Google Docs proporciona uma maior dinamicidade das atividades.
Nas potencialidades do Google Docs, apontadas por Serafim et al. (2008), os autores afirmam que no trabalho com esta interface, o indivíduo, pode: atribuir permissões de edição para determinados colaboradores enquanto mantém outros apenas como revisores sem poderes de edição; co-editar tais documentos com outras pessoas sem o risco de eliminar todas as outras revisões; e publicar online versões dinâmicas ou estáticas de tais documentos,
incluindo folhas de cálculo e apresentações, colocando uma simples linha de código na página Web desejada.
A rapidez com que as interfaces vem se aperfeiçoando, permite afirmar que as características dos wikis, dos blogs e dos editores online, não engessa as características destas. Temos wikis privadas a partir das quais a visualização é restrita a usuários com senha, o mesmo vale para os blogs. As possibilidades didáticas apontadas também não precisam necessariamente ser somente aplicadas/testadas nas respectivas interfaces. A partir do quadro abaixo, visualizamos algumas características gerais destas interfaces.
Quadro 5 - Possibilidades didáticas com autoria nas interfaces de escrita coletiva da Internet
INTERFACE FOCO CARACTERÍSTICAS POSSIBILIDADES DIDÁTICAS
Wiki Autoria
Coletiva
Ambiente aberto para visualização Ambiente aberto para a edição A veracidade dos conteúdos se dá pela avaliação dos pares
Qualquer pessoa pode editar os conteúdos lá dispostos
Produção coletiva de textos Ensino por estudos de caso Resolução de problemas
Construção de grupos de estudos acerca de um determinado tema
Blog
Autoria Individual e/ou Coletiva
Ambiente aberto para visualização A participação no coletivo se dá através de comentários acerca das postagens dos autores individuais Só é permitido publicar artigos àqueles que são cadastrados nos blogs como proprietários;
Suporta variados formatos midiáticos
Construção de um repositório de produções em texto, vídeo, áudio e hiperlinks
Ensino por estudo de caso
Debates online acerca de um artigo postado
Construção de um memorial online a partir das atividades de um curso Construção de um jornal online
Google Docs
Autoria Individual e/ou Coletiva
Ambiente fechado para visualização Ambiente fechado para a edição Se assemelha em interface e em ferramentas aos aplicativos do pacote Office (Word, Excel,
PowerPoint) ou
OpenOffice/BrOffice (Writer, Calc, Draw)
Orientação de pesquisas acadêmicas (TCC, Dissertações, Teses, Monografias, Relatórios)
Construção de textos coletivos sem que este esteja disponível à visualização pública
Fonte: O autor
Os apontamentos metodológicos para o trabalho com estas interfaces não estão limitados. As possibilidades didáticas acerca de cada uma destas interfaces nascem de acordo com o olhar do professor autor, e da dinâmica do grupo de professores e alunos que não tem medo de ousar, que não limitam sua curiosidade ou a curiosidade dos outros, que são livres.
Cabe sinalizar que tais interfaces não são neutras nem isentas. A concepção da mesma pressupõe um determinado tipo de uso, fator que limita as possibilidades didáticas em cada uma delas. Embora a wiki, o Google Docs. e o Blog sejam interfaces que favoreçam a escrita individual e/ou colaborativa, as características de cada uma delas aponta para possibilidades didáticas distintas.
Do mesmo modo, as experiências e a representações dos sujeitos diante dessas interfaces vão determinar usos diferentes das mesmas quando estas forem inseridas em contextos de aprendizagem formal. Diferentemente dos softwares educativos que em sua concepção, são planejados, criados e disponibilizados para fins educacionais, as interfaces da internet em tela, não o são.
O Blog nasce com a finalidade de se constituir um diário online; a wiki para promover a escrita coletiva e o Google Docs como um aplicativo de escritório que pode ser acessado direto da Internet sem precisar ser instalado. Nenhum deles está diretamente voltado para fins educacionais, mas sim para o entretenimento ou para o trabalho empresarial. Quando o professor se apropria de tais interfaces e consegue enxergar nelas possibilidades didáticas, isso vai deslocar o propósito inicial para o qual a interface foi produzida e pode deslocar também a forma como os sujeitos da aprendizagem percebem essa interface.
4.2 - Produção em Autoria Coletiva na Interface Google Docs com alunos de um curso de formação de professores a distância
A literatura, no campo da formação inicial de professores, tem apontado o Estágio como um possível lócus de iniciação científica. Para Pimenta e Lima (2004, p. 102), o “Estágio Curricular Supervisionado, nos cursos de Licenciatura, é o espaço privilegiado da iniciação científica dos professores em formação”. Foi com base nesta visão teórico/metodológica que a disciplina Estágio Supervisionado de Ensino de Física 1 do Curso de Física Licenciatura a Distância da UFAL foi ofertada no primeiro semestre de 2010.
Esta é uma disciplina do 5º período, ofertada no âmbito dos cursos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e que no primeiro semestre de 2010, foi ofertada para três pólos geograficamente distribuídos nos municípios de Maceió-AL, Santana do Ipanema-AL e Olho D'água das Flores-AL. Os alunos matriculados nesta disciplina totalizam o número de 56, sendo 20 do polo de Olho D'água das Flores-AL; 12 do polo de Santana do Ipanema e 24 do
polo de Maceió-AL. Destes, participaram efetivamente das atividades desta disciplina 34 alunos.
Ao ser encaminhados ao Campo de Estágio, os alunos desenvolveram observações da Estrutura Física e da parte Pedagógica destas escolas. Tais observações, foram conduzidas em paralelo com as reflexões desenvolvidas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da disciplina junto aos professores (http://www.ead.ufal.br).
As reflexões estiveram pautadas na trajetória histórica da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; Currículo Nacional e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio; Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino de Física; e Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino de Física. O registro destas observações foi feito em diário de bordo e sistematizado num relatório. A partir da análise destes relatórios, se contatou que das escolas em que os alunos desenvolveram esta primeira etapa do seu Estágio Curricular Supervisionado quase todas eram Públicas e Estaduais, com exceção de apenas uma.
Os relatórios diagnosticaram a realidade das escolas alagoanas dos municípios de Mata Grande, Maravilha, Santana do Ipanema, Olho D‟água das Flores, Batalha, Junqueiro, Teotônio Vilela, Maceió Murici e Joaquim Gomes; e uma escola do municio baiano de Paulo Afonso. Tais relatórios permitiram evidenciar os problemas mais proeminentes e recorrentes na realidade escolar alagoana do ponto de vista das escolas públicas estaduais. A partir da análise destes documentos foi possível identificar tais problemáticas. No quadro 6, destacamos o extrato dos problemas identificados nos relatórios dos alunos:
Quadro 6 – Extrato dos Relatórios de Observação
Do ponto de vista pedagógico, evidenciou-se:
um abuso no uso do método expositivo nas aulas de Física;
a redução dos conceitos abordados no âmbito desta disciplina às equações e fórmulas matemáticas que se encontram disponíveis no livro didático, não extrapolando em nada o que neste está contido;
Foi relatada a desmotivação (docente e discente);
A indisciplina escolar, também se fazem presentes nas escolas públicas estaduais alagoanas;
É recorrente a insatisfação dos professores de Física em exercício quanto à desvalorização da carreira, à carga horária da disciplina, bem como a quantidade de aulas por semana que a ela são destinadas no âmbito da sala de aula da Educação Básica.
Foi feita referência à péssima qualidade na formação dos professores e ao descaso no preenchimento da vaga de professor de Física, sendo comum encontrar profissionais de diversas áreas atuando enquanto tais, a exemplo, Engenheiros Elétricos, Matemáticos, Biólogos, e profissionais com formação de nível Médio. Foi evidenciado também que os laboratórios de Informática e de Ciências encontram-se subutilizados ou em