1. INTRODUÇÃO
2.3. Procedimentos
2.3.3 Avaliação da atividade (capacidade funcional)
Foi desenvolvido por nosso grupo, em estudo anterior64, um aparato experimental que
analisa o comportamento motor de movimentos dirigidos ao alvo. Consideraremos este teste como uma avaliação de atividade, pois a tarefa envolvida requer associação de aspectos
sensoriais, motores e de coordenação em um contexto controlado, em que são avaliadas variáveis de planejamento e execução do movimento voluntário
Os participantes foram posicionados sentados à mesa, em uma cadeira regulável na altura, que propiciasse apoio total ao tronco, conforme a figura 1a. Os mesmos foram estabilizados à cadeira, por meio de um colete ajustado anteriormente ao tronco, limitando com isso movimentos do tronco durante a realização do teste.
A mesa posicionada a frente do participante, estava na altura adequada para apoio dos antebraços. Os ombros foram mantidos em posição neutra para a rotação, próximos ao tronco e cotovelos fletidos a 90°. O posicionamento descrito teve a finalidade de proporcionar estabilidade ao participante e que este pudesse realizar apenas movimentos com o membro superior analisado.
À mesa havia uma mesa digitalizadora, conforme figura 1b, de 12X12 polegadas
(WACOM Intuos 2®) e um monitor de 15 polegadas marca Samsung®, posicionado na altura
dos olhos. Estes equipamentos estavam conectados a um laptop (HP AMD Turion® 64), pelo
qual foi controlada a tarefa do teste, os dados obtidos foram analisados por meio do Software
LabView® 9.0. O pesquisador permaneceu atrás do participante para não interferir no teste e
a sala de aplicação possuía isolamento acústico parcial, evitando estímulos distratores.
Figura 1 a: Equipamentos utilizados para a análise do movimento dirigido ao alvo; Figura 1 b: Mesa digitalizadora, monitor com a apresentação dos alvos
Após o posicionamento adequado do participante, o teste era iniciado. O teste consistiu na execução de movimento dirigido ao alvo a partir de um ponto inicial pré-estabelecido. O participante realizou a preensão de uma ponteira e através do contato desta na superfície sensível da mesa digitalizadora realizou os movimentos, tanto para alvos ipsilaterais quanto contralaterais. Na tela do monitor estavam representados os alvos, em um total de três. O mais inferior foi considerado o ponto inicial e dois alvos foram posicionados acima a 45° à esquerda e à direita do ponto inicial. A distância dos alvos era de 12 cm e o tamanho de 1 cm de diâmetro (figura 2).
Figura 2. Representação da apresentação do ponto inicial (inferior) e dos alvos utilizados na avaliação da atividade do membro superior no movimento dirigido ao alvo
A instrução dada ao participante foi para executar o movimento o mais rápido possível, a partir do estímulo imperativo. Este estímulo foi determinado pela mudança da cor branca para a cor verde (durante 300 ms) do alvo a ser atingido, a partir do qual o indivíduo iniciou o movimento. Foram executadas 20 tentativas válidas para os alvos, de forma randomizada. Em caso de erros por antecipação (tempo de reação menor do que 100 ms), omissão ou direção, a tentativa foi repetida ao final do bloco. O participante realizou o teste com o membro superior direito e esquerdo, em ordem randomizada.
A trajetória do ponto de contato (ponteira) sobre a mesa foi gravada com uma frequência de 300 Hz. O armazenamento dos dados e análise foi realizado por programação
desenvolvida em ambiente LabView 2010 (National Instruments). Inicialmente, as séries de
tempo em x e y foram filtradas a 10 Hz com filtro passa-baixa de segunda ordem. O início e o
término de cada teste foi definido usando 5% do pico de velocidade da trajetória. Foram analisados o tempo de reação, tempo de movimento, erro variável resultante e suavidade do movimento, nos movimentos dirigidos a alvos ipsilaterais e contralaterais. O tempo de reação
(em milissegundos) foi definido como o tempo entre o início do estímulo imperativo até o início do movimento da ponteira sobre a superfície e o tempo de movimento (em milissegundos), como o intervalo de tempo entre o início e o final do movimento. O erro variável resultante (em centímetros) é uma medida de variabilidade tanto para as direções médio-lateral quanto ântero-posterior, calculado como Evr = raiz (do erro variável na direção médio-lateral ao quadrado, somado ao erro variável na direção ântero-posterior ao quadrado) para avaliar o quanto os participantes atingiram acuradamente os alvos e a suavidade (em unidades de movimento) foi avaliada computando o número de vezes que a aceleração cruzou o zero (positivo para o negativo e vice-versa). A média entre as tentativas foi computada para cada variável dependente e usada para análise estatística.
2.3.3.2 Purdue Pegboard Test
Purdue Pegboard Test 32020 foi produzido pela Companhia Lafayette de
Instrumentos (Lafayette, USA) desenvolvido inicialmente para a seleção de trabalhadores na indústria, pois é um teste específico para a análise de movimentos gerais de membro superior
e para movimentos de coordenação dos dedos em tarefas de montagem44. O teste permite
verificar a capacidade de execução de alcance, preensão e manipulação dos objetos. Desta forma, foi utilizado como uma medida de atividade.
Passou a ser utilizado por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais durante o processo de avaliação e na pesquisa das seguintes alterações: déficits de aprendizado, dislexia e
incapacidade funcional decorrente de dano neurológico44. O teste é aplicado com diferentes
enfoques de avaliação de indivíduos com diversas afecções neurológicas e em diferentes
populações, como indivíduos com Síndrome do túnel do carpo65.
O Purdue Pegboard Test foi um instrumento utilizado para a análise de desordens
táteis, de percepção e das habilidades motoras dos membros superiores ipsilesionais e contralesionais em indivíduos após lesões hemisféricas unilaterais, por AVE e encefalopatia
não-progressiva (PC)66. Os resultados de medida estabelecidos por meio do Purdue Pegboard
Test, indicam que o membro superior contralesional apresenta déficits sensoriais e de
resolução espacial e que as habilidades motoras foram preservadas no MSI. No entanto, não
foi observada relação entre os déficits sensoriais e a habilidade no MSC (r = 0.126; p =
A aplicação seguiu o padrão proposto pelas recomendações do manual. Primeiro o participante recebeu as instruções e fez um primeiro teste para familiarização. O participante realizou com os dois membros superiores, iniciando pela mão direita, depois esquerda e em
seguida com as duas44. O participante foi posicionado da mesma forma que no teste anterior.
O material do Purdue Pegboard Test, a placa de teste com os locais de encaixe e os pinos
(figura 3) foram dispostos sobre a mesa. Foi solicitado que o participante encaixasse os pinos o mais rápido possível nos locais indicados, durante um período de 30 segundos. Foi contado 1 ponto para cada acerto. A pontuação mínima de encaixe, em média para indivíduos sadios é de 13 pinos e máxima de 22 pinos com a mão direita e com a esquerda é de 11 a 20 pinos.
Quando realizado bilateralmente estes valores são reduzidos em 2 encaixes (10 a 18)44.
Figura 3: Purdue Pegboard Test (placa de teste e pinos)