6. DESENVOLVIMENTO DO ARTEFATO
6.5 Avaliação das diretrizes – Impacto x Facilidade
Na última fase de coleta de dados, buscou-se avaliar, através do Grupo Focal Confirmatório – GFC – Empresas, a aplicabilidade das diretrizes propostas por meio da matriz de avaliação Impacto para o negócio x Facilidade de implementação:
1. Alto impacto para o negócio / Maior facilidade de implantação: significa que a diretriz teria um alto impacto positivo para o negócio – ou seja, para o empreendimento, e apresenta-se como de fácil implantação na empresa. É uma diretriz desejável para implantação de curto prazo, devido a sua facilidade de adoção e sua representatividade em termos de tornar melhor o empreendimento.
2. Alto impacto para o negócio / Menor facilidade de implantação: neste caso, apesar de ter um alto impacto positivo para o empreendimento, a dificuldade de implantação é maior, em geral por questões internas à empresa. São diretrizes para adoção em médio/longo prazo.
3. Baixo impacto para o negócio / Maior facilidade de implantação: apesar de representarem um impacto positivo menor para os empreendimentos, sua facilidade de adoção pode estabelecer a adoção destas diretrizes dentro de curto/médio prazo, com benefícios mais modestos para a empresa.
4. Baixo impacto para o negócio / Menor facilidade de implantação: estas diretrizes podem ser consideradas como diretrizes complementares, pois representam baixo impacto para o negócio, e trazem maior nível de dificuldade de adoção para a empresa.
O Quadro 20 demonstra as respostas de cada empresa, conforme as diretrizes propostas, à partir da análise Impacto x Facilidade. Em cinza, destaca-se onde há consenso entre as empresas para as diretrizes propostas.
Diretriz Descrição Empresa A Empresa B
1 Realização de estudo de viabilidade que resulte em orçamento e cronograma detalhados, com metas de custos.
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
2 Uso de contratos de incentivo para alinhamento de objetivos das equipes
Alto impacto para
o negócio / Menor
Baixo impacto para o negócio /
para incentivar o comprometimento com o empreendimento. facilidade de implantação Maior facilidade de implantação
3 Buscar envolvimento precoce de projetistas externos (estrutural, instalações, por exemplo), fornecedores principais e subempreiteiros já na fase de pré-concepção do produto.
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
4 Buscar o uso de softwares que auxiliem no desenvolvimento e comunicação entre os projetistas, de preferência ferramentas e plataformas que auxiliem no processo de forma colaborativa (Revit, ArchiCad, BIM).
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação Baixo impacto para o negócio / Menor facilidade de implantação
5 Realização de estudo de viabilidade que forneça planilhas detalhadas de custos e orçamento, além de um cronograma detalhado desde a fase de desenvolvimento do produto até sua conclusão (entrega).
Baixo impacto para o negócio /
Menor facilidade
de implantação
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
6 Num primeiro momento, uso de contratos de incentivo para comprometimento das equipes. Após o desenvolvimento consolidado da confiança entre as equipes, pode-se evoluir para a adoção de algum tipo de contrato multipartes.
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação Baixo impacto para o negócio / Maior facilidade de implantação
7 Uma vez construída a confiança entre as equipes, a abertura dos custos (open
book) auxilia que as equipes mantenham
o comprometimento com o empreendimento no seu todo, entregando mais valor e com metas reais de custos.
Baixo impacto para o negócio / Menor facilidade de implantação Baixo impacto para o negócio / Menor facilidade de implantação 8 Promoção de relacionamento colaborativo com as partes envolvidas, buscando transparência no escopo e alinhamento entre as equipes antes do
Baixo impacto para o negócio /
Maior facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
início e alinhado com os objetivos do empreendimento.
9 Buscar maior envolvimento com os projetistas terceirizados, trazendo-os para discussões de projeto de forma mais frequente presencialmente e desenvolvimento do projeto com as equipes alocadas, de preferência, no mesmo espaço.
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
10 Uso de ferramentas e plataformas colaborativas para acompanhamento contínuo dos custos, conforme o empreendimento evolui (BIM e Last
Planner).
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
11 Avaliar as estimativas de custos de forma colaborativa, envolvendo projetistas (arquitetura e complementares), fornecedores-chave e subempreiteiros.
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação Baixo impacto para o negócio / Menor facilidade de implantação
12 Atualização e divulgação das estimativas de custos de forma frequente, à medida que o empreendimento evolui. Os resultados deverão ser divulgados para as equipes, para verificação.
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação Baixo impacto para o negócio / Maior facilidade de implantação
13 Usar processo colaborativo para busca de melhores soluções de projeto, explorando múltiplas alternativas projetuais, através do Set-Based Design, por exemplo.
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
14 Incentivo para as equipes trazerem novas soluções projetuais que possam ir ao encontro das perspectivas de valor do usuário final, mantendo o empreendimento dentro das metas estabelecidas.
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
Permeia todo processo
15
Uso de ferramentas de captura de valor do usuário final, antes e durante o desenvolvimento do produto, promovendo retroalimentação para as equipes de projeto - essa validação do projeto de acordo com os requisitos dos potenciais usuários finais, deve permear todo processo de desenvolvimento de produto, sempre avaliando se as alternativas e soluções propostas estão alinhadas com as perspectivas de valor capturadas.
Alto impacto para
o negócio / Menor facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação Permeia todo processo 16
Facilitar e incentivar a troca de informação e comunicação entre equipes de projetistas, tanto internas quanto externas, com abertura de valores que essas alterações influenciam, conforme o projeto avança e novas soluções são propostas.
Baixo impacto para o negócio /
Maior facilidade de implantação
Alto impacto para
o negócio / Maior facilidade de implantação
Quadro 20: Avaliação de Impacto x Facilidade. Fonte: elaborado pela autora.
Conforme observado na tabela anterior, devido a forma como cada empresa conduz o processo de desenvolvimento de produtos, o relacionamento com terceiros e outras questões internas, não há consenso com a maioria das diretrizes. Se consultássemos mais empresas, poderíamos ter respostas ainda mais diversas. Por esta razão, para que fosse possível permitir um modelo de adoção do TVD de forma flexível, optou-se por definir uma matriz de prioridades a partir da abordagem Impacto x facilidade, priorizando a adoção de diretrizes em determinados quadrantes (Figura 26) (ANDERSEN, FAGERHAUG e BELTZ, 2010):
Figura 26: Matriz de Impacto x Facilidade.
Fonte: Adaptado de (ANDERSEN, FAGERHAUG e BELTZ, 2010)
Priorização das atividades na matriz para adoção das diretrizes (ANDERSEN, FAGERHAUG e BELTZ, 2010):
Quadrante A1= Maior facilidade/Maior impacto – sugere-se que este quadrante seja o primeiro a ser adotado. Atingir ganhos benéficos com essas atividades ajudará a convencer os envolvidos no processo que ainda estejam hesitantes a seguir com as atividades mais difíceis. Podemos considerar essa abordagem como “quick wins”, onde a empresa poderá enxergar ganhos rápidos com diretrizes de implantação mais fácil.
Quadrante A2= Menor facilidade/Maior impacto – São atividades que demandam mais tempo com planejamento. Atividades difíceis são as mais prováveis de resultar em um resultado ruim. Os resultados insatisfatórios na execução das atividades às vezes são suficientes para inviabilizar toda a estratégia, especialmente quando alguns membros da alta administração não apoiam totalmente a estratégia. Por isso aqui devem incidir diretrizes que tenham maior impacto gerando assim maiores ganhos e benefícios para a empresa, para não mitigar a adoção das outras diretrizes.
Quadrante A3= Maior facilidade/Menor impacto - Representam atividades precursoras de outras com um impacto maior no objetivo. Ou seja: são diretrizes que, apesar de apresentarem benefícios mais modestos para o empreendimento, deverão ser adotadas como meio de se atingir diretrizes mais
avançadas com maior impacto para o negócio. Sua facilidade de implantação busca incentivar a adoção mesmo com ganhos menores.
Quadrante A4= Menor facilidade/Menor impacto - Essas atividades deverão ser adotadas caso sejam precursoras de atividades com maior impacto. Se um precursor interromper a atividade em dois ou mais, é mais fácil realizar atividades. As atividades difíceis, que parecem consumir recursos e em geral levam mais tempo, são as primeiras a serem consideradas para a rejeição por parte dos apoiadores da alta administração. Por esta razão, são diretrizes a serem adotadas com cautela, para não mitigar os incentivos da empresa a adotar mudanças gerenciais.
A priorização é uma sugestão para adoção das diretrizes pela empresa, após a avaliação de facilidade x impacto. No entanto, trata-se de um modelo flexível, onde cada empresa poderá fazer a adoção da maneira mais adequada para sua realidade e situação atual, podendo inclusive fazer adoções parciais (por exemplo, se dentro de um quadrante a ser adotado primeiro a empresa apresenta 6 diretrizes, ela poderia num primeiro momento adotar parte delas, e depois num segundo momento pós-aprendizagem, implantar o restante) ou mesmo implantações híbridas, com diretrizes de quadrantes diferentes sendo aplicadas simultaneamente.
A Figura 27 apresenta o modelo proposto para adoção das diretrizes adaptadas do TVD:
Figura 28
Figura 27: Modelo de adoção do TVD adaptado Fonte: elaborado pela autora.