capital de um dos distritos administrativos da então Lusitânia.
No ano de 715, Beja é tomada pelos Mouros, situação que se inverte em 1232 com a re- conquista cristã, sendo reconstruídas as muralhas de defesa por D. Afonso III que também lhe concede foral em 1253 – processo de reabilitação continuado por D. Dinis em 1291, que lhe concedeu também foral e mandou erigir a sua Torre de Menagem no local onde terá existido a Pax Júlia romana.
A cidade, condicionada pela topografia e pela necessidade de se defender, deve o seu desen- volvimento primário a um núcleo central circular, à volta do qual se organizou e ganhou coerência, podendo falar-se de um equilíbrio entre os agrupamentos de edifícios e a sua relação com os monumentos.
Só no século XVI acontece o transbordo da cidade para além da muralha, contudo, Beja revelou uma grande contenção relativamente à expansão da mancha urbana ao longo do tempo, pese embora no século XIX se tenha assistido a um progresso induzido pelo desen- volvimento industrial e pelo surgimento dos caminhos-de-ferro (MAOT, 2000b).
Nos finais do século XIX e princípios do século XX, o Visconde da Ribeira Brava decide modernizar a cidade derrubando as edificações antigas com o objectivo de abrir ruas mais largas – o que resultou numa perda significativa da sua história patrimonial.
Com o Estado Novo assiste-se a um conjunto de intervenções de reabilitação, designadamen- te, no castelo e zona envolvente e na Praça da República, com a recolocação do pelourinho, devendo referir-se também a destruição da Cadeia Filipina para implantar um novo edifício destinado ao serviço de finanças (www.cm-beja.pt).
A evolução da cidade obrigou à gestão territorial, surgindo em 1954 o primeiro Plano Geral de Urbanização, e mais tarde, em 1986, o Regulamento do Plano Parcial de Urbanização do Núcleo Central Histórico de Beja, completado com Planos de Pormenor específicos, tendo sido publicado em 1992 o Plano Director Municipal (PDM).
Depois da publicação do PDM foram elaborados o Plano Estratégico da Cidade e outras unidades de planeamento e gestão urbana – sendo neste quadro que acontece a intervenção do Programa Polis.
Capital de distrito, Beja pertence à região e sub-região Baixo Alentejo, contando actualmente com 35 730 habitantes.
A cidade, condicionada pela sua interioridade, vem-se afirmando “(…) nos últimos anos no espaço nacional através da oferta de equipamentos sociais e infraestruturas, fundamentalmente ao nível do ensino superior e profissional, e da qualidade do ambiente urbano. Apesar de a agricultura ser a actividade tradicional dominante, são as empresas de comércio e hotelaria as que nos últimos anos floresceram devido à influência de uma população escolar numerosa” (MAOT, 2000b, p. 20).
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Do património cultural retemos o seu espaço público, no qual nos deparamos com várias edificações classificadas como monumentos nacionais – o castelo, a Igreja da Misericórdia, as Portas de Évora, o Hospital da Misericórdia, a que se devem acrescentar outros elementos notáveis de arquitectura religiosa e civil, que participam da coreografia urbana e se apresen- tam como locais de cultura e para a cultura.
Do seu património natural e naturalizado merecem referência o Parque da Cidade, os es- paços verdes de enquadramento e toda uma imensa planície que constitui parte integrante do património paisagístico da própria cidade.
Figura 6 - Área de influência do Programa Polis de Beja FONTE: Plano Estratégico do Programa Polis de Beja / gCPP
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O Programa Polis de Beja assumiu como referentes alguns dos desígnios orientados para a valorização espacial, funcional e ambiental da cidade. Desta iniciativa destacam-se a inter- venção no Núcleo Central Histórico de Beja, a promoção da mobilidade urbana sustentável, a criação de um parque destinado à cultura, ao desporto e ao lazer, e uma estrutura verde que estabeleçe a ligação entre diferentes zonas da cidade.
Assim, foram adoptados os seguintes objectivos:
– “Assumir-se como pólo de valorização e divulgação da cultura e património regionais; – Promover o ordenamento e a qualidade do espaço urbano;
– Preservar e valorizar o património histórico, cultural e natural; – Promover o desenvolvimento de serviços culturais na cidade;
– Valorização e promoção do centro histórico” (MAOT, 2000b, p. 21).
Do Programa e objectivos enunciados depreende-se a intencionalidade de um conjunto de intervenções que, pela sua vocação, pretendem afirmar o seu património, recuperando-o e complementando-o com espaços e equipamentos que acentuem o seu uso e apropriação por parte dos cidadãos.
5.2.1 Incidências da intervenção Baseados no enquadramento e objectivos do Programa Polis de Beja, importa referenciar os eixos de intervenção e/ou acções concretizadas total ou parcialmente até Março de 2011, de acordo com informação obtida junto do Gabinete Coordenador do Programa Polis: – Requalificação, remodelação e/ou recuperação do Centro Histórico, designadamente, do
Núcleo Central Histórico – realizado totalmente; – Criação do Parque da Cidade – realizado totalmente;
– Ligações do Centro Histórico ao Parque da Cidade – realizado totalmente; – Sensibilização e comunicação ambiental – realizado totalmente.
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Figura 7 - Simulação da ocupação final dos espaços do Programa Polis de Beja FONTE: Plano Estratégico do Programa Polis de Beja / gCPP
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Sequente aos eixos de intervenção e/ou acções referenciadas, e sustentados na informação obtida em diferentes fontes, e fundamentalmente nas recolhas in loco do investigador, enunciam-se, no quadro seguinte, as áreas, elementos e valores de design predominantes nos contextos de intervenção:
Quadro 3
Áreas, elementos e valores de design predominantes no Programa Polis de Beja
ÁREAS ELEMENTOS E VALORES DE DESIGN
EQUIPAMENTO E ACESSIBILIDADE Mobiliário urbano Iluminação urbana Equipamento lúdico Acessibilidades IMAgEM E INOVAÇÃO Imagem Renovação Diversidade Pavimentos Textura(s) Cromatismo FUNCIONALIDADE E SEgURANÇA Segurança Conforto (Multi)Funcionalidade Integração AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE Resistência Higiene urbana Ambiente Paisagem
ESPAÇO PúBLICO E IDENTIDADE Espaço público
Inclusividade
Na globalidade, o Programa Polis de Beja evidencia a participação do design no equipamen- to, qualificação e renovação do espaço público - factores propiciadores da sua utilização em diferentes contextos e momentos da vida da cidade.
Contudo, é de referir que na área do ambiente e sustentabilidade se verificam falhas ao nível do binómio durabilidade e manutenção, aspectos constatáveis sobretudo nalguns elementos do mobiliário urbano e de delimitação viária.
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5.2.2 Design e Urbanidade – leituras e induções do investigador Beja é uma cidade culta que se deslinda nos lugares da história.
O verde ironiza sobre a planície dourada… o viço faz-se de copas de árvore. A arte declara a sua subjectividade… publicamente. Marca presença em
peças que recortam a anatomia de uma atmosfera lenta. Há objectos que imitam o sol… à noite.
Sob a sua luz agitam-se movimentos… que esboçam rastos de obscuridade. A presença da água abranda o tempo cálido que vacila sobre a cidade.
Objectos de sentar esperam que alguém aconteça… que os convoquem… que os comprometam. Protecções e passeios marginam a artificialidade do grande lago que se refaz de ângulos
rectos que afiam transições na paisagem.
Guias de pedra delimitam a segurança de diferentes condições e idades. Um tapete verde sob a generosidade sombria de árvores quietas assiste à
tranquilidade da água sob o murmúrio do sol.
Uma ponte de porta aberta aproxima-se lentamente da água… o acontecimento faz-se de passagem.
Nenúfares que trazem a natureza à razão flutuam presos a raízes sem chão. Uma teia de crianças olha a complexidade das linhas… do seu brincar.
Outras perseguem desejos e ilusões de uma bola que foge de si. O património e a cidade repartem o tempo e a mudança… a memória. A comunicação acontece em objectos disponíveis ao olhar de quem procura.
Árvores estacionam sobre polígonos que se elevam do chão.
O estacionamento… de bicicletas espera novos apeados… e de outros que partem sentados. A obra de arte vermelha dramatiza o teatro em fundo.
Frades e lancis conduzem artificialidades urbanas em trânsito. Linhas espessas de branco protegem passos que se atravessam na rua.
Mais arte que anuncia um corpo caminhando imóvel na cidade. Há um asseio alentejano reiterado nas ruas e jardins reanimados. A mobilidade ecológica recupera o tempo da humanização da cidade. Pavimentos de cor e da sua ausência deambulam ao sabor de percursos e sombras. O caminho que irrompe dos pés regista timbres desiguais… o material é a pedra de toque.
Os percursos conferem uma nova imagem aos retornos da cidade. Há objectos que ensinam o uso cívico da cidade.
Peixes e outras manifestações lacustres abalam a calma latente… andorinhas furtivas transgridem em voos sedentos beijando a água.
Bancos sobranceiros olham o lago e ouvem a água que liberta o seu corpo volúvel numa cascata que se olha ao espelho.
A tarde esboça uma praça de silêncios e ausências… restam objectos de sentar e alumiar. A iluminação difunde luz de diferentes (intens)idades e desenhos.
Há um lajedo de Trigaches que sepultou uma calçada portuguesa. A tensão entre antigo e contemporâneo denuncia uma convivialidade arriscada. Estacionar debaixo do chão não conseguiu acalmar a imagem da cidade à tona. Laranjeiras e esplanadas jovens habitam o espaço… animam a cidade… celebram o espaço público.
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5.2.3 Apreciação global da intervenção
No âmbito do quadro referencial deste estudo, procede-se à síntese da apreciação global do Programa Polis de Beja, salientando-se o seguinte:
– Qualificou e valorizou a cidade ampliando a estrutura verde urbana, reestruturando as circulações viária, pedonal e ciclável, dissuadindo o trânsito automóvel, promovendo novas formas de mobilidade e reabilitando espaços e elementos da cidade histórica;
– A participação formal e funcional do design adquire visibilidade em diferentes contextos, sendo de destacar as soluções de equipamento, materiais e tratamento de pavimentos, factores influenciadores da imagem e multifuncionalidade de espaços antigos e contem- porâneos da cidade;
– Da intervenção global resultou a intensificação das relações entre diferentes lugares da cidade, decorrente do uso e apropriação colectiva de novos contextos de inclusão e so- ciabilidade.
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5.3 BRAGANÇA E PROGRAMA POLIS