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3. Diagnóstico ao inventário e à documentação de coleções arqueológicas do Museu

3.1. Estrutura funcional do museu com respeito à inventariação e documentação das

3.1.1. Serviço de Documentação

3.1.1.1. Biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia

Criada em 1901104, com um acervo construído e enriquecido mediante permutas

das publicações do Museu com outras instituições congéneres e, a partir de 1914105,

também por compras, a Biblioteca do MNA (BMA) é das mais antigas bibliotecas

104 Instituída pelo decreto de reorganização do Museu Ethnologico Português, em 24 de dezembro de

1901, disponível em http://legislacaoregia.parlamento.pt/V/1/86/133/p1393 [consult. 25 jul. 2018].

105 Decreto n.º 559 de 11 de junho de 1914, disponível em https://dre.pt/application/file/665609

portuguesas especializadas em Arqueologia, detendo também importantes núcleos de Etnografia e Museologia, pelo que é principalmente frequentada por investigadores e estudantes universitários. Dispõe de regulamento próprio (Museu Nacional de Arqueologia, 2016b) e o seu catálogo106 está, desde 2014, integrado na rede de

bibliotecas da DGPC107, usando o sistema Biblio.NET108.

Ao longo da sua existência, a biblioteca tem sido ainda enriquecida através de ofertas, doações e legados, dispondo neste momento de

cerca de 23 000 monografias, (separatas, obras de referência, etc.) disponibilizando um conjunto de dicionários técnicos, enciclopédias e atlas que ajudam os leitores em questões específicas e pontuais; cerca de 1 800 títulos de publicações periódicas, mapoteca formada por cerca de 1 500 cartas geológicas, topográficas e diversas. […] Possui ainda coleções especiais de 1 920 manuscritos, 5 incunábulos, mais de 2 000 livros antigos, 917 folhetos de literatura de cordel, cerca de 3 900 registos de santos e ainda gravuras diversas (Biblioteca, [s.d.]).

Nem sempre bem instalada devido a questões de espaço109, foi remodelada e

organizada durante a direção de D. Fernando de Almeida, sob a orientação de uma bibliotecária-arquivista (Raposo, 2003, pp. 24–25), e novamente durante os anos de 1990, com a “rearrumação das publicações periódicas em depósito” devido, mais uma vez, aos limites de espaço (Museu Nacional de Arqueologia, 1996, p. 21, 2009, p. [11]).

Em 1995, teve início a sua modernização, com o começo da informatização em sistema PORBASE110 e conversão retrospetiva do catálogo manual. No início dos anos

2000, aquele sistema foi substituído pelo BIBLIObase111, onde se catalogaram não só

106 Disponível em http://bibliotecas.patrimoniocultural.pt/Opac/Pages/Help/Start.aspx [consult. 25 jul

2018].

107 Vide http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/recursos/bibliotecas-dgpc-apresentacao/ [consult. 25

jul. 2018].

108 Sobre o mesmo vide http://www.bibliosoft.pt/pt/content/12-biblionet/24-o-produto [consult. 28 jul.

2018].

109 Tendo-se chegado a ficar sem acesso ao sótão onde, devido à Exposição do Mundo Português, se

teve de arrumar algum espólio documental (Coito e Coelho, 1988, p. 388).

110 Coordenada e gerida pela BNP, a PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos é um catálogo

coletivo para as bibliotecas portuguesas. Vide

http://porbase.bnportugal.pt/ipac20/ipac.jsp?session=15360C25180LK.35624&profile=porbase&menu= home&submenu=subtab136&ts=1536082518037 [consult. 04 set. 2018].

títulos monográficos, mas também se iniciou a catalogação de títulos de publicações periódicas e seus fascículos (estes em Kardex ou módulo de gestão de publicações periódicas), bem como outros acervos – Literatura de Cordel, Livro Antigo, Manuscritos e Registo de Santos – tendo este catálogo bibliográfico ficado disponível on-line mediante o anterior site do MNA em 2004 (Museu Nacional de Arqueologia, 2004, p. 34). Dispondo apenas de uma bibliotecária e uma técnica de BD, a equipa foi sendo reforçada, ao longo dos anos, com contratos dos chamados Programas Operacionais de Cultura (POC) e Programas Operacionais da Sociedade da Informação (POSI)112, que em

muito contribuíram para este trabalho, tendo-se concluído a conversão retrospetiva do catálogo manual de monografias em 2005 (Museu Nacional de Arqueologia, 1996, p. 21, 2008, p. 55) e da maior parte dos restantes acervos nos anos seguintes. A catalogação retrospetiva das publicações periódicas encontra-se, contudo, por finalizar.

Mais recentemente, em 2013, assistiu-se a uma nova reorganização da BMA, no âmbito de um projeto de articulação entre as duas mais importantes bibliotecas de arqueologia113, BMA e Biblioteca de Arqueologia (BA) da DGPC. Devido a um conjunto

de fatores, foi possível reunir recursos, nomeadamente materiais114, que permitiram a

rearrumação do acervo nas salas destinadas ao público, tornando parte da biblioteca geral de consulta direta. Foi igualmente possível um pequeno reforço da equipa e atualização de conhecimentos da equipa anterior. Apesar de o projeto não ter sido concretizado em pleno, houve, no entanto, uma tentativa de aproximação e uniformização do tratamento técnico, tendo passado a BMA a dispor de uma lista de termos fechados para uma indexação mais uniforme, partindo da lista de termos em utilização e fornecida pela BA, para além de a organização conceptual ser semelhante (Gráfico 3).

112 Como de resto aconteceu em outros sectores do MNA, como Laboratório de Conservação e Restauro,

Serviço de Coleções e Serviço Educativo.

113 Inserido no projeto de desenvolvimento da rede de bibliotecas da DGPC.

114 Foi possível reunir equipamento, sobretudo estantes de madeira e de metal, excedente fruto do

Gráfico 3. Organização conceptual da BMA. BMA Fundo Geral Monografias Áreas geográficas Península Ibérica (PI) Geral (GER) África do Norte (AN) África do Sul (AS) América (AM) Ásia e Oceânia (AO) Europa Central (EC) Europa do Norte (EN) França (FR) Ilhas Britânicas (IB) Itália (IT) Mediterrâneo Oriental (MO) Secções Temáticas Epigrafia (EPI) Museologia (MUS) Numismática (NUM) Filologia (LFL) Tipificadas Bibliografias (BIB) Biografias (BIO) Catálogos (CA) Autores Clássicos (AC) Congressos (CP, CLE, CE, CI)

Homenagens (HOM) Obras de referência (OR) Legislação (LEG) Teses Separatas Publicações Periódicas Outros fundos Livro Antigo Literatura de Cordel Manuscritos Registo de Santos

Hoje, a BMA segue a seguinte cadeia documental: 1. Para as monografias:

a. Receção das obras;

b. Agradecimento e registo em fichas de permuta, se for o caso; c. Carimbagem;

d. Catalogação e indexação no programa Biblio.NET, que trabalha sobre o formato UNIMARC115 e que permite seguir as normas de descrição

bibliográfica de acordo com as RPC116 e a ISBD117;

e. Cotagem; f. Arrumação;

2. Para as publicações periódicas: a. Receção das obras;

b. Agradecimento e registo em fichas de permuta; c. Carimbagem;

d. Catalogação:

i. Se novos títulos: na base Biblio.NET;

ii. Se títulos já existentes: na base Biblio.NET, caso título esteja aí catalogado, e no Kardex manual;

iii. De analíticos: na base Biblio.NET, ainda que de momento sejam apenas catalogados os artigos constantes na publicação OAP;

115 Formato de catalogação com base no formato MARC. Sobre este veja-se a nota 17.

116 Acrónimo de Regras Portuguesas de Catalogação. Estas foram elaboradas com o objetivo de definir

os elementos de identificação e de descrição dos documentos, determinar os elementos necessários à descrição e fixar a forma de apresentação desses elementos, seguindo os princípios da uniformidade, simplificação e analogia (Campos e Sottomayor, 1984, p. 1).

117 Acrónimo de International Standard Bibliographic Description ou Descrição Bibliográfica

Internacional Normalizada. Esta norma “determina os elementos de dados que devem ser registados ou

transcritos numa determinada sequência como base para a descrição do recurso que se está a catalogar. Além disso, utiliza pontuação prescrita como meio para reconhecer e visualizar elementos de dados e torná-los compreensíveis independentemente da língua da descrição” (IFLA - International Federation of Library Associations and Institutions, 2012, p. 17).

e. Cotagem; f. Arrumação.

Atualmente, para além deste trabalho, procede-se ainda à correção retrospetiva e sistemática dos títulos de publicações periódicas que se encontram no catálogo informatizado, bem como à correção e uniformização de monografias, sempre que se justifique.

Resta dizer que, como em outros setores do MNA, a equipa da BMA faz várias outras tarefas nem sempre relacionadas com o serviço de biblioteca, como Serviço de Receção e Vigilância na falta de pessoal naquele sector, atrasando a catalogação, e por isso a disponibilização aos utilizadores, de novas entradas.