• Nenhum resultado encontrado

Busca de sentido para a vida é abor- abor-dado em ‘O Avesso do Arquipélago’

No documento Dando um tempo (páginas 45-48)

para utilizar a expressão de Ezra Pou-nd), emprego de metalinguagem, busca existencial, perquirindo o âmago das coisas, resistência contra as superficialidades e frivolidades da vida contemporânea, algumas inter-venções na sintaxe convencional, o gosto pelo insólito. O que tem va-riado são os gêneros literários, pois surgem projetos, nascem projetos que necessitam de realização num ou noutro gênero, na poesia, na narra-tiva, no ensaio. Então, tenho escrito em vários gêneros, com predominân-cia da poesia.

Quais critérios foram utilizados para seleção dos textos poéticos pu-blicados em “O Avesso do Arquipé-lago”?

Beatriz Amaral - É um livro de salto interior, de busca, de muita interiorização. Os poemas que o compõem foram escritos na mesma época, a partir de um projeto delineado há cerca de um ano. A maior parte dos poemas foi escrita em 2019. E, ao mesmo tempo em que mergulha nos temas do tempo, da noite, da existência, dos começos e dos avessos, o livro procura manter uma linguagem bastante leve, como se fosse chamber music - música de

do livro é dedicado ao extraordinário poeta, ensaísta, crítico e mestre por-tuguês Ernesto de Melo e Castro, que é meu muito querido amigo e que re-side em São Paulo.

Como foi a escolha do título para obra?

Beatriz Amaral - Meus títulos nas-cem espontaneamente durante a cons-trução da obra e com este livro não foi diferente. O título brotou a partir de um dos poemas, que se chama Aves-so. Brotou mais ou menos na metade do percurso da escritura. Penso num conjunto de ilhas-poemas a dançar ou a se deslocar numa imensa partitura, vida, universo, da qual se destaca um arquipélago de conexões e fios de exis-tência. Ilhas são estrelas, sílabas, notas musicais. Elementos de construção.

Apresente-nos a obra (sinopse).

Beatriz Amaral - O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO é meu décimo--quinto livro e o primeiro publicado em Portugal. Ele é composto por um conjunto de cinquenta poemas ge-ralmente de breve extensão e sua te-mática principal é a busca de sentido para a vida. Há nele momentos irô-nicos e outros mais líricos. A lingua-gem é bastante concisa. É uma edição da In-Finita Lisboa. O prefácio é de Renata Antunes e também há textos críticos de Reynaldo Barreto M. e Castro, David Pereira, Cecília Almei-da Salles, Daniela Braga. A capa é de Júlia Mayrinck, criada a partir de um mandala multicolorido construído por mim. No lançamento de ontem, 25 de Outubro, na Livraria Barata / Leya, aqui em Lisboa, foram feitas magníficas apresentações do livro pelos premiados e grandes escrito-res portugueses João Rasteiro e João Morgado.

Apresente-nos, um dos textos pu-blicados em “O Avesso do Arquipé-lago”?

AVESSO

No avesso do arquipélago

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

DIVULGA ESCRITOR

brasões e miniaturas no avesso das fagulhas a lenta história de pérolas entre fugazes semínimas que adentram teus compassos existem frações de lúcido silêncio no avesso das fagulhas

a lenta história de pérolas entre fugazes semínimas que adentram teus compassos existem frações de lúcido silêncio no avesso da avenida

existe outra avenida

mais larga e bem mais densa no avesso do que é imenso existe a inexistência Beatriz H. Ramos Amaral

Sabemos que cada texto tem um pe-dacinho da autora. Comente sobre o momento de criação desde texto.

Beatriz Amaral - O poema “Circulo de Sol para Massao Ohno” tem uma origem que considero digna de regis-tro. É dedicado ao meu querido edi-tor Massao Ohno, que foi quem mais me editou. Ele publicou quatro livros meus: Encadeamentos, em 1988, Pri-meira Lua em 1990, Poema sine prae-via lege em 1993 (finalista do Prêmio Jabuti) e Planagem em 1998 (um con-vite dele para o meu primeiro conjun-to de poesia reunida e um marco na minha produção. Ele era um grande editor, um artista, um verdadeiro ar-tista gráfico e que se tornou meu ami-go querido. Ético, amiami-go, luz imensa vinda do Oriente que iluminou São Paulo e a poesia brasileira.

O poema o celebra.

Sabemos que estás realizando um conjunto de eventos em Portugal, para divulgação do livro. Quais os principais eventos que estás a par-ticipar?

Beatriz Amaral - Na verdade, co-mecei a fazer palestras aqui em 2011.

Estive em 2014 fazendo uma série de palestras em Coimbra e uma delas, em especial, na Casa da Escrita. Es-tive também realizando palestras ao

lado de minha mãe, a poeta brasileira Elza A. Ramos Amaral, num Encon-tro Internacional de Poetas de Lín-gua Portuguesa coordenado por Luís Serguilha, na Casa de Camilo Caste-lo Branco, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Transitei muito pelo Porto, cidade que adoro.

A partir de 2018, intensificaram-se as conexões e realizei uma série de pa-lestras jurídicas num Seminário na Faculdade de Direito da Universida-de Universida-de Lisboa, participei Universida-de Salões do Livro, participei do I Mulherio das Letras Portugal em março deste ano e do Salão do Livro, em Junho. Experi-ências muito gratificantes que acaba-ram culminando com convites para publicar aqui. E meu décimo-quinto livro, “O Avesso do Arquipélago”, é uma bela edição da In-Finita Lisboa.

Fui convidada para autografá-lo na tradicional LIVRARIA BARAT no dia 25 e o lançamento foi uma grande alegria, pois fui brindada com textos de apresentação do livro realmente magníficos, dos premiados escrito-res portugueses João Morgado e João Rasteiro, cujo trabalho muito admiro.

Foi um presente para a minha poesia, para a minha escrita. Também auto-grafei o livro no Projeto “Leituras de A a Zénite”, na Galeria Zénite dia 22, no 5º. Salão do Livro de Lisboa rea-lizado dia 19 na Fundação Casa de Macau. E agora estou seguindo para os Açores, pois fui convidada para fa-zer o lançamento e a apresentação de

“O Avesso do Arquipélago” no OU-TONO VIVO 2019, que é o maior festival de literatura e arte da região e se realiza na Ilha Terceira. Meu lan-çamento lá será no dia 28, 2ª.feira, às 19h, no Auditório do AJAIT e o livro terá a apresentação da atuante poeta açoriana Carla Félix.

Onde podemos comprar o seu li-vro?Beatriz Amaral - Aqui em Portugal, O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO poderá ser comprado na Livraria

Ba-rata, entre outras, e também direta-mente com a editora In-Finita.

Também poderá ser adquirido nos Açores, na Feira Literária, na Ilha Terceira, durante todos os dias de sua duração, isto é, até o dia 10 de No-vembro. E, claro, subsidiariamente, também comigo, pelo e-mail [email protected]. Para os bra-sileiros adquirirem, também estará em livrarias brasileiras em breve.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Beatriz H. Ra-mos Amaral. AgradeceRa-mos sua par-ticipação na Revista Divulga Escri-tor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Beatriz Amaral - A mensagem que deixo é que sejamos todos sempre bons leitores – dos clássicos e dos nossos contemporâneos, valorizemos a literatura. Sem leitores não surgem escritores. E que sejamos sempre ín-tegros e fiéis a nossos projetos. Coe-rência, integridade e persistência são boas companheiras do escritor, do inventor, do artista, do criador em geral.

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL Site Oficial:  www.beatrizhramaral.

com.br

_________________

Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura.

https://www.facebook.com/

DivulgaEscritor/

www.divulgaescritor.com

DIVULGA ESCRITOR

DIVULGA ESCRITOR

No documento Dando um tempo (páginas 45-48)