Por Rene Fernandes
Àquelas mãos
Havia aquelas mãos. Aquelas mãos que se entrelaçavam com as minhas, que se encaixavam como a engrenagem de um mecanismo estranho. Eu seria capaz agora de escrever um tratado sobre essa ciência que inventei na minha cabeça, a quirodáctilogia.
Havia aquela mão que pousava sobre minha coxa enquanto andávamos de carro, como que para dizer :“te peguei, não vai a lugar nenhum sem mim!”. Aquela mão longilínea, com dedos finos como fios de heméra, de um branco atravessado unicamente pelo tom esverdeado das veias; uma pintura impressionista que nenhum Monet jamais teria oportunidade de matizar. Havia aquelas mãos que mergulhavam no meu rosto, contornavam o meu corpo remoldando a argila adâmica. Elas cobriam meus olhos para, em seguida, desvelar a melhor, a mais bela de todas as surpresas.
Havia aquela mão, frágil, fina e delicada. Mão que eu costumava fisgar sobre a minha coxa direita, enquanto dirigia, para levá-la até a boca e beijá-la com a maior suavidade e devoção que me eram possíveis, como se tocasse com os lábios a espuma dos dias.
Entretanto, para resguardar esse gesto, era necessário um movimento sincronizado e arriscado: como não queria me desprender daquela mão em hipótese nenhuma, eu soltava a minha outra do volante e com ela passava a trocar a marcha. Era um ritual que se repetia duas ou três vezes por semana. Um ritual furtivo, para pronunciar em silêncio aquelas três palavras mais repetidas a esmo por aí, mas que nunca são o suficiente. De nós elas não irromperiam assim tão facilmente.
Havia aquelas mãos que aterrissavam em mim como a fuligem escondida dos dias esquecidos, que traziam em seu bojo a saudade de um tempo em que eu não vivi, em que eu não vivera e em que não viveria nunca. Nunca mais. As mãos que escreviam o futuro de um pretérito menos-que-perfeito.
Aquelas mãos, duas peças de mármore dependuradas em uma alma permanentemente doente, já me esbofetearam e me esmurraram com a leveza e os sentimentos misericordiosos de uma dor sincera. Arranharam-me não para me machucar, mas para escavar o que tinha sobrado da ilusão que um dia eu havia sido.
Então, numa manhã, elas se levantaram para me apedrejar e num esgar de punhos retorcidos agarraram e giraram a maçaneta rancorosamente diante de mim tão rápido quanto bateram a porta num estampido atrás de si.
Depois disso permaneceram inertes, estendidas na direção do chão, frias e enrijecidas.
Tolhidas pela letargia, não se ergueram mais, nem sequer para ensaiar o nosso adeus.
Haveriam aquelas mãos...?
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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
COM O ESCRITOR VLADEMIR MARANGONI
Autor
Vlademir Marangoni Filho Médico Veterinário Professor
Escritor Voluntário
Associado há 24 anos do Rotary, uma organização internacional humanitária onde já exerceu e exerce diversas funções, ministrou inúmeras palestras e participou e coordenou relevantes projetos nas seguintes áreas de enfoque: paz e prevenção/
resolução de conflitos, prevenção e tratamento de doenças, recursos hídricos e saneamento, saúde materno-infantil, educação básica e alfabetização e desenvolvimento econômico e comunitário.
Release
O livro elabora uma reflexão profunda sobre a vida, inspi-rando-nos a desenvolver uma nova perspectiva existencial e visualizar grandes oportunidades de nos reinventarmos no caos, nas dificuldades, no sofrimento e nas adversida-des.
Prefaciado por um dos mais renomados palestrantes do Brasil, o Prof. Gretz, que sintetiza em poucas palavras: “É um verdadeiro manual para a vida".
O texto ricamente contextualizado e de estrutura escrita acessível apresenta reflexões e inquietações profundas sobre os principais anseios humanos, as angústias da alma e as amplas possibilidades de mudança e transformação de contextos existenciais através de atitudes vencedoras, positivas e éticas.
Link para compra:
https://www.marangoniconsultoria.com.br/
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Escritor Wellington Gonzalez, é um prazer contarmos com a sua parti-cipação na revista Divulga Escritor.
Conte-nos, o que mais o encanta na área de gestão?
Wellington Gonzalez - Primeiramen-te quero agradecer a oportunidade de participar de uma entrevista da revis-ta divulga escritor, é de grande valia e muito importante. Bom, falar de gestão além de ser complexo é muito praze-roso, tendo em vista que já trabalho a algum tempo com pessoas, e amo o que que faço .Como costumo dizer se gostamos do que fazemos já saímos de casa com noventa por cento de chan-ce de dar chan-certo o restante são variáveis externas que não podemos controlar.
Para trabalhar com gestão de pessoas temos que gostar muito, pois somos seres humanos, agimos e pensamos diferentes um dos outros, o papel do gestor de pessoas é fazer com que todos pensem e hajam em prol do mesmo objetivo, em busca do resultado posi-tivo, como um maestro regendo a or-questra, como um capitão de um navio