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CÁMARA DE COMÉRCIO (1967-1968)

ÁREAS DO EDIFICIO EL TIEMPO (1967)

4.4 CÁMARA DE COMÉRCIO (1967-1968)

FIGURA 155 – VISTA DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Acervo Pessoal (2019).

A Cámara de Comércio da cidade de Bogotá, localizada na carrera 9, calle 16, foi aparentemente projetada pela empresa Obregón y Valenzuela em parceria com Cuéllar, Serrano, Gómez (estrutura) e Martínez Cárdenas (ventilação) em 1956. Os seguintes documentos referentes ao projeto original da Cámara de Comércio foram encontrados na pasta de Obregón y Valenzuela, no arquivo Distrital de Bogotá: 1) uma planta de parte do térreo, sem data e sem autor; 2) duas pranchas do projeto de ventilação (planta do

mezanino e cortes) assinadas por Martínez Cárdenas e datadas de 1956; 3) uma prancha de estrutura assinada por Cuéllar, Serrano, Gómez, também datada de 1956. Apesar da pouca documentação, são possíveis considerações:

A estrutura segue uma grelha ortogonal, apesar da irregularidade do lote. Na legenda da planta estrutural lê-se “pilotes benoto”, termo também utilizado pela empresa Cuéllar, Serrano, Gómez para descrever a estrutura utilizada no edifício Bochicha (1952-1956). Os pilares são desenhados em formato circular na planta estrutural e quadrados nas plantas do térreo e mezanino.

FIGURA 156 – PLANTA DE ESTRUTURA DA CÁMARA DE COMERCIO ASSINADA POR CUÉLLAR, SERRANO, GÓMEZ (1956). FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

O edifício parece conter quatro entradas em linha que correspondem a espaços separados. O primeiro espaço, esquina da carrera 9 com a calle 16, é recuado, o que aumenta a dimensão da calçada para o pedestre. Esse espaço apresenta um pé direito duplo na entrada e uma escada ao fundo que se desdobra em um mezanino. A mesma estratégia é utilizada nos dois espaços que seguem em linha: entrada com pé direito duplo e mezanino ao fundo. Trata-se de uma repetição de algo já executado por Cuéllar, Serrano, Gómez no edifício Bochicha. A última área, na fachada nordeste, difere das demais: entrada com pé direito simples e escada em formato de “U” ao fundo. Encostado na fachada nordeste, elevadores, área de serviços e um pequeno acesso leva ao fundo do terreno (com face para a calle 16). No fundo do terreno, se repete a estratégia de pé direito duplo na área da fachada e mezanino recuado. O edifício está locado em uma esquina: calle 16 (rua de pedestres) e carrera 9 (rua de carros com calçada para pedestre), e seu acesso é inteiramente feito a pé. Ainda assim, os acessos acontecem a partir da carrera 9.

FIGURA 157 – PLANTA DE VENTILAÇÃO DO MEZANINO ASSINADA POR MARTÍNEZ CÁRDENAS. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 158 – PLANTA DO TÉRREO DA CÁMARA DE COMERCIO SEM NOME E SEM DATA. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 159 – CORTE DE VENTILAÇÃO DA CÁMARA DE COMERCIO ASSINADA POR MARTÍNEZ CÁRDENAS. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 160 – RUA DE PEDESTRES AO LADO DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Acervo Pessoal (2019).

O projeto original sofreu uma reforma (1967-1968) de autoria da empresa Obregón y Valenzuela e com participação de Pizano, Pradilla, Caro (carimbo em todas folhas de projeto). Segundo a prancha 1 – “localização e áreas” (tabela 28) a intervenção aconteceu nos níveis de subsolo, térreo, mezanino, primeiro e segundo andar. A reforma está bastante documentada no Arquivo Distrital de Bogotá (pasta da empresa Obregón y Valenzuela) e corresponde ao fato construído tal como é hoje.

ÁREAS DA CÁMARA DE COMERCIO

PISOS ÁREA CONSTRUÍDA (m2) ÁREA REFORMADA (m2) ÁREA LIVRE (m2)

Subsolo 605,18 524,18 - Térreo53 640,83 640,83 36,48 Mezanino 271,42 271,42 - 1º Piso 662,13 84,00 - 2º Piso 622,43 134,00 - 3º Piso 662,13 - - 4º Piso 652,78 - - 5º Piso 407,80 - - 6º Piso 407,80 - - 7º Piso 407,80 - - 8º Piso 407,80 - - 9º Piso 407,80 - - Terraço Dep54. 88,31 - - Quarto de Máquinas 88,31 - - TOTAIS 6332,52 1654,43 36,48

TABELA 28 – ÁREAS DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Adaptado do Arquivo Distrital de Bogotá.

O subsolo é utilizado como área técnica do edifício, e conta com espaços de arquivo, locker, casa de máquinas e impressão. O acesso é feito exclusivamente por escada e elevador de serviço, colados na fachada noroeste. Os pilares são quadrados e seguem uma grelha ortogonal.

53 Foi utilizada a terminologia brasileira, na qual a planta urbana é o térreo e, em seguida, primeiro piso, segundo piso etc.

FIGURA 162 – PLANTA DE LOCALIZAÇÃO E ÁREAS DA REFORMA DA CÁMARA DE COMERCIO.

FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá

FIGURA 163 – REFORMA DO SUBSOLO DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

O andar térreo, antes setorizado em quatro partes (três retângulos e um “L”), transforma-se completamente. A esquina entre a calle 16 e a carrera 9 é ainda mais recuada, abrindo espaço para um jardim externo e interno. Ao lado do jardim, uma entrada principal elevada leva a um hall e um espaço de estar público com pé direito duplo. Ao fundo, uma área administrativa e uma de estar, ambas com pé direito simples. Essa zona é intitulada de “câmara de comércio” na planta do térreo. Uma segunda entrada, também sobre a carrera 9, leva o pedestre ao “edifício”, esse de caráter privativo. Para separar “câmara de comércio” e “edifício”, é inserida uma escada para acesso do mezanino. Esse nível apresenta um hall de entrada de uso público com acesso aos caixas e áreas internas de uso administrativo (privativo).

Primeiro andar tem uso de escritórios e planta parcialmente livre, com circulação vertical, serviços e banheiros locados na fachada nordeste. Uma abertura na laje do andar de cima (segundo andar) cria um espaço de pé direito duplo no centro da planta. Segundo andar, muito semelhante ao primeiro, é zona de trabalho, com circulação vertical, serviços e banheiro na fachada nordeste. Recorte na laje permite que se veja a estação de trabalho do andar de baixo. Na fachada noroeste, salas com uso de juntas, arquivo e depósito. Não foi encontrada planta do piso tipo dos andares três a nove. No último andar da edificação, penthouse com quatro salas de aula envoltas por terraço. O desenho dessa penthouse está datado de 1967 e é de autoria de Obregón y Valenzuela, mas não consta na tabela de áreas como um espaço reformado. A estratégia utilizada na

Cámara de Comercio de um térreo público com desdobramento em um mezanino, corpo

baixo com laje recortada no centro e corpo alto com cobertura penthouse se repete posteriormente no edifício Residencias Tequendama Norte (1978-1982), de Cuéllar, Serrano, Gómez.

FIGURA 165 – REFORMA DO TÉRREO DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 166 – REFORMA DO MEZANINO DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 167 – REFORMA DO PRIMEIRO PISO DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 168 – REFORMA DO SEGUNDO PISO DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 169 – PENTHOUSE DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 170 – CORTE DA REFORMA DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 171 – FACHADA DA CALLE 16 E CARRERA 9 – REFORMA DA CÁMARA DE COMERCIO. FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

FIGURA 172 – PERSPECTIVA DA CÁMARA DE COMERCIO (REFORMA). FONTE: Arquivo Distrital de Bogotá.

Ao analisarmos a Cámara de Comercio a partir das camadas de complexidade, é possível observar que:

Desde o início, o projeto se propõe a utilizar o SUBSOLO como área técnica e acessá-la a partir do interior do edifício (uso privativo). O subsolo ocupa toda a dimensão do lote e se estrutura a partir de uma grelha ortogonal, apesar da irregularidade no lote. A legenda na planta estrutural utiliza o termo “pilotes benoto”, o mesmo utilizado por Cuéllar, Serrano, Gómez para descrever a estrutura utilizada no edifício Bochicha (1952-1956), no livro Cuéllar, Serrano, Gomez, Cia & Ltda (Cuéllar, Serrano, Gomez, Cia, 1958).

O TÉRREO sofre transformações significativas de sua primeira versão até a versão final. Na primeira, conta com quatro entradas em linha que correspondem a espaços separados, três delas com pé direito duplo na entrada e escada que se desdobra em um mezanino ao fundo. Trata-se de uma repetição de algo já executado por Cuéllar, Serrano, Gómez no edifício Bochicha. Há um recuo das paredes na esquina da calle 16 e carrera 9, aumentando o espaço da calçada. Apesar desse cuidado com a cidade, as entradas são voltadas totalmente para a carrera 9, rua de carros, ainda que exista uma fachada com frente para a rua de pedestres na edificação.

Esse térreo sofreu transformações com a reforma. A esquina entre calle 16 e

carrera 9 se tornou ainda mais recuada, e nesse local foi colocado um jardim. As várias entradas tornaram-se duas, interconectadas de maneira discreta, apenas para pessoal interno. São criados dois espaços: 1) público, com hall e espaço de estar com pé direito duplo na frente, e ao fundo outro espaço de estar e uma escada que se desdobra em mezanino, de uso parcialmente público; 2) privado, com caráter administrativo e pé direito simples. É possível fazer um paralelo entre as praças cobertas e descobertas do Centro Internacional e as áreas de estar do edifício Cámara de Comercio, com pé direito duplo e vista para o jardim (trazendo um ar de espaço público aberto) e uma área de estar com pé direito simples, que reduz os estímulos a volta (fachada em vidro, fachada cega e parede). O projeto prevê mobiliário nas áreas de estar.

O CORPO BAIXO dessa edificação se estrutura acima do mezanino e é composto pelo primeiro e segundo andares, ambos utilizados majoritariamente como zona de

trabalho. Assim como todos os edifícios de escritório do centro internacional, a planta desses andares é livre. Há um recorte na laje do segundo andar que permite outra relação entre andares e remete ao projeto das Residencias Tequendama Norte (1978-1982), de Cuéllar, Serrano, Gómez. Assim, a Cámara de Comercio apresenta semelhanças tanto com edifícios anteriores a ele (Bochicha), quanto com edifícios projetados após sua construção (Residencias Tequendama Norte).

FIGURA 173 – CORTE TRANSVERSAL DO EDIFÍCIO RESIDENCIAS TEQUENDAMA NORTE. FONTE: Arquivo do arquiteto Francisco Becerra.

Não há desenhos da planta tipo da torre, mas a partir da coleta de dados (visita, fotos e plantas de outros andares) são possíveis algumas considerações: o volume do corpo alto está mais próximo à rua que ao interior do lote, e a circulação vertical está localizada na encosta da fachada noroeste – ambas características que destoam dos projetos do Centro Internacional. Apesar disso, há um ponto comum na criação de uma

penthouse na cobertura da torre, característica que se manifesta no edifício Bochicha, no conjunto Bavaria e no edifício Bachue.