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Arquitetura e cidade no “Centro Internacional” em Bogotá:

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Academic year: 2022

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Arquitetura e cidade no “Centro Internacional” em Bogotá:

estudos, aproximações e singularidades

Flávia Sampaio de Almeida Guedes

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ARQUITETURA E CIDADE NO “CENTRO INTERNACIONAL” EM BOGOTÁ:

ESTUDOS, APROXIMAÇÕES E SINGULARIDADES

Dissertação apresentada ao curso de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, como parte das exigências para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Orientadora: Profa. Dra. Ruth Verde Zein

SÃO PAULO 2020

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G924a Guedes, Flávia Sampaio de Almeida

Arquitetura e cidade no “Centro Internacional” em Bogotá : estudos,

aproximaçőes e singularidades / Flávia Sampaio de Almeida Guedes 330 f. : il. ; 30 cm

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2020.

Orientadora:Ruth Verde Zein . Bibliografia: f. 244-248.

1. Conjunto Tequendama-Bavaria. 2. Movimento Moderno. 3. Amé- rica Latina.. I. Zein, Ruth Verde, orientadora. II. Título.

CDD 720 Bibliotecária responsável: Paola Damato CRB-8/6271

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ARQUITETURA E CIDADE NO “CENTRO INTERNACIONAL” EM BOGOTÁ:

ESTUDOS, APROXIMAÇÕES E SINGULARIDADES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção de título de Mestre em Letras.

Aprovada em 21 de agosto de 2020.

BANCA EXAMINADORA

Prof.ª Dr.ª Ruth Verde Zein Universidade Presbiteriana Mackenzie

Prof. Dr. Rafael Antonio Cunha Perrone

Universidade Presbiteriana Mackenzie

Prof. Dr. Prof. Dr. Ricardo Daza

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À Prof. Dra. Ruth Verde Zein, pelo zelo no trato do material e respeito às minhas ideias;

À Prof. Dra. Silvia Arango, pela generosidade de abrir sua biblioteca para esta pesquisa e disposição em me levar às obras de mais difícil alcance;

Ao Prof. Dr. Ricardo Daza, por conectar-me com pessoas tão importantes para esta pesquisa;

Ao Francisco Becerra, por abrir as portas de sua casa e permitir acesso aos arquivos do Centro Internacional;

À Marta Devia, pela delicadeza de conectar-me com a equipe do Centro Internacional;

À Maria Elvira e ao Prof. Rodrigo Cortes y Mehmet, por me permitirem olhar as Torres do Parque sob outro ângulo;

À Profa. e Doutoranda Larissa Zarpelon, por me acompanhar na apresentação do meu primeiro artigo;

À Martha, funcionária do Archivo Distrital de Bogotá, pela colaboração no levantamento da documentação primária da pesquisa;

À Maria Stella Sampaio Leite, por todas as discussões e revisões de texto;

À minha família e amigos, pelo amor incondicional.

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de

Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

(7)

“The lack of integration is pathetic when sections devoted to Latin America are added to the classical texts on the history of modern architecture as if the works, projects, or ideas generated in Latin America were not part of the general development of modern architecture”

Francisco Liernur (2014, p.13)

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(1950-1982). Seu desenvolvimento travessa 32 anos e mais de duas gerações, definidas por Silvia Arango em “Ciudad y Arquitectura” (2012): inicia-se na geração progressista (1945-1960), na qual são construídos os edifícios Hotel Tequendama (1950-1953) e Edifício Residencias Tequendama Sur (1957-1962), continua ao longo da geração técnica (1960-1975) com os projetos do Conjunto Bavaria (1962-1965) e Conjunto Bachué (1964-1966) e encerra-se com o Edifício Residencias Tequendama Norte (1978- 1982), cinco anos após o que essa autora considera ser o “fim” do movimento moderno latino-americano. O trabalho busca olhar para o caso do Centro Internacional de maneira aprofundada e compreender sua inserção na produção arquitetônica de suas gerações em Bogotá.

Mapeia outros projetos arquitetônicos neste recorte temporal em Bogotá, passíveis de aproximações com o Centro Internacional. São consideradas as obras produzidas pelos escritórios Obregón & Valenzuela, Cuéllar, Serrano, Gómez, Pizano-Pradilla-Caro (autores das obras do Centro Internacional) e outras obras modernas, realizadas por outros arquitetos expoentes da Colômbia. Após mapeamento, são feitas aproximações das obras selecionadas entre si, a fim de compreender o contexto em que o Centro Internacional se insere; e realizados estudos de caso verificando semelhanças e singularidades entre as obras selecionadas e os projetos do Centro Internacional.

Palavras-chave: Centro Internacional. Conjunto Tequendama-Bavaria. Movimento Moderno.

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term project (1950-1982). Its duration spans 32 years and more than two generations, as defined by Silvia Arango in “Ciudad y Arquitectura” (2012). It begins with the progressive generation (1945-1960) in which the buildings Hotel Tequendama (1950-1953) and Residencias Tequendama Sur (1957-1962) are built, continues throughout the technical generation (1960-1975) with the designs of Conjunto Bavaria (1962-1965) and Conjunto Bachué (1964-1966) and ends with the Residencias Tequendama Norte Building (1978- 1982), five years after what would be “the end” of the modern movement for Arango (2012).

The paper seeks to look at the buildings in Centro Internacional and to understand its place in the architectural production of its generations in Bogota.

To do so, the proposal maps buildings in this time-lapse in Bogota, capable of comparison with the projects in Centro Internacional. Among the selected projects are designs from Obregón & Valenzuela, Cuéllar, Serrano, Gómez, Pizano-Pradilla-Caro (authors of the works of the Centro Internacional) and other Colombian modern architects.

After mapping, the selected projects are confronted with each other, in order to understand the context in which Centro Internacional belongs. Then, nine case studies are made, by checking their similarities and singularities with the buildings in Centro Internacional.

KEY WORDS: International Center. Tequendama-Bavaria set. Modern movement.

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Figura 2 - Desenho à mão livre da volumetria do Centro Internacional...26

Quadro 1 – Informações sobre os sócios de Cuéllar-Serrano-Gómez...46

Quadro 2 – Informações sobre os sócios de Obregón y Valenzuela...48

Quadro 3 – Informações sobre os sócios de Pizano-Pradilla-Caro...49

Quadro 4 – Informações sobre Rogelio Salmona...50

Quadro 5 – informações sobre os sócios em Esguerra Saez Urdaneta y Samper y cia.51 Quadro 6 – Informações sobre os sócios em Ricaurte Carrioza y Prieto...52

Quadro 7 – Informações sobre a empresa Violi-Lanzetta...53

Figura 3 - Desenho à mão livre da entrada para os escritórios da Torre Sul do Edificio Tequendama ...59

Figura 4 - Relação do Centro Internacional com a cidade de Bogotá...60

Figura 5 - Panorâmica da década de 1960 do Centro Internacional, vista calle 26...61

Figura 6 - Planta de cobertura do Centro Internacional com a nomenclatura de cada edifício...63

Figura 7 – Hotel Tequendama...64

Figura 8 – Edificio Bochicha...64

Figura 9 – Residencia Tequendama Sur...64

Figura 10 – Conjunto Bavaria Torres A, B e C...64

Figura 11 – Conjunto Bachue-TIsquesusa...64

Figura 12 – Residencias Tequendama Norte...64

Figura 13 – Planta de Localização e áreas aprovadas em prefeitura...66

Figura 14 - Localização do edifício Hotel Tequendama (1950-1953) e sua ampliação (1965-1967)...67

Figura 15 – Volumetria do Hotel Tequendama, vista calle 26...67

Figura 16 – Entrada ao Hotel Tequendama a partir da calle 26...69

Figura 17 – Rampa de acesso ao Hotel Tequendama a partir da calle 26...71

(11)

Figura 21 – Vista do corpo baixo do Hotel Tequendama, vista carrera 13...72

Figura 22 – Planta de ampliação do Hotel Tequendama...72

Figura 23 – Implantação e cortes 1 e 2 do Hotel Tequendama...73

Figura 24 – Corte do Edifício Bochicha...74

Figura 25 - Localização do Edificio Bochicha...75

Figuras 26 – Volume do Edificio Bochicha...76

Figura 27 – Vista do Edificio Bochicha no interior do lote...77

Figura 28 – Vista do Edificio Bochicha, carrera 13...77

Figura 29 – Planta Primeiro Piso e Mezanino do Primeiro Piso do Edificio Bochicha...77

Figura 30 – Distribuição do segundo piso e mezanino do segundo piso Edificio Bochicha...78

Figura 31 – Planta Tipo do Edificio Bochicha...78

Figura 32 – Fachada Sul e corte do Edificio Bochicha...79

Figura 33 – Fachada sobre carrera 13 – Edificio Bochicha...79

Figura 34 - Localização do Edificio Residencias Tequendama Sur...80

Figura 35 – Vista carrera 13 do Edificio Residencias Tequendama Sur...82

Figura 36 – Vista carrera 10ª do Edificio Residencias Tequendama Sur...82

Figura 37 – Planta do Subsolo – Edificio Residencias Tequendama Sur...83

Figura 38 – Planta do piso térreo – Residencias Tequendama Sur...83

Figura 39 – Planta de Mezanino do Edificio Residencias Tequendama Sur...84

Figura 40 – Corte XX E ZZ do Edificio Residencias Tequendama Sur...84

Figura 41 – Fachada sul do Edificio Residencias Tequendama Sur...85

(12)

Figura 44 - Térreo público que se desdobra em um mezanino de uso público...87

Figura 45 - Localização do Conjunto Bavaria...87

Figura 46 e 47 - Torre C – Conjunto Bavaria...90

Figura 47 - Torres A e B – Conjunto Bavaria...90

Figura 48 – Vista das Torres A e B – Conjunto Bavaria...90

Figura 49 - Vista da torre C do Conjunto Bavaria a partir da carrera 13...91

Figura 50 – Vista das torres A, B E C do Conjunto Bavaria a partir da carrera 10ª...91

Figura 51 - Vista da praça do Conjunto Bavaria a partir do corpo baixo...91

Figura 52 – Implantação Conjunto Bavaria aprovada em prefeitura...92

Figura 53 – Planta do terceiro andar do Conjunto Bavaria...92

Figura 54 – Planta das torres – Conjunto Bavaria...93

Figura 55 – Fachada sul dos Edificios do Conjunto Bavaria...93

Figura 56 - Fachada dos Edificios de apartamentos do Conjunto Bavaria...94

Figura 57 - Localização do Conjunto Bachue-Tisquesusa...95

Figura 58 - Volumetria do Conjunto Bachue-Tisquesusa...97

Figura 59 – Vista do interior da praça para o Conjunto Bachue-Tisquesusa...97

Figura 60 – Vista do corpo baixo e corpo alto do Conjunto Bachue-Tisquesusa a partir da carrera 13...97

Figura 61 – Implantação do Conjunto Bachue-Tisquesusa...98

Figura 62 – Fachada Norte do Conjunto Bachue-Tisquesusa...98

Figura 63 – Corte Longitudinal do Conjunto Bachue-Tisquesusa...99

Figura 64 – Planta Urbana do Edificio Bachue...99

Figura 65 – Planta Urbana do corpo baixo do Conjunto Bachue-Tisquesusa...100

Figura 66 - Planta do corpo alto do Edificio Bachue-Tisquesusa...100

Figura 67 - Localização do Edificio Residencias Tequendama norte...102

Figura 68 – Volumetria do Edificio Residencias Tequendama Norte...103

(13)

Tequendama Norte...104

Figura 71 – Conexão do corpo baixo do conjunto Bavaria e Edificio Residencias Tequendama Norte...105

Figura 72 - Circulação vertical – conexão entre conjunto Bavaria e Edificio Residencias Tequendama Norte...105

Figuras 73, 74 e 75 – Interior do Edificio Residencia Tequendama Norte...106

Figura 76 – Planta do piso térreo e corpo baixo do Edificio Residencias Tequendama Norte...107

Figura 77 - Plantas do 3º e 4º piso do Edificio Residencias Tequendama Norte...107

Figura 78 – Planta e corte da torre do edifício Residencias Tequendama Norte...108

Figura 79 – Corte transversal do Edificio Residencias Tequendama Norte...108

Figura 80 – Visitas do Edificio Residencias Tequendama Norte...109

Figura 81 – Relações entre os edifícios Residencias Tequendama Norte e Bochicha...109

Figura 82 – Relações entre as diferentes cotas de planta urbana...110

Figura 83 - Volumetria dos oito edifícios e definição dos quatro blocos do Centro Internacional...113

Figura 84 - Planta urbana com a demonstração de onde há “soleiras” ou “intervalos” no Centro Internacional...115

Figura 85 - Vista aérea dos Edificios Hotel Tequendama, Residencias Tequendama Sur e Conjunto Bachue-Tisquesusa...116

Figura 86 – Planta original aprovada em prefeitura do estacionamento do Centro Internacional...118

Figura 87 - Imagem panorâmica do Centro Internacional, carrera 13...118

Figura 88 – Acesso subsolo – Centro Internacional...119

Figura 89 – Leitura esquemática do acesso aos edifícios do Centro Internacional pela carrera 13...120

Figura 90 – Eixos estruturais do projeto do Centro Internacional...120

(14)

Figura 93 – Galerias que conectam Hotel Tequendama e Residencias Tequendama

Sur...123

Figura 94 – Praça entre conjunto Bachue e Residencias Tequendama Norte...123

Figura 95 – Praça interna coberta no corpo baixo do edifício Residencias Tequendama Norte...123

Figura 96 – Calçada que conecta a lateral do Museo Nacional de Bogotá...124

Figura 97 – Conjunto Bavaria e vista dos pilares que criam enquadramento...124

Figura 98 – Vista aérea do conjunto Bachue-Tisquesusa e Residencias Tequendama Norte...125

Figura 99 – Vista do interior do corpo baixo do conjunto Bavaria...126

Figura 100 – Vista do 3º andar (terraço) do conjunto Bavaria...126

Figura 101 – Alinhamentos dos projetos na quadra e circulações verticais...127

Figura 102 – Croqui explicativo da composição das torres do Centro Internacional...129

Figura 103 e 104 – Vista do Hotel Tequendama e do Edificio Residencias Tequendama Sur a partir da carrera 13...133

Figura 105 – Estratégias projetuais de edifícios que geram urbanidade...134

Figura 106 – Desenho à mão livre do 3º andar do edifício Tequendama Torre Norte...137

Figura 107 – Planta de localização geral do lote do dificio El Tiempo (1967)...139

Figura 108 – Estrutura em concreto aparente e revestimento em pedra do edificio El Tiempo...141

Figura 109 – Composição da fachada do edificio El Tiempo...142

Figura 110 – Composição da fachada dos edificios Residencias Tequendama Sur e conjunto Bachue-Tisquesusa...142

Figura 111 - Planta térreo do edificio El Tiempo………....143

Figura 112 - Planta primeiro piso do edificio El Tiempo...143

(15)

Figura 115 - Planta mezanino do edificio El Tiempo……….147

Figura 116 - Planta do primeiro piso do edificio El Tiempo...147

Figura 117 - Planta do segundo e terceiro piso do edificio El Tiempo...148

Figura 118 - Elevação do edifício El Tiempo...148

Figura 119 – Fachada do Edificio El Tiempo...149

Figura 120 – Vista do edificio Buraglia a partir da carrera 7ª...150

Figura 121 - Implantação indicando edifício Buraglia e ampliação (1955)...151

Figura 122 - Redesenho do corte do edifício Buraglia de 1947, por Reyes (2004)...152

Figura 123 – Local do térreo e escada para mezanino do edificio Buraglia (1947)...152

Figura 124 - Redesenho da planta térreo do edifício Buraglia de 1947 por Muñoz (1981)...153

Figura 125 - Redesenho do mezanino do edifício Buraglia de 1947, por Muñoz (1981)...153

Figura 126 - Redesenho do primeiro piso do edificio Buraglia de 1947, por Muñoz (1981)...154

Figura 127 – Desenho original aprovado na prefeitura (sem data) do edificio Buraglia - primeiro piso e cortes transversal e longitudinal da área da concessionária...154

Figura 128 – Redesenho do segundo piso do edifício Buraglia de 1947, por Reyes (2004)...155

Figura 129 – Redesenho do terceiro piso do edifício Buraglia de 1947, por Reyes (2004)...155

Figura 130 – Redesenho do quarto piso do edifício Buraglia de 1947, por Reyes (2004)...155

Figura 131 - Planta de demolição e construção do térreo do edifício Buraglia de 1955 (original)...158

Figura 132 - Redesenho do térreo do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004)...158

(16)

Figura 134 – Entrada de carros do edificio Buraglia...160 Figura 135 - Planta do mezanino do edifício Buraglia (original, sem data)...161 Figura 136 - Redesenho do mezanino piso do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004)...161 Figura 137 - Redesenho do primeiro piso do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004)...162 Figura 138 - Redesenho do segundo piso do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004)...162 Figura 139 - Redesenho do terceiro piso do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004)...162 Figura 140 - Redesenho do quarto piso do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004)...163 Figura 141 - Redesenho do quinto piso do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004). ...163 Figura 142 - Redesenho do subsolo do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004). ...163 Figura 143 - Redesenho do corte longitudinal do edifício Buraglia de 1955, por Reyes (2004). ...164 Figura 144 - Corte transversal do edifício Buraglia (original)...164 Figura 145 – Vista das torres A, B e V das Residencias El Parque e Plaza de Toros...165 Figura 146 – Implantação das Residencias El Parque...166 Figura 147 – Planta do térreo das Residencias El Parque “primer piso – plataforma”....169 Figura 148 – Planta do térreo das Residencias El Parque “plataforma”...169 Figura 149 – Cortes transversais dos blocos B e C do conjunto Residencias El Parque...170 Figura 150 – Corte longitudinal do conjunto Residencias El Parque...170 Figura 151 – Subsolo 2 do conjunto Residencias El Parque...172

(17)

Figura 154 - Corredor varanda do Conjunto Bavaria...177

Figura 155 – Vista da Cámara de Comércio...179

Figura 156 – Planta de estrutura da Cámara de Comércio assinada por Cuéllar, Serrano, Gómez (1956)...180

Figura 157 – Planta de ventilação mezanino assinada por Martínez Cárdenas...181

Figura 158 – Planta do térreo da Cámara de Comércio sem nome e sem data...182

Figura 159 – Corte de ventilação da Cámara de Comércio assinada por Martínez Cárdenas...182

Figura 160 – Rua de pedestres ao lado da Cámara de Comércio...183

Figura 161 – Entrada e jardim Cámara de Comércio...183

Figura 162 – Planta de localização e áreas da reforma da Cámara de Comércio...185

Figura 163 – Reforma do subsolo da Cámara de Comércio...185

Figura 164 – Novo corte da Cámara de Comércio...186

Figura 165 – Reforma do térreo da Cámara de Comércio...187

Figura 166 – Reforma do mezanino da Cámara de Comércio...187

Figura 167 – Reforma do primeiro piso da Cámara de Comércio...188

Figura 168 – Reforma do segundo piso da Cámara de Comércio...188

Figura 169 – Pent-house da cámara de comércio...189

Figura 170 – Corte reforma da cámara de comércio...189

Figura 171 – Fachada calle 16 e carrera 9 – reforma da cámara de comércio...190

Figura 172 – Perspectiva Cámara de Comércio (reforma)...190

Figura 173 – Corte transversal do edifício Residencias Tequendama Norte...192

Figura 174 -Croqui da torre Avianca...193

(18)

Figura 177 - corte urbano do edificio avianca com vista de cada rua adjacente...196

Figura 178 - Vista do interior do subsolo - torre Avianca...198

Figura 179 - Planta com área “livre” da torre Avianca...198

Figura 180 - Entrada principal da torre Avianca...199

Figura 181 – Entrada lateral da torre Avianca...199

Figura 182 - Planta com hall de acesso a torre Avianca...200

Figura 183 - Planta mezanino da torre Avianca...201

Figura 184 – Vista do corpo baixo da torre Avianca...202

Figura 185 – Planta do térreo do edifício Avianca...202

Figura 186 – Planta do mezanino do edifício Avianca...202

Figura 187 – Planta do 1º subsolo do edifício Avianca...203

Figura 188 - Planta do 2º subsolo do edifício Avianca...203

Figura 189 – Planta do 3º subsolo do edifício Avianca...204

Figura 190 – Planta do 4º subsolo do edifício Avianca...204

Figura 191 - Planta da torre Avianca – Piso 17 a 31...205

Figura 192 - Croqui da reação entre os volumes da torre Avianca...205

Figura 193 - Layout da torre Avianca – piso 3 a 17...206

Figura 194 – Layout da torre Avianca - Piso 20...206

Figura 195 – Layout da torre Avianca - Piso 19 a 32...206

Figura 196 - Corte da torre Avianca – piso 17 a 31...207

Figura 197 – Corte urbano da torre Avianca...208

Figura 198 – Vista do corpo baixo da torre Avianca...210

Figura 199 - Vista das torre c do conjunto Bavaria a partir da carrera 13...210

Figura 200 - Vista da torre do Centro Colseguros...211

Figura 201 – Implantação do Centro Colseguros...212

(19)

Figura 204 – Planta do nível inferior do corpo baixo do Centro Colseguros...214

Figura 205 – Planta do nível urbano do corpo baixo do Centro Colseguros...214

Figura 206 – Planta do primeiro piso do corpo baixo do Centro Colseguros...214

Figura 207 - Planta do térreo do Centro Colseguros...215

Figura 208 - Planta do primeiro piso do Centro Colseguros – piso 17 a 31...215

Figura 209 - Corte tipo do Centro Colseguros...216

Figura 210 - Planta tipo da torre do Centro Colseguros – piso 17 a 31...216

Figura 211 - Fachada dos escritórios do Centro Colseguros calle 17, 18...217

Figura 212 - Fachada dos escritórios do Centro Colseguros calle 10 e 18...217

Figura 213 - Perspectiva da praça externa do Centro Colseguros...218

Figura 214 - Vista da praça no interior do Centro Colseguros...218

Figura 215 - Vista para a praça e fachada do Centro Colseguros...219

Figura 216 – Praça ao lado do conjunto Bavaria...220

Figura 217 - Vista das torres a e b do conjunto Bavaria a partir da carrera 13...221

Figura 218 - Vista da praça do conjunto Bavaria a partir do corpo baixo...221

Figura 219 – Planta do nível urbano do Centro Colseguros...222

Figura 220 – Plantas do piso térreo e corpo baixo edifício Residencias Tequendama Norte...222

Figura 221 - Planta do térreo do Centro Colseguros...223

Figura 222 – Corte transversal do edifício Residencias Tequendama Norte...223

Figura 223 e 224 – Interior do corpo baixo do edificio Residencias Tequendama Norte...224

Figura 225 - vista do interior do Centro Colseguros...224

Figura 226 – Planta de localização da Sociedad Colombiana de Arquitectos...225

Figura 227 -Vista da volumetria do edificio Sociedad Colombiana de Arquitectos...226

Figura 228 -Vista da escadaria ao lado da Sociedad Colombiana de Arquitectos...226

(20)

Figura 231 – Planta do primeiro subsolo - Sociedad Colombiana de arquitectos...229

Figura 232 – Planta do segundo subsolo - Sociedad Colombiana de Arquitectos...230

Figura 233– Planta piso tipo - Sociedad Colombiana de Arquitectos...230

Figura 234 – Planta piso 19 - Sociedad Colombiana de Arquitectos...231

Figura 235 – Corte CC - Sociedad Colombiana de Arquitectos...232

Figura 236 - Praça pública ao lado do edifício Sociedad Colombiana de Arquitectos..233

Figura 237 – Interior da Fundação Rogelio Salmona, no edifício Sociedad Colombiana de Arquitectos...234

Figura 238 - Desenho à mão livre do 2º andar da torre Residencias Tequendama Norte...235

Figura 239 - Desenho à mão livre do 2º andar da Torre Tequendama Norte...246

Figura 240 - Desenho à mão livre do Edificio Bachué...251

(21)

Tabela 2 – Sócios da empresa Cuéllar-Serrano-Gómez...33

Tabela 3 – Sócios da empresa Obregón & Valenzuela...34

Tabela 4 – Sócios da empresa Pizano-Pradilla-Caro...34

Tabela 5 – Idade dos sócios da empresa Cuéllar-Serrano-Gómez ao participar de cada projeto...35

Tabela 6 – Idade dos sócios da empresa Obregón & Valenzuela ao participar de cada projeto do Conjunto Bavaria (1962-1965)...36

Tabela 7 – Idade dos sócios da empresa Pizano-Pradilla-Caro de cada projeto do Conjunto Bavaria (1962-1965)...36

Tabela 8 – Idade dos sócios da empresa Violi-Lanzetta em cada projeto selecionado para a pesquisa...38

Tabela 9 – Idade dos sócios da empresa de Rogelio Salmona em cada projeto selecionado para a pesquisa...38

Tabela 10 – Idade dos sócios da empresa Obregón & Valenzuela ao participar de cada projeto...39

Tabela 11 – Idade dos sócios da empresa Esguerra Saez Urdaneta y Samber ao participar da Torre Avianca...40

Tabela 12 – Idade dos sócios da empresa Ricaurte, Carrioza, Prieto ao participar da Torre Avianca...40

Tabela 13 – Áreas do Hotel Tequendama...70

Tabela 14 – Áreas do edifício Bochicha...74

Tabela 15 – Áreas do edificio Residencias Tequendama Sur...82

Tabela 16 – Áreas do conjunto Bavaria...89

Tabela 17 – Áreas do conjunto Bachue-Tisquesusa...96

Tabela 18 – Áreas do edifício Residencias Tequendama Norte...102

(22)

Tabela 21 - Alturas livres edifício Residencias El Parque...168 Tabela 22, 23 e 24 – Áreas das Residencias El Parque...171 Tabela 25 - Áreas comuns nos subsolos das Residencias El Parque...173 Tabela 26 – Áreas comuns nos subsolos das Residencias El Parque...174 Tabela 27 – Áreas comuns nos subsolos das Residencias El Parque...175 Tabela 28 – Áreas da Cámara de Comércio...184 Tabela 29 – Áreas extraídas dos originais...195 Tabela 30 – Dados sobre o edificio Avianca...195 Tabela 31 – Áreas comuns da Sociedad Colombiana de Arquitectos...225

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2. ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS...26 2.1 RUPTURA COM OS CÂNONES...26 2.2 PERIODIZAÇÃO...31 2.3 EMPRESAS E ARQUITETOS...42 2.4 ESCOLHA DAS OBRAS...56 3. O CENTRO INTERNACIONAL...59 3.1 O FATO CONSTRUÍDO...60 3.2 FORTUNA CRÍTICA DO CONJUNTO...111 3.3 CAMADAS DE COMPLEXIDADE E AS ESTRATÉGIAS PROJETUAIS...117 4. ECOS NA CIDADE DE BOGOTÁ...137 4.1 EL TIEMPO (1950-1967)………139 4.2 BURAGLIA (1954-1955)……….150 4.3 RESIDENCIAS EL PARQUE (1965-1972)………..165 4.4 CÁMARA DE COMÉRCIO (1967-1968)...179 4.5 TORRE AVIANCA (1970-1971)...193 4.6 CENTRO COLSEGUROS (1968-1974)………..211 4.7 SOCIEDAD COLOMBIANA DE ARQUITECTOS (1973-1974)...225 5. CONCLUSÕES...235 6. REFERÊNCIAS...246 ANEXO I – COLETA DE DADOS INICIAL...251 ANEXO II – LISTA DE OBRAS LEVANTADAS E CRITÉRIOS DE SELEÇÃO...278 ANEXO III – RELATÓRIO FOTOGRÁFICO DAS OBRAS VISITADAS...292 ANEXO IV - DOCUMENTOS LEVANTADOS NA VISITA A CAMPO...299 ANEXO V – UM OLHAR PARA A HISTORIOGRAFIA...315

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FIGURA 1 - DESENHO À MÃO LIVRE DA ENTRADA AO CENTRO INTERNACIONAL. FONTE: Autoria própria (2019).

1 INTRODUÇÃO

No ano de 2017, participei de um projeto denominado “Empreendedor Global”, de titularidade da ONG AIESEC, no qual me propus a trabalhar por três meses na construtora BENHABITAT, auxiliando no desenvolvimento de obras residenciais no interior da Colômbia. Após o fim deste ciclo, fui contratada pela empresa e me estabeleci no país. Durante a minha estadia na Colômbia, me interessei profundamente pela arquitetura moderna produzida no local, verificando semelhanças com o Brasil quanto aos métodos, processos e escolhas projetuais.

Este olhar para o moderno latino-americano me levou a entrar em contato com o Prof. Dr. Ricardo Daza, da Universidade Nacional de Bogotá, que me convidou para assistir à premiação da Fundação Rogelio Salmona, onde me apresentou os Profs. Drs.

Ingrid Quintana, Silvia Arango, José Javier Alayon González, entre outros pesquisadores engajados no meu tema de pesquisa.

Dessa maneira, retornei ao Brasil decidida a consolidar esta questão através de um estudo comparativo entre obras e arquitetos latino-americanos modernos. Para tal,

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entrei em contato com a Profa. Dra. Ruth Verde Zein, colega do Prof. Dr. Ricardo Daza, que me sugeriu participar da pesquisa “Discussão Teórica e Construção Histórica”, apoiada pela Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica – Chile (CONICYT). Acatei prontamente a sugestão e desde então me dedico à referida pesquisa.

Além disso, desde julho de 2019 sou bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES). Meu trabalho, “Arquitetura e cidade no

‘Centro Internacional’ em Bogotá: estudos, aproximações e singularidades”, dialoga com as demais pesquisas desenvolvidas no grupo e tem por objetivo justamente servir de apoio e contribuição à pesquisa maior em andamento, bem como se enriquecer com este processo.

Inicialmente, o projeto de pesquisa tinha por objetivo realizar um estudo de caso crítico e referenciado exclusivamente do conjunto de edifícios conhecido como “Centro Internacional”, situado em Bogotá, Colômbia, reconhecido nacional e internacionalmente como uma obra coletiva de alto interesse arquitetônico. Porém, ao pesquisar o estado da arte do debate sobre esse tema, deparei-me com a extensa pesquisa da Prof. Dra. María Pía Fontana sobre o assunto, intitulada “El espacio Urbano Moderno. El conjunto Tequedama-Bavaria en Bogotá” (2012), bem como com a tese “Variación Tipológica y Conformación Espacial del Centro Internacional Tequendama Bavaria, 1950-1982” de Francisco Becerra (2012). Ambos trabalhos sugeriram a oportunidade de ampliar o olhar sobre o caso Tequendama. Optei, então, por modificar meu projeto de pesquisa, de maneira a considerar o conjunto de maneira comparativa, buscando compreender sua inserção na produção arquitetônica da cidade de Bogotá.

A pesquisa proposta passou a ser a de confrontar o Centro Internacional com diferentes outros projetos realizados temporal e espacialmente próximos àquele conjunto, verificando como seus projetos se estruturam, que procedimentos adotam, como consideram seus contextos, percebendo semelhanças, aproximações e singularidades.

Os casos de estudo escolhidos, com os quais se pode realizar comparações e cotejamentos, foram definidos a partir de um amplo levantamento e selecionados conforme sua relevância na produção da arquitetura de meados do século XX na América Latina, com destaque para os escritórios Obregón & Valenzuela, Cuéllar, Serrano, Gómez, Pizano-Pradilla-Caro e Halabird – Root – Burgee, reconhecidos por

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manifestarem, em suas obras, seus ideais de construção de um espaço significativo para o habitar moderno.

Para que fosse viabilizado esse objetivo geral foram contatados, ao longo desta pesquisa, os seguintes sujeitos: Profa. Dra. María Pía Fontana, da Universitat de Gironda, a Profa. Dra. Silvia Arango Cardinal, da Universidad Nacional de Bogotá, Prof. Dr. Hugo Mondragón, da Pontifícia Universidade Católica de Santiago e o Prof. Dr. Ricardo Daza, da Universidade Nacional de Bogotá; arquiteta Marta Devia Jimenez, dona de apartamento no Centro Internacional, arquiteta Maria Elvira Mandriñán, presidente da Fundación Rogelio Salmona; arquiteto Francisco Becerra, autor da tese “Variación Tipológica y Conformación Espacial del Centro Internacional Tequendama Bavaria, 1950- 1982” e o Prof. Rodrigo Cortés y Mehmet, morador de um apartamento no bloco C das Torres del Parque.

Além disso, foram visitados os seguintes arquivos: Departamento Administrativo de Planeación Distrital (Bogotá); arquivo pessoal do arquiteto Francisco Becerra; arquivo da Fundación Rogelio Salmona e arquivo do Museo de Arquitectura Leopoldo Rother, na Universidad Nacional de Colombia, sede Bogotá.

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FIGURA 2 - DESENHO À MÃO LIVRE DA VOLUMETRIA DO CENTRO INTERNACIONAL. FONTE: Autoria própria (2019).

2 ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS 2.1 RUPTURA COM OS CÂNONES

A discussão sobre as construções historiográficas foi de grande importância e apoio para esta pesquisa, em especial o livro “Como se escreve a História”, de Paul Veyne, no qual o autor se preocupa em traçar diretrizes para a escrita consciente da historiografia documental. Para ele, a história é sempre contada sob a ótica de um autor e, portanto, parcial. Isto acontece porque cada cultura carrega um grupo de valores que impacta diretamente na forma pela qual uma pessoa compreende e transcreve a narrativa.

Segundo Veyne (2014, p.34-35), “as historiografias que se acreditam totais, sem se darem conta, enganam o leitor sobre sua mercadoria”.

As histórias da arquitetura, inclusive moderna, vêm sendo substancialmente construída através de autores europeus, que imprimem em seus textos seus respectivos valores e entendimentos, resultando em discursos que, segundo Marina Waisman (2010, p. 96), posicionam o Brasil e outros países latinos como “periféricos”. Esta visão pejorativa, que apresenta recortes geográficos e temporais limitados e enviesados, ignora o valor da multiplicidade de culturas e compromete o modo como a arquitetura latino- americana é entendida no panorama global, dando sobretudo a impressão de se tratar de uma arquitetura inferior àquela dos países desenvolvidos, viés que passa a ser

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adotado, eventualmente, pelos próprios arquitetos e historiadores locais. Segundo Liernur:

“há muitas coisas feitas na América Latina que foram deixadas de lado por uma visão tendenciosa da historiografia da arquitetura moderna.”1 (LIERNUR, 2015, p. irreg.)

Este estudo pretende colaborar, mesmo que de maneira limitada, com olhares menos parciais e mais fiéis à história e cultura próprias de nossos países. Mas de que maneira é possível colaborar? Esta questão foi levantada por inúmeros arquitetos e historiadores que respondem à pergunta de formas distintas. Seguem-se alguns exemplos:

Zein (2015), em “Sincronizando Los Relojes Modernos”, busca fazer uma leitura da trama de dois eventos importantes para a historiografia latino-americana e semelhantes entre si, tanto em relação ao recorte temporal, quanto à presença de Pancho Liernur. São eles: a exposição “Latin America in Construction: Architecture 1955-1980”

organizada pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA-NY), com curadoria de Barry Bergdoll, Patricio del Real, Jorge Francisco Liernur e Carlos Eduardo Comas e o livro “Modern Architecture in Latin America: Art, Technology and Utopia” de Luiz E.

Carranza e Fernando L. Lara.

Após mapeamento da quantidade de arquitetos de cada nacionalidade na exposição, ela observa que há uma predominância de cubanos, o que a surpreende. No texto, a autora constata:

(...) os arquitetos citados na exposição também figuram ali, não como coincidência fortuita, mas como ato de reiteração: são nomes já estabelecidos, que produziram as obras mais bonitas e conhecidas. Isso pode parecer muito natural, exceto porque não é: as decisões sobre o que merece ser monumentalizado não se fazem sem basear-se na qualidade arquitetônica, ainda que não se amparem somente nelas. Dependem também, e muito, de jogos de prestígio, de obrigações políticas, da acumulação de capital social e da vontade e crítica de alguns personagens bem localizados no mundo relativamente pequeno da crítica, história e teoria.2 (ZEIN, 2015, p.3)

1Hay un montón de cosas hechas en Latinoamérica que han sido dejadas de lado por una visión sesgada de la historiografía de la arquitectura moderna”. (tradução da autora).

2(...) los arquitectos citados en la exposición también figuran allí, no como coincidencia fortuita sino como acto de reiteración: son nombres ya establecidos, que produjeron las obras más bellas y conocidas. Esto

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Fernando Vázquez, Ana Paula Khoury e Michelle Duarte Bispo em “Caminhos de Vilanova Artigas: Uma abordagem bibliométrica” mapeiam as produções escritas a respeito do arquiteto, na tentativa de aproximar-se da historiografia da obra de Villanova Artigas. A pesquisa revela que, desde 1947 até o ano de 2017, foram publicadas pelo menos 240 matérias, em revistas especializadas, das quais 16 eram estrangeiras e 50 nacionais. Com isso observaram:

(...) que a situação das obras do arquiteto também sofre certa indefinição.

Como já afirmamos ‘os dados sobre o número de projetos (documentados) são vagos’. Se partirmos dos dados da revista Módulo (1989) que aponta 392 obras parece difícil chegar às mais de setecentas mencionadas por Laura Artigas em 2013, ou ainda às mais de seiscentas que são mencionadas na Introdução do livro azul por Rosa Artigas. Da listagem de obras do catálogo da Casa da Cerca (2000), assim como da listagem da biblioteca da FAU USP pareceria ser que entre quatrocentas e 450 poderia estar o número de obras catalogadas. Mas certamente tem mais. (VÁZQUEZ; KHOYRY; BISPO, 2017, p. 265-266, grifo dos autores) Cruzar informações, como fazem Vazques, Khoury e Bispo, parece trazer a superfície algumas “pequenas descobertas”. É o que fazem Eneida de Almeida, Maria Isabel Imbronito, Paula Belfort Mattos e Audrey Migliani Anticoli em “Alberto Xavier e a documentação da Arquitetura Moderna” ao “revisitar o próprio ato de documentar”

(ALMEIDA; IMBRONITO; MATTOS; ANTICOLI, 2017, p.271). O olhar para as nove obras do autor permite observar a complementaridade dos livros e seu caráter de inventário do moderno no Brasil. Segundo Veyne (2014, p.20), um historiador sozinho dificilmente seria capaz de transformar uma visão do mundo, mas as pequenas descobertas, quando somadas, são capazes de apresentar um cenário inesperado. Assim, examinar as tramas de uma nova maneira, com outros olhares, pode elucidar questões e abrir novas perspectivas.

Outra possibilidade para uma tentativa de ruptura com os cânones é a adoção do método de estudos de casos críticos e referenciados, explicitado por Ruth Verde Zein em

puede parecer muy natural excepto porque no lo es: las decisiones sobre lo que merece ser monumentalizado, no se hacen sin basarse en la calidad arquitectónica, aunque no se amparan solamente en ella. Dependen también, y mucho, de juegos de prestigio, de obligaciones políticas, de la acumulación de capital social y de la voluntad y el arbitrio de algunos personajes bien ubicados en el mundo relativamente pequeño de la crítica, historia y teoría”.(tradução da autora)

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diversos textos do livro “Leituras Críticas” (2017). Essa autora parte da premissa de que as obras, diferentemente das narrativas, não mentem. E que as datas das obras, ao serem consideradas na linha do tempo, ajudarm a demonstrar o que está ocorrendo de forma consecutiva, e o que pode vir a ser um eco. E que as obras, quando comparadas, nos permitem verificar semelhanças e diferenças, perceber o que é um movimento histórico que está acontecendo ao mesmo tempo em vários lugares e o que é uma resposta única e própria de um lugar e momento. Sobre a questão, Waisman comenta:

o objeto das historiografias da arte e da arquitetura existe no presente por si mesmo, e o trabalho do historiador tem que partir dessa realidade presente. No primeiro caso (história da humanidade), o protagonista é um acontecimento, um personagem ou uma cultura que teve lugar no tempo e desapareceu, deixando apenas certos testemunhos que permitirão seu conhecimento. No segundo, o protagonista – a obra de arte ou de arquitetura -, embora pertença a outro tempo e lugar, é, em si mesma, o testemunho histórico principal (...) (WAISMAN, 2013, p.11)

Este trabalho ampara-se na estratégia de análise de obra crítica e referenciada para confrontar obras arquitetônicas produzidas em Bogotá, Colômbia, ao longo das gerações Progressista e Técnica (ARANGO, 2012), com os edifícios do Centro Internacional, mostrando de que forma essas obras se estruturam, quais os procedimentos projetuais adotam, como se inserem em seus contextos, analisando assim suas semelhanças e diferenças.

O trabalho reconhece que Bogotá apresenta diferenças geográficas e culturais dentro do próprio território. Trata-se de uma cidade plural e miscigenada. Sua topografia cheia de declives se reflete diretamente nos projetos, dificulta aproximações simplistas.

Da mesma maneira, cada empresa, envolvida em cada projeto, era composta por uma equipe de arquitetos e engenheiros com repertórios próprios e visões de mundo particulares. Nas palavras de Torrent (2015, p.298): “Assumir uma condição de mimesis já não é possível”3.No caso,o autor comentava sobre o território latino-americano e a impossibilidade de assumir que exista uma arquitetura própria da América Latina, mas sim que os mesmos problemas da arquitetura por todo o mundo apresentam respostas

3“Asumir una condición de mimesis ya no es posible” (tradução da autora).

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particulares em cada região. Segundo o autor:

Qualquer generalização que pretenda assumir elementos mais ou menos constantes de uma condição geográfica ou cultural termina configurando uma imagem de apropriação turística mais longe da realidade do que se pretende.4 (TORRENT, 2015, p. 298).

As palavras do autor parecem se enquadrar neste estudo, na medida em que se compreende que existem algumas características que se repetem, mas há diferenças que devem ser salientadas. O trabalho se debruçará sobre as obras e os autores observando as múltiplas possibilidades da prática arquitetônica, sem reducionismos e sem forçar simetrias, privilegiando, como Mondragón (2015, p.20), “manifestações locais com todas as suas especificidades”5.

4 “Cualquier generalización que pretenda asumir elementos más o menos constantes de una condición geográfica o cultural termina configurando una imagen de apropiación turística más alejada de la realidad de lo que pretende” (tradução da autora).

5 “Manifestaciones locales con todas sus especificidades” (tradução da autora).

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2.2 PERIODIZAÇÃO

A periodização utilizada nesta pesquisa adota como referência o método geracional de Ortega y Gasset, adaptado por Arango em “Ciudad y Arquitectura: Seis generaciones que construyeron la América Latina moderna” (2012). Segundo esses autores, uma geração é definida pelo grupo de profissionais com a mesma idade e mesmas “visões de mundo”, que se conhecem, e que apresentam um sentimento de identidade geracional impregnado. Essas “visões de mundo” recebem o nome de

“vigências” (Arango, 2012, p.16) e são definidas pelo conjunto de “ideias, crenças, valores e costumes que formam uma interpretação da realidade com a qual se deve contar e que, para eles, constitui a realidade”6 (Arango, p.16). Arango considera que esse parâmetro se aplica muito bem no caso de processos criativos como a arquitetura e o urbanismo, pois permite vislumbrar com clareza “aspectos individuais – biográficos – e aspectos coletivos – sociais”7 (Arango, 2012, p.17).

O método estipula que o intervalo máximo de idade entre o mais jovem e o mais velho deste grupo deve ser 15 anos. Assim, há sempre três gerações em constante diálogo: a que acaba de se formar e acaba de entrar no mercado de trabalho (com idade entre 30 e 45 anos), a atual ou vigente (com idade entre 45 e 60 anos) e a anterior, que ainda trabalha (com idade entre 60 e 75 anos). Este contato, por sua vez, pode gerar embates de valores e princípios ou diálogos. Reconhece-se que o sistema apresenta falhas, especialmente em se tratando de pessoas com idades no limite de duas gerações.

O livro “Ciudad y Arquitectura” incorpora este método em sua narrativa com o objetivo de responder a uma hipótese: “durante o século moderno, a América Latina possuía uma série de características urbanas e arquitetônicas que a converteriam em uma unidade histórica”8 (Arango, 2012, p.11). Para construir a argumentação, essa autora faz um levantamento de aproximadamente 600 arquitetos, urbanistas, políticos e

6“(…) ideas, creencias, valores y costumbres que forman una interpretación de la realidad con la que se debe contarse y que, para ellos, constituye la realidad misma” (tradução da autora).

7 “(…) los aspectos individuales – biográficos – y os aspectos colectivos – sociales” (tradução da autora).

8 “El trabajo se sustenta en la hipótesis de que durante el ciclo moderno, América Latina posee una serie de características urbanas y arquitectónicas que la convierten en una unidad histórica” (tradução da autora).

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figuras públicas relevantes para a história em toda a América Latina. Considera-os agentes estruturadores da historiografia e, através de suas obras e pensamentos, define o quadro geracional do que ela entende como sendo o momento moderno. Arango define seis períodos equivalentes a seis “gerações” de arquitetos divididos em intervalos de quinze anos, como é possível observar no sumário transcrito abaixo (Tabela 1).

Nome do período Recorte temporal

Geração Cientifica9 1885-1900

Geração Pragmática10 1900-1915

Geração Modernista11 1915-1930

Geração Pan-americana12 1930-1945

Geração Progressista13 1945-1960

Geração Técnica14 1960-1975

TABELA 1 – TRANSCRIÇÃO DO SUMÁRIO DO LIVRO “CIUDAD Y ARQUITECTURA”. FONTE: Adaptado de Arango (2012, p.7-8)

Adotando-se esse critério de periodização nota-se, no caso do Centro Internacional, algumas peculiaridades. Trata-se de um conjunto composto por oito edifícios, projetado e construído ao longo de 32 anos (1950-1982), por diversas empresas.

Sendo um evento de longa duração, que ultrapassa temporalmente os limites de duas gerações – Progressista, Técnica e pós-1975 –, entretanto as principais pessoas que participam ativamente da realização do Centro Internacional pertencem única e exclusivamente à Geração Técnica.

Os primeiros projetos do Centro Internacional, o Hotel Tequendama (1950-1953) e o Edificio Bochicha (1952-1956), são projetados e construídos durante a vigência da chamada Geração Progressista na qual, segundo Arango, os arquitetos, beneficiando-se

9Generación Científica.

10 Generación Pragmática.

11 Generación Modernista.

12 Generación Panamericana.

13 Generación Progresista.

14 Generación Técnica.

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da tecnologia do pós-Guerra, projetam em cidades em franco desenvolvimento e transformação, rompendo com o passado e criando obras originais e inovadoras, com cunho ideológico forte. O Edificio Residencias Tequendama Sur (1957-1962) se inicia ainda na vigência da Geração Progressista e é finalizado no início da Geração Técnica, na qual, segundo Arango, os arquitetos se veem chamados a atender a demanda das grandes metrópoles, criando obras em escalas nunca antes vistas no menor tempo possível, a fim de suprir a necessidade do boom populacional, realizando associações entre engenheiros, arquitetos e escritórios técnicos, bem como empregando novas tecnologias de projetos modulares, eventualmente com o uso de elementos pré- fabricados. As Torres A, B e C do Conjunto Bavaria (1962-1965) e o Edificio Bachué (1964-1966), são os exemplares do Centro Internacional cuja realização já ocorre inteiramente durante a vigência da Geração Técnica. Por fim, o último edifício é construído, o Edificio Tequendama Norte (1978-1982), sete anos após o que seria considerado pela autora a vigência do Período Moderno.

As principais empresas responsáveis pelo projeto e execução do Centro Internacional são: Cuéllar, Serrano, Gomez, Obregón&Valenzuela, Pizano, Pradilla, Caro e Holabird, Root, Burgee. Cada uma das empresas apresenta alguns sócios, todos nascidos entre 1909 e 1923, o que significa que entre 1960 e 1975 (período intitulado de Geração Técnica), todos estavam com idade entre 45 e 60 anos15. São eles:

Nome do sócio Nasc. / Morte

Gabriel Serrano Camargo 1909 - 1982

José Gómez Pinzón 1909 - ?

Camilo Cuéllar Tamayo 1909 - ?

Gabriel Largacha Manrique 1921 - 1986

TABELA 2 – SÓCIOS DA EMPRESA CUÉLLAR-SERRANO-GÓMEZ. FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

15 Não foram encontradas até o momento informações completas sobre a empresa Holabird-Root-Burgee.

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Nome do sócio Nasc. / Morte Rafael Obregón González del Corral 1921 - 1976 José María Obregón Rocha 1921 - 1994 Pablo de Valenzuela y Vega 1923 - 1955

TABELA 3 – SÓCIOS DA EMPRESA OBREGÓN & VALENZUELA. FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

Nome do sócio Nasc. / Morte

Álvaro Pradilla 1919 - ?

Juan Pizano 1922 - ?

Luis Caro 1921 - 1955

TABELA 4 – SÓCIOS DA EMPRESA PIZANO-PRADILLA-CARO. FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

Considerando o caráter de longa duração do Centro Internacional e o fato de todos os sócios das empresas que participaram do projeto pertencerem à Geração Técnica, é possível dizer que esse Conjunto é um retrato em menor escala do fazer projetual de uma geração. Sua realização inicia-se quando os arquitetos ainda são considerados jovens (entre 30 e 45 anos), quando ainda estão em tensão constante com a geração então vigente (progressista); estende-se pelo período no qual são adultos maduros e encerra-se após 1975, quando já há uma nova geração e, portanto, o aparecimento de outras questões. Se observarmos cada caso dos edifícios do Centro Internacional, observaremos que o Hotel Tequendama (1950 - 1953) e o Conjunto Bavaria (1962-1965) são projetos produzidos por um grupo de pessoas jovens. Iniciam-se em um momento onde todos tem entre 29 e 41 anos e terminam quando os arquitetos têm entre 32 e 46 anos16. Já o Edificio Bochicha (1952-1956) é produzido em um momento de transição dos autores de jovens profissionais para adultos maduros17. Os edifícios Residencias Tequendama Sur (1957-1962) e Bachué (1964-1966), por sua vez, são exemplares da arquitetura de Cuéllar, Serrano, Gómez em plena maturidade profissional e, por fim, o

16 O único a ter 46 anos ao fim do projeto é Álvaro Pradilla, no projeto do Conjunto Bavaria.

17 Neste caso, Gabriel Largacha Manrique ainda era considerado jovem.

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edifício Residencias Tequendama Norte é produzido quando os arquitetos já são considerados experientes e há uma nova geração que os sucedeu.

Nome Idade ao projetar Hotel

Tequendama

Bochicha Residencias Tequendama sur

Bachué Residencias Tequendama norte

Gabriel Serrano Camargo

41 – 44 anos Ampliação 56 – 58 anos

43-47 anos 48-53 anos 55-57 anos 69-73 anos

José Gómez Pinzón

41 – 44 anos Ampliação 56 – 58 anos

43-47 anos 48-53 anos18 55-57 anos 69-73 anos

Camilo Cuéllar Tamayo

41 – 44 anos Ampliação 56 – 58 anos

43-47 anos 48-53 anos 55-57 anos 69-73 anos

Gabriel Largacha Manrique

29 – 32 anos Ampliação 44 – 46 anos

43-47 anos 48-53 anos 55-57 anos 57-61 anos

TABELA 5 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA CUÉLLAR-SERRANO-GÓMEZ AO PARTICIPAR DE CADA PROJETO. FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

18 Tornou-se embaixador da Colômbia na Alemanha Ocidental (1957).

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Nome do sócio Idade ao projetar

Torre A Torre B Torre C Rafael Obregón González del

Corral

41 – 44 anos 41 – 44 anos 41 – 44 anos

José María Obregón Rocha 41 – 44 anos 41 – 44 anos 41 – 44 anos Pablo de Valenzuela y Vega Não estava vivo Não estava vivo Não estava vivo

TABELA 6 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA OBREGÓN & VALENZUELA AO PARTICIPAR DE CADA PROJETO DO CONJUNTO BAVARIA (1962-1965). FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

Nome do sócio Idade ao projetar

Torre A Torre B Torre C

Álvaro Pradilla 43 – 46 anos 43 – 46 anos 43 – 46 anos

Juan Pizano 40 – 43 anos 40 – 43 anos 40 – 43 anos

Luis Caro 41 – 44 anos 41 – 44 anos 41 – 44 anos

TABELA 7 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA PIZANO-PRADILLA-CARO DE CADA PROJETO DO CONJUNTO BAVARIA (1962-1965). FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

A partir das tabelas 4, 5 e 6, bem como dos apontamentos acima, é possível observar que, apesar de Silvia Arango considerar um arquiteto com 45 anos um adulto em sua profissão, há alguns escritórios com uma precocidade relativa, como por exemplo a equipe de Cuéllar, Serrano, Gómez no caso do Hotel Tequendama (1950-1953) e Obregón y Valenzuela e Pizano, Pradilla, Caro ao projetar o Conjunto Bavaria (1962- 1965). Tal característica de precocidade não acontece somente entre os arquitetos do Centro Internacional: Bruno Violi e Rogelio Salmona também produzem exemplares relevantes de arquitetura na cidade de Bogotá ainda jovens, como é o caso do Edificio El

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Tiempo (1950-1967)19 e do Edificio Residencias “El Parque” (1965-1972)20. Este fato pode demonstrar talento e grande qualidade arquitetônica de uma geração. Não se trata de uma distorção, apenas se apresenta de outra forma a emergência de uma geração muito talentosa que merece ser estudada. As obras que acontecem antes da Geração Técnica, enquanto os arquitetos não estão maduros, são epígonos, ocorrem de certa maneira precocemente, por diversas razões, e sua realização tem um efeito coletivo importante.

Os escritórios de Bruno Violi e Rogelio Salmona foram selecionados para este comparativo com as obras do Centro Internacional em função da precocidade dos profissionais, semelhante à dos arquitetos do Centro Internacional. Ambos são considerados expoentes da Geração Técnica, e produzem obras relevantes para a cidade de Bogotá antes e durante o período no qual os profissionais são considerados maduros. Foram selecionadas duas obras de cada um destes escritórios. De Bruno Violi, foram selecionados os edifícios El Tiempo (1950-1967) e Buraglia (1954-1955)21; de Rogelio Salmona, foram selecionados os edifícios Residencias “El Parque” (1965-1972) e Sociedad Colombiana de Arquitectos (1973-1974)22. A seleção foi pautada não somente na importância e qualidade arquitetônica dos exemplares, mas no período histórico em que foram projetadas e construídos: isto é, de cada arquiteto foi selecionada uma obra que refletisse o caráter de epígono de seus autores e as tensões geracionais associadas, e outra que refletisse a passagem do arquiteto para a vida profissional madura.

19 Foram utilizadas as datas presentes nas fontes primárias de pesquisa. Segundo o livro “Bogotá y la Sabana”, de Arango Cardinal, Niño Murcia, Ramirez Nieto e Saldarriaga Roa; a data do projeto é 1958- 1960

20 Foram utilizadas as datas presentes nas fontes primárias de pesquisa. Segundo o livro “Bogotá y la Sabana”, de Arango Cardinal, Niño Murcia, Ramirez Nieto e Saldarriaga Roa, a data do projeto é 1964- 1970.

21 Foram utilizadas as datas presentes nas fontes primárias de pesquisa. No arquivo do arquiteto,

contudo, consta um redesenho do projeto por Hernando Verdugo Reyes que aponta início em 1947. Caso este dado esteja correto, há um reforço da importância do arquiteto e seu caráter pioneiro.

22 Foram utilizadas as datas presentes nas fontes primárias de pesquisa. Segundo o livro “Bogotá y la Sabana”, de Arango Cardinal, Niño Murcia, Ramirez Nieto e Saldarriaga Roa, a data do projeto é 1962- 1974. No caso de existirem outras plantas anteriores das quais a pesquisa não teve contato, há um reforço na ideia de epígono.

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Nome do sócio Nasc. / Morte Idade ao projetar El Tiempo Buraglia

Bruno Violi 1910 - 1971 40 – 57 anos 44-45 anos

Pablo Lanzzeta Pinzón ? ? ?

TABELA 8 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA VIOLI-LANZETTA EM CADA PROJETO SELECIONADO PARA A PESQUISA. FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

Nome do sócio Nasc. / Morte

Idade ao projetar Residencias

“El Parque”

Sociedad Colombiana de Arquitectos

Rogelio Salmona

1927-2007 38 – 45 anos. 46-47 anos

TABELA 9 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA DE ROGELIO SALMONA EM CADA PROJETO SELECIONADO PARA A PESQUISA. FONTE: Adaptado de Llanos (2015)

O Edifício El Tiempo (1950-1967) é projetado pela empresa Violi-Lanzetta ao longo da vigência das gerações Progressista e Técnica, quando Bruno Violi ainda está em processo de amadurecimento do seu fazer projetual. O Edifício Buraglia (1954-1955) é projetado ao longo da vigência da geração Progressista (1945-1960). Neste caso, os arquitetos já estariam em fase madura, ao projetar. É importante observar que não foram encontradas informações mais detalhadas sobre Pablo Lanzzeta Pinzón (Cairo, -?). Não há certeza sobre sua participação nos projetos e a qual geração pertence. Isso possivelmente está vinculado com o fato de os projetos serem assinados por Bruno Violi, o que acaba por eclipsar outros personagens da equipe de projeto, dando a impressão equivocada de que trabalhava sozinho. As Residencias El Parque (1965-1972) de Rogelio Salmona, são projetadas em plena vigência da Geração Técnica. O arquiteto transitou para a fase madura de sua carreira ao longo deste projeto. A Sociedad

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Colombiana de Arquitectos (1973-1974), de Rogelio Salmona, foi projetada integralmente durante a fase madura do arquiteto, em plena vigência da Geração Técnica.

Para o comparativo com o Centro Internacional, foram também escolhidas duas obras da empresa Obregón & Valenzuela: Cámara de Comercio (1967-1968) e o Centro Colseguros (1968-1974)23. Ambas pertencem plenamente a Geração Técnica, tanto com relação aos arquitetos, aqui considerados adultos maduros em suas carreiras, quanto no momento histórico, entre 1960 e 1975. A escolha desses exemplares foi feita a fim de auxiliar na compreensão do processo de transformação dos arquitetos de jovens (quando projetam o Conjunto Bavaria) para adultos (quando projetam a Cámara de Comercio e o Centro Colseguros).

Nome do sócio Nasc. / Morte

Idade ao projetar Camara de

Comercio

Centro Colseguros Rafael Obregón

González del Corral

1921 - 1976 46-47 anos 47 – 53 anos

José María Obregón Rocha

1921 - 1994 46-47 anos 47 – 53 anos

Pablo de Valenzuela y Vega

1923 - 1955 Não estava vivo Não estava vivo

TABELA 10 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA OBREGÓN & VALENZUELA AO PARTICIPAR DE CADA PROJETOFONTE: Adaptado de Llanos (2015)

Por fim, foi selecionada uma obra de arquitetos expoentes da Geração Técnica que pertenciam plenamente a Geração Técnica considerada relevante na historiografia

23 Foram utilizadas as datas presentes nas fontes primárias de pesquisa. Segundo o livro “Bogotá y la Sabana”, de Arango Cardinal, Niño Murcia, Ramirez Nieto e Saldarriaga Roa, a data de projeto é 1968- 1969.

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da arquitetura moderna colombiana e latino-americana. Trata-se de uma obra de arquitetos maduros, projetando entre 1945 e 1960, cuja tectônica reverbera muitas das questões daquele momento histórico: a Torre Avianca (1970-1971) de Esguerra Saez Urdaneta y Samper e Ricaurte, Carrioza, Prieto, obra totalmente pertencente à Geração Técnica, na qual sócios são considerados profissionais maduros.

Nome do sócio Nasc. / Morte Idade ao projetar Torre Avianca

Rafael Esguerra García 1923-2000 47-48 anos

Álvaro Osuna Sáez 1924-? 46-47 anos

Daniel Sáez Hoyo 1922-? 48-49 anos

Rafael Urdaneta Holguín 1922-? 46 – 47 anos

Gérman Samper Gnecco 1924-2019 46-47 anos

TABELA 11 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA ESGUERRA SAEZ URDANETA Y SAMBER AO PARTICIPAR DA TORRE AVIANCA. FONTE: Adaptado de Llanos (2015); Botti (2017)

Nome do sócio Nasc. / Morte Idade ao projetar Torre Avianca

José Prieto Hurtado ?-? ?

Manuel Carrioza Ricaurte ?-? ?

Santiago Ricaurte Samper ?-? ?

TABELA 12 – IDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA RICAURTE, CARRIOZA, PRIETO AO PARTICIPAR DA TORRE AVIANCA. FONTE: Adaptado de Llanos (2015); Botti (2017)

Resultaram, portanto, um total de sete obras a serem estudadas e comparadas com as obras do Centro Internacional. Todos os exemplares selecionados pertencem, de acordo com a cronologia proposta por Arango, à Geração Técnica, uma vez que seus autores pertencem a este recorte temporal, ainda que algumas tenham sido construídas

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fora da vigência dessa “geração”, ou seja, antes de 1960 ou depois de 1975. Podem, pois, ser consideradas como um reflexo, em pequena escala, do pensamento de uma época.

As obras que apresentam tensões geracionais, como é o caso dos edifícios El Tiempo (1950-1967), Hotel Tequendama (1950-1953) e Bochicha (1952-1956), tem características ambivalentes – valores que equivalem ao choque de cultura pelo qual passam. Obras projetadas por arquitetos maduros em plena Geração Técnica expressam o apogeu de um pensamento e de um grupo de pessoas, como é o caso do Centro Colseguros (1968-1974) e a Sociedad Colombiana de Arquitectos (1973-1974); obras posteriores a 1975 trazem em si outras questões, como é o caso do Edificio Residencias Tequendama Norte (1978-1982).

Apesar de serem fruto de seu tempo, pode-se dizer que estas são obras que o transcendem, possuem caráter canônico e apresentam repercussões projetuais e historiográficas até o presente. Segundo Heller (2000), todo o passado que ainda nos afeta é um presente, um “presente histórico”, não importando há quanto tempo ocorreu.

Estes exemplares da arquitetura em Bogotá apresentam características bastante próprias e relevantes. Estudá-los também pode auxiliar na iluminação de questões atuais sobre o fazer projetual. Assim, a periodização presente do livro “Ciudad y Arquitectura” (2012) abre a possibilidade de leitura de alguns projetos a partir de um olhar para os processos históricos que aconteciam na América Latina moderna. Estes processos podem ser verificados, em maior ou menor escala, no decorrer dos estudos comparativos.

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2.3 EMPRESAS E ARQUITETOS

No item anterior, “2.2. Periodização”, foram apresentados os principais responsáveis pelo Centro Internacional e pelos Edificios: “El Tiempo”, “Buraglia”, Residencias “El Parque”, Sociedad Colombiana de Arquitectos, Cámara de Comercio, Centro Colseguros e Torre Avianca, projetos a serem comparados com o Centro Internacional. Os personagens foram inseridos em um recorte temporal (Geração Técnica 1960-1975), para que fosse possível compreender as “vigências” (ARANGO, 2012, p.16) desta geração e a reverberação em suas obras. A partir do mapeamento da idade de cada um dos arquitetos e engenheiros, foi possível observar que as firmas parecem ser compostas por homens com idades próximas (dentro de um intervalo de 15 anos). O único escritório que parece mesclar idades é Cuéllar, Serrano, Gomez que inclui Gabriel Serrano Camargo, José Gómez Pinzón, Camilo Cuéllar Tamayo nascidos em 1909 e Gabriel Largacha Manrique, nascido em 1921. Ainda que haja uma diferença de 12 anos entre os sócios, todos pertencem a mesma geração. Desta maneira, há uma certa hegemonia nas experiências de viver a cidade deste grupo de pessoas.

Outra característica que se evidenciou no item anterior foi um encobrimento de informações sobre figuras importantes das empresas. Há uma falta de informação a respeito de alguns dos coautores das obras selecionadas (Pablo Lanzetta Pinzón, por exemplo), o que pode dar a impressão equivocada de que seus sócios trabalhavam a sós. Esse encobrimento é uma consequência da existência de narrativas hegemônicas (tratadas no item “2.1. Ruptura com os cânones”), que em sua maioria responsabilizam apenas um arquiteto pelo conjunto de uma obra, dando a impressão de que ele é o único responsável técnico pelo projeto. Esta visão imprecisa e equivocada, além de apresentar a América Latina como inferior, quando ressalta a qualidade de suas obras dá destaque apenas um ou outro arquiteto considerando-os como “gênio”. E, portanto, como exceção, reforçando a ideia de periferização e exclusão da produção moderna latino-americana.

Esse encobrimento se define a partir dos critérios excludentes que secundarizam o papel da arquitetura latino-americana, nas narrativas europeias. Mas encontra ecos em narrativas latino-americanas, em maior ou menor escala. Para exemplificar, pode-se citar, inclusive, o livro “Ciudad y Arquitectura: Cinco Generaciones que construyeron la America

Referências

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