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RESIDENCIAS EL PARQUE (1965-1972)

ÁREAS DO EDIFICIO EL TIEMPO (1967)

4.3 RESIDENCIAS EL PARQUE (1965-1972)

FIGURA 145 – VISTA DAS TORRES A, B E C DAS RESIDENCIAS EL PARQUE E PLAZA DE TOROS.

FONTE: Acervo pessoal (2019).

O conjunto intitulado Residencias El Parque (1965-1972) está localizado na

carrera 5ª, entre calles 26 e 27. Trata-se de um terreno acentuado próximo aos cerros orientais (morro de Monserrat), plaza de toros, planetário de Bogotá e Centro Internacional. A obra, assinada pelo escritório de Rogelio Salmona, é posterior aos edifícios Hotel Tequendama (1950-1953), Bochicha (1952-1956) e Residencias Tequendama Sur (1957-1962). É projetada simultaneamente às ampliações dos edifícios

El Tiempo (1967) e Hotel Tequendama (1965-1967). O conjunto é composto por três torres residenciais com térreo comercial que se acomodam em um lote irregular e íngreme. O escritório se apropria da característica do terreno para promover um espaço público de qualidade, com múltiplas entradas e com caminhos por meio de escadarias, criando conexões entre as ruas ao redor.

FIGURA 146 IMPLANTAÇÃO DAS RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: https://www.archdaily.com.br/br/01-52017/classicos-da-arquitetura-torres-do-parque-rogelio-salmona

O acesso de veículos ao subsolo é feito a partir da calle 27, pela torre C (extremo norte). Além daí, há um local de carga e descarga para carros na carrera 5ª (sul e sudeste). A entrada de pedestres pode ser feita também a partir da carrera 5ª, o que possibilita que carros estacionem e pessoas desembarquem; e, por fim, das calles 26 e

27. Segundo Ossani (2016):

Quase ao fim da construção das Torres, o arquiteto Rodrillo Bonilla, um dos membros do Ministério de Obras Públicas, entra em contato com Salmona e o convida para intervir no Parque da Independencia, abandonado há algum tempo.

A oportunidade foi felizmente aceita pelo arquiteto, que viu uma possibilidade de expandir a relação da obra ao contexto urbano. Assim, recupera os caminhos e as praças do antigo Parque, inaugurado em 1910 para as comemorações do primeiro centenário da cidade, e realiza uma intervenção significativa entre as Torres e a Praça, conectando-as através

de uma grande escadaria, que também relaciona as Carreras 5 e 6.52

Essa autora acertadamente define a intervenção como ponto chave na articulação do conjunto com as preexistências. No que diz respeito ao fato construído, a planta urbana, de cotas variadas, é de uso público e conta com diversos locais e experiências no interior do conjunto: comércios, serviços, mirantes e espaços vazios que não estão totalmente definidos, que amparam possibilidades múltiplas de coexistências híbridas. Há uma unidade na linguagem – utilização do mesmo acabamento (tijolo), mobiliário urbano, vegetação e volumetria. As lojas apresentam uma variação na altura dos pés-direitos distintos, como é possível verificar na tabela 21. As Residencias El Parque

utilizam estratégias de separação da calçada e do conjunto: muretas em tijolo, canteiros de plantas e barreiras de vegetação ao redor do perímetro. A separação é sutil e não inviabiliza a relação do interior com o exterior, mas permite a sensação de quietude no interior do conjunto. Há uma separação formal entre os veículos e os pedestres (entradas em locais distintos).

ALTURAS LIVRES - EDIFICIO RESIDENCIAS EL PARQUE PISO Mts Subsolo Subsolo 1 3.00 a 6.00 Níveis de entrada Subsolo 2 3.00 Subsolo 3 3.00 Torre A 2.30 Apartamentos Torre B 2.30 Torre C Portaria 3.70 Hall elevador 2.30 2.30 Torre A Nível Sup. 3.70

Nível Inf. 3.00

Local Exteriores

Auditório 2.70

Torre B Nível Sup. 3.70 Nível Inf. 3.00 05B, 06B, 07B 2.30 Cafeteria 1º nível - 2.70 Torre C 2º nível – 3.00 3º nível – 3.00 3.70

TABELA 21 – ALTURAS LIVRES EDIFÍCIO RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Adaptado da

Fundação Rogelio Salmona.

Considerando o aclive, o escritório separa o nível urbano em dois: “primer piso – plataforma – 2-G” (semi-aflorado, figura 143) e “plataforma – 2-G Bis” (figura 144). Em ambos, hachura “zona comum” e “zona privada”. As áreas comuns da planta urbana correspondem a praças ao ar livre, escadarias, comércios e serviços. As áreas privativas correspondem a administração, apartamentos, auditório e cafeteria. Não há passarelas cobertas que conectem os três edifícios ou as praças públicas. Há, no entanto, uma passarela coberta com caráter de varanda (aberta) que conecta os apartamentos do tipo duplex.

FIGURA 147 – PLANTA DO TÉRREO DAS RESIDENCIAS EL PARQUE, “PRIMER PISO – PLATAFORMA”. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

FIGURA 148 – PLANTA DO TÉRREO DAS RESIDENCIAS EL PARQUE, “PLATAFORMA”. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

FIGURA 149 – CORTES TRANSVERSAIS DOS BLOCOS B E C DO CONJUNTO RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

FIGURA 150 – CORTE LONGITUDINAL DO CONJUNTO RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

ZONAS ZONAS COMUNS ÁREAS PRIVADAS

COBERTA LIVRE TOTAIS COBERTAS LIVRE TOTAIS Torre A 4.723,05 *269,66 4.992,71 14.490,78 378,52 14.878,30 Torre B 2.058,66 *528,53 2.587,19 9.603,35 198,30 9.801,65 Torre C 3.409,06 *728,79 4.137,85 15.244,60 417,43 15.662,03 Subsolo 1 3.351,04 3.351,04 Subsolo 2 3.403,92 3.403,92 Subsolo 3 616,79 616,79 Plataforma Exterior 5805,05 5.805,05 Totais 17.562,52 7332,03 24.894,55 39.338,73 1003,25 40.341,98

ZONAS ÁREAS TOTAIS

COBERTAS LIVRE TOTAIS

Torre A 19.231,83 657,18 19.871,01 Torre B 11.662,01 726,83 12.388,84 Torre C 18.630,66 1.146,22 19.799,88 Subsolo 1 3.351.04 3.351.04 Subsolo 2 3.403,92 3.403,92 Subsolo 3 616.79 616,79 Plataforma Exterior 5.805,05 5.805,05 Totais 56.901,25 8.335,28 65.236,53

SUPERFICIES OCUPADAS ÁREA

LIVRE

ÁREA DO LOTE TORRE “A” TORRE “B” TORRE “C” TOTAL

586,48 712,40 2.241,72 2.241,72 5.805,05 8.046,77 Cobertura dos edifícios Torre “A” 586,46 m2, Torre “B” 712,40 m2 e Torre “C” 386 m2

O projeto conta com três subsolos: dois andares com garagem e área técnica; e um andar com depósito geral, portaria da garagem, vestiário, banheiro e “praça passarela”. O projeto parece se sustentar a partir de paredes estruturais que giram ao redor de um eixo. Esses eixos são determinados, possivelmente, levando em consideração os subsolos, uma vez que há uma distância exata de três vagas entre eles. É importante pontuar que a planta estrutural é assinada pelo escritório de engenharia Domenico de Parma Marre, o que corrobora a ideia de que os escritórios trabalhavam de maneira colaborativa e em equipes.

FIGURA 151 – SUBSOLO 2 DO CONJUNTO RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

FIGURA 152 – ESTRUTURA DA ZONA C, NÍVEL 56.26 DO CONJUNTO RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

ÁREAS COMUNS NOS SUBSOLOS

ZONAS SUBSOLO 1 SUBSOLO 2 SUBSOLO 3 TOTAIS

Garagem 2.358,16 2.521,94 4.880,10 Oficina de manutenção Torre B 67,46 67,46 Armazéns de manutenção “A” 41,06 41,06 Circulações 156,26 181,20 61,33 398,79 Praça-passarela 75,43 75.43

Quarto de ventiladores “A” 66,40 66,40

Quarto de ventiladores “B” 118,66 118,66

Quarto de ventiladores “C” 50,05 50,55

Quarto de lixo Torre “A” 57,32 57,32

Quarto de lixo Torre “B” 46,26 46,26

Quarto de lixo Torre “C” 37,32 37,32

Incineradores de lixo “A” e “B”

47,92 47,92

Incineradores de lixo “C” 55,90 55,90

TABELA 25 – ÁREAS COMUNS NOS SUBSOLOS DAS RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Adaptado da Fundação Rogelio Salmona.

ÁREAS COMUNS NOS SUBSOLOS

ZONAS SUBSOLO 1 SUBSOLO 2 SUBSOLO 3 TOTAIS

Subestação elétrica “B” 44,32 44,32

Subestação elétrica “A” 18,26 18,26

Subestação elétrica “C” 21,21 21,21

Quadros elétricos gerais “C” 40,87 40,87

Quadros elétricos “B” 36,52 36,52

Planta de emergência e quarto ACPM

197,86 197,86

Planta quadros elétricos “A” e quatro ACPM

66,86 66,86

Quarto de bombas e ACPM “C” 41,70 41,70

Quarto de bombas “A” e “B” 78,80 78,80

Ponto Fixo (elevadores e escadas) “A” 41,98 41,98 83,96 Ponto Fixo (elevadores e escadas) “B” 25,64 19,26 44,90 Ponto Fixo (elevadores e escadas) “C” 27,94 27,94 55,88

Tanques água “A” 23,20 23,20 46,40

Tanques água “B” 37,40 37,40 74,80

Tanques água “C” 82,69 82,69

TABELA 26 – ÁREAS COMUNS NOS SUBSOLOS DAS RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Adaptado da Fundação Rogelio Salmona

ÁREAS COMUNS NOS SUBSOLOS

ZONAS SUBSOLO 1 SUBSOLO 2 SUBSOLO 3 TOTAIS

Depósito 1 94,25 94,25

Depósito 2 10,00 10,00

Depósito geral 100,30 100,30

Taludes estruturais e zona adjacente 267,45 267,45 Portaria da garagem 9,85 9,85 Banheiro e vestiário - portaria garagem 8,21 8,21

Banheiro e vestiário adicional (pessoal vigilância)

3,99 3,99

totais 3.351,04 3.403,92 616,79 7.371,75

TABELA 27 – ÁREAS COMUNS NOS SUBSOLOS DAS RESIDENCIAS EL PARQUE. FONTE: Adaptado da Fundação Rogelio Salmona

Analisando o conjunto Residencias El Parque a partir das camadas de complexidade propostas no capítulo anterior, temos que:

O SUBSOLO nessa edificação é um pouco diferente daquele encontrado no Centro Internacional. Em primeiro lugar, ele apresenta três andares, não dois. Em segundo, as três torres que conformam o conjunto compartilham de um mesmo subsolo comum, o que não parece ser o caso do Centro Internacional, em função de sua construção por etapas. Por fim, as torres se distribuem de maneira circular e orgânica no lote, o que resulta em uma distribuição de paredes estruturais com a mesma lógica. Essa distribuição é oposta à grelha ortogonal encontrada no complexo vizinho. Apesar das diferenças, existem algumas semelhanças entre os subsolos: 1) apesar da composição da estrutura, não há desperdício de espaço vazio – os ângulos estão determinados de tal

maneira que cabem três vagas entre cada elemento estrutural; 2) o acesso à garagem é feito por uma via secundária (calle 27) e não pela avenida principal (carrera 5ª); 3) o acesso de veículos é separado fisicamente do acesso de pedestre (distanciamento entre ambos).

O TÉRREO (ou planta urbana) do conjunto Residencias El Parque apresenta as seguintes semelhanças com o Centro Internacional: 1) várias entradas possíveis ao conjunto, com carácter permeável e público; 2) térreo que se desdobra em uma plataforma pública; 3) conexões de pedestre pelo interior do lote; 4) praças públicas descobertas no interior do lote com mobiliário urbano (bancos e iluminações); 5) uso de comércio e serviços abertos ao público e com diferentes pés direitos; 6) unidade na escolha dos materiais; 7) uso de tijolo aparente na fachada assim, como no Hotel Tequendama; 8) Inserção de estátua em entrada de pedestre; 9) sensação de quietude no interior das praças do lote.

Apesar das semelhanças, algumas diferenças se evidenciam. A primeira, é a escolha por criar uma barreira física (mureta e jardim) que separa o conjunto da calçada. Interessante notar que é justamente essa escolha formal que promove o sentimento de quietude elencado como semelhança. A segunda diferença é que as torres não são conectadas por passarelas cobertas e tampouco há praças cobertas no lote. Por fim, apesar da existência de lojas e serviços no térreo, os edifícios não têm o interior penetrável no formato de galeria.

O CORPO BAIXO ou PLATAFORMA nesse projeto se confunde e se mistura com

o nível da planta urbana, em função do aclive do terreno, o que dificulta uma aproximação mimética entre os corpos baixos do Centro Internacional e das Residencias El Parque. Apesar disso, é possível fazer uma aproximação entre o corredor aberto (varanda) da torre B das Residencias El Parque e as circulações abertas no nível da plataforma do conjunto Bavaria. Ambos rasgos enquadram a cidade e a protagonizam.

FIGURA 153 E 154 – CORREDOR VARANDA DA TORRE B DAS RESIDENCIAS EL PARQUE E CORREDOR VARANDA DO CONJUNTO BAVARIA. FONTE: Fundação Rogelio Salmona.

As TORRES estão afastadas da rua (mais próximas ao centro do lote) e apresentam um uso único (residencial), de cunho privativo, assim como no Centro Internacional. As volumetrias inseridas no lote dialogam entre si e com o Parque de la

Independência, como comentado acima. Seguem uma forma orgânica e circular, o que

se distingue da grelha ortogonal proposta pelo Centro Internacional. As fachadas são em tijolo aparente, como no Hotel Tequendama, mas diferem na composição das janelas. As circulações verticais das torres A e B estão no mesmo nível e se conectam na quadra por uma via de pedestres que leva a uma entrada. A circulação vertical da torre C, mais distante, acontece em outro nível e se relaciona com outra entrada do conjunto. Por fim, considerando o comentário de Ossani (2016) de que “Salmona ingressa na Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional da Colombia em 1945 onde teve seus dois primeiros grandes mestres, Leopoldo Rother e Bruno Violi”, é possível fazer uma aproximação menos óbvia entre o edifício Buraglia (1947) e as Residencias El Parque, uma vez que ambos apresentam um térreo com uso comercial, diferentes entradas e pés direitos variados, somado a uma torre com residências tipo duplex em linha.

A partir da análise, é possível observar que existem algumas estratégias projetuais das Residencias El Parque presentes também no Centro Internacional: composição da

volumetria em subsolo, térreo, plataforma e torre; o térreo permeável e público que se desdobra em uma plataforma; os múltiplos acessos de pedestre que permitem o cruzamento interno do lote; praças no interior do conjunto etc. Outras características se aproximam especificamente de um ou outro edifício do Centro Internacional, como é o caso do revestimento em tijolo aparente do Hotel Tequendama (1950-1953, com ampliação entre 1965-1967), das circulações-varandas do conjunto Bavaria (1962-1965) ou das residências tipo duplex em linha do edifício Buraglia (1947, com ampliação em 1954-1955). Em ambos os casos parece haver diálogo e troca entre os escritórios da geração técnica, o que resulta em intenções semelhantes que se manifestam de acordo com as especificidades de cada escritório.