3 O CENTRO INTERNACIONAL
3.1 O FATO CONSTRUÍDO
O Centro Internacional se situa na cidade de Bogotá, em um setor denominado
San Diego. Seu terreno tem um perímetro de formato trapezoidal alongado, definindo um quarteirão rodeado pelas vias Calle 26 ao sul, Calle 28 ao norte, Carrera 7a e continuação na Carrera 10a ao leste e Carrera 13 ao oeste. Nesse terreno, constava outrora a Escuela Militar de Cadetes e um antigo cárcere feminino, como comenta Alberto Saldarriaga Roa (2012, p.150). Trata-se de uma área muito bem localizada na cidade; as vias de seu traçado são importantes eixos de circulação metropolitanos. A sul, as Carreras 7ª, 10a e 13 fazem a conexão com o centro tradicional da cidade (setor Candelária); a Calle 26
acompanha um fundo de vale e faz conexão, por via rápida, com o Aeroporto El Dorado. A região conta com equipamentos públicos importantes, como o Parque de la Independencia, o Museo Nacional (antiga penitenciária), a plaza de Toros de Santamaría,
o planetario distrital e o Parque Central Bavaria.
FIGURA 4 - RELAÇÃO DO CENTRO INTERNACIONAL COM A CIDADE DE BOGOTÁ. FONTE: Inserção minha sobre imagem do Google Earth (2020).
O conjunto denominado “Centro Internacional” é composto por um total de oito edifícios em altura: Hotel Tequendama (1950-1953), edificio Bochicha (1952-1956),
Residencias Tequendama Sur (1957-1962), Conjunto Bavaria (composto pelas torres A,B e C em 1962-1965), conjunto Bachué-Tisquesusa (1964-1966) e as Residencias Tequendama Norte (1978-1982). Assim, o recorte temporal que corresponde à sua plena realização é de 32 anos no total. A quadra em que se insere o Centro Internacional é, segundo Becerra (2012, p.14), propriedade de dois donos: um de caráter público – Caja de Sueldos de Retiro de las Fuerzas Militares – outro de caráter privado – a Cervecería Bavaria; de maneira conjunta, ambos foram responsáveis por encomendar os projetos. Trata-se de um conjunto urbano complexo, cuja localização estratégica e a qualidade projetual acabaram por potencializar uma área e convertê-la em uma nova centralidade urbana (FONTANA, 2013).
FIGURA 5 - PANORÂMICA DA DÉCADA DE 1960 DO CENTRO INTERNACIONAL, VISTA CALLE 26.
FONTE: Inserção minha sobre imagem de Saúl Orduz em brochura do Museo de Desarollo Urbano [190-?], p. 20.
A autoria dos edifícios que compõem o Centro Internacional é de diversos escritórios (Cuéllar, Serrano, Gómez; Pizano, Pradilla, Caro e Obregón y Valenzuela).
Trata-se de um conjunto de torres dispostas sobre volumes mais baixos (até 2 pavimentos), quase inteiramente de uso público, que por sua vez se acomodam à diferença de cotas entre as diversas ruas que ladeiam o conjunto através de espaços abertos, tais como praças e passarelas cobertas e descobertas, sendo a cota principal do térreo nivelada a partir cota mais ao sul da Carrera 10ª. O subsolo pode ser definido como um corpo único de dois pavimentos “composto pelos diferentes subsolos dos diferentes projetos” 34 (Buriticá, 2018, p.34), e está ocupado com vagas de estacionamento e áreas para equipamentos técnicos; o acesso de veículos ao 1º subsolo pode ser feito praticamente ao nível da Carrera 13. O projeto promove a permeabilidade no nível da planta urbana, uma vez que o acesso de pedestres pode ser feito por qualquer um dos lados da quadra, diretamente da cota da rua (Carrera 10ª) ou por escadas, que compensam a declividade das ruas em direção ao norte e a oeste. O trânsito de pedestres pelo interior da quadra, no nível térreo, é totalmente aberto, o que conforma vários caminhos, que permitem tanto o simples cruzamento do quarteirão, como a livre circulação entre todos os edifícios. Apesar dessa flexibilidade, o projeto do conjunto destaca os acessos pela Carrera 10ª (atualmente, próximos à estação Museo Nacional
do sistema de ônibus rápidos Transmilenium) ao recuar mais as torres – definindo, assim, melhores visuais para suas fachadas – em relação a essa frente calçada, e através de maiores aberturas e pequenas praças intercaladas com os corpos baixos dos edifícios, em especial nos eixos que levam à Plaza de los Toros, Residencias Torres del Parque e morro de Monserrat, e os que levam ao antigo Cárcere, atual Museu Nacional.
FIGURA 6 - PLANTA DE COBERTURA DO CENTRO INTERNACIONAL COM A NOMENCLATURA DE CADA EDIFÍCIO. FONTE: Inserção minha sobre imagem de Becerra (2012).
FIG. 7 - HOTEL FIG. 8 - EDIFICIO FIG. 9 - RESIDENCIAS TEQUENDAMA TEQUENDAMA BOCHICHA SUR
FIG. 10 - CONJUNTO FIG. 11 - EDIFICIO CONJUNTO FIG. 12 – RESIDENCIAS
BAVARIA TORRES BACHUE-TISQUESUSA TEQUENDAMA A, B E C NORTE
FONTE 7 E 8: Cuéllar, Serrano, Gomez & Cia. Ltda: 1933 – 1958, n.p. Livro comemorativo do 25o
aniversário da empresa. FONTE 9 E 12: Fontana (2012). FONTE 10 E 11 Tellez (1977).
O conjunto do Centro Internacional é um trabalho de alta complexidade de projeto, construção, gestão e de localização estratégica em que são trabalhadas questões como: permeabilidade, cheios e vazios, jogo de volumes e escalas, relações público-privado e mescla de usos (comércio, habitação e escritórios). Essa trama de questões fez com que o conjunto repercutisse “significativamente na evolução e configuração da cidade de
Bogotá” (Fontana, 2011, p.122), tornando-se um uma centralidade35. O projeto teve essas qualidades reconhecidas por meio de citações bibliográficas premiações e tombamento por parte do Ministério da Cultura da Colômbia. Entre os importantes reconhecimentos do Centro Internacional está a premiação do Conjunto Bavaria e do Edificio Bachué na Bienal de Arquitetura da Colômbia. De acordo com Téllez (2006, p.15-16), a importância de uma bienal não está na seleção do que seria o melhor da produção local, mas no que isso representa para aquela sociedade, o reflexo do que aquele grupo pensa sobre si mesmo e sobre os profissionais atuantes que formam parte dele. Assim, o fato de alguns dos projetos do Centro Internacional estarem entre os selecionados para a Bienal de Arquitetura da Colômbia reforça a ideia de que o projeto é uma expressão da arquitetura da geração técnica em Bogotá. Segundo Hanao (2011)
A crítica tem desprestigiado a arquitetura dos anos 50 e 60 na Colômbia com o argumento de que copiava ‘automaticamente’ os exemplos estrangeiros. Os casos apresentados manifestam o pouco interesse dos arquitetos locais em reproduzir o ‘estilo internacional’ e de incorporar intactos os fundamentos não estilísticos do paradigma, como a sua estrutura formal ou a estrutura da atividade; pelo contrário, seu método provocou algumas variações a respeito das manifestações originais de solução (...)36.
35 Ver doutorado da Profa. Dra. María Pía Fontana, De centro moderno a centralidad urbana: el conjunto Tequendama-Bavaria 1950-1982 (2013).
36La critica local ha desprestigiado la arquitectura de los años 50 y 60 en Colombia con el argumento de que copiada ‘automáticamente’ los ejemplos internacionales. Los casos presentados ponen de manifesto el poco interés de los arquitectos locales en reproducir el ‘estilo internacional’y de incorporar intactos los fundamentos no estilísticos del paradigma, como su estructura formal o la estructura de la actividad; por el contrario, su método provoco flertes variaciones respecto de las manifestaciones originales de la solución (...) (HANAO, 2011, p.380). Tradução própria.
O Centro Internacional, é um dos principais marcos desse recorte temporal em Bogotá. Trata-se de uma manifestação de qualidade de seu tempo e sua cultura. A seguir, será feita uma leitura das obras como um conjunto, buscando extrair as principais estratégias do complexo: a tipologia de corpo alto e corpo baixo, as circulações centralizadas no eixo do edifício, o alinhamento da edificação em função de sua quadra e seu entorno, o térreo permeável de uso comercial, o desdobramento do térreo para o nível superior, entre outros.
FIGURA 13 – PLANTA DE LOCALIZAÇÃO E ÁREAS - REGULARIZAÇÃO EM PREFEITURA (1974). FONTE: Arquivo do arquiteto Francisco Becerra.
A primeira das oito obras projetadas e construídas no perímetro do Centro Internacional foi o Hotel Tequendama (1950-1953). Sua inserção na quadra se dá a extremo sul, com acesso pela Calle 26, para facilitar a conexão com o aeroporto. Os responsáveis por este projeto foram os arquitetos da empresa americana Holabird, Root, Burgee. O trabalho foi feito de maneira colaborativa com a empresa Cuéllar, Serrano, Gómez, que se responsabilizou por traduzir os desenhos recebidos, revisar escalas métricas e executar a obra. As questões estruturais foram tratadas por Domenico Parma e José Gómez Pinzón.
FIGURA 14 - LOCALIZAÇÃO DO EDIFÍCIO HOTEL TEQUENDAMA (1950-1953) E AMPLIAÇÃO (1965-1967). FONTE: Inserção minha sobre imagem do Google Earth (2020).
FIGURA 15 – VOLUMETRIA DO HOTEL TEQUENDAMA, VISTA CALLE 26. FONTE: Acervo pessoal (2019).
Segundo Becerra (2012), os primeiros vestígios do projeto do Hotel são cópias heliográficas datadas de 1949 do estudo preliminar produzido pela empresa norte-americana Hollabird, Root, Burgee presentes no “arquivo de manutenção do Hotel Tequendama37”. Lá, constam as plantas de subsolo, térreo, tipo das habitações e máquinas, com carimbo indicando o nome Hotel San Diego, para a intitulada sociedade
Hotel San Diego S.A., com carimbo de aprovação da Intercontinental Hotels Corporation. O projeto executivo foi elaborado entre 1950 e 1952 pela empresa Cuéllar, Serrano, Gómez, a partir destes desenhos.
O edifício era originalmente composto por um subsolo com casa de máquinas e equipamentos mecânicos; um corpo baixo de dois pisos de formato irregular e de uso público (no primeiro piso, acesso ao edifício, hall de entrada, dependências administrativas, comércios, armazéns e cabelereiros; no segundo, recepção, salão de festas, restaurantes, cozinha e depósito); e uma torre em formato de paralelepípedo, de uso restrito (entre o terceiro e o décimo sétimo andar, habitações dos hospedes) que conta, ainda hoje, com 400 quartos individuais e uma suíte presidencial. Sob o último andar, estão uma casa de máquinas e uma área livre, ampla. O corpo baixo é implantado de modo que tanto o primeiro quanto o segundo piso sejam utilizados como acesso da edificação. O primeiro piso térreo conta com uma entrada pela Carrera 10ª apenas para pedestres. O hall de entrada apresenta pé direito duplo, enquanto as áreas destinadas a lojas e espaços administrativos apresentam pé direito simples. Para acessar ao segundo andar e penetrar na recepção, é necessário subir uma escadaria.
FIGURA 16 – ENTRADA AO HOTEL TEQUENDAMA A PARTIR DA CALLE 26. FONTE: Acervo pessoal (2019).
O acesso mais proeminente da edificação é a partir da Calle 26 (continuação da
Av. Eldorado), porque é justamente aquela que faz conexão com o aeroporto. Essa entrada conta com acesso de veículos e com uma rampa que se inicia na altura da calçada e penetra o lote, levando para o segundo andar do corpo baixo (lobby, recepção, salão de festas etc.). Continuando nesse mesmo corredor público, com comércio e serviços, faz-se a conexão, pelo interior do lote, aos demais edifícios do Conjunto.
Posteriormente, foi projetada e executada pela própria firma Cuéllar, Serrano, Gómez uma ampliação (1965-1967), desenvolvendo a área que é de uso comum do edifício Hotel Tequendama e das Residencias Tequendama Sur (apart-hotel). Além disso a ampliação adicionou à torre inicial em formato de paralelepípedo outro bloco adjunto, disposto de maneira perpendicular, de forma a manter a mesma aparência de
revestimento em tijolos e as aberturas características da fachada original. Roa (2012) comenta que atualmente o projeto apresenta um esqueleto histórico, que remete à construção inicial de meados do século XX, e um interior renovado, com mobiliário e revestimentos posteriores a 1950. Sobre as questões estruturais do projeto original, a empresa Cuéllar, Serrano, Gomez aponta que
Se empregou na fundição da estrutura 16.000 m3 de concreto. A espessura uniforme das placas é de 35 cmts nos pisos altos. Por requerimentos sísmicos, as lajes das primeiras plantas se apoiam sobre vigas de grande altura e rigidez. Os módulos principais são de 7.50 x 5.00 m,ts. O edifício está cimentado sobre um reticulado de vigas apoiadas sobre “pastilhas Raymond”38. (CUÉLLAR, SERRANO, GOMEZ, CIA & LTDA, 1958, n.p.)
As características do Hotel Tequendama mais importantes para esta pesquisa são: a volumetria, com corpo baixo de uso público e corpo alto de uso restrito; a livre conexão com outros edifícios pelo interior da edificação; os acessos de pedestre por diferentes ruas; a criação de galerias internas com espaços comerciais variados; a criação de dois pisos de “térreo urbano” a partir da disposição de diferentes acessos em diferentes cotas e ruas; o volume do corpo baixo mais próximo ao alinhamento das vias; o recuo da torre para o centro da planta e do lote; e a setorização diferenciada entre o acesso de pedestres e o acesso de carros (entrada de pedestre pelas Carrera 10ª e Calle 26, acesso de veículos pela Calle 26 e acesso veículos ao subsolo pela Carrera 13).
ÁREAS DO HOTEL TEQUENDAMA
Piso Área (m2) Subsolo 407.2 Piso principal 451.2 Mezanino 280 14 pisos típicos 6412 Área técnica 186.02 Elevadores 71.38 TOTAL 7807.8
38É possível que se trate de apoios estruturais elastoméricos, ou produtos similares, desenvolvidos originalmente para uso em pontes e viadutos. (cf. por exemplo, https://www.scougalrubber.com/bridge-bearings)
TABELA 13 – ÁREAS DO HOTEL TEQUENDAMA. FONTE: Adaptado do Arquivo do arquiteto Francisco Becerra.
FIGURAS 17 E 18 – RAMPA DE ACESSO AO HOTEL TEQUENDAMA A PARTIR DA CALLE 26 E PORTA DE ENTRADA DO HOTEL TEQUENDAMA (CALLE 26), VISTA DO INTERIOR DO EDIFICIO. FONTE: Acervo pessoal (2019).
FIGURAS 19 E 20 – CORREDORES COM USO DE COMÉRCIO, SERVIÇO E ADMINISTRATIVO FONTE: Acervo pessoal (2019).
FIGURA 21 – VISTA DO CORPO BAIXO DO HOTEL TEQUENDAMA, VISTA CARRERA 13. FONTE: Acervo pessoal (2019).
FIGURA 22 – PLANTA DE AMPLIAÇÃO DO HOTEL TEQUENDAMA. FONTE: Acervo do arquiteto Francisco Becerra.
FIGURA 23 – IMPLANTAÇÃO E CORTES 1 E 2 DO HOTEL TEQUENDAMA. FONTE: BECERRA, 2012, p.21
A segunda obra construída no conjunto pela empresa Cuéllar-Serrano-Gómez foi o Edificio Bochicha (1952-1956). Essa edificação está localizada no meio da quadra do Centro Internacional, na borda da Carrera 13, a oeste. Há duas cotas de acesso de pedestres ao interior do edifício (ver Figura 23): uma em cota mais baixa, a partir da
Carrera 13 (primeiro andar) e uma em cota mais alta (segundo andar), correspondente ao térreo geral do conjunto, no meio do lote onde posteriormente também passarão a ocorrer os acessos de pedestres dos edifícios Residencias Tequendama e Bachué, esses mais próximos da Carrera 10a.
FIGURA 24 – CORTE DO EDIFICIO BOCHICHA. FONTE: Livro Cuéllar, Serrano, Gomez, cia & LTDA, 1958, n.p.
O Edifício Bochicha apresenta estrutura compositiva similar à do Hotel Tequendama: subsolo, corpo baixo alinhado à calçada, com acesso por dois níveis distintos e torre recuada. Neste caso, o subsolo é uma garagem de uso público-privado. O piso principal (térreo), com acesso pela Carrera 13, se desdobra em um mezanino de uso comercial e público. O primeiro piso, com entrada pelo miolo do lote, é também de acesso livre, uso de comércios e serviços, e se desdobra em outro mezanino. Entre o segundo e o nono piso (plantas-tipo da torre) se localizam as áreas para escritórios, de planta livre. No o último andar há uma penthouse.
ÁREAS BOCHICHA
Piso Área (m2)
Subsolo 2129.3
Piso principal (térreo) 2094.9
Mezanino sobre piso principal 1048.6
Primeiro piso 1776
Piso típico (segundo ao nono) - cada um com
1767.00m2 14136
Penthouse 322.5
TABELA 14 – ÁREAS DO EDIFICIO BOCHICHA39. FONTE: Adaptado do arquivo do arquiteto Francisco Becerra.
É importante notar que o primeiro andar hoje apresenta algumas diferenças em relação ao projeto. Primeiramente, na planta original estão previstos apenas locais para escritórios. Atualmente, o edifício conta com lojas, restaurantes e cafés voltados para a praça no interior do Centro Internacional. Além disso, na planta original, não há indicação de portas de entrada a partir do miolo do lote, porém atualmente existe um acesso por ele. Becerra (2012, p. 110-111) sugere que a questão já havia sido pensada previamente: (os) escritórios estão localizados contra as fachadas oriental e ocidental. A relação direta da fachada oriental, com o exterior, favorecerá o acesso no futuro a estas áreas a partir do nível de
pedestre geral do conjunto. 40
FIGURA 25 - LOCALIZAÇÃO DO EDIFICIO BOCHICHA. FONTE: Inserção minha sobre imagem do Google Earth (2020)
39A pesquisa reconhece que os arquitetos colombianos entendem o piso térreo como “piso principal” ou “primer piso”, o que modifica a contagem dos andares que seguem, porém optou por utilizar a maneira brasileira de descrição, sendo o térreo a cota urbana ou piso principal.
40 oficinas están localizados contra las fachadas oriente y occidente. Y la relación directa de las del costado oriental, con el exterior, favorecerá el acceso en un futuro a estas áreas desde el nivel peatonal general del conjunto (BECERRA, 2012, p. 110-111).
FIGURAS 26 – VOLUME DO EDIFICIO BOCHICHA. FONTE: Acervo pessoal (2019).
A volumetria é definida como um paralelepípedo alongado alto sobre um corpo baixo mais amplo que acompanha a curva da Carrera 13. Os pavimentos térreos para acesso público de pedestres em níveis diferentes acentuam o caráter urbano do edifício, que abrange ambos cotas de acesso e mezaninos, e resulta em um interessante jogo de pés direitos variados, presente tanto nas lojas quanto nas áreas de circulação. De acordo com a empresa Cuéllar, Serrano, Gomez,
A estrutura é de concreto armado com entrepisos do sistema reticulado celular e sua área total construída, de 23.667m2, foi dividida em três zonas independentes por meio de juntas de dilatação. A cimentação foi feita sobre “pastilhas Benoto” de 16 metros de longitude. Os módulos principais têm 7 x 7 metros, com grandes balanços nas zonas de mezanino. A espessura das placas é de 40 centímetros na parte baixa e 34 centímetros na parte alta. (CUÉLLAR, SERRANO, GOMEZ, CIA & LTDA, 1958, n.p. )41
41. La estructura es de concreto reforzado; lleva entrepisos del sistema reticular celulado y su área total construída, de 23.667m2, se halla dividida en tres zonas independientes por medio de juntas de dilatación. La cimentación se hizo sobre pilotes Benoto de 16 mts. De longitude. Los módulos principals son de 7 x 7 mts., con grandes voladizos en las zonas de mezzanines. El espesor de las placas es de 40 cmts. En la parte baja y de 34 cmts. en la parte alta. (CUELLAR, SERRANO, GOMEZ, CIA & LTDA, 1958, n.p.)
Entre as características do Edificio Bochicha mais relevantes para esta pesquisa estão: a setorização da edificação em subsolo, corpo baixo com dois níveis de entrada e corpo alto; permeabilidade no interior da edificação; recuo da torre para o interior do lote; planta ortogonal e torre com planta tipo livre; circulação vertical centralizada; diferenciação da fachada do corpo baixo e do corpo alto; e criação de conexões entre os demais edifícios.
FIGURA 27 E 28 – VISTA DO EDIFICIO BOCHICHA NO INTERIOR DO LOTE E VISTA DO EDIFICIO BOCHICHA, CARRERA 13. FONTE: Acervo pessoal (2019).
FIGURA 29 – PLANTA DO PRIMEIRO PISO E DO MEZANINO PRIMEIRO PISO.FONTE: Acervo do arquiteto Francisco Becerra.
FIGURA 30 – DISTRIBUIÇÃO DO SEGUNDO PISO E DO MEZANINO DO SEGUNDO DO PISO EDIFICIO BOCHICHA. FONTE: Acervo do arquiteto Francisco Becerra.
FIGURA 31 – PLANTA TIPO DO EDIFICIO BOCHICHA E PLANTA PISO DO 11º ANDAR. FONTE: Acervo do arquiteto Francisco Becerra.
FIGURA 32 – FACHADA SUL E CORTE DO EDIFICIO BOCHICHA. FONTE: Acervo do arquiteto Francisco Becerra.
FIGURA 33 – FACHADA SOBRE CARRERA 13 - EDIFICIO BOCHICHA. FONTE: Acervo do arquiteto Francisco Becerra.
O terceiro edifício construído no Centro Internacional é intitulado Residencias
Tequendama Sur (1957-1962), também de responsabilidade de Cuéllar, Serrano, Gómez.
Implantada em paralelo à torre inicial do Hotel Tequendama, pode ser acessada de maneiras distintas: a partir da Carrera 10ª, pelo interior do quarteirão, e a partir da conexão com o Hotel Tequendama. Há um acesso a locais comerciais e de serviços no nível da Carrera 13, na mesma cota do acesso principal ao Edificio Bochicha; ao lado, há uma escadaria que leva ao interior do lote por uma marquise linear coberta. No entroncamento entre essa marquise e a praça interna no miolo do lote, há outro acesso ao edifício. A conexão entre o Hotel Tequendama e o Edificio Residencias Tequendama Sur define uma continuidade e homogeneidade entre seus corpos baixos, que compartilham algumas das mesmas zonas públicas de convívio com comércios e serviços no nível da Carrera 10ª. Sobre esse corpo baixo, destaca-se um bloco de apart-hotel, cujo acesso de pedestres, posicionado na porção central dessa torre, é feito a partir do térreo na cota projetada da Carrera 10ª e pelo miolo do quarteirão.
FIGURA 34 - LOCALIZAÇÃO DO EDIFICIO RESIDENCIAS TEQUENDAMA SUR. FONTE: Inserção da minhasobre imagem do Google Earth (2020)
A volumetria foi definida levando em consideração seus dois vizinhos, seguindo uma mesma estrutura compositiva: subsolo, corpo baixo com dois níveis (térreo + 1) e torre. A fachada em seu lado mais longilíneo pode ser entendida como um conjunto de aberturas moduladas em parte opacas (acabamento em pedra calcárea ou “piedra caliza sabanera”) e parte vazadas arrematadas por uma varanda, em concreto, no último andar; nos dois lados de menor dimensão há um conjunto de varandas em balanço e em concreto aparente.
Parece possível visualizar aqui um processo gradual de transformação no tratamento das fachadas do Centro Internacional: o Hotel Tequendama, revestido em tijolos, é o primeiro a ser projetado e também aquele que mais se diferencia em relação a materialidade; o edifício Bochicha insere o uso da pedra como acabamento da fachada, cria janelas em fita intercaladas com revestimento em pedra; o edifício Residencias Tequendama Sur se apropria desse material para criar a composição das aberturas modulares opacas e vazadas, arrematadas por uma varanda em concreto. Acrescenta também varandas em balanço em concreto aparente. O concreto, que aqui aparece ainda de maneira tímida, desembocará, a seguir, em edifícios com características mais